terça-feira, 29 de abril de 2014

E de repente...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

E de repente vem a luz
Que te mostra o caminho,
Para que a gente não continue
A percorrer por trilhas
Sem limites, Inúteis;
E de repente as lágrimas se foram,
O sorriso brotou no meu rosto
Fiquei mais forte e mais segura,
Já não tenho aquela dependência
Emocional que tinha antes.
Sobrevivi à tempestade,
às armadilhas da vida,
ao caos Interior...
E de repente vem ...

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Apesar de não ser tratada como doença, Síndrome da Pressa afeta 30% dos brasileiros

Olívia de Cássia – Repórter
(Imagens: ilustração internet)

A síndrome da pressa é um problema psicológico e comportamental que acontece com várias pessoas da atualidade. As pessoas costumam dizer que 24 horas é pouco tempo para realizar tantos afazeres.  

As características típicas da síndrome são: tensão, hostilidade, impaciência ao esperar, valorização da quantidade e desvalorização da qualidade, sono agitado, inadmissão a atrasos, busca por substâncias que controlam as emoções, interrupção da fala de terceiros, passos rápidos e outros.

Segundo estudo realizado pelo Internacional Stress Management Association do Brasil (Isma-BR), entidade que estuda os efeitos do estresse, o transtorno já atinge 30-% dos brasileiros. O problema não constitui uma doença, mas uma série de comportamentos que altera significativamente a saúde e a qualidade de vida dos indivíduos.

A síndrome da pressa não é reconhecida e nem classificada na psiquiatria, porém é conhecida e estudada desde 1980.  Alguns especialistas a definem apenas como um processo acelerado de estresse. Desde os primeiros estudos são detectadas alterações na autoestima e na confiança do apressado, pois normalmente busca realizar uma quantidade de tarefas quase impossível.

Dessa forma, os sentimentos de frustração, autocobrança e incapacitação podem acarretar em outros problemas mais graves. Ilana Rodrigues, graduanda em Psicologia pela Universidade Federal de Alagoas, observa que diante do modo de organização social da sociedade moderna, que preza pela competição, a sobrecarga e a rapidez, a pressa é um mal necessário.

“E é a partir dessa realidade que tem aumentado gradativamente o índice de pessoas que sofrem da Síndrome da Pressa que está diretamente ligada ao estresse e apesar de não ser uma doença é um padrão de comportamento que altera significativamente a saúde e a qualidade de vida do indivíduo”, observa.

Segundo Ilana Rodrigues, apesar de a síndrome da pressa estar relacionada ao estresse em estágio avançado, os problemas têm origens diferentes: “Enquanto o estresse avançado é uma reação física e psicológica a uma situação ameaçadora ou angustiante, a síndrome da pressa é desencadeada por um conjunto de comportamentos que o indivíduo traz o estresse para si”, destaca.

Os especialistas avaliam ainda que a pressa constante pode acarretar uma série de doenças, dentre as quais, a depressão, transtornos alimentares, insônia, distúrbios gástricos, hipertensão. “Em algumas situações e profissões a pressa é um elemento importante, mas a partir do momento que ela deixa de ser necessária e se torna exigida, isso passa a ser um problema. Ou seja, quando o indivíduo começa a achar que para ser competente naquilo que faz é preciso fazer com rapidez”, ressalta. 

A psicóloga destaca ainda que muitas pessoas gostariam de diminuir o ritmo, mas não podem. Isso porque a maioria das empresas exige produtividade. “Além da carga de trabalho, ainda há a pressão de cumprir prazos, atingir metas e níveis de qualidade. Nesse contexto, como não ter pressa? A principal dica é tentar buscar um equilíbrio, priorizando momentos em que é realmente necessário acelerar, com outros em que é possível ter um ritmo mais lento”, ensina.

Segundo os especialistas, a mudança da rotina é a única forma de inibir a síndrome da pressa, já que essa ainda não tem tratamento específico, a não ser se estiver ligada à ansiedade ou a altos níveis de estresse. “Para melhorar a qualidade de vida e conseguir dar uma freada na pressa é importante relaxar com músicas leves, observar a natureza, dedicar-se mais à família, realizar tarefas fora do contexto diário, organizar as tarefas diárias priorizando as mais importantes, dormir no mínimo oito horas e alimentar-se de maneira saudável”, observa.

EXEMPLO

A comerciária Josicleia Macário, residente no bairro da Jatiúca, em Maceió, é um exemplo de pessoa que tem a Síndrome da Pressa. Ela conta que já consultou vários especialistas, mas o problema foi sempre tratado como estresse em alto grau, devido às tarefas que tem que desempenhar diariamente, no trabalho e em casa.

Josicleia conta que o último médico, um psiquiatra, receitou remédios controlados que a estava deixando muito pior. “Deixei de tomar os remédios, resolvi adotar outro tipo de vida para mm e meus filhos; corro menos, procuro ser mais flexível com os horários, mas ainda tenho pressa: tenho quatro filhos em idade escolar; preciso acordar cedinho para aprontá-los, deixar tudo em ordem para levá-los à escola e depois sigo para o trabalho, mas conto com a colaboração da minha mãe”, destaca. 

O alagoano Valdei Marinho de Omena disse que é muito apressado: “Acordo já com pressa; e a mulher já está com o café pronto; vou para o trabalho, brinco com todo mundo, mas acho que pressa me atrapalha um pouco a vida; nunca procurei um médico para saber se essa pressa constitui um problema; além disso, eu falo muito”, conta sorrindo.

LAZER

Os psicólogos avaliam que o primeiro passo para lidar com essa situação é admitir e entender o problema. O segundo é querer mudar. “Se a pessoa perceber que a pressa está prejudicando seu desempenho e sua qualidade de vida, então é hora de mudar sua postura”, diz Rossi. 

A mudança da rotina é a única forma de inibir a síndrome da pressa, já que essa ainda não tem tratamento específico. Para tanto vale técnicas de relaxamento, exercícios de respiração, atividades físicas e de lazer, ioga e psicoterapia ou outros meios que ajudem a pessoa a relaxar e desacelerar.

Carl Honoré, criador do movimento Slow (devagar, em inglês), conta que tomou consciência do ritmo que estava vivendo quando se viu comprando um livro infantil chamado Contos de 1 minuto. “Minha pressa estava fora de controle e eu estava desperdiçando momentos preciosos com meus filhos”, diz ele.


“É preciso questionar a pressa e buscar ver a beleza da lentidão. A vagareza se tornou uma palavra feia porque nós criamos uma ‘teologia’ da velocidade", comenta. "A velocidade é inquestionavelmente boa, mas, quando a valorizamos demais, acabamos depreciando sua contraparte, a vagareza, e criando um tabu. Só que isso não é verdade. As melhores coisas na vida são feitas devagar", analisa. 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Ainda há tempo...

Olívia de Cássia – Jornalista

O mês de abril já vai acabando, mas ainda é tempo de lembrar as comemorações no país pelo fim do golpe militar de 64, ocorrido em 31 de março ou 1º de abril para outros. Eu era criança, tinha quatro aninhos quando se deu o fatídico, mas lembro que meu pai tinha muito medo que saíssemos de casa.

Fui crescendo com essa ideia de proibições no juízo e isso me inquietava, nunca gostei que me proibissem de fazer alguma coisa, porque isso me impulsionava á curiosidade e à desobediência e fui me colocando contrária às proibições, muito embora eu não entendesse o que se passava no País.

Com o passar dos anos, aquelas campanhas políticas foram me envolvendo, por influência do meu querido e saudoso pai; no país e só tinha dois partidos: Arena e MDB. A Arena arregimentava os partidários do regime e conservadores e o MDB os democratas, comunistas, intelectuais e libertários da época e comecei a simpatizar com ele, embora não tivesse compreensão do que fosse aquilo na verdade.

No começo, meu pai, muito mais por temor de que viesse a lhe acontecer algo, votava na Arena; com o tempo, ele foi tomando gosto pela política e passou a votar nos candidatos do MDB. Gostava de ficar no viaduto próximo à pracinha do cinema, para conversar com os amigos sobre conjuntura política e saber das novidades da cidade, pois não tinha muita opção naquela época.  

Eu amava ir com meu pai aos comícios, segurando bandeirinhas simplórias e faixas daqueles candidatos do meu pai (incluindo e principalmente do nosso primo Afrânio Vergetti, o preferido de seu João).
Do golpe militar e de sua torpe história só fui entender mesmo, para falar a verdade, quando já estava na faculdade, porque no ensino fundamental e médio, pouco ficávamos sabendo das tramoias dos militares no país.

Nossa turma adolescente também não se importava muito por política, apesar da rebeldia da idade e do gosto pela contestação; éramos influenciados pelo movimento hippie, roqueiros  e libertários. Éramos contrários às imposições da época, àquelas proibições, mas sem um entendimento mais profundo do que fossem e do que significassem.

Ficávamos sabendo, uma vez ou outra, que as pessoas que se contrapunham ao torpe regime, desapareciam como num passe de mágica ou eram consideradas terroristas e inimigas da nação. Para ser mais resumida podemos nos situar em algumas lideranças de nosso Estado que, inconformados com o que se passava no país, foram consideradas inimigas da nação, como o jornalista Jayme Miranda.

Este ano fiz questão de prestigiar o ato show que lembrou o fim do regime e um filme passou pela minha cabeça. Lembrei da minha época de faculdade, pois quando passei no vestibular, a primeira orientação da minha mãe foi que eu tivesse cuidado com os comunistas. E para ser autêntica, foi com quem primeiro tive contato na Ufal: todos os colegas do PCdoB, comunistas e revolucionários, por quem tenho um imenso carinho até hoje, apesar do distanciamento do dia a dia.  

E foi no contato com os comunistas que comecei a ler Máximo Gorki; Mark, Lenin, Trotski, entre outros socialistas. Mas, pensando bem,  como eu sempre gostava de ler, desde a mais tenra idade; aos 14 anos eu li o Diário de Anne Frank e comecei a me inquietar com algumas questões a partir dali.

Eu não era uma adolescente totalmente alienada, porque sempre gostei muito de ler. E lia tudo que me chegasse às mãos: Os Sertões, Memória do Cárcere, Vidas Secas e tantos outros romances que começaram a me inquietar o juízo. E muito por isso, alguns pais de amigas minhas, irmãos e namorados aconselharam que se afastassem de mim ‘porque eu era muito sabidinha e gostava de ler’.

Que nunca mais se repita no Brasil aqueles anos de aflição e desespero; defendo a democracia em toda a sua totalidade, com erros e acertos. Que nunca mais tenhamos que abdicar da nossa forma de pensar e de nosso olhar crítico diante das injustiças. Viva a liberdade, salve a democracia.

Não sei o que dizer...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Não sei o que dizer,
quando não sei
entender ou decifrar
minhas emoções.
Um misto de saudade
Ou de contentamento.
Por ter me permitido viver.
Não quero sentir raiva
dos outros instantes,
O que passou,
tinha quer ser vivido:
assim estava escrito,
Nas tábuas da lei da vida...
Não sei o que dizer...

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Em cada canto...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Em cada canto que eu vou,
Levo comigo as boas lembranças.
Dos encontros da juventude,
Dos amigos que já se foram,
Da liberdade sonhada e vivida,
Das tardes de brincadeiras,
E grandes jornadas,
Das noites de poesia e magia,
Das músicas que partilhávamos juntos,
De todas os sonhos vividos...

Em cada canto que vou...

domingo, 20 de abril de 2014

Belezas do Rio São Francisco atraem turistas de vários estados e países

A preservação da história e da cultura, em Piranhas, a imponência da usina de Xingó e o lago represado encantam os visitantes

Olívia de Cássia – Repórter
(Texto e fotos)

As belezas do Rio São Francisco, no Estado de Alagoas, proporcionam o crescimento do turismo regional, atraem visitantes de vários estados e países e comprova aquela máxima de que o turismo não se resume apenas à beleza de nossas praias e lagoas. A reportagem da Tribuna Independente foi ao Sertão  e constatou que o turismo na região está crescendo e que o Nordeste não é só de sofrimento, terra árida e seca.

Em Piranhas, um pequeno município de pouco mais de 20 mil habitantes, localizado no oeste do estado, o visitante pode: além de fazer passeio de catamarã,  ter a oportunidade de saborear delícias da culinária local, além de fotografar a cidade, que preserva sua cultura e sua história. O município está localizado entre o Rio São Francisco e montanhas rochosas e arenosas; foi reconhecido como patrimônio histórico nacional pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - Iphan.  

No centro cultural da cidade, a prefeitura construiu uma praça para homenagear o cantor Altemar Dutra. “Altemar era um apaixonado por Piranhas e sempre que podia estava aqui e por isso a prefeitura mandou edificar uma estátua em sua homenagem e construir essa praça”, explica Márcio Nascimento, coordenador da excursão e empresário de receptivo.  

Márcio Nascimento, que levou um grupo de 15 pessoas para conhecer o Sertão, explica que a cidade ficou nacionalmente conhecida por ser o local onde a cabeça de Lampião ficou exposta após a decapitação. “Em Piranhas também foi rodado o filme Baile Perfumado, com o mesmo tema do cangaço. No museu da cidade o visitante pode ainda ver várias fotos de Lampião”, ressalta.

A cidade histórica tem tudo muito preservado: limpeza das ruas, casario antigo e conservado, a velha estação, com a Maria Fumaça, que está exposta na praça para que o turista leve de lembranças muitas fotos, e ao lado a beleza do Rio São Francisco.

Piranhas também tem uma igrejinha lá no alto de um morro; mirantes de onde é possível ver toda a cidade histórica e fazer belíssimas fotos. Márcio Nascimento explica que a cidade  oferece passeio de catamarã pela chamada Rota do Cangaço. “E para quem gosta de apreciar a natureza e caminhar por trilhas, uma opção imperdível é a fazenda Mundo Novo, o primeiro parque temático da caatinga do Brasil, também localizada no município de Canindé do São Francisco, em Sergipe”, pontua.

XINGÓ

A reportagem aproveitou o passeio para conhecer a Usina Hidrelétrica de Xingó, uma das mais importantes do país e que está levando melhorias à região.  A visita começa com a sala onde está entalhada em madeira a maquete da usina, de tamanho 500 vezes menor que o da original. Depois uma guia de turismo da empresa nos leva para um passeio para conhecer as barragens de desvio e as turbinas da usina.

 “É impressionante a grandeza da hidroelétrica: são seis turbinas. A usina é responsável pelo abastecimento de 25% da energia consumida pelo Nordeste”, explica a funcionária, que vai aos poucos fazendo um relato de como foi construída e o que foi preciso ser feito na região para que se adaptasse à construção.

Passeio pelo lago represado provoca emoções e aplausos

O passeio pelo lago represado pelas águas do Rio São Francisco, com a construção da Usina de Xingó, emociona e leva os turistas a aplaudirem o cenário.  “O sertão nordestino precisa apenas de um olhar especial, aplicação correta dos investimentos federais e políticas voltadas ao homem do campo”, observa amineira Márcia Ranulfo.

Ela estava a bordo do catamarã Luiz Gonzaga, fazendo o passeio;  Márcia Ranulfo, assim como outros turistas que estavam no barco, ficou encantada com o que viu: “É uma emoção indescritível isso aqui; uma beleza estonteante, difícil de a gente descrever. A gente vai se aproximando dos paredões e a emoção aumenta; em pensar que a natureza levou milhares de anos para esculpir essa maravilha”, pontuou.

Durante o passeio, um marinheiro vai explicando ao microfone as características do local: o catamarã Luiz Gonzaga tem porte para receber 250 turistas, distribuídos em dois pavimentos, um restaurante a bordo, músicas regionais que vão dando o clima para quem está no passeio. Aos poucos, o barco vai avançando pelas águas esverdeadas e transparentes do Velho Chico, mostrando as belezas lapidadas há milhares de anos e que parecem foram colocadas lá pelas mãos do próprio homem.

“O cânion do Rio São Francisco é o quinto maior do mundo e o maior em extensão navegável; possui águas verdes e transparentes e apresenta uma profundidade de até 170m e extensão de 65km e uma largura que varia entre 50 e 300 metros. As rochas das encostas são de granito avermelhado e cinza. Destaca-se nessa área o riacho do Paraíso do Talhado e o Morro dos Macacos”, explica o marinheiro.

O catamarã Luiz Gonzaga também tem medidas de segurança e logo no começo do passeio uma moça, por meio de gestos e com ajuda do marinheiro, vai ensinando como usar o colete salva-vidas, que fica disposto para os tripulantes usarem em caso de emergência.

Fernando Monteiro estava com um grupo de sete pessoas, vindas de São Paulo, chegou a Alagoas tinha dois dias e um pouco tímido falou da beleza do passeio; “Só falta o sol”, disse ele, ao olhar o tempo nublado e quente, com sensação térmica de 40 graus no barco.

A estudante Márcia Ramiro, da Paraíba, disse que gostou de tudo no passeio, inclusive de conhecer a hidrelétrica do Xingó. No catamarã ela disse que deseja voltar, assim que tiver oportunidade, para fazer o mesmo passeio.

PLATAFORMA


Chegando à plataforma, depois de uma hora de passeio, o catamarã dá uma parada de mais uma hora para o banho e quem se dispõe vai de barco pequeno até umas cavernas que existem entre um paredão e outro. No pequeno barco o passeio custa R$ 5. Na volta, o locutor-marinheiro vai dando mais explicações sobre o passeio.

“Calcula-se que os paredões, acima das águas, têm mais de cem metros de altura.  Alguns pesquisadores avaliam que em milhares de anos a área foi mar, que depois recuou e levou a parte amolecida e deixou os paredões com as formas que tem hoje”, explica.


O marinheiro ressalta que antes do represamento das águas do Velho Chico, o local era um riacho de apenas três metros de profundidade. “Depois, com a construção da usina de Xingó, o rio foi represando e tem uma profundidade de 120 metros e nem assim o rio chegou aos paredões”, conclui o marinheiro.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

O descrédito do eleitorado

Olívia de Cássia – jornalista

Estamos vivendo um período na vida política brasileira, onde o total descrédito do eleitorado nas lideranças políticas tomou conta da população de tal forma, que todos foram igualados à mesma vala comum. Há um abismo profundo entre a sociedade e os que deveriam representá-la e fica difícil desfazer essa imagem, por mais que se queira, diante das evidências, muito mais agora, com as redes sociais e a internet. 

Além dos escândalos políticos dos últimos meses e do distanciamento do eleitor, os legisladores brasileiros contribuem para piorar a sua péssima imagem. Segundo uma pesquisa do Ibope, divulgada recentemente em uma revista nacional, uma imensa parcela de brasileiros (84%) acha que os parlamentares trabalham pouco e 52% consideram que não passa de 10% o número de bons deputados e senadores do país.

Ainda segundo o estudo, mais constrangedor do que isso, só os adjetivos que os entrevistados selecionaram para classificar os seus representantes. Pela ordem: desonestos (55%); insensíveis aos interesses da sociedade (52%); e mentirosos (49%)”. E ainda mais: “só pensam neles e no voto, não fazem nada que seja sem segundas intenções”. Na avaliação do sociólogo Demétrio Magnoli, os números são fruto do atual estado de degradação moral do Parlamento.

Quem tinha um discurso de oposição, passou a ser governo e termina utilizando as mesmos subterfúgios espúrios de seus adversários;  práticas que eram criticadas no passado e que agora são justificadas dizendo que quem estava no governo antes também o fez. Ora, ora, meus leitores: na minha avaliação um erro não justifica o outro. E agora o pecado virou uma rotina considerada ‘normal’.  E o eleitor fica como nesse imbróglio todo?

O jogo político é duro, todos sabem: uma eleição exige muito jogo de cintura, negociações, acordos e ‘custa os olhos da cara’. E cada um vai buscar recursos no lugar que encontra mais facilidade, nas negociatas e acordos  muitas vezes nem tão puros.

E aí é onde entra a discussão da necessidade de uma reforma política no país, já defendida por alguns democratas, em que o financiamento público de campanha entra em discussão;  questão que vem se arrastado no Congresso Nacional, pois é muito mais fácil empurrar com a barriga assuntos espinhosos, principalmente em ano eleitoral.

Em um de seus pronunciamentos na 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, em Brasília, a deputada federal Jô Morais (PCdoB-MG) falou sobre a ‘Perspectiva de superação das dificuldades, para avanço da participação feminina nas instâncias de poder no País’ e disse que a legislação política eleitoral do País serve às elites, aos que têm o poder econômico.

Uma assertiva que já conhecemos bem de perto. Ela também disse que o desafio maior do mundo político é fazer uma reforma política que efetivamente “retire e desmonte o maior eleitor deste País, que é o poder econômico, e construa listas fechadas, preordenadas, financiamento público, para que as mulheres possam, como os trabalhadores, os negros, os camponeses, participarem do debate político neste Poder”.

  Não conheço o tema a fundo,  mas avalio que a sociedade deveria ser chamada para discutir o tema e evitaria o financiamento de usineiros e grandes empresários para os políticos. O estranho é quando esses parlamentares que são beneficiados com o poder econômico fazem discursos falsos para quem não os conhecem, desbancando usineiros, latifundiários, representantes do capital.

Nesse caso não dá para a gente acreditar em certas figuras tarimbadas e espertas, que tentam ludibriar o pobre eleitor, que mal conhece o bê-á-bá da política, mas que também não é burro de canga e corda e não deve ser ignorado. Alguns eleitores avaliam que para acabar com a corrupção no país deve-se votar nulo, mas a gente sabe que isso não funciona, pois alguém tem que comandar os destinos da nação.

Eu avalio que a educação e conscientização do povo são os primeiros passos. A partir do momento em que a população se interessar pelas informações a respeito de política, economia, entre outros e cultivar o hábito da leitura, procurando entender o que está acontecendo, avaliar suas consequências e conhecer os autores dos atos ilícitos, o voto será seletivo, ou seja, políticos conhecidamente corruptos jamais serão eleitos novamente.

Mas essa conscientização da população é um processo lento e trabalhoso, as eleições estão chegando: procuremos aproveitar bem nosso voto elegendo pessoas de moral ilibada, ou que pelo menos sejam menos trapaceiras, que possuam valores inalienáveis ao ser humano. Já é um passo.

Experiência de quase morte

 Por Olívia de Cassia Cerqueira A experiência de quase morte para os transplantados, rendeu uma página da editoria de Cidades, especial para...