quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

PT pede adiamento de votação



Deputado Fernando Toledo bem que tentou, mas orçamento não foi votado


Olívia de Cássia – jornalista

Depois de muita peleja, discussões, interrupção da sessão por mais de uma hora, para entendimentos e leitura de emendas, os deputados alagoanos adiaram novamente a votação do Orçamento, quando tudo indicava que seria aprovado na tarde desta quinta-feira, 17.

Não adiantaram os apelos do Governo do Estado, que segundo se comenta nos bastidores da Assembleia, tem ligado constantemente para o presidente Fernando Toledo (PSDB) e feito reuniões com os parlamentares, no sentido de que aprovem o Orçamento, que já está atrasado desde dezembro do ano passado.

Se depender da oposição na Casa de Tavares Bastos, formada pelo Partido dos Trabalhadores, PMDB e parte do PDT, ainda vai demorar para que essa novela tenha um final feliz para o governo, que necessita dessa liberação para colocar em andamento as ações traçadas para esse ano.

Vale lembrar que muitos setores da sociedade dependem do Orçamento. A Lei Orçamentária Anual (LOA) deveria ter sido votado em dezembro passado, mas por conta dos pedidos de adiamento, negociações pressões ainda não foi liberada, para que o governo aprove ou vete.

A argumentação da oposição é a de que a Mesa Diretora não disponibilizou as emendas, para que os deputados tomassem conhecimento do seu conteúdo. O deputado Ronaldo Medeiros, novo líder do PT na Casa, disse que “há pontos obscuros” que ainda não foram esclarecidos.

O deputado Gilvan Barros (PSDB), indicado como relator especial do relatório do orçamento, apresentou requerimento pedindo dispensa de publicação do relatório da Peça Orçamentária. O deputado Judson Cabral (PT) foi contra a proposta de Barros, assim como os demais deputados da oposição.

Já o deputado Antonio Albuquerque (PTdoB) pediu maior celeridade com relação à votação do Orçamento. Ele disse que a preocupação do deputado Judson era pertinente, mas avaliou que “à luz do Regimento (Interno da Casa), o entendimento é era o de agilizar a votação para hoje”.

Antonio Albuquerque disse que os deputados têm que se ajudar “para aprovar logo essa matéria, pois temos essa responsabilidade com a sociedade e com o governo do Estado".

Vice-presidente da Casa, Albuquerque solicitou em requerimento verbal a suspensão da sessão, para que os deputados analisassem e discutissem as emendas e no final a matéria fosse votada.

“Solicito que a sessão seja suspensa e os deputados possam se dirigir à sala das comissões, para ver se (o documento) está condizente com a lei e os deputados possam subscrever o Orçamento”.

O presidente da Casa, Fernando Toledo (PSDB) atendeu o requerimento verbal e suspendeu a sessão “por uma hora”, mas os deputados demoraram lá na sala por quase duas horas e nada ficou definido na volta.

A oposição se retirou do plenário e o presidente encerrou a sessão, convocando os deputados para comparecerem e votarem a matéria na próxima sessão de terça-feira. Ele se retirou do plenário não muito satisfeito com o resultado. Compareceram à sessão 22 deputados.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Votação do orçamento novamente adiada na ALE


Olívia de Cássia – jornalista

Com a presença de 23 deputados, quorum mais que suficiente para que haja votação, o orçamento do estado para o ano de 2011 novamente não foi votado pelos deputados na sessão de hoje, 16. O pedido de adiamento foi feito pelo deputado Isnaldo Bulhões Júnior (PDT).

Alegando o cumprimento do regimento interno da ALE, assim, assegurando o adiamento por duas sessões, ele solicitou à Mesa que a votação não fosse feita.

“Não adianta aparecer com um ‘rolo’ compressor querendo aprovar o orçamento agora. Desde o mês de dezembro de 2010 as dúvidas entre a mesa diretora e o poder Executivo atrapalharam a apreciação da LOA, então, em nome da legalidade e do cumprimento do regimento da Assembleia Legislativa de Alagoas espero que seja respeitado o adiamento”, observou.

O orçamento deverá ser apreciado na próxima semana, assim, assegurando o desejo e a vontade da bancada de oposição na ALE.

Começam os trabalhos legislativos na ALE

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e fotos)


Começaram na tarde desta terça-feira, 15, os trabalhos legislativos da 17ª legislatura na Casa de Tavares Bastos. Não houve ponto de pauta além da instalação dos trabalhos e o presidente da Casa, Fernando Toledo (PSDB), em entrevista à imprensa, disse que o Orçamento é o único ponto de pauta na sessão de hoje.

A oposição, que pediu o adiamento da vortação na semana passada alegando falta de conhecimento do conteúdo do projeto, ainda faz observações e talvez hoje o orçamento de 2011 ainda não seja votado.

A sessão de instalação aconteceu com a presença do governador Teotônio Vilela (PSDB), secretários de governo, representantes do Judiciário e várias outras autoridades e representantes de setores da sociedade civil organizada alagoana.

O governador e o presidente da Casa, deputado Fernando Toledo (PSDB) passaram em revista a tropa da Polícia Militar, na entrada da ALE.

Em sua fala da tribuna do Poder Legislativo, o governador Teotônio Vilela Filho (PSDB) disse que Alagoas vive um novo tempo, fez um longo discurso de quase duas horas falando das ações positivas do seu primeiro governo, da perspectiva da vinda do Estaleiro Eisa e dos avanços conseguidos em sua gestão.

Sobre o estaleiro, falou que é fundamental para a economia de Alagoas, mas que depende agora da questão do meio ambiente. Téo observou que em seu primeiro governo houve redução da evasão escolar e falou de projetos realizados com sucesso.

Não esqueceu de dizer que sempre contou com o apoio do ex-presidente Lula na liberação de recursos para as obras do Estado. Ele destacou que sempre que precisou, o ex-presidente o atendeu. Todos sabem dessa amizade recíproca entre o ex-presidente Lula e o governador alagoano.

Depois da longa fala do governador que a imprensa brincou que parecia mais Fidel Castro falando (Téo se reportou a filósofos alemães como Dostoiévski e Gothe para fazer citações), foi a vez do primeiro secretário Inácio Loiola (PSDB), ex-prefeito de Piranhas, fazer uma fala de quase meia hora citando versos bíblicos invocando o Eclesiastes e também o patrono da Casa, Tavares Bastos.

Vinte deputados compareceram ao plenário. Os deputados Nelito Gomes de Barros, Flávia Cavalcante, Maurício Tavares, Olavo Calheiros e Antônio Albuquerque não compareceram ao plenário. Dos onze novatos, apenas Olavo não compareceu.

A assessoria de Tavares informou à imprensa que ele foi indicado pelo senador Fernando Collor (PTB) como líder da bancada no Poder Legislativo.

Em seu discurso, o presidente Fernando Toledo observou que se depender dos deputados as demandas do Executivo não sofrerão nenhuma represália.

"Seremos parceiros", disse ele, observando que a legislatura que terminou se caracterizou por momentos dramáticos, mas enfatizou que o parlamento contribuiu com os demais Poderes constituintes.

Fernando Toledo destacou que durante a legislatura passada mais de 500 projetos "se submeteram ao colegiado e não houve nenhuma proposição que deixasse de contar com a colaboração da ALE".

Toledo falou da criação da Comissão de Ética na Casa, só esqueceu de dizer que essa comissão ainda não entrou em funcionamento.

Em aparte, à imprensa, sobre o duodécimo, que foi a grande peleja do fina da legislatura passada, quando os deputados queriam aumento, ele disse que será o mesmo.

Os deputados devem ter chegando a um consenso junto ao governo, depois de tanta pressão, desde novembro do ano passado.

Durante seu discurso, o presidente tranquilizou os servidores da Casa de Tavares Bastos, afirmando que o advogado-geral da Unão deu um parecer favorável sobre o PCC observando da sua constitucionalidade.

"Aprendi na política a exercer a paciência e a tolerância no confronto de pontos de vista diferentes", disse Toledo, conclamando a todos para engrandecerem o Poder Legislativo. Após a sessão de instalação dos trabalhos legislativos foi oferecido um coquetel aos convidados.

Na primeira sessão efetiva de trabalhos no dia de hoje espera-se que os deputados cumpram com suas obrigações, compareçam ao plenário do Poder para debaterem e finalmente aprovarem o Orçamento, pois o Estado está engessado, precisando desse aprove para que ponha em prática suas ações.

Tem muita gente, políticas públicas, saúde e educação precisando dessa atitude. Vamos aguardar.

Resenha do dia

Olívia de Cássia – jornalista

Deu vontade de pedir arrego, desde ontem, mas hoje é um novo dia. Eu precisava acordar logo cedo e acionei o despertador da companhia telefônica para me acordar, pois precisava ir à dentista colocar a última sessão de flúor.

Resolvi ir a pé, do Centro onde moro até a Pajuçara, para economizar o dinheiro da passagem, fazer um pouco de movimento nas pernas e ver o mar. Saí de casa às sete horas e cheguei à Dental Máster às oito.

Nem deu para observar a paisagem como eu queria, absorta que estava em meus pensamentos. Fui caminhando ao lado do Clube Fênix, por ser mais movimentado e por precaução, pois me conheço e sei que quando começo a pensar me desligo de tudo.

No caminho, como sempre faço nessas horas, eu fui lembrando dos conselhos que meus pais me davam, principalmente minha mãe, dona Antônia, que sabia das minhas fraquezas e limitações diante do lado prático da vida e não queria que eu sofresse tanto. Era ela quem comandava tudo lá em casa.

Mamãe contava que penou muito para fazer a cabeça do meu pai, no sentido de que ele vendesse as poucas terras da Baixa Seca, para irem morar em União dos Palmares. Diante da insistência e poder de convencimento dela, meu pai vendeu tudo e migraram para a Terra da Liberdade.

Ela dizia que não queria ver os filhos sendo criados no mato, sem estudos, no entanto, mais tarde, quando estava já doente, dizia que era melhor que tivesse tido uma filha analfabeta, que lhe fizesse companhia. Dizia isso quando estava com raiva e magoada comigo.

Foram tantas as mágoas e os desentendimentos que tivemos! Quase nunca nos entendíamos, éramos tão diferentes uma da outra; eu sempre me identifiquei mais com meu pai, meu avô e meu tio Antônio. É tão visível isso, percebi depois de amadurecida essa questão.

Passados esses anos todos da sua morte e diante das dificuldades e atropelos que passo na minha vida, eu sinto tanto a falta dela, da sua rusticidade, das suas broncas, dos seus sábios conselhos, do socorro que ela me dava, sempre que eu estava precisando,mesmo que ela discordasse de mim, que isso chega a doer no fundo da minha alma. Mãe é mãe.

Meu primeiro computador, no começo da década de 90, foi ela quem comprou, a linha telefônica naquela época era comprada e muito cara, foi ela também a doadora. A casa onde moro foi ela quem construiu e mobiliou nos primeiros meses.

Nunca fui uma pessoa organizada, prática ou empreendedora: admiro muito quem o é, principalmente as mulheres vencedoras. Não me preparei para isso e hoje, aos 51 anos de idade, estou penando por não ter aprendido a cuidar de mim como eu deveria, como queriam meus pais.

Terminada a aplicação do flúor eu voltei pelo mesmo caminho, pela Avenida da Paz, imaginando uma forma e pedindo a Deus uma luz para encontrar uma solução para os meus problemas. Mas tão distraída eu estava, que nem percebi o quanto eu amanheci desequilibrada e tombando hoje, por conta da ataxia.

A questão emocional conta muito nessas horas e próximo ao Alerta Médico eu bati nas canas do vendedor de caldo que comercializa nas redondezas e derrubei tudo, sou um desastre mesmo.

Tentei explicar para o moço que não tenho muito equilíbrio, mas acho que ele pensou que eu, às dez horas da manhã, já tivesse bêbada e se pôs a me xingar e reclamar pelo desastre que provoquei. Saí dali com lágrimas nos olhos , paciência, tenho que me acostumar com isso, até que Deus não me permita mais.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O pesadelo de Rosalba

Olívia de Cássia – jornalista

Aquele sonho pesado não era um sonho normal de quem adormeceu tranquila. Rosalba se sentia sufocada, fazia muito calor naquela noite. Não conseguia sair daquele lugar, tornara-se prisioneira daquela situação.

Aquele homem corpulento a possuiu várias vezes e tinha domínio sobre ela, sobre o seu corpo e a sua alma, mas ela tinha consciência de que precisava sair dali, pedir socorro: “- Alguém me ajude”, pensava ela, mas não havia uma viva alma que pudesse socorrê-la e dar fim à sua prisão.

Estava refém daquele homem que ameaçava matá-la se ela tentasse sair da casa. Começou então a tecer estratégias na sua mente para se desvencilhar daquilo tudo. Já não sabia se era realidade ou se estava vivendo um dramático pesadelo.

De repente lhe vieram imagens de pessoas da sua convivência, de amigos e familiares. Pensou na infância sofrida, na mãe que morreu tão prematuramente, deixando o pai, pobre homem, com uma prole de dez filhos para dar conta: cinco homens e cinco mulheres.

As meninas vieram primeiro, mas o Juvenal queria filhos homens e assim foi deixando que viessem ao mundo, não queria que Margarida fizesse nada para impedir o nascimento dos filhos.

Sabia que na roça algumas mulheres utilizavam de rezas, beberagens e outros expedientes para jogar fora os filhos, mas ele proibiu que Margarida o fizesse e assim os filhos vieram ao mundo, um a um.

Juvenal era um homem temente a Deus e ao Padre Cícero, tinha muita crença de que melhoraria de vida e que a lavoura ia ser boa naquele ano, quando o décimo filho nasceu.

Rosalba veio ao mundo primeiro e como mais velha foi encarregada de cuidar dos irmãos quando a mãe faleceu. Pela lei da roça naquele tempo, os irmãos mais velhos cuidam dos mais moços.

O tempo foi passando e Rosalba queria mais, era uma moça cheia de sonhos e fantasias, como todas da sua idade. Não se conformava com aquela vida sofrida do pai, lá no mato, para dar o sustento aos filhos.

Quando ela ia na feira livre, aos sábados, em União dos Palmares, ela admirava as moças da cidade e pensava que queria ser assim, da mesma forma que elas, cheias de vitalidade e que na avaliação dela eram meninas felizes.

Um dia Rosalba foi no armarinho do seu Bilu e ao passar na calçada da loja do seu Zé Piloto deu de cara com aquele homem bonito, morenão, alto, forte, um deus do ébano que ela logo se engraçou.

Josefino tratou logo de se enfronhar para Rosalba, feito um pavão, no jogo da conquista e inventou um nome falso, porque não gostava do seu de batismo. Disse para ela que se chamava Jimmy, como o seu ídolo da Jamaica. E cheio de charme e gírias que Rosalba não entendia foi conquistando aquela moça simples, roceira, sonhadora e com vontade de ser feliz.

Agora ela estava ali, prisioneira dele, sem poder sair daquela casa imunda para onde foi atraída por Josefino, ou Jimmy, como ele costumava ser chamado pelos amigos.

- Se você me denunciar eu te mato!”, ameaçava ele, envolvido que estava com várias irregularidades que Rosalba descobriu fazia pouco tempo. No começo ela procurava entender as atitudes do homem por quem se apaixonara, mas agora, diante de tanta coisa ruim que ele fazia, estava decidida a sair daquela situação.

Mas o que fazer quando isso acontece? O que ela queria, na verdade era se ver livre daquela prisão, conquistar sua liberdade. Tinha medo de Josefino, ele era perigoso, mas Rosalba tinha sonho maiores na vida e queria vive-los.

Voltou a pensar no pai e nos irmãos que ficaram na roça e de repente entendeu que a felicidade que ela queria não estava onde ela pensava que fosse encontrar, mas, sim, junto da familia, ao lado do Juvenal, ajudando-o na lida da roça e tocando as terras na lavoura e na plantação.

E de repente, uma onda de coragem invadiu o pensamento de Rosalba e começou a traçar estratégias para sair daquele lugar fedido e sem dignidade. Aproveitou uma hora em que Josefino não aguentou mais o vigília e dormiu,abriu a porta da casa rústica onde estava prisioneira e se escafedeu no mundo, em busca da liberdade desejada.

Quando Josefino percebeu a fuga da mulher que queria como propriedade e que mantinha como prisioneira, ficou com muito ódio e enfurecido, mas já era tarde. A polícia invadiu o local apontado por Rosalba e numa troca de tiros aquele homem foi alvejado com dez tiros, sendo um deles na cabeça.

Agoniada e com muita sede Rosalba acordou. Faltava-lhe o ar puro para respirar. O lençol estava cobrindo seu rosto. Felizmente tudo não passou de um sufocante pesadelo, o dia estava lindo lá fora, é verão no Brasil.

Não sou dona da verdade


Olívia de Cássia – jornalista

Quando eu escrevo no blog ou em qualquer canto e falo daquilo que se passa no meu coração, das minhas inquietações, incertezas e da maneira como eu vejo o mundo, me sinto aliviada, tiro um peso de cima de mim, parece que fico mais leve.

Sempre gostei de escrever: seja para fazer poesias, artigos, confissões nos meus diários ou cartas para os amigos. Não escrevo apenas fatos do dia-a-dia, releases ou noticiários. Sempre gostei de expressar meus sentimentos por meio de palavras escritas, desde a tenra idade. É uma forma de me sentir mais útil, mais leve e melhor.

Gosto de me expressar sobre assuntos diversos, desde temas sentimentais, problemas existenciais, até opinar sobre o que está sendo discutido na sociedade e na mídia. Mas devo alertar aqui que eu nunca disse que sou dona de verdade nenhuma e qualquer um pode e deve discordar daquilo que penso e que falo. É dialético isso.

Quando coloco para fora uma ideia, coisas que estão me incomodando, não o faço esperando aplausos ou aprovação seja lá de quem for. Mas admito que quando alguém se identifica com o que escrevo, com minha maneira de ver o mundo, é claro que me sinto bem. Não sou hipócrita. Quem é que não gosta disso?

Um moço internauta leu um dos meus escritos postado no site Portal Literal, onde tenho inscrição, artigo que publiquei no blog e que também foi publicado na Tribuna Independente do domingo passado, 13, onde eu defendi o resgate das tradições, critiquei as músicas de péssimo gosto tocadas por aí, inclusive as que detratam as mulheres e são preconceituosas.

O rapaz que leu meu texto no Portal Literal achou ruim quando eu sugeri que essas músicas, tipo aquela que chama as mulheres de cachorras, deveriam ser tratadas com restrições. Ele avaliou que eu estivesse defendendo a volta da censura e desceu a lenha na minha fala.

Avalio que me achou conservadora na minha maneira de pensar, acho que entendeu mal o meu ponto de vista, ou entendeu do jeito que queria entender. Eu jamais defenderia a volta da censura, até porque sempre defendi a liberdade. Essa sempre foi minha bandeira.

Acho importante que as pessoas opinem a respeito do que escrevo e que tenham suas opiniões próprias e divergências. Até por que ninguém é obrigado a aceitar todas as minhas ideias, pontos de vista e avaliações.

Penso eu que cada um teve uma educação e uma formação diferenciada e eu tive a minha, penso diferente. Posso até ser avaliada como uma pessoa conservadora, mas conservadora daquilo que é de qualidade. O novo não quer dizer que seja bom. Mas eu não sou dona da verdade e se o fosse seria muito chato.

Acredito que há várias verdades no mundo. Há verdades pré-estabelecidas, conceituais e a verdade de cada um. A verdade para mim é um conceito muito amplo e subjetivo. A minha é diferente daquela das pessoas que aprovam esse tipo de música, mas eu respeito o que pensa cada um.

Só não gosto dessas músicas e tenho o direito de dizê-lo abertamente, acredito eu, que são de péssimo gosto. Sou de um tempo em que vivi minha infância e juventude em plena ditadura militar, mas nem por isso engolíamos todas as músicas que o regime aprovava e que tentava nos empurrar.

Ainda bem que vivemos numa democracia e a divergência de opinião é muito salutar. Do mesmo jeito que o internauta lá me criticou por eu ter falado mal das músicas de forró-malícia, Tarraxinha e outras do mesmo naipe, eu também tenho o direito de expressar a minha opinião e de discordar dele.

Cada pessoa observa a vida e as situações de uma forma e eu tenho também a minha maneira de ver o mundo. Só gostaria de não ser impedida um dia de expressar essa minha maneira de ser. A democracia pede passagem. Dá licença, meu senhor.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Minha insônia...

Olívia de Cássia – jornalista


Quando a gente está acostumada a uma rotina de vida, fica difícil quando ela é quebrada, pelo menos comigo funciona assim. Me acostumei a dormir tarde, a ficar horas e horas na frente do computador: seja escrevendo, baixando fotos. Em sites de relacionamento ou vendo notícias. Isso também acontece no fim de semana: é o meu trabalho e minha diversão, tarefas que cumpro com prazer e com satisfação.

Nunca tive medo de dormir só, de morar sozinha e de ficar sem companhia, mas no dia do apagão que aconteceu em quase todo o Nordeste, eu inventei de acender uma vela, quando cheguei da Tribuna Independente, daquelas de sete dias. Quando fui deitar, uma sensação estranha invadiu meu quarto.

Mal eu cochilava e fechava o olho, começavam a surgir vultos dentro do quarto, uma coisa pesada e sem identificação. Levantei e apaguei a vela e só assim conseguir dormir tranqüila. Nunca tinha vivenciado isso antes.

Tem duas semanas que minha rotina foi interrompida, por problemas técnicos e operacionais em casa. Nem sei quando isso vai ser resolvido, mas está me fazendo uma falta danada a tecnologia. O sono não vem com facilidade, acostumada que estou a dormir tarde.

Fui na estante e peguei outro livro já lido para matar o tempo. Por coincidência escolhi Insônia, de Graciliano Ramos, o Mestre Graça, cujo primeiro texto já começa tratando justamente da inquietação do autor diante da falta do sono ou da inquietação dele diante da interrupção da madorna.

Mas voltando à minha questão, para driblar a falta que o computador me faz, dormindo ligado e tocando meus CDs favoritos, ligo o rádio do celular na Educativa FM. O tempo está quente, ameaça chover.

Ligo um pouco o ar condicionado para refrescar o quarto; quando esfriar o ambiente, eu desligo o aparelho, para não gastar muita energia. Agora, mais do que nunca, tenho que fazer economia, diminuir as despesas.

Pego a câmera digital e constato que, mais uma vez, as pilhas estão descarregando e procuro resolver o problema. Semana passada, decidi que voltarei a usar a máquina fotográfica analógica, pelo menos de vez em quando, para que continue a ter utilidade por mais alguns anos.

Ainda tenho comigo mais quatro filmes que foram usados há três anos e não foram revelados. Resolvi testar para verificar se ainda têm validade. Pelo menos o que eu mandei revelar ainda prestou. Mudaram o sistema de revelação de fotos analógicas, com o avanço da tecnologia e o crescente uso das máquinas digitais.

Fotos que eram reveladas em 50 minutos, agora dão prazo de três dias e a gente tem que deixar um sinal, talvez como garantia de que vai mesmo buscar as fotos reveladas. Pelo menos comigo foi assim.

Para voltar a usar a máquina de filme vou precisar comprar novas pilhas, que não são tão baratas assim. Tenho mais fotos digitais em três a quatro anos de uso da nova tecnologia do que nos vinte anos que fotografo em máquina analógica.
O fato é que o filme limita o número de fotos a serem tiradas, também pelo preço da revelação e do novo filme. Com a digital a gente coloca tudo no CD e quase nunca revela.

O prazer não é o mesmo e eu conversava sobre isso outro dia com amigos. Na máquina digital a gente quer logo ver a foto e se não ficou boa, a gente deleta. No filme, não. Havia suspense, um mistério e a expectativa da revelação da foto, para ver se ficou legal. Volto à minha leitura, o quarto ainda não esfriou.

Sophia Loren, minha gatinha gestante, está com uma barriguinha enorme. Temo que ela não resista ao parto; ela é tão frágil e pequena! Não estou com recurso para levá-la a um veterinário.

Já preparei um cestinho para que ela fique lá quando tiver os filhotes. Ela está acostumada a dormir comigo todos os dias e vai estranhar quando não puder mais fazê-lo, por conta da ‘responsabilidade’ de mãe. Resolvo descer a escada e vou vê-la; está cansada e sonolenta, mas não quer ficar no cestinho.

No rádio toca uma música dos Beatles. Lembro da minha juventude em União dos Palmares; era tudo tão mágico, tão inocente. Uma pena que a gente não possa voltar no tempo, como naqueles filmes que a gente assiste na TV, onde os protagonistas entram na máquina do tempo e podem reviver e até mudar algumas coisas que foram vividas.

Da mesma forma que não se pode reviver o que já passou e voltando à realidade, resta apenas lembrar com doçura os bons momentos vividos naquele tempo.

Experiência de quase morte

 Por Olívia de Cassia Cerqueira A experiência de quase morte para os transplantados, rendeu uma página da editoria de Cidades, especial para...