terça-feira, 12 de maio de 2015

5ª Feijolaca terá participação especial de Eliezer Setton e acontece dia 24 de maio

Evento é organizado todo ano pelo cantor baiano Igbonan Rocha

Olívia de Cássia - Repórter
No próximo dia 24, na Fundação Pierre Chalita, em Jaraguá, acontece a 5ª Feijolaca, evento para ajudar o Laca (Lar de Amparo a Criança para Adoção, com uma participação mais que especial do cantor e compositor de forró Eliezer Setton.
participação mais que especial do cantor e compositor de forró Eliezer Setton - Divulgação
O evento é promovido pelo cantor Igbonan Rocha, voluntário da instituição, que está  convidando toda a sociedade alagoana para participar da festa.
Evento promovido pelo cantor Igbonan Rocha, voluntário da instituição - Foto: Paulo Tourinho
A 5ª Feijolaca acontece a partir do meio dia do dia 24, um domingo,  e o valor por pessoa é de R$ 40. O Laca é  uma instituição sem fins lucrativos que recebe crianças em situação de risco com idade de 0 a 6 anos e que, por não receber subsídios dos órgãos governamentais, sobrevive de doações e do trabalho voluntário de pessoas abnegadas.

Igbonan Rocha foi o homenageado desta segunda, no bairro do Prado, no Samba dos Amigos

Evento acontece toda semana, na Rua Franco Jatobá e reúne a nata do samba alagoano

Olívia de Cássia - Repórter
O cantor Igbonan Rocha foi o homenageado desta segunda, 11, no bairro do Prado, onde toda segunda-feira, no Churrasquinho do Duca - Rua Franco Jatobá  (rua em frente ao portão da Pecuária),  um grupo de amigos está fazendo  o evento Samba dos Amigos, uma roda de samba, e o convidaram para participar: entre outros nomes que já participaram do evento, o baiano foi o homenageado.
Durante a homenagem o artista relembrou  os tempos de militância. Foto: Paulo Tourinho
“São 12 músicos, eles estão não ganham nada, é um barato, estão levando grandes nomes da nossa música para a periferia: a primeira foi a Carla Araújo, o segundo, Eliezer Setton, a Kel Monalisa. Nesta segunda eu fui homenageado, por estar perto do dia 13 de maio, Dia Nacional de Luta e de combate ao racismo”, destaca.
Durante a homenagem o artista relembrou  os tempos de militância:  “Dizer que o 13 de maio não é para se comemorar, é para se repensar, lutar por políticas públicas, que o nosso dia é o 20 de novembro”, observa.
No evento,  ele falou que a proposta é contar um pouco da história do samba. “O samba era discriminado, os cantores de samba eram presos, ainda hoje é discriminado como coisa de malandro. No meu show Coisa de Negro eu só canto compositores negros, para mostrar para as pessoas que coisa de negro também pode ser boa e na maioria das vezes, é muito boa”, diz sorrindo.  

Nara Cordeiro prepara CD com repertório de MPB

Baiana de nascença a artista diz que a expectativa e fazer um lançamento quando o trabalho estiver finalizado


Olívia de Cássia - Repórter 

A cantora Nara Cordeiro está preparando um novo trabalho que será gravado em CD, com participação de nomes como Mira Abs, Adriano Santos, Everaldo Borges, Ronalso na percussão, entre outros músicos que atuam no Estado. “As pessoas têm me ajudado bastante”, comenta.
A cantora Nara Cordeiro está preparando um novo trabalho que será gravado em CD - Foto: Paulo Tourinho
Ela diz que o novo CD está sendo finalizado: “Na verdade tem alguns anos, tem sugestão do Paulo (Tourinho) e retomei; estou modificando algumas coisas e parece que desta vez vai sair, depois de tanto tempo de batalha, espero que as pessoas curtam, tanto quanto a gente está gostando”, destaca.
Baiana de nascença, Nara Cordeiro diz que a expectativa é fazer um lançamento quando o trabalho estiver pronto. Ela destaca que começou a cantar profissionalmente em Maceió, mas muito antes disto, já cantava em festas e rodas de amigos em sua terra natal. “Eu cantava de brincadeira e no final de 80 comecei a cantar profissionalmente”, reforça.
Baiana de nascença, Nara Cordeiro diz que a expectativa é fazer um lançamento quando o trabalho estiver pronto - Foto: Paulo Tourinho
Nara Cordeiro relata que já cantou em lugares como shopping,  em vários restaurantes. “Comecei com Marina Teresa, que é minha amiga; depois fomos fazendo outros lugares, como festas, aniversários, casamentos”, explica.
Com um repertório recheado de músicas da MPB – incluindo pérolas da Bossa Nova e o melhor do samba e do choro – e com voz aguda e delicada, Nara confere intimismo às interpretações musicais, ela canta com o coração.
Tímida e um pouco acanhada e apaixonada pelo o que faz, ela fala de seu trabalho e diz que já participou de vários projetos em Alagoas como o Elas cantam Bossa Nova, Misa Acústico, Divas de Alagoas.
Nara também participou de projetos no Sesc cantando repertório exclusivamente formado por músicas de compositores alagoanos. Alguns autores são bastante conhecidos pelo público, como Chico Elpídio, Ibys Maceioh, Eliezer Seton, entre outros e pelo reconhecimento do seu talento,  a artista vem consolidando cada vez mais seu trabalho, reconhecido e aplaudido, no universo musical.
A cantora informa ainda que tem tido a ajuda de muitos amigos na formatação de seu trabalho, como Chico Elpídio na direção musica - Foto: Paulo Tourinho
Ela diz que o novo CD está sendo finalizado
“Atualmente estou cantando às sextas-feiras no Mesa de Bar, na Casa da Picanha, na Jatiúca, e no segundo sábado do mês eu estou na Vila Chamusca, fazendo uma tarde de samba”, divulga.
A cantora informa ainda que tem tido a ajuda de muitos amigos na formatação de seu trabalho, como Chico Elpídio na direção musical e comenta que o CD tem uma seleção especial de seu repertório já conhecido do público alagoano: MPB, samba, Bossa Nova, entre outras boas músicas. “Estou feliz, só em estar trabalhando com amigos é o melhor ainda”, avalia.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Acalentar filho e acompanhar primeiros passos não tem preço

Mulheres se submetem a qualquer tipo de tratamento para engravidarem

 / Tribuna Independente 11 Mai de 2015 - 10:52

Foto: Adailson Calheiros
Luciana Manzini passou cinco anos tentando engravidar; só conseguiu das gêmeas com fertilização in vitro
Luciana Manzini passou cinco anos tentando engravidar; só conseguiu das gêmeas com fertilização in vitro
Dizem que o sonho de toda mulher é a maternidade, acalentar um filho no colo, acompanhar os primeiros passos, os primeiros descobrimentos. Muitas mulheres fazem todo tipo de sacrifício no que se refere a tratamentos clínicos, para conseguirem engravidar e com o apoio das novas tecnologias conseguem o objetivo. Outras não precisam ir muito longe e engravidam sem tentativas cansativas; algumas preferem o caminho do coração e adotam.
Luciana Manzini disse que passou cinco anos tentando ter um filho e que fez uma série de tratamentos para conseguir o intento. “Foram cinco anos de muita frustração, de expectativa. Tive obstrução nas trompas e por isso a dificuldade para engravidar. Depois de várias tentativas veio a indicação médica da fertilização in vitro, que foi feita em Pernambuco”, destaca.
A relações públicas destaca que na primeira tentativa de fertilização deu certo e engravidou de duas meninas. Ela conta que foram quatro embriões implantados, dos quatro ficaram as duas e no terceiro mês ela teve um sangramento.
Era um terceiro embrião que não tinha se desenvolvido e estava sendo eliminado, mas os outros dois embriões permaneceram e deu tudo certo: as gêmeas nasceram de parto cesárea, a bolsa estourou e Luciana teve que ser operada.
“A maternidade é uma realização, porque é um sonho, eu já casei querendo filho; era uma coisa muito certa. Meu esposo queria esperar mais um pouco, embora que a gente tenha namorado durante dez anos; quando namorávamos eu usava os métodos normais para evitar  e quando realmente resolvemos ter filhos vimos a dificuldade”, explica.
Luciana Manzini observa que depois que teve as gêmeas engravidou novamente, mas quando estava suspeitando da gravidez, perdeu a criança. “A gravidez estava no comecinho; um mês e meio, as meninas estavam com quatro anos, hoje estão com sete. Elas nasceram prematuras, perto de oito meses, mas apesar de terem sido prematuras, a recuperação foi rápida; quatro dias depois elas já estavam no apartamento comigo, com sete dias de nascidas tivemos alta”, destaca.
Ex-bancária fez laqueadura no primeiro casamento e quando quis reverter, teve problemas
A ex-bancária Kátia Guimarães da Rocha é paulista, mas mora em Alagoas há muitos anos e conta que foi mãe pela primeira vez aos 17 anos; tem a filha Bianca que hoje está com 22; um ano e seis meses depois teve a segunda filha, que hoje tem 20 anos,  ambas do primeiro casamento que durou onze anos.
Depois da segunda filha, ela conta que fez laqueadura de trompas, aos 19 anos, porque disse que não se adaptava aos outros tipos de anticoncepcional e tinha medo de ter outra gravidez. “Consegui fazer a laqueadura e o casamento durou onze anos, me separei e casei novamente. Fiz três cirurgias para reverter o processo e oito meses depois da cirurgia fiquei grávida, só que foi uma gravidez tubária: eu quase morri, foi muito complicado”, comenta.
Kátia Guimarães observa que ela e o atual marido resolveram fazer o tratamento para fazer a inseminação artificial, mas um dia antes desistiram, porque ficaram com medo de passar por tudo novamente e resolveram adotar. “Já era uma coisa que a gente tinha vontade de fazer, mas queríamos primeiro tentar ter nosso filho mesmo. Foi quando eu fui visitar um abrigo e tinha o Gianlucca, que estava com dois meses e pouco, quando o conhecemos; aí nos apegamos muito”, destaca.
(Foto: Adailson Calheiros)
Kátia, o marido e o filhote: família realizada com a chegada de Gianlucca depois do processo de adoção
Kátia Guimarães pontua que, da mesma forma que já estavam apaixonados pelo bebê, o marido falou: ‘vamos correr atrás’. “Aí fizemos um curso, entrevistas, passamos por todos os trâmites, é muito longo o processo e muito doloroso; tivemos que passar por muitas situações  e já estávamos apegados à criança; resolvemos pedir a guarda dele, quando já tinha completado nove meses”, explica. 
Ela conta que o quarto do bebê já estava pronto, com todo o enxoval e o bebê chegou só com a roupa do corpo. “Depois o juiz revogou a guarda provisória e deu a definitiva e hoje ele é muito amado pelas irmãs; minha outra filha foi embora para a Irlanda mas foi aos prantos”, destaca.
Kátia conta que trabalhava em um banco privado há dez anos e resolveu ser mãe de novo, ter tempo para se dedicar à criança: “O tempo que eu não tive com minhas filhas, pois estava trabalhando; hoje eu dedico a ele,  a gente participa de tudo: festinha da escola que eu não ia das meninas, reunião de pais na escola; tenho o maior prazer de ir”, destaca.
A ex-bancária ressalta que com as duas filhas mais velhas geralmente quem ia levar às festinhas ou reuniões de pais eram os avós,  pois ela trabalhava e estudava. Enquanto fazíamos a matéria, o garoto não parava quieto e fez questão de dizer seu nome, sua idade e nome do colégio que estuda: ‘meu nome é , Gianlucca Guimarães Laranjeira, tenho três anos e estudo na escolinha”, disse ele.
Jornalista conta que não teve problema para engravidar
Já a jornalista Camila Ferraz está grávida pela primeira vez de uma menina e disse que a gravidez foi uma surpresa. Ela faz parte daquele grupo de mulheres que não tiveram dificuldade com a fertilidade e não recorreu a nenhum tratamento para tal.
“Fiquei surpresa; não fiz tratamento nenhum. Tomava anticoncepcional, mas passei um mês sem tomar por conta das fortes dores de cabeça e engravidei rapidinho. A sensação é inexplicável! Uma mistura de sentimentos. Primeiro o susto, o medo e depois a emoção. A felicidade é o amor que aumenta a cada dia”, pontua.
Camilla Ferraz observa que a cada exame de ultrassom é uma nova emoção. “Fico boba, choro; não sei se estou preparada, mas farei o máximo para fazer a minha filha a criança mais amada e mais feliz do mundo”, observa.
A jornalista diz ainda que está muito mais sensível com a gravidez. “Sempre fui chorona, mas agora triplicou”, diz sorrindo. A maior preocupação de Camila Ferraz é com o tempo disponível que terá para se dedicar à maternidade. “Tempo para cuidar dela, educar, enfim... A mãe que tem várias atividades acaba tendo pouco tempo para os filhos e essa é uma das minhas maiores preocupações. Quero muito me dedicar e aproveitar ao máximo cada momento”,  pontua.
Incapacidade de conceber superior a 12 meses já caracteriza infertilidade
Alessandra Evangelista, ginecologista especialista em Medicina Reprodutiva, observa que a incapacidade de conceber em um período superior a 12 meses sem uso de método contraceptivo configura o quadro clínico de infertilidade. “Quando esse casal não atinge seu objetivo que é a gravidez, ou antes mesmo de tentar, já sabe que terá dificuldades; o ideal é procurar um especialista”, aconselha.
Segundo a ginecologista, essa primeira abordagem pode ser feita por um ginecologista que, por meio de exames, vai avaliar tanto a mulher quanto o homem e definir o melhor tratamento. “Os tratamentos podem se iniciar com o acompanhamento deste casal com a monitorização da ovulação, indicando assim os dias favoráveis à relação sexual”, explica.
Alessandra Evangelista pontua que em alguns casos a indução da ovulação por intermédio de  medicações é necessária, e dependendo do problema do casal poderá ser indicado o procedimento de inseminação intrauterina (quando o sêmen é preparado e colocado no útero da mulher) ou fertilização in vitro (quando o embrião é feito no laboratório e colocado no útero da mulher).
“Cada técnica tem sua taxa de sucesso, indicação e custo, por isso a opinião de alguém que entenda sobre o assunto para nortear o melhor a ser feito é imprescindível. Cada caso deve ser individualizado”, ressalta.
A especialista destaca ainda que algumas mulheres antes mesmo de realizar um tratamento específico de fertilidade precisam ser submetidas a cirurgias como no caso de pacientes com endometriose e queixa de dor ou perda da função de algum órgão, mas cabe ao médico que está acompanhando explicar o motivo dessa indicação.
“O importante é saber que hoje em dia o médico possui em suas mãos um arsenal de tratamentos que pode e deve ser usado para esse casal atingir seu objetivo. Sendo assim, a mulher que quer engravidar deve procurar um especialista e conversar sobre seu problema. Lembrando sempre que perder tempo e postergar a decisão de se consultar é o que mais prejudicará o sucesso em atingir seu objetivo”, conclui.
Causas orgânicas e psicológicas podem impedir a mulher de engravidar
A psicóloga clínica Rose Mendonça, especialista em Gestalt Terapeuta disse que muitas são as causas que impedem uma mulher de engravidar, de orgânicas a psicológicas. Por conta disso, ela observa que em seu consultório se depara com situações onde a falta de informação e o despreparo emocional perante uma situação dessas, podem levar desde à desestrutura familiar ao final de uma carreira profissional.
Muitas vezes até, segundo ela, há um processo de vida adoecido, sendo agravado por uma série de patologias. “A impossibilidade de gerar filhos pode levar à sensação de completo fracasso”, argumenta. A psicóloga destaca que o primeiro passo é enfrentar o problema. “Encarar e aceitar o que você está sentido ajuda a suportar os sentimentos de tristeza e perda: é normal que a paciente sinta-se em uma das mais difíceis fases da vida, com um sério problema, sem saber que decisões tomar”, destaca.
Segundo Rose Mendonça, é importante que a pessoa entenda que não é culpada, pois esse tipo de pensamento negativo interfere nocivamente no processo psicoterapêutico, muitas vezes levando a paciente ou o parceiro a uma raiva de si mesmo desproporcional. Ela avalia que a participação do parceiro nesse momento é imprescindível.
(Foto: Arquivo pessoal)
Psicóloga Rose Mendonça diz que mulher não pode se sentir culpada
“Evite culpá-lo pela dificuldade em engravidar; trabalhem juntos cuidando um do outro para que possam combater o problema”, aconselha. Rose avalia que é importante que seja determinado um limite de tentativas e formas de tentativas de engravidar. “Com isso a mulher sente-se mais segura, além de ter um relativo controle sobre o lado financeiro diminuindo os índices de ansiedade. O tratamento de infertilidade requer tempo, dedicação e acompanhamento de um especialista”, avalia.
“É nesse momento onde a angústia e a ansiedade serão trabalhadas: durante a psicoterapia será possível aprofundar conteúdos íntimos da mulher ou do casal e oferecer acolhimento facilitando a elaboração de estratégias mentais para a preparação do luto e a solução do problema. Somente esse ambiente acolhedor poderá tocar em conflitos inconscientes mais profundos”, ressalta

Memorial Jorge de Lima guarda acervo do autor de O Acendedor de Lampiões

Local abre normalmente de segunda a sexta e fecha nos finais de semana 

Olívia de Cássia - Repórter



A antiga Casa do Poeta Jorge de Lima, em União dos Palmares, transformada em Memorial na gestão do então prefeito Areski Damara de Omena de Freitas Júnior (o Kil) e reinaugurada em 5 de novembro de 2010, guarda um pequeno acervo do poeta palmarino e peças de escavações da Serra da Barriga, em União dos Palmares, quer pertenceram aos quilombolas.

A antiga Casa do Poeta Jorge de Lima, em União dos Palmares, transformada em Memorial 

A Casa fica aberta de segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 17h, em horário comercial e fecha nos fins de semana, o que tem gerado algumas reclamações dos visitantes que chegam à cidade para visitar o local. O Memorial Jorge de Lima retrata a memória e a trajetória de um dos poetas brasileiros mais importantes do País, parnasiano, que depois aderiu ao modernismo.
Jorge Mateus de Lima nasceu em União dos Palmares, em 23 de abril de 1893. Foi um político, médico, poeta, romancista, biógrafo, ensaísta, tradutor e pintor. Era filho de comerciante rico e mudou-se para Maceió em 1902, com a mãe e os irmãos. Em 1909 foi morar em Salvador onde iniciou os estudos de Medicina. Concluiu o curso no Rio de Janeiro em 1914, mas foi como poeta que projetou seu nome. Neste mesmo ano publicou o primeiro livro, XIV Alexandrinos.
Jorge de Lima voltou para Maceió em 1915 onde se dedicou à medicina, além da literatura e da política. Quando se mudou de Alagoas para o Rio, em 1930, montou um consultório na Cinelândia, transformado também em ateliê de pintura e ponto de encontro de intelectuais. Reunia-se lá gente como Murilo Mendes, Graciliano Ramos e José Lins do Rego.
Nesse período publicou aproximadamente dez livros, sendo cinco de poesia. Também exerceu o cargo de deputado estadual, de 1918 a 1922. Com a Revolução de 1930 foi levado a radicar-se definitivamente no Rio de Janeiro. Em 1939 passou a dedicar-se também às artes plásticas, participando de algumas exposições.
Segundo os especialistas na obra do poeta, em 1952, publicou seu livro mais importante, o épico Invenção de Orfeu. Em 1953, meses antes de morrer, gravou poemas para o Arquivo da Palavra Falada da Biblioteca do Congresso de Washington, nos Estados Unidos.

Acervo de União dos Palmares é composto por fotos e painéis com trechos do poemas - Fotos Paulo Tourinho

O acervo de União dos Palmares é composto por fotos e painéis com poemas e trechos importantes de livros de Jorge de Lima. Em um dos painéis, está ilustrada a visão simples que o escritor tinha sobre si mesmo.
"Tenho um metro e 68 de altura, 59 quilos e meio e uso óculos. Sou meio careca e meio surdo. Sou católico praticante e meu santo é São Jorge. Visto sempre cinza e acordo às quatro da manhã, com os galos e a aurora. (...) Minha leitura predileta é poesia.(...) Sou casado, tenho dois filhos e quatro netos. Gosto de pintar, esculpir e compor."

O acervo do Memorial Jorge de Lima é considerado de suma importância para o Estado e o município

Grande parte do acervo dessa compilação da obra do poeta teve a contribuição de Francisco Valois, poeta já falecido, pesquisador e amigo de Jorge de Lima. “O Memorial Jorge de Lima tem toda uma cronologia do poeta, do nascimento até a morte e o que ele tanto produziu não só em União dos Palmares, como em Alagoas e no resto do País”, comenta o professor Carlos dos Santos, que também é guia turístico do município.
O acervo do Memorial Jorge de Lima é considerado de suma importância para o Estado e o município. “O Memorial é muito importante para os palmarinos, pois nele está retratado o legado de Jorge de Lima para o povo da sua terra; destaca-se os livros famosos: A Mulher Obscura, Calunga, Invenção de Orfeu, que alguns literários consideram uma das obras mais difíceis de ser interpretado, devido à complexidade que Jorge de Lima expõe, entre outros”, observa.
Segundo o professor, no Memorial, as pessoas têm noção do bom conteúdo da obra do poeta, de quem foi Jorge de Lima, do que ele já produzia quando era pequeno.

Centro Arqueológico Palmarino guarda objetos encontrados em escavações na Serra da Barriga

No primeiro andar do prédio, o professor Carlos dos Santos conta que funciona o Cenarpe – Centro Arqueológico Palmarino, onde as pessoas podem encontrar panelas, cachimbos, jarras, urnas funerárias, retratando um pouco da cultura que foi deixada pelos quilombolas: índios, negros e brancos, que conviveram na Serra da Barriga.

Cachimbos
Panela de barro

“Essas eram as raças que organizavam o Quilombos dos Palmares, que foram sendo colecionadas e catalogadas ao longo do tempo: a urna funerária era onde os índios da tribo Aratu colocavam as pessoas que morriam. Nas urnas pequenas eram colocadas crianças e nas maiores os adultos”, pontua.

Urna funerária era onde os índios da tribo Aratu colocavam as pessoas que morriam

O professor comenta que desde a década de 1980 para cá, a Serra da Barriga sofreu uma série de consequências, com relação ao ambiente, quando foi liberado o espaço para o turista ter acesso ao local; antes, só havia trilha que dava acesso à serra, que hoje é o Parque Memorial Quilombo dos Palmares.
Segundo o professor, para ter acesso á serra, antes da liberação, as pessoas subiam por algumas trilhas para chegar à Serra da Barriga. “Lá, as casas eram de palha, com aqueles colchões de palha também, que criavam uma série de bichos, besouros e depois os próprios moradores começaram as plantações e encontravam uma série de materiais como os cachimbos, era frequente encontrar essas peças, em cima da terra e os turistas que iam à serra levavam para casa”, reforça. 

Grande parte do acervo dessa compilação da obra do poeta teve a contribuição de Francisco Valois, poeta já falecido, pesquisador e amigo de Jorge de Lima

Segundo Carlos dos Santos, naquela época não estava havendo a preocupação com a arqueologia do local, a preservação de quem foi o material, a quem pertencia, se aos negros, aos indígenas, aos brancos, e posteriormente teve a ação das máquinas que passaram para abrir o acesso ao local.
“E mais suma vez, infelizmente, houve o descaso de não fazer a prospecção arqueológica, para saber setinha material ou não naquele espaço e teve muita coisa destruída. Para fazer aquele platô plano foi tirado pelo menos 80 centímetros de terra e ambiente ficou meio que plano”, observa.

Material Arqueológico encontrado na Serra da Barriga

Outra particularidade relatada pelo professor é que a maioria do material encontrado pertencia aos indígenas, porque foi a primeira camada. “O restante do material foi destruído pelas máquinas; esse material que você vê aqui são pequenos pedaços de pedra afiados, que os índios utilizavam para tirar a carne do animal, quando eles matavam e tudo era aproveitado pelos quilombolas”, pontua.

“O restante do material foi destruído pelas máquinas"
http://www.1momento.com.br/noticias/interior/memorial-jorge-de-lima-guarda-acervo-do-autor-de-o-acendedor-de-lampioes

Casa Dom Bosco acolhe meninos em situação de risco em Maceió e precisa de voluntários

Trabalho social do padre Tito Regis se destaca na comunidade e deve ser ampliado

Olívia de Cássia - Repórter 

A Casa Dom Bosco é uma instituição não-governamental, localizada no bairro da Santa Amélia, em Maceió, construída em um terreno de 2.100 metros, que cuida de meninos em situação de risco. Os menores participam do programa de recuperação da Fundação D. Paulo II, mantenedora da Casa Dom Bosco, e existe há 23 anos.
A Casa Dom Bosco atende jovens do sexo masculino, moradores de rua ou dependentes químicos, que são encaminhados pelos conselhos tutelares, Juizado de Menores ou pela Secretaria da Paz. 
Segundo o padre Tito, inicialmente a Casa Dom Bosco trabalhava apenas com meninos de rua, que tinham os vínculos familiares destruídos - Fotos: Paulo Tourinho
A reportagem do Primeiro Momento foi conhecer a instituição e conversou com o presidente, o padre Tito Regis Rodrigues Silva e com alguns meninos assistidos pela casa. O padre Tito explicou que, no momento, 18 meninos estão fazendo parte do programa de recuperação, com mais 20 deles que já participaram e continuam na Casa, num total de 38.
No local, eles participam de oficinas, aprendem uma profissão e desenvolvem tarefas diárias como cuidar dos animais, plantar e cuidar da horta, forrar as camas, orações e toda uma programação espiritual que a Casa oferece; além de serem acompanhados diariamente por psicólogos e assistentes sociais, que fazem atendimentos individuais ou em grupo.
Segundo o padre Tito, inicialmente a Casa Dom Bosco trabalhava apenas com meninos de rua, que tinham os vínculos familiares destruídos; depois, com esse flagelo de drogas na cidade, que atinge não só meninos de rua, mas que têm família também, a instituição começou a acolher os dependentes químicos menores, entre 12 até 18 anos.
O programa que é oferecido aos jovens dura de seis meses a um ano, de acordo com o progresso do jovem adolescente, mas se precisar prolongar a permanência na Casa isso é feito. A instituição tem condição de abrigar 100 jovens, mas ainda falta equipe de trabalho para que isso aconteça, pois os recursos são escassos, segundo ele. 
O programa que é oferecido aos jovens dura de seis meses a um ano, de acordo com o progresso do jovem adolescente, ressalta o padre. 
Segundo ele, para o jovem se reinserir na sociedade, sem sofrer violência, seria necessário um programa continuado que acompanhasse também a família, quando ele sai do programa, pois na maioria das vezes, quando volta para casa sofre violência.
“A Casa Dom Bosco está precisando de voluntários na área técnica. Nós recebemos doação de alimentos, vestuário, mas precisamos de pessoas para trabalhar: odontólogos, psicólogos, pedagogos; essas frentes de serviços que a instituição necessita para desenvolver o trabalho”, ressalta o padre.
O padre Tito Regis argumentou que além desses profissionais, a casa também recebe estagiários na área de psicologia, para assistir e acompanhar esses meninos. “A obra de Dom Bosco no mundo este ano completa 200 anos e aqui existe graças a Dom Edivaldo Amaral, que era salesiano, e trouxe obra para Maceió”, destaca.
Segundo o padre Tito, a instituição tem uma parceria com a Secretaria da Paz (Sepaz), mas com essa mudança de governo, está esperando esses repasses e vivendo momentos delicados: “Não só a Casa Dom Bosco, mas as comunidades terapêuticas”, observa.
A fundação também sobrevive de doação da comunidade, que contribui mensalmente por meio de carnês; eventos religiosos e os produtos da padaria, feitos pelos meninos, que são colocados na hora da missa para venda à comunidade próxima da casa.

Instituição objetiva a profissionalização de menores

O objetivo da Casa Dom Bosco é a profissionalização desses meninos também na questão da laboterapia. Os jovens aprendem na instituição a lidar com o trabalho no campo, com a terra, criação de animais: são 13 galinhas, um pato, seis gansos, 20 porcos e 1.500 peixes tilápia no tanque, que também servem de alimento, além da horta cultivada e bananeiras.
Os jovens aprendem na instituição a lidar com o trabalho no campo, com a terra, criação de animais
“Nas primeiras horas do dia eles fazem as tarefas do campo; cuidam dos animais, colocam a ração, fazem a limpeza, troca de água; na horta, plantam e colhem, fazem acontecer o trabalho de manutenção da horta”, observa.
Além desse trabalho de ocupação, o padre explica que os meninos assistidos pela Fundação têm no local a parte espiritual: “Na formação religiosa dos meninos eles têm a oração, em muitos momentos dirigidos até por eles, onde elevam a Deus uma prece, a oração e louvor”, ressalta.
Além desse trabalho de ocupação, o padre explica que os meninos assistidos pela Fundação têm no local a parte espiritual

Jovens que participam das atividades da Casa Dom Bosco não querem mais sair

A reportagem conversou com alguns jovens que participam do programa oferecido pela Casa Dom Bosco e constatou que muitos não querem mais sair. Para o jovem se reinserir na sociedade, sem sofrer violência, seria necessário um programa continuado que acompanhasse também a família, pois quando ele sai do programa e volta para casa, muitas vezes se depara com ambientes insalubres e sofrem violência, de acordo com as informações do padre Tito.
Os adolescentes assistidos pela instituição têm contato com a natureza e atividades que elevam o espírito. Galvão, nome recebido quando chegou à Casa Dom Bosco, conta que os jovens atendidos pelo projeto viviam lá fora em ambiente de crime e violência. “Aqui, quer queira, quer não, eles têm que aprender a se harmonizar, ter harmonia que ele nunca teve lá fora”, destaca.
Galvão, nome recebido quando chegou à Casa Dom Bosco, conta que os jovens atendidos pelo projeto viviam lá fora em ambiente de crime e violência
João Bosco tem 16 anos, dois filhos e está na Casa porque disse que teve uma recaída. Ele acompanhou a equipe de reportagem e mostrou todo o espaço; disse que não queria sair mais da instituição, pois ali tem casa, comida, piscina e atividades esportivas e recreativas.
João Bosco explicou que um dos meninos já conseguiu emprego em um dos prédios próximos à Casa. “Ele já foi zelador e agora manda na limpeza do prédio. Aqui nós estudamos e fazemos todo tipo de curso: tem de eletricista, padeiro, curso técnico profissionalizante”, destaca.

Escola Carlos Novelo

O presidente da Casa Dom Bosco observa que a instituição tem uma escola própria para menores dependentes químicos que estão participando de algumas oficinas. “Terminamos agora a oficina de eletricista e estamos no momento oferecendo o curso de panificação; vamos ter um grupo grande de padeiros, prontos para o trabalho”, avalia.
Segundo o padre, a instituição ganhou uma escola que já existia e foi construída pelo empresário italiano Carlos Novelo, que faleceu. O prédio ficou ocioso e a Fundação Carlos Novelo da Itália transferiu o patrimônio deles no Estado para a Fundação João Paulo II, que é mantenedora da Casa Dom Bosco.
“A escola, funcionando os três turnos, poderia ter um número de 1.200 alunos; ela funciona para a Fundação Dom Paulo II e não está aberta à comunidade. Falta ainda alguma questão de regularização de documentos”, destaca.
A escola tem refeitório, laboratório de ciências, padaria. O padeiro José Maria é o instrutor da padaria e disse que todos os produtos de uma padaria comum ele ensina os meninos a fazer; os pães, bolos, biscoitos, bolachas mimosas são vendidos na missa, na Casa Dom Bosco.
O padeiro José Maria é o instrutor da padaria
“A massa do pão tem que passar no mínimo quatro horas descansando, cada tipo de pão tem a sua fermentação, de acordo com o tempo que eu quero assar eles. Se eu quiser colocar um pouco de fermento a mais, eu deixo menos tempo no forno; se eu quiser fazer o pão hoje e só assar amanhã, eu coloco pouco fermento. O ideal é que o pão asse mais”, ensina.
Os produtos de uma padaria comum ele ensina os meninos a fazer

Laboratório

O laboratório de ciências da escola foi doado pelo Rotary Internacional, que disponibilizou a quantia de R$ 35.902,00, em julho de 2008 e está todo equipado com microscópios, manequins que reproduzem a anatomia do corpo humano e de animais, esqueletos e um aparelho com uma réplica do sistema solar.
O Laboratória está todo equipado com microscópios, manequins que reproduzem a anatomia do corpo humano
O padre conta que hoje está na luta para sensibilizar o governo, no sentido de permanecer com a rede de assistência social em torno da Sepaz: “Um dos maiores anseios que nós temos hoje, não só em relação à Casa Dom Bosco, mas em todas as outras instituições”, observa.
Click to enlarge image IMG_1026.JPG



sábado, 9 de maio de 2015

Projeto Três de Trinta acontece Hoje, sábado dia 9, às 21 horas, no Boteco Lugar Nenhum

Olívia de Cássia - Repórter


Logo mais, às 21 horas, os artistas Junior Almeida, Fernando Nunes e Tony Augusto se apresentam no Boteco Lugar Nenhum, na Travessa Jatiúca, 180, Maceió, ao lado da loja Mister Frios, com o show Três de Trinta, para celebrar os 30 anos de começo de carreira dos três artistas.

Segundo Junior Almeida, o projeto nasceu na ideia de confraternizar - Fotos: Paulo Tourinho
Segundo Junior Almeida, o projeto nasceu na ideia de confraternizar: “Fernando Nunes estava passando por aqui, fazendo produção do disco da Banda $ifrão e teria essa semana em Maceió; a gente conversando avaliou que seria interessante que tocássemos juntos e começamos a lembrar que em 2015 estamos completando 30 anos de música”, observa.

Amigos artistas se reúnem para lembrar início de carreira

Junior Almeida destaca que os três chegaram à mesma época no mundo da música. “Eu estava participando do Festival Universitário de Música; Tony estava com Asas da Imaginação e Fernando  com a banda de rock. Na verdade, conseguimos um motivo para  fazer o encontro e a partir do momento em que a gente se reúne  para tocar, começa a alimentar outras coisas, uma delas foi a continuação desse trabalho”, explica.

O projeto tem um formato enxuto e segundo Junior Almeida, os músicos vão tocar e cantar músicas que marcaram esses trinta anos de música e coisas de hoje

O projeto tem um formato enxuto e segundo Junior Almeida, os músicos vão tocar e cantar músicas que marcaram esses trinta anos de música e coisas de hoje. “Lúcia Colagem foi uma música que nunca toquei em show e hoje vamos tocar; Canção de Amor e Ódio, para lembrar essas coisas e convidar umas pessoas como Carlos Moura, que é uma referência para todos nós e fará uma participação especial; vai ser uma brincadeira boa”, observa.

Carlos Moura

O cantor e compositor alagoano Carlos Moura disse que recebeu o convite para fazer parte desse projeto de hoje, no Boteco Lugar Nenhum e destacou que ficou muito feliz com o convite. São 40 anos de carreira e ele conta que começou tocando numa banda chamada Bárbaros, tocando músicas dos Beatles.

Carlos Moura é o convidado especial da noite

O artista está morando atualmente em Maceió e diz que na época da banda fez muito baile. “Fizemos muitos bailes aqui em Maceió e em todo o Estado. Viajei para o Rio de Janeiro, gravei três discos: Reviravolta; Rosa de Sol (com Minha Sereia), que aconteceu no Brasil inteiro e o terceiro disco foi Água de Cheiro, com parcerias de alagoanos”, destaca.
Carlos Moura conta que morou 16 anos no Rio de Janeiro, passou oito sem gravar: “Para mim foi uma barra, não estava legal para show, aí a Paraíba me abriu as portas; foi um lugar que me deu muita força e passei um tempão lá, fazendo shows  em todo o Estado. Foi muito bom para mim”, destaca.

Carlos Moura conta que morou 16 anos no Rio de Janeiro, passou oito sem gravar

Segundo ele, durante os oito anos que ficou sem gravar e fazer shows, ele  se virava tocando na noite, em barzinho. O artista destaca que em 2014 foi homenageado pela Prefeitura de Maceió, teve um show que marcou a sua volta. “Agora estou esperando para o São João, vou até a Bahia, Campina Grande. No projeto de hoje vou cantar minhas músicas, cada um cantará as suas”, pontua, acrescentando que o projeto deveria continuar. 

Experiência de quase morte

 Por Olívia de Cassia Cerqueira A experiência de quase morte para os transplantados, rendeu uma página da editoria de Cidades, especial para...