sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Projeto de Lei beneficia as mulheres

Olívia de Cássia – jornalista

Está tramitando na Câmara dos Deputados  projeto (PL 7156/14) que proíbe a concessão de incentivo fiscal e financiamento a pessoas jurídicas de direito privado e a pessoas físicas que utilizem práticas discriminatórias contra mulheres no mundo do trabalho.

Segundo o texto do projeto, também ficam proibidos, nesses casos, contratos administrativos e participação em licitações, inclusive pregões e aquelas realizadas dentro de parcerias público-privadas (PPPs) nos âmbitos da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.

O projeto é assinado conjuntamente pelos deputados Rogério Carvalho (PT-SE), Janete Rocha Pietá (PT-SP) e Jô Moraes (PCdoB-MG). De acordo com o texto, considera-se prática discriminatória à mulher a situação em que ela é submetida a igual trabalho ao do empregado homem, recebendo remuneração menor ou tendo jornada de trabalho maior. Também é discriminação contra a mulher o assédio sexual ou moral.

“Ficam de fora das limitações impostas pelo projeto as diferenças salariais e de jornada de trabalho entre mulheres e homens em razão de enquadramento no plano de carreira, cargos e salários da empresa ou ainda em razão das normas de proteção às mulheres”, diz o texto.

Para jjustificar o projeto, os deputados citam dispositivo da Constituição Federal que prevê a “proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil”.

“Um dos problemas constantemente relatados pelas entidades de defesa dos direitos da mulher é o assédio moral, sexual e a discriminação no ambiente de trabalho”, afirma Rogério Carvalho. “Há casos de exploração em que algumas acabam ficando 12, 14 horas por dia nos estabelecimentos", acrescenta.

O deputado também cita levantamento recente realizado por um site especializado que revela que 32% das mulheres entrevistadas afirmam sofrer ou já ter sofrido assédio sexual no ambiente de trabalho.

Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), datada de 2006, juntando-se as horas gastas com o trabalho formal e dentro de casa, as mulheres chegam a trabalhar mais de 58 horas por semana, 13 a mais que os homens.

Além disso, a quantidade de mulheres que ocupam cargos de chefia é muito baixa: apenas 23% na presidência ou posições similares, diz a pesquisa. Ainda segundo o levantamento, as questões culturais, que as colocam sempre no papel de “cuidadora” e “protetora”, acabam afastando a sua participação em algumas profissões mais técnicas que remuneram melhor, como engenharia.

Num ano eleitoral em que duas mulheres estão na liderança para disputarem a Presidência da República, é de fundamental importância a aprovação imediata da proposta. Segundo informações do site do site da Câmara dos Deputados,  o projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; de Seguridade Social e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Que venham mais direitos para que possamos exercer a nossa cidadania ampla. Bom dia.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Senador Paulo Paim (PT-RS) recebe Título de Cidadão Honorário na ALE

Requerimento propondo a honraria foi do deputado Ronaldo Medeiros (PT\AL)

Olívia de Cássia – Ascom 
(Fotos: Olívia de Cássia)


O plenário da Assembleia Legislativa Estadual (ALE) ficou lotado para a sessão publica realizada na manhã desta quarta-feira, 17, que concedeu o Título de Cidadão Honorário ao senador gaúcho Paulo Paim (PT-RS). O requerimento propondo a honraria foi de autoria do deputado Ronaldo Medeiros (PT\AL). 

O parlamentar justificou a homenagem ao senador gaúcho observando que o senador Paulo Paim é um dos grandes defensores do idoso. “O Estatuto do Idoso é hoje uma lei de sua autoria, veio trazer os direitos que a categoria sonha ter; é um grande defensor dos aposentados e pensionistas também, participando inclusive da valorização do salário mínimo, de comissões que buscam a melhoria da Previdência Social no Brasil”, destacou.

Medeiros disse ainda que o senador Paulo Paim é um homem que muito já fez por Alagoas e pelo Brasil. “Hoje a Assembleia Legislativa vem homenageá-lo por tudo: pelos  32 anos de vida pública limpa;  um exemplo que nós temos que o político brasileiro deve ser”, complementou.

O senador Paulo Paim, homenageado do dia, disse que é um orgulho enorme receber a honraria. “Já recebi esse título em diversos estados, mas fiz questão de estar aqui o mais rápido possível para que conste em meu currículo que aqui, na terra de Zumbi, onde estão as cinzas de Abdias Nascimento, estou sendo homenageado, eu que sou negro também”, observou.

Paulo Paim disse que  Alagoas tem toda uma simbologia: “Foi o grande polo de resistência pela libertação dos escravos e é um prazer imenso ser homenageado; sou o único senador negro, para mim tem um significado além dos que as pessoas podem imaginar. Claro que eu sei que a homenagem é devido ao meu trabalho no Congresso, em defesa dos aposentados, dos trabalhadores e trabalhadoras, mas é com alegria enorme que eu recebo a homenagem, explodindo de satisfação, para que eu possa dizer aos meus netos: ‘sou um cidadão de Alagoas’, a terra de resistência de Zumbi”, pontuou o senador.
O deputado federal Paulo Fernando dos Santos (Paulão) disse que conheceu Paulo Paim quando ele foi um dos percussores da democracia: “Paim foi presidente da Central Única dos Trabalhadores de seu Estado e eu tive a honra de ser parceiro na caminhada; ele metalúrgico no Rio Grande do Sul”, observou.

Como senador Paulão destaca ainda que Paulo Paim é precursor de vários avanços para os aposentados e pensionistas: “Um segmento que anos atrás representava a média de vida de 54 anos; hoje de 74. Há um avanço na estatística, na economia e na inclusão social. Alagoas está de parabéns por conceder essa homenagem, é um gesto de justiça, pelas ações do companheiro, que faz a defesa do segmento com firmeza e tem sido um senador que é um destaque no plano nacional de referência até internacional”, disse.
 

Paulão finalizou observando ainda que o Título de Cidadão Honorário concedido pela Casa de Tavares Bastos ao senador gaúcho “é uma justa homenagem proposta por Ronaldo Medeiros. “É por isso que essa Casa está movimentada, porque as pessoas reconhecem  que ele é uma das poucas vozes que efetivamente faz defesa da classe trabalhadora, principalmente dos aposentados e pensionistas, num  mundo onde a gente está perdendo direitos. De parabéns Ronaldo Medeiros por essa justa homenagem”, ressaltou Paulão.

A audiência pública contou com apresentações culturais das associações de idosos e a presença do deputado federal Paulo Fernando dos Santos (Paulão-PT\AL); Warley Martins, presidente da Confederação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos (Copabap); João Pimenta; presidente da Associação Nacional dos Aposentados ( Asaprev); o gereontólogo Silvestre dos Anjos, da Faculdade da Cidade de Maceió  (Facima); Gildo Arquimínio, presidente da Federacão das  Associações dos Aposentados, Pensionistas e Idosos do Estado de Alagoas (Faapia)l; Maria de Lurdes Oliveira, presidente da Associação dos Aposentados de Arapiraca, entre outras autoridades.



terça-feira, 16 de setembro de 2014

A clareza das ideias ...

Olívia de Cássia – jornalista

Sonhei com algum momento do passado ao amanhecer do dia de hoje e a cena me fez refletir sobre determinadas situações que eu vivi lá atrás, contradizendo todas as teorias que eu costumava absorver e depurar todos os dias com minhas leituras feministas.

Sempre gostei de ler e absorvia, desde Marta Suplicy, Zuleika Alambert, Rose Marrie Muraro e   outras escritoras que eu tenho na minha estante e costumava recorrer. Durante um período da minha vida eu passei a assimilar a submissão ou aprendi a conviver com ela, embora não fosse um sentimento deliberado, mas só há bem pouco tempo me dei conta dessa situação.

Naquele tempo, eu passei a admirar o homem com quem vivia, porque, no começo daquele relacionamento, de certa forma, ele foi se moldando falsamente à minha maneira de ser, à minha vida universitária ao mundo que eu estava também descobrindo até então.

Eu era uma jovem muito pura de sentimentos e fui acreditando naquilo tudo, já que as minhas experiências no campo do namoro eram incipientes, apesar das minhas leituras e embora eu tivesse conhecimento dos seus limites intelectuais, inconscientemente, eu tentava fazer com que ele, aos poucos, fosse assimilando aquelas minhas teorias.

Já militante de um partido político eu fazia cópias das minhas leituras políticas, estatutos e outros textos e repassava para ele, avaliando que aquela criatura que se achava o conquistador fosse pelo menos tentar ler e dar uma entendida naquelas teorias.

Tola ingenuidade a minha e reconheço agora que de certa forma eu quisesse que ele se adaptasse  à minha forma política e  rebelde de ser e a tudo que eu vivenciava na faculdade, que foi o período inicial da nossa aproximação, basicamente ou ao que havia aprendido na vida.

E ele fingia muito bem, querendo usufruir daquele meu mundo, das minhas amizades. Pelo menos fingia muito bem, já que por quase dois anos vivemos uma relação que naquela época não tinha profundas intimidades sexuais e o interesse era apenas físico.

Com o tempo e a assumida de um relacionamento mais sério, aos poucos, avalio agora, fui me moldando à imagem da mulher acomodada, que tinha um companheiro cuja companhia podia contar nas festas e eventos, embora eu vivesse outra vida paralela, de participação em movimentos sociais e sindicais e não arrefecesse meus ânimos aos ideais  que eu sempre defendia.

E foi nesse tempo que as traições e revelação de um comportamento dúbio começaram a se fazer claros em minha mente. “Caiu a ficha”, mas eu ia tentando contornar e conviver estranhamente com aquele sentimento.

Era um relacionamento atípico, não aceito pela minha mãe e muito pouco pela sociedade preconceituosa e racista e era isso que me impulsionava a seguir em frente, avaliando que ambos tivéssemos lutando por semelhantes propósitos. Ledo engano.

Hoje essas lembranças amanheceram comigo e com meu gato Jotinha nos braços, lembrei que hoje é feriado da Emancipação Política do Estado e apesar da preguiça do corpo, precisava acordar e levantar para a vida, pois as leituras e a escrita me esperam. Bom dia!

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Os humores exaltados

Olívia de Cássia – jornalista

Estamos vivendo um período de efervescência de discussões sobre as questões políticas do País, alavancadas pelo período eleitoral e os humores estão exaltados: seja nas redes sociais ou nas rodas de conversa, mas o importante é manter o equilíbrio e o respeito pela opinião do outro, para que a discussão não se torne agressiva.

O debate salutar e harmônico é bem-vindo. A ideia é colocar bom humor nas proposições e rir o riso franco e não guardar rancores dos outros por terem opiniões contrárias às da gente, mesmo que sejam de que tipo for. Aprendi com a maturidade que não vale a pena se descabelar e nem cultivar inimizades por causa de campanha eleitoral, até porque o debate é de ideias e de projetos e não querelas pessoais.

Nos últimos dias estamos presenciando uma verdadeira guerra nas redes sociais; não obstante grande parte das pessoas que caem na esparrela da agressividade não tenha argumentos políticos convincentes e avaliam que o novo pregado por determinada candidata se trata de autenticidade.

Não tenho nada de pessoal contra a principal adversária nas pesquisas, a candidata do PSB, Marina Silva, e admiro seu esforço para chegar onde chegou, mas seus argumentos não me convencem tal a instabilidade de seu programa político e a mudança constante de opinião.

O candidato Aécio Neves é um play boy, filho de papai que nunca soube o que é lutar por nada e defende apenas os ideais que a gente já conhece. Agora os dois estão dizendo que não vão acabar com os programas sociais do governo do PT. Antes eram esmolas para os pobres e compra de voto.

Também não é que eu a ache que as pessoas não devam mudar de ideia e de opinião, mas assim já é demais, mas não dessa forma. Política não é igreja, o Estado é laico e as pessoas estão confundindo as estações.


Ninguém entra na política para ser ungido como santo ou Deus. Não existem santos em política, existem pessoas, seres humanos debatendo ideias, projetos, interesses pessoais e poder. Muito embora muitos candidatos se avaliam como deuses.

A briga é por esse espaço de poder e tenho repetido isso várias vezes. Eu tenho procurado compartilhar informações da minha candidata, a presidente Dilma, respeitando a opinião dos opositores ao governo, mesmo que não tenham argumento e que exprimam suas opiniões apenas ao sabor dos boatos e da mídia, principalmente da Rede Globo.

Vou votar na presidente, sim, por razões que já foram exaustivamente mostradas na imprensa: não é por santidade e nem por exclusivismo, mas é porque Dilma dará continuidade aos projetos que melhoraram o Brasil nos últimos 12 anos.

Dilma criou o Programa Mais Médicos e garantiu atendimento em saúde a mais de 50 milhões de brasileiros. Só quem precisa de um médico sabe valorizar esses profissionais que vieram de fora e estão dando o máximo que podem pela população menos assistida.

Com Dilma, o maior programa habitacional do País, o Minha Casa, Minha Vida será mantido e ampliado; serão mantidos investimentos no Nordeste, para que os nordestinos superem a seca; Dilma fortaleceu o sistema elétrico brasileiro e impediu apagões.

Quer mais? Lula e Dilma retiraram mais de 50 milhões de brasileiros da pobreza; com ela, há garantia de acesso ao ensino superior com o Prouni; os jovens terão formação profissional com o Pronatec.

No total, são mais de 20 milhões de vagas para cursos técnicos; Dilma é guerreira, lutou contra a ditadura; em quatro anos, o Brasil criou mais de cinco milhões de postos de trabalho e alcançou as menores taxas de desemprego da história.

Além do mais, a continuidade do governo Dilma garantirá a manutenção da política de valorização do salário mínimo do trabalhador brasileiro. As pesquisas de intenções de voto têm oscilado, mas a presidente continua na liderança e isso tem inquietado os opositores, que têm feito de tudo para desconstruir o governo do PT.

Reconhecemos os nossos erros e a própria presidente já declarou que no seu governo não há engavetadores de problemas; eles são divulgados, cortados na carne e puna-se os responsáveis pelas irregularidades. Avante alagoanos. Boa noite!

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Que venha a primavera...

Olívia de Cássia – jornalista

Meu pensamento nesta tarde de calor vai para o que há de mais positivo, para não ter que me angustiar depois: não posso e nem devo me estressar; esse sentimento me apavora e piora meu estado de saúde. Tento acreditar que com o chegar da primavera e um novo clima, as boas novas vão chegar e trazer mais alegrias para o nosso caminho.

O mundo precisa de paz, carinho, serenidade e tolerância, sentimentos que estão faltando na sociedade tecnológica hoje em dia. Estamos vivendo um período de impaciência, adrenalina, muita divagação: muitos não pensam o melhor para a coletividade e só olham para si, num sentimento egoísta e muitas vezes perigoso.

Estamos vivendo um período em que a gente deve ter muita cautela na forma como vai se expressar, dizer o que sente, pois até para ser irresponsável e imaturo é preciso lapidar a palavra.  “Quem diz o que quer, ouve o que não quer”, já diziam os mais velhos.

Estou vendo muita falta de educação e baixarias nas redes sociais. É a luta o vale tudo das eleições. Entendo que cada pessoa é livre para escolher suas preferências partidárias e ter um candidato;  quer que ele seja eleito ou torce por isso; outras pessoas confundem a batalha política, a luta pelos espaços de poder com querelas pessoais e ofendem tanto o candidato quanto seus eleitores.

É preciso ter um pouco de compreensão do mundo, não confundir direito e liberdade de expressão com indiscrição, falta de controle e desrespeito; não precisa ser sábio nem intelectual para isso: é só prestar atenção em algumas situações, ler um pouco e não se deixar levar na conversa dos outros.

O mundo evoluiu e temos que atentar para as questões que estão postas na ordem do dia. Às vezes a gente coloca um assunto ou uma imagem nas redes sociais e sai alguém ‘soltando os cachorros’ em cima da gente, como se estivesse comprando uma briga pessoal.

Caríssimos, política e religião é feito time de futebol: cada um tem o seu ou a sua, vamos respeitar o direito do outro, vamos fazer nossa campanha de maneira civilizada, sem discriminação, debatendo questões de ordem social e política e não com palavras de baixo calão e agressividade porque essa atitude só sai de gente que não tem argumentos, chinfrim.

Voto na presidente Dilma, sim, e quero respeito,  por entender que nesses 12 anos de governo Lula e dela o Brasil melhorou o seu desempenho, saímos do estado de miséria absoluta, foram criadas mais universidades, existem  mais possibilidades de os menos favorecidos alcançarem uma vida melhor e mais digna.

Alguém pode pensar que estou defendendo isso porque minha situação de vida tenha alcançado grandes evoluções:  não  aconteceu isso, talvez eu esteja até num perrengue maior, mas não estou pensando apenas em mim, estou pensando no coletivo.

Sei que poucos pensam dessa forma, mas esta é minha maneira de ver o mundo e por isso eu exijo e quero respeito, da mesma forma que ajo com as outras pessoas. Que venha a primavera. Boa tarde!!

Minha madrinha ...

Olívia de Cássia - jornalista

Acabei de saber do falecimento da minha madrinha Nenzinha, que estava acometida do Mal de Alzheimer, já há alguns anos, em União dos Palmares. Viúva há vários anos de meu padrinho Durval, dela vão ficar as lembranças da minha infância, de quando eu ia tomar a bênção em sua casa, aos domingos e datas religiosas,  e dos passeios com meu padrinho Durval Vieira.

Madrinha Nenzinha morava em frente à pracinha do cinema, numa casa enorme de esquina e, seguindo as tradições, quando eu era menina, todo domingo ia visita-la. Depois que fomos morar na Tavares Bastos, todo dia ela passava na porta lá de casa e conversava com minha mãe.

Antigamente os padrinhos significavam os segundos pais de uma criança. Meus pais os escolheram, pela proximidade que tinham com eles, porque meu pai negociava com compra e venda de cereais também, da mesma forma que meu padrinho Durval, e por outras questões que não sei explicar.

Hoje em dia esse costume cristão se perdeu na modernidade, embora a igreja continue a pregar os mesmos princípios. Eu mesma, desde criança, fui madrinha de muitos meninos e meninas, mas confesso que muitos hoje em dia eu nem conheço, porque o tempo foi nos afastando.

No interior, principalmente na roça, muitos pais e mães procuravam tomar como padrinhos dos filhos pessoas em situação de vida melhor, talvez pensando em garantir segurança para seus filhos, já que segundo a tradição cristã, os padrinhos seriam os segundos pais, nos casos desses virem a falecer.

Criei laços de afeto com minha madrinha e sua família. Tem gente que pensa que ser madrinha ou padrinho é apenas presentear a criança com bons brinquedos e só. “Mas as madrinhas e os padrinhos são muito mais do que isso e precisam ter valores morais e espirituais, bem como pensamentos, semelhantes aos dos pais”, talvez tenha sido por isso que Nenzinha e Durval tenham sido escolhidos para serem meus padrinhos.

Minha madrinha não costumava sair de casa, a não ser para ir às missas, na Igreja Matriz de Santa Maria Madalena ou à feira, aos sábados, mas era com meu padrinho que eu dava muitos passeios, inclusive às festas de seu Pedro Moco, no Jatobá, para correr de bacos e tomar refrigerante, ou nas festas da Rua da Ponte, em frente à antiga fábrica de doces.

Que Deus, em sua infinita bondade, dê um lugar de paz e de luz à minha madrinha. Vai com Deus, madrinha Nenzinha!!

terça-feira, 2 de setembro de 2014

O que temos agora...

Olívia de Cássia - jornalista

Em um  dia abafado e calorento dá para se perceber que vai chover depois.  Entro no carro para cumprir pauta especial e enquanto nos dirigimos ao local da entrevista vou reparando na paisagem e colocando os pensamentos em ordem.

Dia de pagamento não dá para se ter alegria, pois o dinheiro entra e some logo e assim vai sendo constituída a nossa rotina. Penso que não sou a única a viver nessa corda bamba, mas poderia ser muito pior e tenho mais é que agradecer.  

O trânsito vai fluindo e o motorista vai driblando como pode o engarrafamento pequeno que se forma na Via Expressa. Adiante, vejo prédios, condomínios de luxo, shopping, empresas, postos de gasolinas e escritórios: Maceió está crescendo.

A pouco mais de um mês para as eleições deste ano, a campanha para a presidência se acirra de um lado e de outro. Tomara que tudo acabe bem: já falei nesse espaço que respeito a opinião de quem vota ao contrário das minhas preferências eleitorais, mas da mesma forma exijo o mesmo tratamento.

O que tenho visto nas redes sociais são ataques ao governo dos oposicionistas, poucas propostas dos adversário da presidente Dilma e muita mentira e desinformação sendo espalhada na rede.

Acabei de ler um texto muito bom no Portal Forum, de Jorge Furtado, sobre as razões de ele votar na presidente Dilma e faço minhas as palavras dele, transcrevendo o texto na íntegra, da forma como está posta no blog: “Voto contra tudo isso que está aí”.

Cineasta explica os motivos que o fizeram apoiar a reeleição de Dilma Rousseff

Por Jorge Furtado

Se alguém me dissesse, em 2004 – quando o primeiro governo Lula sofria a oposição feroz de toda a mídia brasileira e tinha pouco ou nada para mostrar de resultados – que em dez anos o segundo turno da eleição presidencial seria disputado entre duas ex-ministras do governo Lula, uma pelo Partido dos Trabalhadores e uma pelo Partido Socialista Brasileiro, eu diria ao meu suposto interlocutor que a sua fé na democracia era um comovente delírio. A provável ausência, pela primeira vez no segundo turno das eleições presidenciais, de candidatos da direita autêntica, do PSDB, do DEM e do PTB, é mais uma boa notícia que a democracia nos traz. Imagina-se que, vença quem vença, muitos dos derrotados voltarão correndo para os braços confortáveis do novo governo, esta é a má notícia.

Tenho familiares e bons amigos que vão votar na Marina e também no Aécio. Eu vou votar na Dilma. Acho que foi o Todorov quem disse (mais ou menos assim) que a democracia nos reúne para que a gente resolva qual é a melhor maneira de nos separar. Não sou nem nunca fui filiado a qualquer partido, já votei em vários, tenho amigos em alguns. Neste que é o maior período democrático da nossa história (25 anos, sete eleições consecutivas), o Brasil não parou de melhorar e não há nada que indique que vá parar de melhorar agora.

Votei no Lula, desde sempre até ajudar a elegê-lo em 2002, com o palpite de que um governo popular, o primeiro em 502 anos, talvez pudesse enfrentar com mais vigor o grande problema brasileiro: a desigualdade social. Achei que, talvez, substituindo a ideia de que o bolo deve primeiro crescer para depois ser divido pela ideia de incentivar o crescimento do país com melhor distribuição de farinha, ovos, manteiga, fogões, casas com luz elétrica, empregos e vagas nas escolas e nas universidades, finalmente poderíamos começar a nos livrar da nossa cruel e petrificada divisão entre a casa grande e a senzala. Meu palpite estava certo. A desigualdade brasileira continua grande e cruel mas está, finalmente, diminuindo.

Voto, ainda, primeiro contra a desigualdade social, ainda o maior problema do país, um dos mais injustos do planeta, em poucos lugares há uma diferença tão grande entre pobres e ricos. A elite brasileira (sim, ela existe, esta aí), fundada e perpetuada no escravismo, luta para manter seus privilégios a qualquer custo. Eles são donos dos bancos, das grandes construtoras, fábricas e empresas, das tevês, rádios, jornais e portais da internet e defendem ferozmente sua agradável posição. A única maneira de enfrentar seu enorme poder é no voto.

Voto contra o poder crescente do capital sobre as políticas públicas. Quem vive de rendas pensa sempre mais no centro da meta da inflação e menos nos níveis de emprego, mais na taxa dos juros e menos no poder aquisitivo dos salários. O poder do capital especulativo, rentista, é gigante, mora na casa dos bilhões de dólares. Voto contra, muito contra, a autonomia do Banco Central, que tira do governante, eleito pelo nosso voto, o poder de guiar o desenvolvimento segundo critérios sociais, protegendo o país do ataque de especuladores e garantindo renda e empregos, e entrega este poder ao tal mercado, hereditário e eleito por si mesmo, sempre predador e zeloso em garantir a sua parte antes de lamentar os danos sociais causados por seus lucros. (Ver Espanha, Grécia, EUA, Finlândia, etc.)

Voto contra submeter os critérios de uso dos nossos recursos naturais não renováveis, como o petróleo, ao interesse de grandes empresas estrangeiras. O petróleo brasileiro e seu destino é o grande assunto não mencionado nas campanhas eleitorais. Os ataques contra a Petrobras, que acontecem invariavelmente às vésperas de cada eleição, atendem interesses das grandes empresas petroleiras, especialmente as americanas, que querem a volta do velho e bom sistema de concessões na exploração dos campos de petróleo, sistema que, na opinião delas, deveria ser extensivo às reservas do pré-sal. Aqui o interesse chega na casa do trilhão. Garantir que o uso da riqueza proveniente da exploração de nossos recursos não-renováveis tenha critérios sociais, definidos por governantes eleitos, me parece uma ideia excelente da qual o país não deveria abrir mão.

Voto contra o poder crescente das religiões sobre a vida civil. Respeito inteiramente a fé e a religião de cada um, gosto de muitos aspectos de várias religiões, sei do importante trabalho social de várias igrejas, mas não aceito o uso de argumentos ou critérios religiosos na administração pública. Mesmo para os que professam alguma fé religiosa a divisão entre os poderes da terra e do céu deveria ser clara. Diz a Bíblia, em Eclesiástico, XV, 14: “Deus criou o homem e o entregou ao poder de sua própria decisão”. (Esta é a versão grega, a versão latina fala em “de sua própria inclinação” ou “ao seu próprio juízo”.) Erasmo faz uma boa síntese desta ideia: “Deus criou o livre-arbítrio”. Ele, se nos criou a sua imagem e semelhança e criou também as árvores, haveria de imaginar que, criadores como ele, criaríamos o serrote, e com ele cadeiras, mesas e casas, e ainda, Deus queira!, a ciência que nos permita usar com sabedoria os recursos naturais e viver bem, com saúde. O poder crescente das igrejas, com suas tevês e bancadas no congresso, deve ser contido por um estado laico.

Voto contra o preconceito contra os homossexuais. O estado não tem nada a ver com o desejo dos indivíduos. Ninguém (seriamente) está falando que o sacramento religioso do casamento, em qualquer igreja, deva ser definido por políticas públicas, mas os direitos e deveres sociais devem ser iguais para todos, ponto. Os preconceituosos e mistificadores, que vendem a cura gay ou bradam sua lucrativa intolerância contra os homossexuais, devem ser combatidos sem vacilação ou mensagens dúbias.

Voto contra a criminalização do aborto. A hipocrisia brasileira concede às filhas da elite o direito ao aborto assistido por bons médicos, em boas condições de higiene, e deixa para as filhas dos pobres os métodos cruéis e o risco de vida, milhares de meninas pobres morrem de abortos clandestinos todos os anos. A mulher deve ter direito ao seu corpo, independente de vontades do estado ou de dogmas religiosos.

Voto contra o obscurantismo que impede avanços científicos. Há quem se compadeça com os embriões que serão jogados no lixo das clínicas de fertilização e ignore o sofrimento de milhares de seres humanos, portadores de doenças graves como a distrofia muscular, a diabetes, a esclerose, o infarto, o Alzheimer, o mal de Parkinson e muitas outras, cuja esperança de cura ou melhor qualidade de vida está na pesquisa com as células tronco.

Voto contra palavras vazias. Nossa era da mídia transformou a oralidade num valor em si, esquecendo que há canalhas articulados e bem falantes e pessoas de bem e muito competentes que são de pouca conversa, ou até mesmo mudas. Tzvetan Todorov: “A democracia é constantemente ameaçada pela demagogia, o bem-falante pode obter a convicção (e o voto) da maioria, em detrimento de um conselheiro mais razoável, porém menos eloquente”. (1) Há quem diga de tudo e também o seu oposto, dependendo do público ouvinte a quem se pretende agradar, há quem decore frases feitas repetíveis em qualquer ocasião, há quem não fale coisa com coisa. Prefiro julgar os governantes e aspirantes a cargos públicos menos por suas palavras e mais por seus atos, seus compromissos e sua capacidade de trabalho em equipe, ninguém governa sozinho.

Voto contra os salvadores da pátria. Pelo menos em duas ocasiões o Brasil apostou em candidatos de si mesmos, filiados a partidos nanicos, sem base parlamentar, surfando numa repentina notoriedade inflada pela mídia e alimentada pelo discurso “contra a política”, prometendo varrer a corrupção e as “velhas raposas”. No primeiro caso, a aventura personalista de Jânio Quadros acabou num golpe militar e numa ditadura que durou 25 anos. No segundo, a aventura personalista de Fernando Collor, sem base parlamentar e passada a euforia inicial, terminou em impeachment, bem antes do fim de seu mandato.

Voto na Dilma e contra tudo isso que ainda está aí: a desigualdade social, o poder crescente do capital, a cobiça sobre nossos recursos naturais, o preconceito contra os homossexuais, a criminalização do aborto, o obscurantismo que impede avanços científicos, a criminalização da política, as palavras vazias, os salvadores da pátria. Com a direita autêntica fora do jogo podemos, sem grandes riscos de voltar ao passado, debater o melhor caminho para seguir avançando. Ponto para a democracia.

(1) Tzvetan Todorov, Os inimigos íntimos da democracia, tradução Joana Angelica DÁvila Melo, Companhia das Letras, 2012.



O nascimento de Amaralinda

  Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Num ambiente rústico e carente, com escassez de recursos viveram Salomão Celestino e Carmem Celestin...