quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Atualização é preciso...

Olívia de Cássia – jornalista

Enquanto aguardo a atualização do Windows 2010 solicitada pelo computador do trabalho, começo a refletir sobre uma série de situações atuais e vou rascunhando ideias. A caligrafia está cada dia mais ilegível, piora com o avançar da ataxia e o uso diário e constante do computador.

Se eu tivesse que sobreviver à custa da caligrafia, como em alguns casos se davam antigamente, eu já teria morrido de inanição. Mas não é essa a preocupação que agora me acomete.

A missa na Catedral de Maceió já está terminando e quando cheguei à Casa de Tavares Bastos nesta manhã, vou ouvindo os cânticos e louvores. Roguei a Nossa Senhora dos Prazeres que interceda junto ao Pai para que tenha um pouco de aquiescência comigo.

Avalio que não sou tão merecedora da misericórdia divina, mas penso que posso ter um pouco mais de clemência. Na ladeira da Catedral começam os primeiros movimentos. A cidade vai acordando aos poucos.

Vivemos momentos turbulentos na política do nosso país e também no mundo, mas quero crer que, mesmo diante da torcida oposicionista retrógrada, que aposta no quanto pior melhor, a presidente Dilma conseguirá controlar o leme desse barco inquieto.

O que me preocupa, no entanto, é o açodamento, o recalque, o pensamento distorcido e imbuído de conservadorismo e atraso da chamada classe dominante.

Existem exceções nessa seara, mas o público que foi às ruas no dia 16 pedir o afastamento da presidente Dilma, é a expressividade do pior sentimento, da pior política e do pensamento difuso, em se tratando de filosofias e modo de ver o mundo.

Não estive em nenhum desses locais, mas pude acompanhar pelas redes sociais e sites de notícias, vídeos e comentários  que expressaram a pobreza de sentimentos de algumas daquelas pessoas que estavam  participando desse movimento.

Vi homens e mulheres defendendo a volta do regime militar; a morte de todos as pessoas que participaram dos movimentos contra a ditadura, em 1964; mulheres nuas; jovens e mulheres que nem sabiam o motivo real do protesto e passaram a defender conservadores da pior espécie.

Eu quero acreditar que aquelas pessoas são analfabetas funcionais, porque não consigo imaginar um ser humano que tenha conhecimento da história do mundo e do país, por mínimo que seja esse conhecimento, que defenda o que vi escrito em faixas e cartazes naquele dia.

E me vem a certeza ainda mais de que, embora eu não seja intelectual e não conheça tudo e todo o enredo da história, pelo menos procuro me informar e me acercar de pessoas que tenham essas informações.

Vejo com muita tristeza pessoas novas, supostamente esclarecidas e que poderiam ocupar o tempo estudando mais, falando tanta asneira e se deixando levar por notícias falsas que chegam deturpadas e toscas.

Percebo nesses instantes, o quanto sou grata a meus mestres e professores, desde o primário à pós-graduação, por terem me dado a oportunidade de me fazerem perceber os caminhos que eu deveria percorrer para entender o mundo e a vida, da forma que eu entendo hoje.

E apesar de gostar de uma boa vida e de um pouco de ‘mordomia’ também, agradeço aos meus pais por não terem me tornado  uma pessoa medíocre e egoísta, ao ponto de só querer que as melhorias viessem apenas para mim e que o outro, o mais necessitado, precisa de respeito.

Torço e vou continuar torcendo pelo bem do meu país, mais o bem que seja necessário para todos e não apenas para uma casta dominante e arrogante, que se avalia como melhor que o outro, seu semelhante.

Essas mesmas pessoas vão para as igrejas gritar o nome do Senhor, enquanto vomitam nas ruas o ódio e a intolerância social. Eu não quero esse tipo de vida medíocre para mim. Minhas limitações são várias, dede a física à financeira, mas nem assim eu desejo para mim esse tipo de vida, onde a pobreza espiritual, da alma é tão gritante.  Bom dia.
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Alguns instantes. Vivendo por aí...