domingo, 22 de outubro de 2023

Quebrei outro prato

Olívia de Cássia Cerqueira

 

Acordei e resolvi ficar na cama mais um pouco hoje. Malala fez dengo, com Kely, me beijaram (lambidas). Fingi estar dormindo. Levantei depois da missa, na hora do programa rural.

Faço, todo dia, a comunicação comigo mesma, e lembrei de uma das primeiras aulas do professor Carlos Gusmão, na disciplina Teoria da Comunicação 1.

Comecei minha rotina diária e tenho gratidão por de tudo, até pelas dificuldades, que me impulsionam a ser melhor.  Pego a leiteira, para colocar a água do café e outra panelinha para cozinhar o ovo (a proteína) e lá vem uma baratinha seca, filhote da de ontem, me importunar.

 Jogo água bastante para que ela desça pelo ralo, e depois água quente. É uma luta diária.

O café fica pronto, como meu mamão, meu ovo, tomo meu café e quando vou levantar para colocar o pratinho na pia, caiu quebrando em pedaços...

Resolvo olhar a bula da nova medicação receitada pela neuro e quando começo a leitura, desisto de ir até o fim. Não tenho costume de ler, geralmente uso os remédios e apenas algumas vezes o faço.

 Ontem levei outra queda quando fui pegar os remédios e a água para toma-los. Dessa vez não xinguei, agradeci e sempre agradeço ao meu anjo da guarda pelo livramento, pela lucidez e capacidade para pensar ainda. Penso que é assim a minha condição, mas procuro ser otimista. Vai dar tudo certo, vou lutar até o fim.

Tenho pensado muito e procuro me fortalecer, ser  e estar melhor a cada dia. Quero voltar a fotografar com minha máquina, mas cadê o equilíbrio?

Vou pensar em novas soluções, agora com a cadeira de rodas, mas vou precisar me acercar de outras providências.... O dia já amanheceu muito quente. Estou transpirando em bicas. Sempre que estou escrevendo, acontece isso.

 Os pets estão esperando a ração, interrompo o texto. Os gatos da rua também. Preciso volta para as tarefas diárias e depois à leitura.  Bom domingo para todos e todas.

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

Lembranças indesejadas

 

Olívia de Cássia Cerqueira

 A barata-mãe apareceu hoje, perto do lixeiro da cozinha. Machuquei com gosto. Não tenho medo delas. Tenho nojo.  Peguei e coloquei no saco do lixo.

As filhas pequenas invadem os armários da cozinha, e já tentei várias “soluções” caseiras que pesquei na internet, mas as respostas para isso foram mínimas.

Novamente a lembrança de Clarice na sua introspecção arrumando suas gavetas, me vem a memória. Só entende quem passou por isso.

Tenho essa mania de pensar em situações inusitadas, embora não tenha a mesma capacidade da escritora renomada e não me atreveria.

Minhas dores cederam um pouco, mas o andar de bêbado se acentua a cada dia mais, agravando a cerebelopatia.  Sou uma cobaia, como diria Cazuza.

Cerebelopata é como explica o professor para os alunos na fisioterapia. E me chama a atenção para eu não falar a sequencia dos exercícios para os novatos, já que estou lá há sete anos.

Lembro de cenas do passado que me magoaram intensamente, mas tento me desligar dessas lembranças que, vez em quando, me acometem.

Tento ser otimista e me acercar de boas leituras, fazer Palavras cruzadas, conversar com meus pets, e agora com um andador top que comprei com ajuda de uma vaquinha dos amigos estou caminhando duas vezes ao dia na rua.

Tenho me sentido melhor, mais forte, fisicamente com as adaptações. Mudei minha alimentação e a neuro, as dosagens e a medicação. Tenho ido a vários especialistas, à medida que vão surgindo sintomas de outras doenças.

Não é fácil ter esse problema hereditário que tenho e que muitos membros da família herdaram dos nossos ancestrais. Hoje não me sinto feliz, mas estou grata mesmo assim. Por ainda pensar, ter muitos bons gostos de antes, embora tenha que refazer a rotina e canalizar meus costumes para outras situações.

Embora os problemas financeiros me preocupem, essas guerras  insanas me preocupam e me deixam mais em alerta. Que todos tenhamos dias melhores e mais leves, sem tanta violência contra mulheres e crianças, e ataques ao meio ambiente. Que todos tenham um lindo dia.

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

Mundo louco


Olivia de Cássia Cerqueira

 Jornalista aposentada


Do alto das minhas limitações e já na velhice, penso que a guerra nunca foi solução para nada. Quem recebe todos os ônus são pessoas inocentes, civis e crianças.

Impossível não se indignar com tanta violência. Vejo essa guerra com tristeza profunda. Embora estejamos distantes, penso nos brasileiros e nos que são nativos. Num monte de gente morrendo, bebês inocentes. É muita crueldade.

Eu não consigo viver serena diante de tudo isso. Sempre busquei um mundo que seja bom para viver, não costumo desejar mal a ninguém, pois o mal por si se destrói.

Sonho com um mundo em que a gente não possa ter medo, medo de ter medo. O tempo da escravidão e da ditadura já passou. Precisamos nos indignar diante das injustiças.

O ser humano é um bicho esquisito e contraditório. Busca a paz fazendo guerras, desde o começo do mundo, quando poderia conviver pacificamente com seus semelhantes.

Desde muito, algumas situações históricas do começo da humanidade levaram a algumas guerras, mas nos dias de hoje não entendo como se gastar tanto tempo ainda com guerras, quando o que a gente busca é a paz.

O ser humano ainda pensa que a força bruta e a violência são o que determina o nível de superioridade entre os seres. Esquecem que quanto mais inteligente, mais superior seremos, sem querer ser simplória e ingênua.

Desde que o mundo é mundo, como dizia a minha mãe, a humanidade se embrenha em contendas, seja por um pedaço de terra, por questões religiosas, políticas ou para ter poder, impor supremacia ou salvaguardar interesses materiais ou ideológicos.

Estão matando em nome de Deus.  Um Ser que para eles é violento, vingativo. Para alguns cientistas, a guerra faz parte da natureza humana e teriam atingido até mesmo o ancestral comum entre humanos e chimpanzés.

Mas seja lá a explicação que se dê a isso, o certo é que a gente poderia plantar em nossos corações gotas de paz, todos os dias, em nossa família e no nosso convívio com nossos semelhantes, lembrando que ninguém é obrigado a pensar da mesma forma que nós e para isso existe o respeito às opiniões contrárias. Pelo fim das guerras, por um mundo de paz. Bom dia.

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

Independência, para quem?

 


Olivia de Cássia Cerqueira

 

Hoje o País comemora a sua independência. Apesar das comemorações devidas e de termos tirado do poder um facínora, colocar o Brasil no eixo do desenvolvimento elegendo Lula presidente, ainda falta muito para nossa verdadeira independência. 

Não me arrependo um minuto de ter feito o L e sei que algumas alianças que consideramos indigestas, às vezes são necessárias. Mas como disse o presidente em redes socias no dia de ontem:  “Vamos todos trabalhar juntos para, a cada dia, transformar em realidade nosso sonho de um Brasil mais desenvolvido, mais justo, mais solidário e mais independente”.

Nesse sentido, creio que só com a união e o respeito, conseguiremos trilhar dias melhores. Ouço notícias culturais e imagino que eu poderia estar ali, participando. Acordo um pouco aliviada por “resolver” algumas situações. Ouço o som dos clarins na praia ensaiando para começar o desfile militar.

Sinto-me agradecida. Subo na bicicleta ergométrica e imagino que ela seja de fato uma magrela. Fecho os olhos e penso que que estou na nossa linda orla marítima e em bonitas paisagens, daquelas que vemos nos filmes.

Penso em fotografias que eu poderia fazer com minha semiprofissional que está quase abandonada pela minha falta de equilíbrio para fotografar com ela.

Como é bom ser livre, percorrer todos os lugares que a gente sonha e fazer o que se quer, independente de opiniões alheias. Foi esse pensamento que sempre defendi, ao longo dos anos em que comecei a perceber as situações que me cercavam.

Feliz 7 de setembro para todos e que o governo Lula consiga realmente realizar o sonho de cada brasileiro que precisa de políticas sociais. Que sejamos felizes, apesar dos entraves que se apresentam no cotidiano de todos.  Bom dia...

quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Reavaliando tudo

 


Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Jornalista aposenta

Revisitando minhas leituras, relendo alguns textos antigos e tentando me conectar com situações que valham mais a pena, cheguei a uma fase da vida em que algum traço de vaidade vai pras cucuias.

Nunca fui de muitas vaidades e hoje em dia muito menos. Tenho buscado a essência. Procuro não repetir os mesmos erros que cometi no passado, embora se os tenha cometido, foi tentando ser eu mesma.

Aprendi com a idade que não somos donos da verdade, mas também não aceito intromissões. Toda vez que procuro organizar minha bagunça, lembro de Clarice.

Arrumo num dia as gavetas, no outro já estão todas bagunçadas. E quando organizo minha vida, ou não, vou lembrando dos conselhos sábios de mamãe, que a gente dizia: “praga de mãe sempre pega”.

O engraçado é retomar situações do passado e com elas aprender, porque como diz aquele clichê: “é vivendo que se aprende. Não adianta eu ficar agora num estado de negação, de que envelheci e não aceitar de todo.

Apesar de admitir que ainda não cheguei numa fase de aceitação. Se dissesse isso estaria mentindo. Não me reconheço quando me olho atentamente pro espelho do banheiro. Ainda bem que tenho poucos por aqui. Bom dia.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Cai de novo, mas estou bem

 




Olívia de Cássia Cerqueira

(08-07-2023)

 Cai de novo e isso não é mais novidade na minha existência. Vivo relutando em ter cuidadora, às vezes me aborreço quando alguém (familiar) sugere a situação, mas sou teimosa, sei que vou passar perrengues financeiros e pessoais.

Preservo muito a minha individualidade. Não me sinto só.  Sempre sonhei em morar sozinha, desde adolescente rebelde. Hoje sei que a minha rebeldia não me levou a nada, ou a quase nada. Minha mãe deve estar dizendo, onde estiver: “Eu avisei e você não entendeu”.

Desde a aposentadoria que não escrevo mais em bloquinhos, de quando fazia minhas entrevistas iniciais, porque depois ganhei um gravadorzinho porreta, que veio pelo correio.

O gravador digital e pequeno, vindo do Rio de Janeiro, presente do meu primo Edvaldo Siqueira, também portador da famigerada Ataxia (DMJ), me ajudou muito, porque antes de pendurar a chuteira no jornalismo, não conseguia acompanhar a fala dos entrevistados e reportar com clareza o que diziam.

Comentando por e-mail com Edinho, quando ele ainda conseguia usar a tecnologia, me fez o carinho do presente. Hoje perdi o contato com ele e soube que está muito debilitado, pelos sintomas da doença.

Não costumo adotar negatividade por ter herdado esse problema, que me limita a cada dia e me leva a chamar palavrões quando caio (é libertador), mesmo que em seguida peço perdão aos anjos de luz, a Deus e às entidades que me protegem até agora, me livrando de uma quebra de bacia ou de outro membro.

Não tenho luxos, vivo uma vida simples. Penso que apesar dos pesares, meu anjo da guarda está de plantão, ininterruptamente, e comentei outro dia com alguém próximo que não lembro quem, que ele deve reclamar dos apelos dessa velha chata, há,há.

E por falar em velhice, avalio que ainda não me caiu a ficha. Não me reconheço quando me olho no espelho. Cadê aquela menina sonhadora e juvenil, que nunca se aceitou porque se achava muito feia (hoje repenso isso) que ainda gosta de Rock e da boa música?

Quase não saio mais de casa, apenas para supermercados, farmácias, médico  e uma vez no mês ao shopping, sempre acompanhada, coisa que eu estava fazendo com frequência antes. Ia com a amiga Iranei Barreto;  nos conhecemos em 2004, numa pós-graduação. Íamos toda semana ao cinema, às exposições, restaurantes.

Não fiz mais pequenas viagens, por conta de limitações e de implante dentário protocolo que fiz e de alguns e empréstimos consignados, me limitando ao saldo líquido da aposentadoria...

Ontem resolvi ir num salão cortar o cabelo e fazer as unhas, que estavam um horror. Fui com minha cunhada Sônia. Passei o final de semana sem sentir dores e até comentei que no sábado eu não havia ingerido medicamento para dor. Me limito muito para ir a médicos.

Quando voltei do salão já estava com dores, de cabeça e no corpo inteiro e caí de novo na cozinha. Me arrisquei a tomar uma dose forte de um remédio para dores, neurológicas, pois novamente o joelho esquerdo ficou dolorido. Ainda estou mais bêbada ainda do remédio…

Escuto as notícias dos ídolos que estão indo para outro plano. Me entristeço, pois nossa cultura está mais pobre a cada dia. Gal, Elis Rita Lee e tantos outros artistas que se foram e estão indo, por problemas de saúde, drogas, e pela idade.  É a vida.

Não tenho medo da morte, mas fico pensando que terei uma dor muito forte quando, ela vier me buscar e me preocupo. Depois que fui diagnosticada com Ataxia, oficialmente, pelo médico (eu já sabia que era portadora), dr. Fernando Gameleira, neurologista dos bons, me receitou Fluoxuetina, para ansiedade, Lomitrogina, para cãimbras.

Fora isso controlo a pressão com Enalapril, receitado pelo cardiologista (disse que o exame cardiológico  deu ok, apenas um problema tolo que não me disse qual era), remédio para o colesterol, e para alergia, quando tenho crises

Tomo por conta própria um complexo vitamínico, alguns analgésicos que tomo quase diariamente e alguns que pego com alguém.

Não é fácil conviver com Ataxia, mas ocupo meu tempo de aposentada com leituras vorazes: quando termino uma, já pego outro livro; com palavras cruzadas e vendo séries; ou fazendo tarefas domésticas que hoje em dia procuro fazer para não atrofiar logo.

Quando jovem, não gostava de fazer tarefas domésticas, sempre achei que elas ocupavam o tempo das leituras e do bater pernas na rua, com  as amigas. Sou uma péssima dona de casa, me apavoro quando surge um problema, que preciso resolver: entupimentos, vazamentos, problemas na energia.

Nessas horas eu lamento não ter uma pessoa em casa, que resolva isso. A laje da casa apesenta problemas de infiltração, precisa cobrir com telhas impermeáveis. Hoje quebrei um prato com o ovo que preparei para o café da manhã. Nem meus pets quiseram o ovo no chão. Acho que não gostaram do sabor.

Também estou teclando “catando milho” para não errar tanto na digitação. Mas agradeço sempre por ainda poder realizar pequenas tarefas em casa. Resta lembrar da minha juventude e das pequenas aventuras, que participei na infância e juventude: ”poderia ter aproveitado mais”.

Resta me redimir dos pecados e pedir a Deus e aos anjos de luz, para quando aquela senhora sinistra quiser me levar para outro plano, que não me deixe acamada e precisando de alguém para me fazer higiene ou me transportar de vez, pois atualmente já saio acompanhada.

E hoje resolvi deixar a preguiça de lado e voltar a fazer minhas confissões, já que só tenho psicóloga dia 15. Mas hoje não vou poder postar no blog, porque deu problema na parte de cima da casa e a internet do computador não está funcionando. Fui. Até a próxima.

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Tenho em mim

 

Olívia de Cássia Cerqueira

 

Parafraseando Fernando Pessoa tenho em mim todos os sonhos do mundo. E diante de uma esfera tão complexa e cruel para alguns, posso dizer que apesar de tudo e, contudo, sou vencedora e felizarda.

Penso, apesar dos xingamentos que faço quando tenho uma contrariedade na minha condição, que outras pessoas passam por situações piores que a minha. E isso não é conformismo: é constatação.

Procuro seguir em frente, mesmo tendo a certeza de que não tenho muito tempo para sonhar, para idealizar situações que sempre corri atrás para conseguir.

Alexsandra Leite, no site Desenvolvendo Potenciais, pontuou que “Muitas pessoas desistem dos seus sonhos, pois acreditam que não são capazes de realizá-los, e seguem a vida com aquele vazio ou frustração”.

Outras, segundo a articulista, continuam sonhando e sonhando…apenas sonhando. E tem alguns que conseguem realizar os seus sonhos.

Posso dizer que realizei alguns, como cursar a faculdade que sonhei, mesmo indo de encontro a minha saudosa mãe. Morar sozinha foi outro sonho que realizei.

Na minha adolescência, perseguíamos esse ideal de independência e achávamos que teríamos um pouco de liberdade. Hoje se dá o contrário; os jovens não querem mais sair da casa de seus pais. Talvez porque não tenham motivo, pois têm toda a liberdade do mundo. E isso é uma realidade dos dias atuais.

Experiência de quase morte

 Por Olívia de Cassia Cerqueira A experiência de quase morte para os transplantados, rendeu uma página da editoria de Cidades, especial para...