Meu pai era um homem excepcional: temeroso a Deus, justo,
trabalhador e honesto. Era um homem que acordava logo de madrugada para o
trabalho diário e não se furtava às adversidades do tempo. Se ainda estivesse
nesse plano, teria completado 93 aninhos no dia 16 de abril, ele morreu
faltando quatro dias para completar 76
primaveras.
Quando estava em casa, ainda quando tinha saúde, seu
passatempo preferido era ler a Bíblia, notícias dos jornais que eu levava para
ele e ver televisão. A fora isso, as festas de Santa Maria Madalena e ir à
missa eram o seu ritual preferido.
A festa ele não perdia uma noite, nem as novenas, isso
quando ele ainda podia andar. Seu João também gostava de viajar a Maceió para
marcar os bingos que eram feitos, que tinham como premiações carros, para
angariar fundos à construção do Trapichão.
Além disso, gostava de ficar na ponte próxima à Praça
Antenor de Mendonça Uchoa, para saber das novidades da política local. Meu pai
era fanático por política. Era assim que ele ficava sabendo de todo o
burburinho da cidade de União dos Palmares, até o início dos anos 1980, quando
começou a levar quedas na rua e deixou de andar.
Isso herdei dele também, o problema hereditário, a Doença de
Machado Joseph. Herdei dele algumas particularidades, tanto físicas quanto
sentimentais e isso minha mãe Antônia
dizia: “Até o nariz é igual, dizia ela”, mas com o tempo e a maturidade eu fui
pegando as feições da minha mãe e hoje me acho mais parecida com ela
fisicamente do que com seu João.
Eu e minha mãe tínhamos muitas divergências, por conta das
nossas opiniões e dos meus relacionamentos amorosos e amizades que ela tinha
restrições. Sempre acabávamos discutindo de alguma forma, até que por dois anos
ela parou de falar comigo, mas o meu pai, nunca se furtou a me receber e a
conversar com a filha rebelde.
Ele tinha sempre uma palavra amiga e um conselho para me
dar, mesmo quando já estava bem acometido pelo seu problema de saúde. Lembro
daquele sorriso doce me dizendo que eu entendesse a minha mãe, que se trancava
no banheiro quando eu ia de Maceió a União para vê-los e fui proibida de entrar
em casa.
Mesmo assim, meu pai, cambaleante ia até o sofá da sala para
conversar comigo, que ficava sentada no batente da porta, ora chorando, ora
conversando com ele. Ela não baixava a guarda, até que um dia cedeu. Hoje eu
tenho muita saudade dos dois, que já se foram há mais de dez anos, embora as
lembranças estejam bem avivadas em minha mente.
E quando me vejo assim, frágil, sentindo as mesmas
limitações físicas que meu pai teve, até não caminhar mais, me ponho a refletir
sobre muitas questões da vida. Não adianta orgulho, não adianta incompreensões
diante da falta de saúde e das limitações que a vida vai nos impondo.
Aos poucos a gente vai percebendo o quanto somos frágeis e que
é muito tênue a linha da vida. Procuro me aprimorar a cada dia, melhorar minhas
atitudes, comigo e com os outros e fico pedindo a Deus para não dar trabalho a
terceiros e a me conduzir para o bem, me dando mais força e saúde para
continuar a minha missão aqui na terra, que é escrevinhar, isso eu tenho
certeza. Bom dia e fiquem com Deus.
O Sindicato dos Jornalistas do Estado de Alagoas (Sindjornal); a Braskem; Ministério Público do Trabalho e Emprego (MPTbE), por intermédio da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego realizaram ontem na noite deste sábado, 25, no Armazem Uzina, em Jaraguá, a cerimônia de entrega da segunda edição do Prêmio Braskem de SST – Saúde e Segurança no Trabalho.
Prêmio Braskem de SST – Saúde e Segurança no Trabalho - Fotos Olívia de Cássia
A festa de entrega contou com a presença de mais de 600 pessoas e mesmo sendo a segunda edição a premiação bateu recorde de inscrição: teve 77 trabalhos inscritos, superando em 42% o número de trabalhos de 2014.
O jornal Tribuna Independente ficou em primeiro lugar na categoria impresso/texto, com o trabalho da jornalista Thayanne Magalhães, que teve o título: “Profissão perigo: as cinco áreas mais arriscadas para atuar em Alagoas”. Já a jornalista Ana Paula Omena,repórter do portal tribunahoje.com obteve duas premiações. O terceiro lugar em webjornalismo com a reportagem “Matadouros clandestinos ameaçam saúde e segurança do trabalhador”. E o segundo na mesma categoria com a matéria “Motoboys: profissão quase suicida”.
O presidente do Sindjornal, Flávio Miguel Peixoto , nas palavras de boas-vindas aos presentes destacou o momento difícil que a categoria está passando, por conta de estar na data-base e os patrões terem oferecido zero por cento de reajuste, ou seja, nada.
Presidente do Sindjornal, Flávio Miguel Peixoto - Foto: Olívia de Cássia
“Quero agradecer aos patrocinadores do prêmio e à comissão que apreciou os trabalhos inscritos, destacando a qualidade das matérias. A categoria está em campanha salarial e a nossa data-base é o mês de maio; os patrões não ofereceram nada de reajuste. O resultado de hoje eleva e divulga o nome das empresas e é preciso que a categoria tenha o seu reconhecimento merecido”, observou.
Segundo Flávio Miguel, as empresas não querem aplicar sequer a inflação do período, diante de tanta intransigência, “estamos abertos ao diálogo”, pontuou.
O superintendente do Trabalho, Israel Lessa, disse que o número de acidentes de trabalho no Estado tem aumentado. “Chega a um número alarmante e esse ano já começamos com mortes nos locais de trabalho. Um trabalhador de 37anos foi esmagado por um trator”, disse ele.
Todos os representantes do Ministério do Trabalho reforçaram a necessidade da prevenção nos locais de trabalho. O representante do MTbE, Rodigo Alencar, disse que a questão da terceirização aprovada na Câmara dos Deputados Preocupa. “Terceirização resulta em trabalho escravo. É preciso haver honestidade sobre a terceirização, para não termos que lamentar acidentes de trabalho. Esse Congresso que está aí é muito conservador”, argumentou.
Os jornalistas premiados receberam troféus, além de dividir premiação que soma cerca de R$ 60 mil em dinheiro
Este é o segundo ano do Prêmio Braskem de Jornalismo Saúde e Segurança no Trabalho (SST). “Este avanço, além de consolidar o concurso já no segundo ano, fez ampliar na mídia alagoana a produção de reportagens que trazem denúncias ou soluções a respeito das condições de trabalho no Estado, particularmente nas empresas” explicam os organizadores.
Os jornalistas premiados receberam troféus, além de dividir premiação que soma cerca de R$ 60 mil em dinheiro. Tanto o jornal impresso diário Tribuna Independente quanto o portal tribunahoje.com são produtos da Cooperativa de Jornalistas e Gráficos do Estado de Alagoas (Jorgraf).
Veja abaixo os vencedores:
Estudante
1º lugar: SST JOGADAS NO LIXO – ROBERTA MEYCE (UFAL) 2º lugar: BELEZA INSALUBRE: OS RISCOS ENFRENTADOS POR TRABALHADORES EM SALÕES E CENTROS DE BELEZA – MÁRCIO ANASTÁCIO (UFAL) 3º lugar: FALTA DE PROTEÇÃO EXPÔE FRENTISTAS DE ALAGOAS – LUCAS ALCÂNTARA (UFAL) Menção Honrosa: VIDA NA ESTRADA: O RISCO DE SER CAMINHONEIRO EM ALAGOAS (UFAL)
Radiojornalismo 1º lugar: NR-20: OS COMBUSTÍVEIS E A SAÚDE DOS FRENTISTAS – GIULIANO PORTO E CARLOS MADEIRO (RÁDIO DIFUSORA) 2º lugar: A SAÚDE NO TRABALHO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE – GIULIANO PORTO E CARLOS MADEIRO (RÁDIO DIFUSORA) 3º lugar: MERCADO ALAGOANO INVESTE EM CONSULTORES PARA SEGURANÇA DO TRABALHO – ALEXANDRE LINO E MARCOS MOREIRA (RÁDIO CORREIO)
Webjornalismo 1º lugar: PERIGO NAS RUAS: EQUIPES DE LIMPEZA URBANA ENFRENTAM RISCOS DIÁRIOS EM MACEIÓ – JAMYLLE BEZERRA (GAZETAWEB) 2º lugar: MOTOBOYS: PROFISSÃO ‘QUASE SUICIDA’ – ANA PAULA OMENA (TRIBUNA HOJE) 3º lugar: MATADOUROS CLANDESTINOS AMEAÇAM SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHADOR – ANA PAULA OMENA (TRIBUNA HOJE)
Fotografia - Impresso 1º lugar: RISCO IMINENTE – EDUARDO LEITE (O DIA ALAGOAS) 2º lugar: QUANDO O RISCO É SINÔNIMO DE FATURAMENTO ALTO – DÁRCIO MONTEIRO (GAZETA DE ALAGOAS) 3º lugar: NO AR POR UM FIO – MARCELO ALBUQUERQUE (GAZETA DE ALAGOAS)
Jornalismo impresso (Texto) 1º lugar: PROFISSÃO PERIGO: AS CINCO ÁREAS MAIS ARRISCADAS PARA ATUAR EM ALAGOAS - THAYANNE MAGALHÃES (TRIBUNA INDEPENDENTE) 2º lugar: CADÊ A NR-20 – LÁYRA SANTA ROSA (O DIA ALAGOAS) 3º lugar: 10 MINUTOS: UMA PAUSA PRODUTIVA, SAUDÁVEL E SEGURA (O DIA ALAGOAS)
Reportagem de TV 1º lugar: SÉRIE ASSÉDIO MORAL: UMA JORNADA DE HUMILHAÇÃO – THIAGO CORREIA, GÉSIAS MALHEIROS E EQUIPE (TV PAJUÇARA) 2º lugar: EDUCAÇÃO É SEGURANÇA – MARIA MACIEL E EQUIPE (TV PAJUÇARA) 3º lugar: ALARMANTE: HGE REGISTRA MAIS DE 300 CASOS DE ACIDENTES DO TRABALHO EM 2014 – MADYSSON WESLEY (TV GAZETA)
Assessoria de imprensa 1º lugar: GRUPO PREVENCIONISTAS: A UNIÃO PELA SEGURANÇA DO TRABALHO EM ALAGOAS – PATRÍCIA BARROS (GRUPO PREVENCIONISTAS) 2º lugar: DICOM DO MPF APRESENTA UM HOTSITE DA ATUAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO DA FPI DO SÃO FRANCISCO EM DEFESA DO MEIO AMBIENTE – JANAINA RIBEIRO (MPE)
Com trinta anos de estrada e estilo eclético, o compositor, cantor e escritor alagoano Ari Persiano está fazendo a divulgação do seu quinto CD ‘Como o Céu e o Mar’ nas rádios alagoanas e diz que é difícil para um compositor ter um só estilo.
Além de compositor, cantor e instrumentista, Ari Persiano tem três livros escritos que falam sobre religião. Fotos Paulo Tourinho
“Ele compõe várias coisas, não foca só num estilo”, observa. O novo CD de Ari Persiano tem sete músicas, cinco autorais, uma parceria com Geraldo Cardoso e outra com Luciano Versati e ele diz que está sendo muito bem aceito, e está num bom momento.
O músico observa que quando está em Maceió, toca no Francês, nas barracas de praia, nos restaurantes voltados para a praia. “À noite eu faço no píer do Hotel Enseada, lá é MPB, voz e violão”.
Ele não contou à reportagem, mas andei pesquisando que é fã do cantor Benito de Paula, bisneto de imigrantes e de uma época em que “em Maceió não existia nada”. Nascido no ano de 1962, ele contou ao Papo Musical, de Serginho Lamecci, no canal You Tube, que a primeira vez que foi ao Teatro Deodoro tinha cinco anos e foi ver uma peça, isso em 1967. “Alagoas estava engatinhando com relação à arte”.
Ele destaca que a família gostava muito de música. “Meu pai tinha um grande acervo musical, ouvi muita música, mas ele não queria que eu aprendesse tocar violão e deu um violão a minha irmã, que não sabia tocar nada; comecei a tocar naquela época”.
Ari Persiano tem três livros escritos que falam sobre religião. Com formação em história antiga ele é conhecedor das escrituras sagradas, diz que dependendo do ambiente onde esteja vai traçando o seu estilo musical.
“Por exemplo: eu estou muito aqui, no Nordeste, e convivo muito com o Geraldo (Cardoso, matuto de Luxo), há muitos anos; agora estamos com uma parceria com Flávio José, entre outros artistas e nesse caso a tendência é o xote”, ressalta.
O compositor confessa ainda que gosta de balada romântica, mas quando está em Salvador faz os ritmos da Bahia. “Compositor é assim, é um clínico geral; eu não fiz outra coisa na vida a não ser tocar; tentei fazer outra coisa, mas não deu; eu não nasci para estar parado em um só lugar”, observa sorrindo.
O músico de espírito leve, espiritualizado e de alma suave, diz que já tocou em várias bandas e começou com banda de baile, no final dos anos 70. Tocou com Zé Barros, músico de Paulo Jacinto, era um dos formadores da banda Odisseia. “Naquela época se usava terno e depois dos anos 80 vieram as revoluções artísticas com os festivais estudantis universitários que participei de todos”, destaca.
Ari Persiano também foi tecladista de trio elétrico por dez anos, tocou na Banda Omin, tem discos autorais e foi técnico da Rádio Jovem PAN. “Também sou músico da noite, ainda me defendo tocando; mas não gosto muito, mas a barriga ronca, é preciso suprir as necessidades”, pontua.
Para o novo CD ele conta que veio uma estrutura melhor esse ano: “Sem estrutura você não anda, e graças a Deus pude fazer um disco de qualidade, que está agradando”, ressalta.
Precisa-se de um ninho
Pode ser pequenino
Pode ter algumas arestas
Devagar se concerta
Pode passar algum frio
Pode proteger com as asas
Pode ser alto ou baixo
Não se pretende sair
Não se pretende voar.
Precisa-se de um ninho
Para guardar o amor
Do maior predador...
Os tantos silêncios
Que no coração
Já não cabem. (Lindair Amaral 21/04.2015)
Não tenho direito a opinião. A do outro está formada e por mais que queira explicar, você não tem razão.
Não tenho direito ao silêncio!
Ficar calada é abstenção dos seus direitos, é omissão e são crimes e violação de direitos.
Não tenho direito de amar!
Agora amar não pode. Tem que xingar, rasgar bandeiras, fazer gestos obscenos e se aproveitar das limitações alheias, ainda que sejam físicas.
Não tenho direito a ter direito!
Não posso ser contra e nem a favor. Qualquer coisa que diga pode ser usada contra você. E acredite, o é.
Não uso a palavra para agredir, apenas para me posicionar ou trazer quando posso algum conforto.
Não tenho direito de dizer que meu direito não é seu.
Que o silêncio por vezes é para não magoar.
Que amar independe de tuas convicções, para isso existe o diálogo.
Que o direito chegou até mim depois de grandes lutas. Ter direito é simplesmente dizer que discordo ou concordo e que não quero brigar com você. Não posso ser a pessoa que você gosta ou odeia, você nem me tão profundamente assim.
Dos direitos retirados um ficou: A certeza de que como sempre tudo vai passar, o dia vai nascer, o sol vai brilhar e as luzes vão se apagar para afina, o sono de conforto nos deixar livres para sonhar...
Grupo tem 40 componentes que têm a proposta de preservação da nossa cultura
O Grupo Percussivo Baque Alagoano completa oito anos hoje e surgiu a partir de uma oficina ministrada pelo músico e artesão Wilson Santos, no Cenarte, em Maceió, há sete anos. A oficina reuniu cerca de 50 pessoas de diversas idades e profissões que tinham em comum a necessidade de um espaço onde pudessem batucar e trocar ideias sobre os ritmos populares da região Nordeste como o maracatu, coco, baianas de Alagoas, bumba-meu-boi, guerreiro alagoano, entre outros.
Foto: Paulo Tourinho e Olívia de Cássia
Hoje o grupo tem 40 batuqueiros fixos e segundo Rose Mendonça, coordenadora artístico-cultural, batuqueira e cantora, nasceu com a intenção de fazer ressurgir o maracatu no Estado de Alagoas. “Inclusive a gente tem uma loa, que é uma composição de um dos sócios fundadores, que fala justamente disso”, destaca.
Foto: Olívia de Cássia
Rose Mendonça observa que na época da criação do grupo, não existia mais o maracatu, desde o Quebra de Xangó, que foi um ato de violência praticado em 1º de fevereiro de 1912 contra as casas de culto afro-brasileiras de Maceió e que se estendeu pelo interior de Alagoas, por conta da intolerância religiosa.
“Depois do surgimento do Baque, vários outros nasceram e estão nascendo. Estamos no caminho certo”, avalia. O grupo já fez apresentação em várias cidades do Estado: em Maceió, no interior de Alagoas e também fora do Estado, como Pernambuco.
“Participamos de eventos, simpósios, festas particulares, em casamentos, além disso, a gente tem uma agenda fixa com apresentações em datas importantes, que têm um significado, independente de convite. A gente vai para a rua, que o maracatu é uma manifestação de rua e faz a apresentação”, explica.
Foto: Olívia de Cássia
O Baque Alagoano tem instrumentos como alfaia (tambor grande), gonguês (instrumentos de marcação) agogôs, caixa de guerra e os Agbês\ Xequerês. “Depois da oficina não queríamos mais parar de tocar. A ideia era fazer com que o projeto sensibilizasse outras pessoas quanto a importância da cultura popular e afro do nosso Estado e do Nordeste”.
Segundo ela as pessoas se juntaram e formaram uma associação e daí nasceu o grupo, que sobrevive dos cachês das apresentações e de uma contribuição individual de cada associado. “É um valor pequeno, mas que dá para uma pequena rentabilidade para o grupo, para as coisas básicas”, pontua.
O grupo ensaia todos os sábados à tarde, na Praça Marcílio Dias, em Jaraguá, em frente à Capitania dos Portos, das 14h às 18h. O grupo tem uma oficina marcada para os dias 30 e 31 de maio, que é a única forma para se entrar no grupo.
Foto: Paulo Tourinho
“A gente faz duas oficinas por ano, não tem limite de idade e qualquer pessoa pode participar, não tem nenhuma restrição e não precisa ter nenhuma preparação. As oficinas acontecem uma parte na praça e outra parte na sede do grupo, próximo à Marcílio Dias, onde os componentes guardam os instrumentos e vestimentas e serve de apoio quando das apresentações, como a prévia de Jaraguá, o Dia do Folclore e outras apresentações.
Têm pessoas que pegam com mais facilidade, tem outras que têm mais dificuldade e a gente dá assessoria para isso”, pontua.
O Baque Alagoano faz uma incursão pelos ritmos da cultura popular e afro-nordestina. O trabalho de pesquisa e criação musical tem raízes fincadas na cultura popular regional, procura fazer uma releitura dos ritmos tradicionais alagoanos, “respeitando a tradição e com consciência dos efeitos transformadores da contemporaneidade”, explica.
A batida forte e contagiante dos tambores de som grave é característica marcante do Baque Alagoano, que com pouco tempo de formado já ganhou vários prêmios. A proposta do grupo vai além da pura combinação de batuques em sala fechada.
Foto: Paulo Tourinho
O trabalho desenvolvido pelos componentes do grupo é voltado para a pesquisa do desenvolvimento histórico e antropológico de nossas raízes musicais e tem conseguido levar aos locais onde tem se apresentado um verdadeiro resgate de valores e símbolos da nossa musicalidade atemporal.
Produtos derivados do jacaré-do-papo-amarelo são vendidos no exterior
Olívia de Cássia - Repórter
Pouca gente no Estado sabe, mas Alagoas exporta produtos derivados do couro dojacaré-do-papo-amarelo, que tem o nome científico de Caiman latirostris. No Brasil não existe um clima igual ao de Alagoas para se criar jacaré: quem diz é a empresária Cristina Ruffo, que tem um criadouro localizado numa propriedade de três hectares, no bairro operário da Vila ABC, em Fernão Velho, e tem um plantel de cerca de 20 mil animais para o abate que se alimentam de proteína vegetal e animal.
Alagoas exporta produtos derivados do couro do jacaré-do-papo-amarelo, que tem o nome científico de Caiman latirostris - Foto: Olívia de CássiaEmpresária Cristina Ruffo, que tem um criadouro localizado numa propriedade de três hectares, no bairro operário da Vila ABC, em Fernão Velho - Fotos: Paulo Tourinho e Olívia de Cássia
O maior destaque da empresa, segundo ela, é ter um produto que sai do ovo ao produto final. Com licença para do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e demais órgãos para fazer o comércio, a empresa foi criada em 1994, há 21 anos, e começou com três jacarés. É um empreendimento familiar e tem dedicação exclusiva de cem por cento ao negócio.
O criatório tem atualmente 100 tanques e por mês abate em torno de 200 animais. A carne vai para restaurantes e supermercados de São Paulo e Maceió, mas a capital paulista é o maior consumidor da carne. O macho da espécie chega a três metros e dez, a fêmea é menor, dois metros; e este ano teve alta natalidade no local.
O couro do jacaré abatido na empresa de Cristina Ruffo é curtido em Estância Velha, no Rio Grande do Sul, mas ela explica que em breve vai ser curtido no Estado também. “É o único curtimento de pele que a Europa aceita”, explica. Depois de curtido o couro volta para a empresa para serem processadas as peças que serão exportadas para países, principalmente a França, onde atende a alta moda.
São bolsas de grife, que custam R$ 8 a R$ 10 mil e sapatos que serão lançados na Francal, em São Paulo, e na Itália. O sapato é comercializado a R$ 14 mil o par e já tem venda garantida. A empresa também tem um site onde vai funcionar uma loja on line.
Uma bolsa quando vai pra loja passa a ser vinte mil, trinta mil, segundo a empresária, que justifica o preço observando que um centímetro da pele de jacaré custa vinte e quatro euros e para confeccionar um par, dependendo do modelo, às vezes são necessárias duas peles.
A proprietária Cristina Ruffo mostrou algumas bolsas que ainda estão na linha de montagem da empresa e explicou que as peças são exportadas já prontas; saem do ateliê da empresa, que tem designer e costureiras. Os sapatos, segundo ela, são tão procurados que não tem para quem queira.
“Nós vendemos nossa grife e vendemos para outras grifes também. Temos um designer italiano que é contratado por coleção, amanhã ou depois vem outro para outra coleção, cada vez é um profissional diferente”, explica.
Cristina Ruffo explica que a empresa iniciou suas atividades com três jacarés que surgiram espontaneamente na propriedade, no lago da frente do sítio. “Eles vieram atraídos certamente pelos peixes que eram criados lá; se passou a primeira rede de biometria dos peixes e surgiram esses três animais. Normalmente fazem parte do ecossistema de Alagoas, principalmente, são oriundos da Mata Atlântica, e nós resolvemos preservá-los e não matá-los”, argumenta.
Cristina Ruffo comenta que resolveu procurar a Universidade de São Paulo, para saber que espécie era aquela, pois nem o Ibama tinha notícia: “Aí descobrimos que era um espécie que estava em extinção e nosso primeiro objetivo foi ajudar a sair desse processo. Foi um desafio”, observa.
Segundo a empresária, que também é jornalista, quando já tinha se passado dez anos, a empresa estava com um número significativo de animais e recebeu do Ibama algumas doações para melhorar a espécie: “Eram doações de animais que estavam ilegais, ou era gente criando, ou querendo matar”, destaca.
Empresa tirou espécie da extinção
Durante dez anos ela destaca que foi feito um trabalho sem ganhar um centavo, preservando a espécie, para que se tornasse um criatório totalmente sustentável. “Eu não entendia nada de jacaré e resolvi fazer medicina veterinária aos 50 anos, saí para poder trocar ideia com o mundo científico e conseguimos um bom resultado; conseguimos chegar a trezentos e poucos cientistas que queriam tirar algumas espécies da extinção”, pontua.
Para entrar no mercado de criação de jacarés um empresário gasta cerca de um milhão e seiscentos mil reais, segundo a empreendedora. No Brasil, hoje, só pode criar jacaré se comprar da Mister Cayman, quem tem autorização para o comércio. “Somos os únicos do Brasil e na América Latina somos os maiores”, explica.
Na natureza, segundo a especialista, nascem dois por cento dos jacarés-do-papo-amarelo. “Na chocadeira elétrica a gente faz nascer de 98 a 100 por cento”, destaca. Segundo ela, a empresa conseguiu multiplicar muito a espécie; “mas não bastava só isso: fomos viajando o mundo inteiro para fechar toda a cadeia produtiva; não adianta você fabricar um sapato desse nível ou uma bolsa top de linha, uma pele de qualidade se você não tem para quem vender”, destaca.
Ela observa que enquanto a empresa está fazendo nascer os filhotes na estufa, dentro dessa temperatura que temos no Estado, no Sul os criadores são obrigados a colocarem aquecedor nas águas. “Por que o animal cruza dentro d’água e se tiver fria ele não vai lá. Estamos sempre na frente, em todos os sentidos. Temos tecnologia e clima”.
Segundo ela, viajando para a China, Japão, Dubai, Europa toda, Estados Unidos conseguiu ver que o mercado era muito carente. “Fizemos uma franquia; vendemos hoje matrizes reprodutoras, projetos e somos responsáveis técnicos dessa comercialização, para que a sustentabilidade continue cada vez maior”, observa.
Cristina Ruffo argumenta também que o importante nesse mercado é ir crescendo, gradativamente, “porque a gente tem sempre que focar que a espécie acabou de sair da extinção”. A empresa comenta que montou criatórios no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina, São Paulo, porque, segundo avalia, nessa época, os alagoanos não despertavam nenhum interesse pela criação.
“De repente, começaram a despertar e temos três parceiros em Alagoas, que criam nos mesmos moldes, com o mesmo tipo de tanque, mesmo tipo de alimentação e a empresa dá escoamento para o produto deles”, ressalta. A empresária ensina que para ser criador de jacaré-do-papo-amarelo tem que ter a paciência de esperar, pois criação de animal não é da noite para o dia que faz um enorme plantel.
“Nós abatemos com SIC (Serviço de Inspeção estadual); estamos pleiteando um abatedouro com SIF (Serviço de Inspeção Federal), pois tem alguns locais que comercializam a carne na clandestinidade. Eles vendem a carne que é abatida na natureza; compravam um quilo, dois quilos da gente, só para esquentar a nota. Isso a gente não incentiva que aconteça”, explica.
Consumo em São Paulo é alto e não dá nem para a capital
Cristina Ruffo explica ainda que a carne de jacaré que é produzida e vendida também em São Paulo pela empresa é consumida no próprio mercado. “É tão alto o consumo lá que não dá nem para a capital. A gente não abate muitos animais; são 200 por mês, no máximo, sendo que 50% aqui e a outra metade em São Paulo por causa do SIF: a daqui fica para as famílias que compram seriamente e alguns restaurantes,” conta.
A empresária reclama que na natureza acontece de alguns pescadores olharem os jacarés que têm olhos grandes e abatem o animal, às vezes uma fêmea ovada, um macho reprodutor, para eles tanto faz e isso é crime ambiental, ensina.
“A empresa trabalha com o curtimento vegetal; o abate é humanitário, com pistola. O nosso abatedouro é mais limpo, posso garantir, do que muitas UTIS de hospital. Superesterilizado, não tem nenhuma contaminação”, explica. O jacaré é um animal rústico e tem baixíssima mortalidade. A empresária ensina que o cuidado que tem que se ter com o animal é obedecer às técnicas de manejo; não haver brincadeira na hora do trabalho.
“Temos doze funcionários, entre o abatedouro e o ateliê. A gente terceiriza muita coisa e acho que dá emprego para 200 pessoas, na fábrica, para produção da pele. Trazendo o curtume para Alagoas a gente vai gerar esses 200 empregos aqui em Maceió. A gente emprega mão de obra para a Vila ABC, que está saindo da ociosidade, vindo trabalhar aqui”, ressalta.
Ela explica que o abate do animal é feito com insensibilização, com uma pistola pneumática (foto). “Um animal não é abatido ao lado do outro, para que ele não sinta a morte do primeiro; é animal por animal abatido, individualmente, não deixa passar medo para o outro”, explica.
Os jacarés, quando nascem, vão para um berçário para que sejam feitos os cuidados com o cordão umbilical, depois vão para a estufa berçária, daí para uma estufa infantil de crescimento, até que se tornem matrizes: ou reprodutores ou vão para o abate. Ela explica que o tempo de crescimento do bicho são dois anos para o abate e quatro para a reprodução.
No criadouro tem animal de três anos postando ovos. “Tem deles que começam com 20 e vão até 60 ovos, uma vez por ano. Quanto mais o animal vai amadurecendo sexualmente mais ele vai reproduzindo. A gente acredita que eles cheguem até 60 anos, pelas pesquisas que a gente faz”, explica.
As cores das peles curtidas são determinadas pela empresária, de acordo com a feira Le Cuir de Paris, que dita as tendências da moda para daqui a dois anos. As peles coloridas que estavam expostas no escritório da empresária já são para as feiras do inverno e verão de 2017. “Já trabalhamos fazendo banco de Ferrari de BMW; também fazemos outras coisas que não bolsas socialmente. Nós trabalhamos na área de decoração, bancos de iates de árabes. “Temos equipes fora do país que trabalham com isso”, pontua.
A empresária comenta que em cem anos, “nem nós e nem os parceiros vamos conseguir atender a trinta por cento da demanda mundial. É um investimento certo, que só tem pontos fortes, não tem pontos fracos: não existe para nós mais jornalismo, não existe indústria de autopeças na Europa (a empresa do marido): a gente parou com tudo porque não dá para atender todo mundo”, explica.
A empresária explica também que a empresa está fazendo um polo de criação de jacaré-do-papo-amarelo em Alagoas e que a proposta é fundar uma cooperativa. “Dou palestra no Brasil todo e ganhei o prêmio Nacional Mulher de Negócios do Estado, em São Paulo, gerou credibilidade e fui disputar o prêmio em Paris e ganhei também”, complementa.
Cuidador explica como faz o manejo
Ig Barbosa é um dos funcionários da empresa e cuidador dos animais. Ele explicou à reportagem como faz o manejo e cuida dos jacarés: “Eu cuido a partir da postura, até o ponto de chegar ao abate; logo no nascimento, quando a fêmea põe os ovos, a gente tira e coloca na chocadeira. Lá, os ovos ficam durante um tempo de 80 dias e quando eclodem eles vão para o berçário”, destaca.
Ig Barbosa observa que no berçário o jacarezinho passa seis meses e depois eles levam para o tanque para engorda, até chegar ao tamanho ideal para o abate de dois anos a dois anos e meio. A reportagem visitou o local do abate dos animais e constatou a assepsia, que nem parece um abatedouro.
“Quando eles saem do berçário a gente baixa a água, coloca uma luva e os tira para colocá-los no tanque para a engorda. O jacaré grande e pronto para o abate a gente pega no cambão (tipo um laço), coloca no pescoço do animal e tira ele fora”, destaca o criador, acrescentando que também no local são criadas abelhas, mas apenas para o consumo.
O veterinário Isaac Manuel Albuquerque é o técnico responsável pelo criatório e explica que a carne do jacaré não é ‘carregada’ como dizem. “Isso não existe. O carregado, na verdade, se dá por questão de origem da carne. A carne mal conservada ela pode desenvolver algumas bactérias. Aqui a gente sabe o que ele está comendo”, explica.
Isaac explica in loco como é feito todo o procedimento do abate do animal . “Tem que estar tudo esterilizado, com roupas apropriadas, usa um produto específico e fica aguardando o animal chegar. Ele é insensibilizado lá fora, vem para cá e é feita a sangria, como faz com o bovino”, explica.
Depois de abatido é feito o corte do animal ou pela barriga ou pelas costas, dependendo da peça que for ser empregada, mas usa mais a parte ventral, para estofamento de bancos e outras propostas, segundo o veterinário.
Retirado o couro inteiro, na esfola, vai para uma parte; a carne vai para outra para o animal ser viscerado. Os animais não se alimentam das próprias vísceras para não despertar neles o canibalismo, de acordo com a explicação do professor Isaac.
“O animal fica cerca de 40 minutos numa câmera fria para que facilite tirar os ossos; depois disso, sendo cortes nobres, vai para a bandeja, é lacrado e selado. Às vezes a pessoa quer comprar a carne do animal inteiro, porque o produto se torna mais barato o preço.O quilo da carne de jacaré para as venda custa R$ 85 com osso e R$ 120 o filé”, destaca.