Dizem os especialistas que a gente tem que se planejar no
fim do ano que termina para atingir as metas no ano que chega; traçar metas e
tentar cumpri-las. Eu gostaria muito de ter essa organização e espírito de
determinação.
No meu caso, costumeiramente, nada do que planejo, se por
acaso o faço, dá certo. Às vezes prefiro ir na aventura mesmo ou não fazer.
Vejo muitas pessoas quando chega o fim do ano, principalmente na virada para o Ano-Novo,
fazendo promessas diversas.
Muitos e tantos chegam a acreditar que vão realizar o
planejado e muitas vezes realizam mesmo. Da mesma forma que sou diferente de
todo mundo, prefiro ir levando, já que em outros momentos cheguei a listar
vários objetivos e nenhum eu consegui atingir tal o grau da minha
desorganização pessoal.
Não posso dizer que 2015 tenha sido o pior ano da minha vida;
isso não. Apesar dos problemas que o país está passando e os que tenho
vivenciado, esse não foi dos piores e passou tão rápido que nem acredito que tenha
terminando.
Nessa altura do campeonato o que desejo mesmo é um pouco
mais de saúde; clemência do criador para me dar um pouco mais de chance; um
pouco mais de vida, para que eu continue trabalhando e fazendo minhas próprias
tarefas.
Diz o poeta que a receita para um ano-novo é que você se
renove primeiro, pois não adianta você querer que o ano te traga mudanças se
você não mudar primeiro. Nesse caso quem tem que se renovar sou eu.
Resolvi já há algum tempo, viver a vida de forma leve,
tentando aproveitar o que ela tem de mais belo, sem me importar com o amanhã.
Viver cada momento da forma como posso,
tentando dar mais suavidade aos dias que me restam.
Nunca fui de me importar e querer luxos e riquezas; apenas
quero tentar viver com um pouco de conforto e sem fardos, já que carreguei
pesos muito pesados. Com o tempo, fui me desfazendo das mágoas e das raivas.
Não adianta a gente carregar sentimentos assim dentro de
nós; eles só nos tornam pessoas angustiadas, nervosas e sem sossego. Já me
livrei desses inconvenientes tem muitos anos e hoje em dia procuro o melhor de
mim.
Nunca fui de me importar com a opinião alheia no que se
refere à minha vida. Sempre tive um pouco de rebeldia e sigo carregando comigo
o sentimento de libertação. É muito bom a gente ser livre, não ter que dar
satisfação da nossa vida para segundos e nem terceiros, a não ser que tenhamos
disposição para isso.
De pronto a gente vai começar um ano com esperança e
positividade, fugindo daqueles clichês, mas esperando o melhor para nós e para
todos aqueles que ainda acreditam num mundo mais humano e mais fraterno, sem
xenofobias, racismos e sem ódio dentro de cada um de nós.
De resto, sem planejar e sem querer atingir metas mirabolantes,
quero desejar um Ano-Novo de paz, harmonia, comida na mesa de todos os
alagoanos, muita cultura, saúde, diversão e arte para todos. Feliz 2016!
O artista plástico paranaense José Achiles Escobar, nasceu em Cambará, no Paraná, e é um entusiasta da cultura popular alagoana, mas numa conversa franca com a reportagem ele fala de diversos assuntos e avalia que a cultura patriarcal está totalmente falida.
Achiles Escobar conta que está trabalhando as peças em seu ateliê Tendão d’Aquiles, que este ano completa 25 anos e também serve de escola para alunos de bairros como o Jacintinho, Reginaldo e Jaraguá, que vão até o local aprender as técnicas de sua arte. Fotos: Paulo Tourinho
Com ateliê e residência no bairro de Jaraguá, Achiles Escobar reclama da falta de incentivo à cultura popular e quer resgatar uma figura do carnaval, que em Alagoas está esquecida: a Ala Ursa, que sai no boi de carnaval.
“Esse resgate é porque as pessoas estão matando alguns personagens dos autos da cultura popular alagoana, devido a essa questão das mudanças; uma discussão de que tudo é contemporâneo”, destaca.
Segundo ele, o objetivo de fazer esse resgate, é para que não morra essa tradição. “O Ala Ursa nasce no bairro do Reginaldo e é preciso que se coloque mais em evidência, porque ele é um trabalho de marketing; é uma figura mitológica: é o corpo humano com a cabeça animal”, destaca.
Achiles Escobar comenta que numa exposição que viu em São Paulo, da obra de Pablo Picasso, tinha a figura de um minotauro violentando uma mulher. “Então eu vou trabalhar também essa apologia do Ala Ursa e do boi, do ponto de vista da crítica social, da violência dentro da cultura”, argumenta.
Segundo ele, o Ala Ursa também é uma parte poética que não tem mais no boi de carnaval. “E eu estou tentando fazer um resgate plástico; ele tem um visual bonito; a gente pode fazer um personagem para ele representar o período de carnaval em Alagoas”, opina.
O artista plástico avalia que esse personagem do carnaval era para estar na orla; interagindo na prévia do carnaval. “Esse personagem ele está desaparecido, está propício a desaparecer”, reclama.
Achiles Escobar conta que está trabalhando as peças em seu ateliê Tendão d’Aquiles, que este ano completa 25 anos e também serve de escola para alunos de bairros como o Jacintinho, Reginaldo e Jaraguá, que vão até o local aprender as técnicas de sua arte.
A versatilidade desse artista, que adotou alagoas de coração, chama a atenção de quem visita seu local de trabalho. De artista a professor, ele comenta que tem peças que saíram no carnaval do ano passado.
“Esse ano quero colocar dois Ala Ursa, no bloco Jaraguá é o Bicho, que vai fazer dez anos e desfila com os alunos do ateliê”. Segundo ele, o bloco nasceu de uma ideia de que o bairro, para ser um polo cultural tinha que ter uma manifestação. “Dez anos atrás não tinha nada; aí num projeto da Secretaria de Cultura nós criamos o bloco. O alagoano era tão desinformado que ele não sabia o que era um Jaraguá”, ressalta.
‘O bicho veio para entrar no Jaraguá e fazer uma revolução’
Achiles observa que foi fazer a pesquisa e encontrou num CD do Chique Baratinho, que eles têm a figura de um Jaraguá. “Pesquisei na internet e batizei o nome do bloco de Jaraguá é o Bicho. Eu criei um bicho exótico tipo um dragão, que ele vem na transversal do tempo, na contramão da anticultura”, argumenta.
O bicho, segundo o artista plástico, veio para entrar no Jaraguá e fazer uma revolução. “Esse nome é forte; é importante. Na linguagem indígena ele é o senhor dos montes, é o dedo de Deus; a parte mais bonita. Quando ele está na terra, é um jaraguá, quando entra no mar se transforma numa sereia. É a questão de se colocar a lenda de como surgiu o bairro”, descreve.
Achiles Escobar explica que no segundo ano de desfile do bloco foi acompanhado pelo grupo de maracatu Baque Alagoano. Segundo ele, há uma dificuldade muito grande de se aglomerar pessoas para falar de cultura.
O artista plástico reclama que com o decorrer do tempo as coisas foram mudando em Maceió. “Meu ateliê teve que fechar, por conta da mudança do trânsito, a violência desenfreada; a desvalorização da arte, porque hoje em dia não se consegue mais sobreviver de arte; eu ainda sou o último moicano, sou persistente, acredito que a arte é uma alavanca para a transformação, mas isso não pode partir da mente e ficar apenas uma utopia minha, tem que ser uma coisa universalizada, que agrega muitos valores”, reforça.
Achiles Escobar avalia que a arte conta a história de um povo e faz muito bem, mas que a cidade de Maceió está meio perturbada, vivendo um período muito sério na questão da negritude, da consciência negra, da religião de matriz africana.
“Os preconceitos que estão aflorando, esquecendo que existe outra cultura; ela é mais liberta, não é essa cultura repressora, de entrar em questões de valores que a gente já sabe, desde que o Brasil é Brasil e que o mundo é mundo”. Segundo ele, o preconceito é o que impede a arte de existir.
E quando a gente menos espera, já é Natal; o ano passou como
um furacão e nem realizamos as promessas do ano anterior. Tudo aquilo que
idealizamos foi ficando para trás e muita coisa perdeu a prioridade e a
importância. Já foi.
Parece que foi ontem que brindamos a chegada de um Ano-Novo:
o tempo passa muito depressa e a gente nem vê. Estamos tão ocupados no dia a
dia com nossos afazeres, que às vezes nos esquecemos de viver o que a vida tem
de melhor.
Às vezes partimos do princípio de que precisamos estar numa
correria desenfreada pela sobrevivência, pelos bens materiais e nem temos tempo
de olhar as flores em nosso caminho; a delicadeza dos pássaros e das cores. A
vida vai passando depressa e nem saboreamos tudo aquilo que ela nos oferece.
Em 9 de janeiro, já estarei completando idade nova e nem me
acho com essa idade toda. Nessa época do ano sempre me ponho pensativa e
introspectiva. Talvez pelas perdas que já tive de tantos entes querido que já
se foram e talvez eu tenha esquecido de valorizar.
Eu ainda prefiro preservar meus hábitos, meus gostos
musicais, leituras e tudo aquilo que angariei em termos de conhecimento que a
vida me trouxe. Faltando poucos dias para a chegada de 2016, ainda não acredito
que este ano já esteja chegando ao fim. Para algumas pessoas, 2014 nem acabou. O
inacreditável ano cheio de complicações para o nosso país.
A corrupção desenfreada sendo descoberta, que antes ficava
embaixo do tapete e que enoja a gente que tem princípios e deixa os demagogos
de plantão com a pulga atrás da orelha. Nuances na esfera política que a gente
nunca imaginava que poderiam vir a acontecer.
Em se tratando de briga pelo poder, eu não me surpreendo
mais com nada; não podemos esperar muito de alguns dos nossos ‘líderes’,
infelizmente. A ambição, na maioria das vezes supera o entendimento do que seja
ética para muitos. Os homens (seres humanos) se perderam no caminho nessa seara.
Perderam-se no egoísmo e na luta para não perder o status
quo. Começo a pensar que todo ano nossas avaliações se repetem; erros e acertos
também e aquele desejo de sermos melhores a cada ano vai se diluindo com o
passar do tempo.
Entendo que muita coisa independe de nós, em algumas
ocasiões. Um projeto coletivo tem suas
divergências, até para ser mais fortalecido numa democracia, mas muitas vezes
algumas situações me fogem à compreensão.
Avalio eu que precisamos procurar compreender o que nos foge
à percepção; conhecer e não fazer julgamentos precipitados a respeito de tais e
tais questões. Para cada situação é necessário encontrar um argumento plausível
e aceitável.
Segundo Maurício Tragtenberg, na Revista Espaço Acadêmico, “as diferenças pessoais tornam-se
incompatibilidades políticas; invejas tornam-se discordâncias de procedimento;
questões menores se transformam em argumentos diversos”, mas é preciso “pronunciar
as palavras certas, que não denunciem a expressão individual oculta ou
subalterna”, observa. Para refletir.
Meu texto de hoje é para fazer uma pequena retrospectiva
desse ano, que termina com a adrenalina dos brasileiros colocada à prova. São
muitos os acontecimentos na seara política. O
país está vivendo um momento delicado, desde o final das eleições de
2014.
Os derrotados nas urnas ainda não se conformaram com a
vitória da presidente Dilma Rousseff, que desde então só administra problema.
Muitos erros aconteceram, mas isso não é motivo para que se coloque o país e a
nossa democracia em risco.
E lá se vai um ano quase perdido; o país está praticamente
parado em decisões importantes, tendo em vista essa peleja, acentuada com o
pedido de impeachment aceito pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB),
um político sem escrúpulos, como já foi mostrado amplamente.
Vários especialistas de renome têm reafirmado que essa
bandeira de impedimento levantada por alguns setores da oposição é uma farsa,
como bem disse o ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto.
“O Brasil já enfrentou crises em sua história e aprendeu uma
valiosa lição: a democracia é o melhor remédio para superar impasses”. Essa
aventura foi gerada pelo inconformismo do senador Aécio Neves (PSDB).
Não conformado com a derrota, fomentou vários factoides na mídia
vendida, e como bem disse uma postagem engraçada no Facebook, é o único caso de derrota que subiu à cabeça
e que acirrou os ânimos de pessoas inescrupulosas que pretendem rasgar a nossa
Constituição.
Muita gente foi para a rua pedir a saída da presidente,
eleita legitimamente pela maioria, porque se sente incomodada com as melhorias
sociais proporcionadas pelos governos Lula e Dilma. Isso é fato.
Não se conformam com o país ter saído do estado de miséria
absoluta; com cotas sociais; com o programa Bolsa Família e outros programas
que melhoraram a vida de quem não tinha sequer o que comer. Isso é egoísmo e
não estou falando isso achando que o país está às mil maravilhas, porque não
está.
Muitas dessas pessoas não leem e outras pensam assim por
puro oportunismo mesmo. Até aqui nada foi provado contra a presidente Dilma
Roussef. Não há nada que justifique um
pedido de impeachment contra essa mulher guerreira que enfrentou uma ditadura,
foi torturada e sobreviveu aos maus tratos de seus carrascos.
Construiu-se uma tese política falsa, tumultuaram o país e
não querem a governabilidade. Que se apurem os escândalos, doa a quem doer,
puna-se os verdadeiros culpados, porque o povo não aguenta mais tanta
sacanagem.
Que o Tribunal Superior Eleitoral e as outras instâncias
representativas do Poder apurem suspeitas de abusos de poder político e
econômico e outras irregularidades, mas que não se construam teses falsas em
nome de uma oposição que sequer tem projeto político para o país. Fica a dica.
Encerrando a programação de eventos do grupo cultural Identidade Alagoana em 2015, acontece amanhã (16), a partir das 18h, no anexo do Deodoro, o 7° Encontro Artístico Identidade Alagoana, que continua com a proposta de misturar as diferentes vertentes da cultura alagoana em uma só noite.
Encerrando a programação de eventos do grupo cultural Identidade Alagoana em 2015, acontece amanhã (16), a partir das 18h, no anexo do Deodoro (Fotos: Paulo Tourinho)
O evento é gratuito e além dos shows musicais, haverá recital de poesias, apresentações de dança, venda de artesanato e artes visuais. A proposta é que o espaço abrigue as diferentes formas de arte produzidas em Alagoas e que estas se encontrem em um só local.
A reportagem do Primeiro Momento foi conversar com alguns integrantes do grupo, na Casa da Macaxeira, no bairro do Poço, para saber mais sobre o evento. O 7° Encontro terá as exposições de desenhos do professor Eduardo Omena; a tradicional feira livre de produtos artesanais, a realização de uma Roda Marginal e a participação do Grupo Teatral Joana Gajuru.
No encontro, o produtor, músico e artista multifacetado Arnaud Borges será um dos grandes destaques e será homenageado. Ele disse que vai falar sobre a sua trajetória artística no Estado e sua experiência como artista.
No encontro, o produtor, músico e artista multifacetado Arnaud Borges será um dos grandes destaques e será homenageado.
“Sou poeta, produtor, músico e faço um pouco de tudo no meio cultural. Nasci em Maceió, fui a Junqueiro; de lá para Viçosa, onde aprendi o formato da essência da cultura, como um todo, principalmente a cultura periférica, que eu amo e é aquela de onde eu vim também”, destaca.
No 7º Encontro Artístico Identidade Alagoana, Arnaud Borges vai tocar e convidar grandes artistas da música alagoana para dividir o palco do Teatro de Arena Sergio Cardoso. Ele conta que vivenciou muito a cultura no Quilombo Sabalangá, lá em Viçosa.
A reportagem do Primeiro Momento foi conversar com alguns integrantes do grupo, na Casa da Macaxeira, no bairro do Poço, para saber mais sobre o evento.
“Minha mãe trabalhava na Escola Coronel José Aprígio Vilela e quando vinha a Maceió transitava pela Rua Lago da Paz, no Vergel do Lago, ou seja; dois quilombos. Observava onde as pessoas criavam e recriavam sua própria cultura, sem precisar de moldes politiqueiros, de todo e qualquer governo”, pontua.
Arnaud Borges destaca que o grupo Identidade Alagoana amplia a cultura popular. “Hoje é um dos meios que faz com que a gente se aproxime de artistas para com artistas, com os mestres e com o mundo: tem essa acessibilidade a partir do Identidade Alagoana, que movimenta a cultura como um todo”, destaca.
Arnaud Borges destaca que o grupo Identidade Alagoana amplia a cultura popular.
No encontro terá peças da cultura popular, composições autorais, grupos de hip hop, que vão versar improvisando, o tema é o que vem na hora. Diego Marcel, outro representante do Identidade Alagoana disse que todo encontro é assim.
“A gente tenta misturar música com outras manifestações culturais; usa diversas ferramentas como a internet; com site, página no Facebook; um programa de rádio comunitária; tudo o que a gente pode usar para divulgar a cultura”, observa.
Segundo ele, vai ser uma noite de uma utopia de uma noite só, como vem acontecendo há sete anos. “A gente trabalha misturando tudo, envolve muita poesia. É um encontro artístico de artes diferentes, com performance teatral do Joana Gajuru”, destaca.
O evento será também uma oportunidade para os artistas mostrarem seus talentos e trocarem informações entre eles. Todos os artistas que vão participar têm músicas em parceria com Arnaud Borges.
Alagoas tem uma efervescência cultural que aos poucos está
se consolidando e sendo reconhecida de parte a parte. Na atividade ‘Maceió Meu
Xodó’, comemorativa ao bicentenário da capital alagoana, cerca de 400 artistas
alagoanos mostraram sua força e garra.
A nossa cultura, a nossa gente, tradições, e a diversidade
de sons, cores e emoções que emocionaram e encantaram o público presente à
festa. Cantores, bailarinos, grupos folclóricos, afros, forrozeiros e quadrilha
junina deram o tom da festa, levando ao público uma apocalíptica gama de
emoções, cantando e comentando sobre o evento ainda hoje.
Alagoas não precisa importar em muitos eventos valores de
fora para fazer festas. Aqui tem muita gente boa e de talento, que não deixa a
desejar aos grandes centros culturais. Amada e cantada em verso e prosa por
Eliezer Setton, Leureny Barbosa, Nara Cordeiro, e tantos outros artistas, nossa
terra foi lembrada como nunca, numa explosão de alegria, as cores do guerreiro
e do pastoril, deixando o público cheio de encantamento e surpresa.
A cidade do sururu da lagoa, de Nossa Senhora dos Prazeres,
do mar azul piscina, da cor encantada, terra do sol, de canto e de alegria. Foi
isso o que nos deixou de legado o Maceió Meu Xodó: um presente que recebemos
agradecidos e que esperamos tenha reflexo na nossa autoestima daqui para
frente.
Precisamos nos orgulhar, sim. Da poesia do Lêdo Ivo, das
histórias de grandes amores; dos nossos valores, da nossa cultura, da nossa
gente. Da terra de Graciliano Ramos e Jorge de Lima; terra de Zumbi; de grandes
amores, poetas, artistas tantos que a gente nem sabe dizer quantos.
O som do Matuto de Luxo, Geraldo Cardoso, chega nesta sexta-feira,
11, em Arapiraca, depois de percorrer várias cidades de Alagoas e Pernambuco. O
show acontece no Mercado de Artesanato, no Parque Ceci Cunha, a partir das 20h,
dentro do projeto Som na Praça, que acontece toda semana.
O evento terá participação do violeiro João de Lima; de
Afrísio Acácio e Chau do Pife. Com a presença de grande público, Geraldo
Cardoso promete fazer uma grande apresentação, com muito forró, levando aos
arapiraquenses muita alegria.
“Meu povo de Arapiraca e região, nosso encontro está marcado
nesta sexta, 11, e quero todos botando pra torar no suingue da nossa pegada
forrozeira”, disse. O forrozeiro
alagoano se firma a cada ano no
cenário nordestino como uma das grandes atrações no gênero, atraindo um público cada vez maior por onde tem
passado.
O encontro dos artistas da região é a opção de diversão e um
fôlego de vida para apreciadores da cultura popular. A riqueza desse projeto
tem sido percebida pelo público, que lota o espaço para dançar e cantar ao som
de bandas de pífanos, zabumba, emboladores, forrozeiros ou mesmo novos artistas
da música popular.
O show do forrozeiro
Geraldo Cardoso é levado à cidade, por intermédio da emenda do deputado federal
Paulão (PT) e do Ministério da Cultura (MinC).
Olívia de Cássia - Repórter - Tribuna Independente e Portal Primeiro Momento
Com a presença do juiz André Gedda Peixoto Melo, juiz da 10ª Vara Civil de Arapiraca e coordenador do projeto Justiça Itinerante, o Tribunal de Justiça de Alagoas realizou o primeiro Casamento Homoafetivo, na tarde desta segunda-feira, 7, no jardim do Teatro Deodoro.
Dezesseis casais LGBT e três heterossexuais oficializaram a cerimônia, que contou com o público LGBT e vários setores da sociedade civil. Foto: Adailson Calheiros
Dezesseis casais LGBT e três heterossexuais oficializaram a cerimônia, que contou com o público LGBT e vários setores da sociedade civil, como o a vereadora Teresa Nelma; a psicóloga Cláudia de Bulhões; a superintendente de Direitos Humanos, Ana Omena; Dora Menezes, coordenadora de Políticas LGBT do município de Maceió; Cininha de Freitas, coordenadora de Políticas Públicas LGBT do Estado de Alagoas; a museóloga Carmem Lúcia Dantas, entre outras personalidades da sociedade alagoana.
O juiz André Gedda disse que esse é um momento muito importante para a sociedade. “Me sinto muito feliz num momento como esse, de estar realizando a primeira cerimônia coletiva de casamento homoafetivo. Qualquer cidadão, independente da sua orientação sexual, tem direito de constituir seu convívio familiar”, observou.
Segundo ele, ainda há muita discriminação com relação com relação aos homossexuais, mas avalia que aos poucos essa cultura vai mudando. “É fato social, tem que ser tutelado pelo direito e as pessoas têm que mudar essa mentalidade. Está na Constituição o direito à igualdade, à dignidade da pessoa humana, e as pessoas devem respeitar as diferenças e a orientação sexual, cada um escolhe a sua”, destaca.
André Gedda disse que o casamento coletivo homoafetivo é um marco para a sociedade alagoana. “A gente tem que olhar em duas vertentes: Primeira como forma de legalização dos sentimentos; afetividade, o carinho; o amor, sentimentos que nutrem o ser humano, independente da orientação sexual”, ressaltou.
Segundo ele o casamento homoafetivo é igual a um casamento homem mulher, porque gera todos os direitos ao cidadão. “Passa a ser de comunhão parcial de bens, tudo o que é adquirido na constância da união pertence ao casal, direitos previdenciários, como pensão por morte, sem que um deles precise entrar na Justiça para ter direitos”, observou.
EMOÇÃO
Há seis anos na presidência do Grupo Gay de Alagoas (GGAL), Nildo Correia, emocionado e com lágrimas nos olhos, disse à reportagem que a realização do evento foi com muita dificuldade. “Foi com muito impasse; muita gente querendo impedir o trabalho do movimento, infelizmente”, observou.
Nildo Correia reclamou que na maioria das vezes, não pode contar com a participação de muitos parceiros, devido às dificuldades, para se conseguir apoio para a realização de um evento como esse. “Mas mesmo assim o movimento está firme e forte e dá início hoje ao 15º Ciclo de Ativismo LGBT”, observou.
“É um sentimento de vitória, mesmo com todas as dificuldades vividas, além das financeiras, para fazer o evento. Faltam pessoas, voluntários, que se engajem, mas o movimento LGBT aos poucos vai conquistando seu espaço”, disse Nildo Correia.
Segundo ele, há 15 anos o movimento luta pela melhoria da qualidade de vida da população LBGT. “Mais que festa esse é um momento de afirmação, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheceu os casais homossexuais como entidade familiar; é um momento macro na história do Estado de Alagoas”, pontuou.
Advogado disse que é importante que a sociedade reconheça a existência de um terceiro sexo
O advogado Alberto Jorge (o Betinho), da Comissão de Minorias Sociais, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB\AL) parabenizou o Grupo Gay de Alagoas (GGAL) pelo evento e disse que é importante que a sociedade reconheça a existência de um terceiro sexo.
“Hoje é uma realidade no Estado de Alagoas, nada mais justo do que a gente presenciar esse momento. A Constituição Federal ampara negros; índios; a religiosidade afro-brasileira; e também os homossexuais”, explicou.
Segundo o advogado, esses casais hoje estão com uma definição de vida, voltada para a convivência e o bem-estar: “É um momento oportuno para a vida dessas pessoas, que estão dizendo sim a um relacionamento; a uma convivência homoafetiva; dizendo que estão propensos para amar, da forma deles.
Betinho argumenta que é um momento significante “e a Ordem dos Advogados do Brasil, através da Comissão de Minorias Sociais, está aqui para presenciar com muito orgulho e dizendo para a sociedade alagoana que isso é um avanço, não é um retrocesso como dizem os nossos irmãos evangélicos e alguns católicos”, ressaltou.
Segundo ele, a sociedade está presenciando o amor existente entre os seres humanos. “Essas pessoas são discriminadas, muitos expulsos de casa, por causa da opção sexual, foram para o mundo e hoje estão mostrando para a sociedade que o preconceito é completamente equivocado”, destacou.
CARTÓRIO
Seu Sebastião Cassiano é oficial do Cartório de Registro Civil de Casamento, que oficializou a cerimônia coletiva e disse que desde 2011 a lei garante o direito aos casais homoafetivos. “Esse é um momento muito importante para a sociedade e para as pessoas que estavam ansiosas para que a lei lhes desse o direito a essa oportunidade; isso é muito bom”, observou.
Nilton Alves vive uma relação de quatro anos com Jeferson e resolveram oficializar a união. “A gente aproveitou, que já era um sonho nosso, pois temos uma vida juntos e esse momento mais que especial para concretizar isso”, destacou.
Nilton Alves avalia que há muito tempo os casais gays construíam uma vida juntos, dividiam tudo o que tinham e no final, quando um falecia, o outro não tinha direito a nada: “Hoje em dia, não. Isso assegura o direito de cada um. Às vezes a família, a vida todinha não dá valor e quando chega na divisão dos bens, faz questão”, observou Nilton.
Geraldo Melo e Anderson Fernandes vivem juntos há dois anos. “Para nós é a realização de um sonho, concretizar a nossa união”, disse Geraldo Melo. Ele observou que já conversam sobre adoção, mas que são planos para o futuro.
Andressa Pedrosa e Taciane Samara estão juntas há quatro anos e disseram que já têm um caso há seis anos. “Começamos na escola, na sétima série; não tem um começo certo. A gente estudava juntas e depois fomos nos conhecendo; eu fui viver minha vida e depois nos reencontramos’, observa Andressa.
Hoje, segundo elas, realizaram um sonho de quatro anos de espera pelo documento. Já temos uma filha e vamos registrar, ela vai fazer quatro anos, no registro só tem o nome de uma e agora vai ter o nome das duas.
O casal hetero Graziano e Elisabete resolveu selar a união no casamento coletivo homoafetivo, porque segundo eles, é uma forma de mostrar que não têm preconceitos. “Somos todos iguais; estamos juntos há oito anos, temos filhos e resolvemos participar do evento”, disse a noiva.
O Matuto de Luxo Geraldo Cardoso foi um dos artistas que
animou a noite deste sábado, 5, no Estacionamento de Jaraguá, na festa de encerramento
das comemorações de aniversário do bicentenário da capital alagoana, no evento Maceió Meu Xodó.
A apresentação do Matuto de Luxo foi com a quadrilha
Amanhecer do Sertão, vencedora do concurso de quadrilhas juninas Forró &
Folia 2015. A festa teve a participação de cerca de 400 artistas das diversas tribos:
forrozeiros, cantadores, cantoras, dançarinos, que exibiram a cultura alagoana, num espetáculo
nunca visto antes pelos alagoanos.
O forrozeiro Geraldo Cardoso fez uma bela apresentação, mostrando ao
alagoano o que tem de melhor no nosso forró de raiz. O show aconteceu como
resultado de um trabalho coletivo que envolveu vários profissionais entre
técnicos e equipe de produção. Segundo a assessoria da Prefeitura, o espetáculo
será reapresentado no próximo dia 20, no Benedito Bentes.
A Fundação Municipal de Ação Cultural (Fmac), contou com
mais uma importante parceria para a realização da festa, com o Ministério da
Cultura (MinC), por meio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural,
graças à emenda parlamentar do deputado federal Paulão (PT).
Geraldo Cardoso é um dos artistas nordestinos mais gravados
e solicitados para eventos em toda Região Nordeste e disse que se sente honrado
em ter participado do evento, que reunião a nata da cultura alagoana.
“Também quero agradecer, mais uma vez, à Prefeitura de
Maceió; a Vinicius Palmeira e ao deputado Paulão, por ter proporcionado esse
congraçamento de artistas, que resultou numa bela festa”, pontuou Geraldo
Cardoso.
A festa de encerramento das comemorações dos 200 anos de
Maceió levou um grande público ao Estacionamento de Jaraguá, na noite deste
sábado, 5, dia do aniversário da cidade. A Prefeitura de Maceió caprichou na
estrutura do evento.
Durante todo o dia de atividades, teve circuito de corrida,
seguido de missa solene, exposição de velas na orla, apresentação da
Esquadrilha da Fumaça, desfile cívico, projeções em 3D na Associação Comercial
e finalizado com o espetáculo Maceió Meu Xodó, onde a diversidade cultural do
Estado de Alagoas foi cantada em verso e prosa.
O prefeito Rui Palmeira falou à reportagem e disse que é uma
alegria grande (ter promovido o evento); uma festa linda como essa, com
Esquadrilha da Fumaça, com desfile
cívico e agora, com chave de ouro, com apresentação de artistas
alagoanos fazendo um belíssimo show”, pontuou.
Para o presidente da Fundação Cultural de Maceió (Fmac),
Vinicius Palmeira, o evento é uma festa “que tem uma intenção de levantar a
autoestima dessa terra nossa, que faz 200 anos e que a gente entende que são
esses valores que fazem com que a gente avance e que retome o amor à terra e à própria valorização
da cultura”, disse Vinicius Palmeira.
O presidente da Fmac observou que é um grande momento histórico-cultural
e que traz os ícones da cidade; o investimento foi com pessoas nossas mesmo;
nossos grupos, nossos cantores e cantoras; atrizes e atores; bailarinas, nessa
grande festa para mostrar à própria terra o que de grandioso ela tem”, pontuou.
Vinicius Palmeira disse ainda que “somos a geração que está
vendo a festa dos 200 anos; talvez uma próxima comemoração seja daqui a 50 anos
e com certeza muitos de nós não estará aqui e acho que o capricho e o esmero a
essa data é lembrando disso: do respeito que toda essa geração tem que ter para
deixar isso como um legado para as próximas gerações”, destacou.
Segundo ele, o resultado foi compensatório: “A gente se
sente compensado pelo resultado, pois o maceioense tem abraçado esses valores,
a exemplo disso as esculturas que acabamos de colocar na orla (do escritor
Graciliano Ramos e do lexicógrafo Aurélio
Buarque), que está tendo uma interatividade enorme”, explicou.
Vinicius observou ainda que a cidade se apropriou daquilo
que ela percebe que é dela “ e é nesse clima que nós comemoramos os 200 anos de
Maceió. Estamos muito felizes em estar aqui, com a cidade e dizer a ela que 200
anos (a festa) está só começando, que temos uma vida pela frente)”,
complementou.
IDEIAS
O secretário de Comunição, Clayton Santos disse que quando
pensou na festa, tinha muitas ideias e uma delas era trazer alguém de fora para
fazer o show e cogitou-se vários nomes. “Mas acho que foi a decisão mais
acertada fazer os shows com os artistas locais, alagoanos, valorizando os
artistas locais; essa valorização tem sido uma constante na gestão do prefeito
Rui Palmeira, haja vista o São João; o
terceiro feito pela gestão, entre outros eventos, como o Maceió Verão”, destacou.
Deputado Paulão,
autor da emenda que permitiu a festa, disse que a parceria com a Fmac já vem de
algum tempo
O deputado Paulo Fernando dos Santos (Paulão-PT), autor da
emenda que proporcionou a festa dos 200 anos de Maceió, observou que a parceria
com a Fmac já vem de algum tempo, desde a realização do São João de 2014.
“A gente já tem uma parceria com a Cultura desde que assumi:
Vinicius levantou a ideia para mim, relativo ao São João de 2014. Nós
apresentamos uma emenda de um milhão, discutimos com ele a metodologia da
emenda, com a descentralização de todos os bairros. Cada quadrilha, cada grupo
cultural tem um processo de movimentar não só a cultura, mas a economia”,
destacou.
Paulão explicou que depois o presidente da Fmac apresentou outra
ideia: a proposta dos 200 anos de Maceió e ele apresentou outra emenda com o
mesmo valor. “Eu fico triste, porque a cultura não é valorizada e ela tem um
papel fundamental; mas ao mesmo tempo tem um lado positivo que me envaidece: fui
o único deputado que colocou uma emenda de um milhão; o maior valor da história
do Congresso Nacional”, pontuou.
Paulão disse também que a cultura levanta a autoestima da
população “e isso é fundamental, principalmente na periferia. Maceió, de acordo
com uma pesquisa sociológica, está entre as cidades mais violentas do país e eu
não tenho dúvida que, além da educação, é por meio do esporte e da cultura que
você pode dialogar com a juventude, que tem um papel fundamental”, destacou.
Segundo ele, é importante ter uma visão republicana; “uma
atividade dessa, chama as famílias, cria uma agenda na cultura, no turismo e na
economia, estou feliz por ter contribuído com isso”, pontuou.
O Matuto de Luxo Geraldo Cardoso, forrozeiro de raiz vai participar do espetáculo Maceió Meu Xodó, em comemoração pelos 200 Anos de Maceió, que acontece neste sábado, 5, dia do aniversário da cidade.
O Matuto de Luxo Geraldo Cardoso, forrozeiro de raiz vai participar do espetáculo Maceió Meu Xodó, em comemoração pelos 200 Anos de Maceió, que acontece neste sábado, 5 (Foto: Paulo Tourinho)
O show acontece no estacionamento de Jaraguá, às 20h, e contará com a participação de 400 artistas que vão cantar, dançar e exibir a nossa cultura, num espetáculo nunca visto antes pelos alagoanos.
O espetáculo é fruto do trabalho coletivo que envolve além dos cerca de 400 artistas vistos em cena, 150 profissionais entre técnicos e equipe de produção. Para que tudo isso se tornasse real a Prefeitura, por meio da Fundação Municipal de Ação Cultural (Fmac), contou com mais uma importante parceria com o Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural, graças à emenda parlamentar do deputado federal Paulão (PT).
A direção de cena e elenco do espetáculo traz a assinatura de Glauber Teixeira e David Farias; direção musical do maestro Almir Medeiros. Já a arquiteta Mirna Porto é responsável pelo projeto de toda estrutura.
“Para mim é uma alegria estar participando desse evento comemorativo aos 200 anos de Maceió”, ressaltou Geraldo Cardoso, que fará uma apresentação musical descontraída, prometendo muita animação.
“Quero agradecer à Fmac e ao deputado Paulão, por ter apresentado a emenda parlamentar que deu suporte mais esse evento”, pontuou o Matuto de Luxo.
O Maceió Meu Xodó terá nove blocos distintos entrelaçados por momentos especiais de exaltação às tradições, manifestações, grupos e artistas representativos do nosso “ser maceioense”.
O evento começa com o show de abertura, seguido pelo ‘Boa Noite’ com os artistas ocupando toda a estrutura de palco, passarela e elevador. Na sequência vêm os momentos ‘Xangô Rezado Alto’, ‘Maceió Folia’, ‘Giro de Folguedos’, ‘Maceió, Isso Aqui Tá Muito Bom!’, ‘Som da Cidade’, ‘Tons de Maceió’, e ‘Maceió, Minha Sereia’ fechando o roteiro.
Entre as músicas a serem cantadas e encenadas estão as clássicas Ponta de Lápis, de Beto Barbosa; Minha Sereia, de Carlos Moura; Só Gosto de um Amor Só, de Aldemar Paiva; e Cidade Sorriso, de Edécio Lopes. E tem muito mais: Maceió, Meu Xodó, de Chico Elpídio; Coisas da Natureza, de Toni Augusto; Não Há Quem Não Morra de Amores, de Eliezer Setton; a emocionante Senhora dos Prazeres, de Máclein; e Mundaú Manguaba, de Ricardo Mota.
Maceió comemora 200 anos no sábado (5), mas segundo o pesquisador e historiador alagoano José Bilú da Silva Filho, não tem muito o que comemorar. Ele reclama da falta de comprometimento de alguns gestores que mudaram a arquitetura e a paisagem da cidade, descaracterizando ou demolindo prédios e casarões antigos, fazendo com que a capital esteja perdendo a identidade.
As belezas de Maceió já foram retratadas em verso e prosa por poetas e artistas, mas José Bilú reclama que o patrimônio artístico-cultural da capital alagoana corre o risco de desaparecer, devido à falta de comprometimento com que vem sendo tratado. Segundo ele, os monumentos precisam de alguém que tome conta e não deixe ser depredado.
José Bilú é presidente da Academia de Letras, Artes e Pesquisa de Alagoas e tem um acervo de mais de quatro mil arquivos históricos do Estado de Alagoas. Fotos, livros, peças, recortes de jornais e documentos são resgatados pelo pesquisador, que é apaixonado pela cultura e história alagoana e se ressente da falta de apoio e incentivo por parte dos gestores.
O pesquisador é um entusiasta da história alagoana e guarda um verdadeiro tesouro em sua casa. Atualmente desempregado, José Bilú sobrevive do artesanato produzido pela esposa, que revende em frente da sua casa e da venda de algumas fotos de seu acervo para estudantes, escritores e outros pesquisadores.
Ele mostra uma foto curiosa de uma paisagem totalmente modificada. “Essa foto aqui é onde atualmente funciona a Câmara de Vereadores. Foi a residência do médico dr. Brandão, na Praça Deodoro; é da década de 1930 e foi um presente que recebi. Tem outras que eu ganhei de Teresinha Porto”, comenta.
Acervo de Bilú tem fotos antigas de praias e locais históricos
No acervo do pesquisador tem também uma foto da Praia de Pajuçara, tirada numa máquina russa, panorâmica, em 1963. São fotos que segundo ele ainda não foram publicadas no Facebook e que guardou para algum evento especial.
“Tenho muitos acervos, fotos antigas, livros, cartazes de filmes, peças doadas por famílias tradicionais. Muitos alunos me procuram para aprender mais sobre o Estado, vendo as fotos antigas, recortes de jornais e outros acervos”, completa.
A transformação radical sofrida pela capital alagoana é destacada por José Bilú, que dá várias sugestões para que a cultura alagoana não desapareça. “Se não tiver cuidado, daqui a poucos anos tudo vai desaparecer”, ressalta.
Outra curiosidade mostrada por ele é uma foto da Praça do Centenário quando ainda tinha uma fonte luminosa e azulejos coloridos no mapa. “Comecei a colecionar com 12 anos de idade e não parei mais. Tem muita foto que foi feita por meu avô, que era capitão da Marinha e tirou muitas fotografias. Da mesma forma que muita gente da família não teve interesse, eu guardei tudinho e através disso comecei a ganhar muita coisa”, observa.
BELA VISTA
Uma foto da Bela Vista, um casarão antigo que foi demolido, onde hoje é o Edifício Palmares, no Centro de Maceió, dá o tom de como era bonita a arquitetura antiga da cidade. Uma mansão, em estilo francês, segundo o historiador.
(Foto: Adailson Calheiros)
Historiador guarda foto do Bela Vista, um casarão que ficava localizado onde hoje é o Edifício Palmares
“O riacho Salgadinho é o cartão postal de Maceió e precisa ser recuperado, urgentemente, bem como várias praças e prédios da cidade. Bebedouro morreu no tempo; os casarões antigos estão acabando, tudo acabado e sem memória; temos as praias mais lindas, mas o esgoto a céu aberto é um descaso”, reclama.
Segundo ele, infelizmente a nossa cultura, se não tiver um olhar especial, tende a acabar daqui a dois anos. “Infelizmente em Maceió existe isso: as fachadas das lojas do comércio, por exemplo, estão todas cobertas. Cada dia que passa, vão destruindo tudo; vai se acabando a história: é preciso fazer um resgate, urgente”, avalia.
Nunca pensei que na minha idade e tendo visto tanto absurdo nesse país, que eu fosse ver o país retroceder em ideias e comportamentos, depois de termos alcançado a democracia e da Constituição Cidadã de 1988.
Esses rompantes e comportamentos lamentavelmente, se dão tanto da juventude e da sociedade, quanto dos políticos que estão no Congresso Nacional. Não precisa ir muito longe e é só dá uma pesquisada na internet para a gente ver os exemplos de que trato nesse texto.
Não falarei aqui de todas as situações porque o espaço não cabe, mas vamos lá. Desde as atitudes da bancada evangélica nas pessoas do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ); Silas Malafaia, e tantos outros que têm me deixado com o cabelo em pé.
As agressões proferidas por Bolsonaro contra as mulheres e seu discurso do ódio são de causar nojo. E só para citar um exemplo, vamos ao que foi mais divulgado pela mídia, quando ele respondeu a um discurso da deputada Maria do Rosário sobre a ditadura militar e declarou que só não a estupraria porque ela não merecia.
Várias outras mulheres foram ofendidas pelo dito parlamentar e nem por isso ele foi punido pela falta de decoro. Além disso, as propostas atrasadas, preconceituosas e providas do discurso do ódio que estão sendo discutidas no Congresso Nacional é para deixar qualquer pessoa um pouco esclarecida, estarrecida.
Antes mesmo das eleições de 2014 foi possível perceber que a sociedade brasileira passou por um retrocesso social. Em plena democracia, vejo essas personalidades do poder público e tantos outros nas mídias sociais, com comportamento autoritário e conservador, seja com relação a quem for.
Nasci em 1960, fui crescendo no país vivendo em plena ditadura militar, mas nem naquela época eu via tanto retroceder. Qualquer um que acompanhe a política brasileira ou atualidades pode entender que as ideais defendidas por essas figuras são machistas, nazistas, fascistas e reacionárias.
O nazismo foi um regime que envergonha a humanidade e não precisa ser um doutorando em história para se saber disso.
“A ideologia nazi-fascista era um amalgama de racismo, machismo, conservadorismo, militarismo, anti-semitismo, anti-marxismo e expansionismo”, observa o texto Desmistificando os reacionários.
Segundo os historiadores, a organização partidária de Hitler recebeu forte apoio financeiro d político dos principais capitalistas alemães, com exceção daqueles que origem judaica. E como disse a economista e jornalista Marilze de Melo Foucher, a sombra do fascismo e nazismo ronda o Brasil quando o germe do ódio se propaga e a xenofobia se espalha impunemente.
“A maneira como os nordestinos, negros, índios, gays, lésbicas e pobres vêm sendo tratados comprova a existência de um tipo de neo-fascismo e neo-nazismo em plena expansão no Brasil e mais especificamente em São Paulo, na região Sudeste e sul do Brasil”, observa.
Infelizmente, esses comportamentos estão presentes também em outras regiões brasileiras. “Não perceber este perigo é banalizar esta situação. Existe um terreno fértil para a implantação dessas ideologias nefastas no Brasil”, pontua. Para refletir.