segunda-feira, 16 de julho de 2012

O jogo sujo das campanhas eleitorais

Olívia de Cássia- jornalista

A Globo vem caindo de qualidade a olhos vistos. A estratégia dos marqueteiros para ganhar audiência, neste domingo, 15, no Fantástico, saiu pela culatra. Após as declarações da ex-primeira dama Rosane Collor, as redes sociais bombaram com declarações sobre a entrevista e foi até tarde a indignação no Facebook.

Embora as declarações de Rosane Malta Collor de Mello não terem trazido nenhuma novidade para os telespectadores conhecedores da história, como a de que Paulo César Farias, então tesoureiro da campanha de Fernando Collor, tinha influência sobre ele e que frequentava o Palácio do Planalto; além da história da magia negra, a entrevista foi repetida com destaque no Bom dia Brasil. Sinal dos tempos.

A única coisa que chamou atenção do telespectador, no final da entrevista, foi a declaração de Rosane de que estava pleiteando na Justiça ‘uma pensão de 40 mil reais’ e que recebe atualmente 18 mil de pensão, o que para ela é muito pouco, comparada à pensão de algumas amigas, que devem consumir grifes da última moda.

Bem se vê que essa mulher vive fora da realidade e que usa o fato de ter se convertido a Jesus, numa igreja evangélica, para se justificar diante da sociedade e de Deus. Não é o fato de ela ter sofrido uma lavagem cerebral e ter se convertido, o que não deve ter sido difícil para quem o fez, não alivia a sua culpa de ter sido conivente e ter influenciado Fernando Collor em alguma das suas decisões e orgias malucas na Casa da Dinda, mansão da família onde eles residiam na época.

Antes de morrer, Pedro Collor, irmão do então presidente, escreveu um livro ‘A trajetória de um farsante’, onde contou quem é de fato o irmão. Infelizmente emprestei o livro e não me devolveram. Guardadas as devidas ressalvas de mágoas de Pedro, ele disseca no livro os bastidores do governo Collor e suas declarações na Veja levaram à criação de uma CPI no Congresso Nacional, à época.

Ontem a Rede Globo pelo menos refrescou a memória dos ‘esquecidos’ de Alagoas e fez com que alguns jovens de hoje que eram criança na época soubessem um pouco da história desse país. Muita gente por aqui não lê e não procura se informar o que realmente acontece e aconteceu na nossa rica trajetória, cheia de golpes, de corrução pela sede do poder e de muita roubalheira nos bastidores da política.

Pelo visto, as eleições deste ano não vão ser suaves como eu desejaria. Alguma coisa de muito asquerosa e perversa tem por trás dessa entrevista, além da busca pela audiência, já que a Globo fez chamadas o dia inteiro sobre ela, como se o que a ex-primeira dama fosse dizer fosse algo inédito, não tivesse sido a Rede Globo quem elegeu Fernando Collor naquela época, levando àquele debate a informação de que Lula tinha uma filha (Lourian) que não era reconhecida.

Bem se vê que a sede de poder e dinheiro na política é incansável e os princípios doutrinários de antes já não interessam, já não valem a pena. Deixo aqui uma frase que sempre uso de um escritor que admiro: ‎"Precisamos dar um sentido humano às nossas construções. E, quando o amor ao dinheiro, ao sucesso nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu". Érico Veríssimo

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Freitas Neto (*)

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira - Jornalista

Em 11 de julho de 1997 o jornalismo alagoano perdia João Vicente de Feitas Neto, em desastre de avião, na cidade de Santiago, em Cuba, junto com sua esposa, Graça Carvalho. A notícia pegou a todos nós de surpresa e não queríamos acreditar no que estávamos ouvindo. Freitas, nosso companheiro do sindicato, morto. Ele que foi um dos pioneiros do jornalismo alagoano, mudou o curso do sindicalismo em Alagoas, e foi um lutador pelos direitos da cidadania. Tinha se tornado um amante de Cuba, a Ilha de Fidel, onde morreu com sua amada esposa.

Ele era um amigo de todos e me incentivava na continuação do informativo O Beco, da Vieira Perdigão, e na minha participação no jornal O Relâmpago, de União. Acreditava na força do jornalismo alternativo, e sempre que podia me dava umas orientações.

No dia do seu enterro fizemos uma vigília no Sindicato dos Jornalistas e Gracinha, sua sobrinha, colocou as músicas que Freitas mais gostava: “Vermelho”, cantado por Márcia Freire, e a música “Estou apaixonado”, de João Paulo e Daniel. Centenas de pessoas compareceram às últimas homenagens a Freitas. Foi uma comoção geral e não parávamos de chorar e de lembrar da imagem dele e das coisas que Freitas fazia.

Estava sempre envolvido em alguma atividade política, fosse ela qual fosse. A diretoria do Sindicato compareceu ao Aeroporto Zumbi dos Palmares, para esperar o caixão que iria chegar de Cuba, mas nós não acreditávamos ainda naquela notícia, como se fora uma brincadeira de mau gosto.

A imprensa nacional e internacional noticiou a morte do nosso querido amigo, que possuía um currículo invejável, engrossado por sua participação atuante em todas as frentes em defesa da cidadania. Freitas participou de pelo menos 32 congressos e encontros da categoria, em sua área de atuação profissional: o jornalismo, segundo o seu currículo. Além de jornalista Freitas Neto era também advogado e militava no direito trabalhista.
Por uma coincidência do destino, pouco tempo antes de viajar para Cuba, Freitas Neto tinha conversado com meu marido sobre a possibilidade de ele fundar o Sindicato dos Vendedores de Carros, na Praia da Avenida, em Maceió, já tinha até fundamentado um estatuto, porque Freitas acreditava na força do sindicalismo e achava que meu companheiro pudesse se interessar em organizar aquela categoria.

Além do incentivo, Freitas tinha conversado comigo e estava querendo me indicar para trabalhar na Sucursal de União dos Palmares do jornal Gazeta de Alagoas, onde era editor de Municípios. Nesse tempo, meu marido me levava todas as segundas-feiras para as reuniões do Sindicato dos Jornalistas e no final ia me buscar; foi quando fez amizade com meus amigos diretores da entidade.

Nos desfiles do bloco Filhos da Pauta, Freitas não perdia um e já era presença confirmada em todos eles. Irreverente, num dos desfiles, compareceu com um penico na cabeça, cuja foto ficou histórica na nossa categoria. Era uma pessoa inquieta, mas dócil, e lutou, durante toda a sua vida, contra a ditadura militar, pela democratização do País e pela organização da sociedade civil.

Era muito conhecido por causa de seu fusquinha amarelo, que se tornou folclórico em Maceió. No fusca, diziam que ele levava de tudo: roupa, livros, papéis em grande quantidade, comida e que até um gramado tinha no piso, com pés de tomate e coentro, no cantinho esquerdo do banco traseiro. Gostava de dar carona para os amigos, mas o fusquinha, quase sempre estava sem freios, pois o nosso amigo era um pouco desligado. (* Esse texto está publicado em meu blog http://oc-cerqueira.zip.net/arch2008-06-01_2008-06-15.html e farpa parte de um capítulo do meu livro Mosaicos do Tempo, foi escrito em 2004)

terça-feira, 10 de julho de 2012

Dias há...

Olívia de Cássia – jornalista

Tem dias que a gente se sente um pouco perdido, sozinho, sem direção. Nessas horas desejamos uma palavra de conforto, um colinho, um incentivo para continuar a nossa jornada com dignidade e outros afagos para a nossa alma interrogativa e pensante.

Mas quando a gente é sozinha tem que buscar dentro de si as próprias forças, as próprias respostas, os incentivos para superar essa angústia e se apegar à espiritualidade. Acredito que todo ser humano tem que ter uma crença, seja ela qual for, independente de religiões.

O pior desses momentos de incerteza e indecisões em nossas vidas é quando depositamos crença total nos outros nas suas crenças e em seguida nos decepcionamos, por conta da expectativa que geramos em torno disso.

Devemos entender nesse caso que a culpa não é disso ou daquilo ou de outra pessoa, a culpa é nossa que acreditamos em falsos ídolos, falsos profetas e em falsas em ilusões. Fomos nós que alimentamos falsas expectativas dentro de nós e não o outro com seus pensamentos e certezas.

A vida que vivemos é fruto daquilo que acreditamos, pensamos e construímos. Por isso é fato que não devemos desejar o mal ao outro e nem semear discórdias se não quisermos ter, lá na frente, um retorno disso em nossas vidas.

Muitas vezes as situações acontecem conosco e não sabemos decifrar e entender o motivo de aquilo estar acontecendo em nossas vidas. Esquecemos muito cedo o nosso lado mais feio, o que fizemos, quando geramos e produzimos atitudes negativas para com outra pessoa.

Achamos sempre que temos razão e que o próximo é sempre o culpado e nos isentamos da própria culpa. Como a vida da gente é uma roda viva e está em constantes mudanças, hoje em dia eu reavalio conceitos e pensamentos e acredito muito na lei do retorno, na espiritualidade e tenho a convicção de que para cada bem que a gente faz um dia a vida dá a resposta, mesmo que não entendamos isso.

O mesmo acontece quando fazemos o inverso, quando articulamos maldades, falamos dos outros e cultivamos sentimentos negativos com relação às pessoas dentro de nós. Acredito na construção de um mundo mais justo se cultivamos a paz dentro de nós.

Acredito na ideia de que a construção da paz é um processo onde os conflitos entre as pessoas podem ser tratados de uma maneira construtiva e não violenta e assim promover um entendimento melhor entre os grupos e sociedades. Que todos tenham uma linda noite!

Cláudia Bulhões lança livro sobre mal de Alzheimer

A assistente social e psicóloga Claudia Bulhões acaba de lançar o livro Mal de Alzheimer, o que é? Como prevenir. O trabalho é teórico e prático informando o que é a doença, como acontece e como prevenir e apresenta exercícios práticos para desenvolver os neurônios.

O livro está sendo vendido no site http://www.gentedagente.net/livro-mal-de-alzheimer-o-que-e-como-prevenir/, tem 146 páginas, acabamento Capa-dura/Plastificada e 36 exercícios práticos que podem ser feitos em casa. Com tamanho fechado: 150×210 mm e aberto: 407×210 mm, o livro custa R$ 35.

Formas de Pagamentos:

O livro Mal de Alzheimer, o que é? Como prevenir pode ser adquirido também com depósito ou transferência bancária em nome de Claudia Maria Carvalho de Bulhões, no Banco do Brasil - Agência: 1523-7, Conta: 26786-4, ou na Caixa Econômica Federal, também da mesma forma e no nome da autora, na Agência: 2047-Operação: 013, Conta: 5498-8.

O livro tem envio grátis para todo o Brasil (PAC) e após efetuar o pagamento/transferência, o adquirente pode enviar comprovante por E-mail:cdebulhoes@uol.com.br.

Cinco anos de lutas

Olívia de Cássia – jornalista

Nesta terça-feira, 10 de julho, o jornal Tribuna Independente completa cinco anos de circulação na capital alagoana. Nós que participamos da construção do informativo e que fomos ludibriados por um golpista, temos muito a comemorar, apesar das dificuldades que enfrentamos ainda hoje.

Foram anos de dedicação e luta para levar a informação e para sobreviver no mercado jornalístico alagoano, apesar do calote que jornalistas, gráficos e funcionários da área administrativa do extinto jornal Tribuna de Alagoas sofreram, depois de serem enganados pelos arrendatários do antigo jornal.

Tudo começou quando os funcionários da antiga Tribuna de Alagoas estavam com dois meses de salários atrasados e das desculpas esfarrapadas dos antigos patrões: Ronaldo Lessa e Robert Lyra, representados pelos seus testas-de-ferro Vorney Mendes e Geraldo Lessa.

Esses agravantes fizeram com que jornalistas, gráficos e pessoal dá área administrativa do jornal resolvessem cruzar os braços e fizessem uma vigília em frente à empresa, no dia 16 de janeiro de 2007, para aguardarem que os salários fossem pagos.

O protesto teve o apoio dos sindicatos dos jornalistas e dos gráficos que deram o suporte político e logístico para as reivindicações dos trabalhadores que fizeram um acampamento em frente à empresa. A mobilização teve início numa sexta-feira, dia em que nos jornais são finalizadas duas edições de fim de semana: a de sábado e a de domingo.

Nessa época o diretor de jornalismo era o jornalista Manoel Miranda, que tentava o tempo todo convencer os trabalhadores que deveriam voltar aos postos de trabalho, pois o pagamento dos salários estava a caminho, coisa que não aconteceu. Era só conversa fiada, uma forma de ganhar tempo e embromar os jornalistas, gráficos e demais funcionários.

MOBILIZAÇÃO

A assembleia realizada pelos trabalhadores ficou definido que ninguém voltaria ao trabalho até que os salários fossem pagos e que os trabalhadores da empresa não arredariam o pé dali. A luta iria continuar. O horário para o fechamento do jornal foi se expirando e com o passar das horas todos começaram a perceber que aquela batalha estava apenas começando.

No fim da noite foi feita uma consulta e decidido o piquete para o dia seguinte. Com o passar dos dias, o movimento foi se fortalecendo em busca de saídas para aquela greve e foi nascendo a necessidade de colocar para a sociedade o que estava acontecendo com os trabalhadores da empresa.

Foram dias e noites de vigília, os turnos eram revezados na grama em frente ao prédio, com receio de que os empresários não dilapidassem o patrimônio do jornal, que na prática pertence ao Banco do Nordeste. A toda hora surgia uma notícia diferente. As entidades de classe colocaram faixas e carro de som para denunciar aquele calote. O que foi feito com a empresa e com os 140 trabalhadores, largados na rua da amargura.

Os débitos que a empresa tinha contraído com seus fornecedores, os gastos excessivos dos diretores com farras, viagens de lazer para a Europa e uso de cartão institucional sem limite foram os fatores que levaram à falência da empresa, na fase administrada por Geraldoo Lessa e Bob Lyra. A Tribuna de Alagoas foi à bancarrota.

Em uma assembleia decisiva e diante daquela crise instaurada, os jornalistas e gráficos decidiram invadir o prédio e fazer ocupação; como consequência iriam fazer edições semanais para que fossem distribuídas nos atos, piquetes e mobilizações que fossem feitas na rua, em frente à Nagoya, empresa do empresário Bob Lyra e nos sinais de trânsito, colocando para a sociedade alagoana toda aquela situação constrangedora que estavam passando.

A determinação foi aproveitar o material humano e o papel que ainda tinha na empresa e todo domingo passaram a finalizar as edições, com apoio da sociedade civil alagoana, de alguns parceiros que foram prestar solidariedade àqueles trabalhadores e familiares.

Além dessas edições e dos piquetes, foi elaborado um blog que era atualizado diariamente com postagens dos relatos do dia e fotos onde eram postadas inúmeras mensagens de apoio e comentários sobre todo aquele processo. As edições semanais da Tribuna Independente, ora saiam aos domingos e outras vezes na segunda-feira, de acordo com o que desse para fazer.

APOIO

O movimento, as lutas e decisões que eram aprovadas em assembleias e reuniões foram divulgados nacionalmente e os trabalhadores receberam a solidariedade da Federação Nacional dos Jornalistas e sindicatos de todo o País.

Alguns funcionários dormiam na sala do setor comercial e revezavam os turnos. De manhã os sindicatos providenciavam o café. O almoço era na churrascaria ao lado da empresa.

Na primeira manifestação que foi feita na Avenida Fernandes Lima, em frente à Nagoya Veículos, o trânsito foi interrompido de um lado da pista, com faixas, carro de som e a distribuição da edição do jornal Tribuna Independente. Nossa primeira edição semanal causou um reboliço na cidade.

Quando as primeiras edições semanais foram saindo, os trabalhadores iam para os sinais de trânsito para vender o produto colocando o desabafo para a população. Nessa fase receberam muito apoio e a ideia da criação de uma cooperativa que reunisse as duas categorias foi tomando fôlego. Para que isso acontecesse era necessário ter o aval dos donos do prédio (a família Farias) e do Banco do Nordeste (financiador do maquinário do jornal).

JORGRAF

Com garra, coragem e resistência, sob o comando dos trabalhadores e depois de discussões sobre uma alternativa de reinserção no mercado de trabalho, nascia a Jorgraf – Cooperativa dos Jornalistas e Gráficos de Alagoas que teria como principal produto o jornal Tribuna Independente, cuja primeira edição diária passou a circular no estado no dia 10 de julho de 2007, com um coquetel de lançamento nas dependências da empresa.

Passados cinco anos desde aquele início conturbado, pode-se dizer que apensar das muitas dificuldades o jornal está consolidado, garantiu os postos de trabalho para aqueles que quiseram continuar no projeto e se engajar na proposta do cooperativismo.
A Tribuna Independente ganhou a credibilidade e respeito dos leitores alagoanos.

É o primeiro jornal de uma cooperativa no Brasil e quiçá no mundo envolvendo duas categorias: jornalistas e gráficos, abrindo nacionalmente o comando para outros empreendimentos semelhantes. Também estamos comemorando neste dia 10 um ano do site Tribuna Hoje.

A Tribuna Independente, carro-chefe da cooperativa Jorgraf, circula diariamente com 20 páginas e aos domingos com 24 páginas e conta hoje com diversos parceiros de linhas ideológicas variadas: quem quiser se engajar nessa proposta será bem-vindo.

A criação da TI foi o coroamento de todo o esforço coletivo dos profissionais mostrando que é possível os trabalhadores gerenciarem uma empresa, sem patrões.

Apesar disso todos reconhecem as dificuldades que enfrentam diariamente, mas com esforço e dedicação da maioria sabem que estão fazendo história porque foram pioneiros nessa modalidade no Brasil.

Depois de abandonados à própria sorte pelos antigos administradores, ou era isso ou cada um ia tocar sua vida como achasse melhor. As perspectivas de crescimento da Tribuna Independente e a ampliação na oferta de produtos aos leitores, como a criação do Tribuna Hoje e de e outros serviços de comunicação são concretizações nossas.

Cinco anos passados desde o calote recebido, a greve, ocupação e circulação da primeira edição diária da TI, a Justiça do Trabalho, até agora não se posicionou favorável aos trabalhadores da extinta Tribuna de Alagoas, que até agora amargam o não-recebimento das verbas indenizatórias a que têm direito.

A Justiça não reconheceu os antigos gestores como proprietários que enganaram os trabalhadores e ainda retirou o nome de um dos acusados no golpe, o sr. Robert Lyra do processo trabalhista.

Cinco anos se passaram sem que os trabalhadores tenham recebido um centavo sequer do que têm direito. E eu pergunto: é justo isso? Enquanto ainda hoje amargamos endividamento de nossas vidas, quem nos deve está aí à solta, livre para se candidatar a cargos eletivos e sem compromisso com ninguém. Pense nisso!

FIQUEMOS DE OLHO!

Bom dia para todos os amigos leitores do blog, hoje quero fazer um alerta. Com a proximidade do pleito eleitoral, muita gente vai explorar as mazelas da capital alagoana e dos municípios como se elas se fossem novidade a ser combatida nessa época do ano apenas. É preciso entender o foco de todas essas questões.

Uma boa administração deve ser feita e fiscalizada durante todo o ano e também cobradas ações em benefício da população, sempre, pois o cidadão paga impostos muito caros e precisa ver algum retorno disso, não apenas em época de eleições.

Fiquem de olho naqueles falsos profetas que prometem ‘mundos e fundos’ em época de campanha, mas que quando assumem posto de comando são arrogantes, valorizam apenas grupinhos, querem enriquecer à custa de política e quando o povo reclama e vai à sede da administração pedir retorno, é tratado como lixo. SEJAMOS FISCALIZADORES E ESTEJAMOS ATENTOS, NÃO COMERCIALIZE SEU VOTO!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Meu Pai

Petrúcio Cerqueira - bancário

Na década de 20, em 16 de abril do ano de 1921, num local inóspito, conhecido por "Cafuxi", nascia o filho mais novo do casal Sr. Jonas Rosa de Cerqueira e Rosa Correia de Cerqueira, João Correia de Cerqueira, conhecido mais adiante do tempo em União dos Palmares-AL, pelo nome de "João Jonas".

O Cafuxi, era uma gleba de terra que pertencia à família do meu avô paterno. Em outra parte, mais precisamente perto da Barriguda, ficava a outra gleba que pertencia ao meu avô materno; e, mais uns quilômetros depois ficava a Jitirana, que uma parte pertencia ao irmão do meu avô materno, o José Paes, avô de Edvard "Véve´", que é irmão de Nilda, de Nete, de Nilza, de Nado e Soninha.

Veio o batizado. Como era de costume antigamente, o padrinho do rebento teria que ser alguém de poder político e financeiro da região. O meu avô estava com um dilema: quem escolheria? O major Ozéas, do Cafuxi, ou, o major José Cula, do Timbó? Depois de decidir-se, não sei o motivo, o major José Cula fez o batizado do João na igreja do Timbó!

O João não teve muita sorte na infância. Perdeu a mãe logo cedo, foi criado pela madrasta, que logo depois ganhou três meio- irmãos. Para alimentar-se razoavelmente, tinha que se aventurar nas caçadas e nas frutas da região, pois em casa (comentários do meu pai) não era servido o necessário para as calorias exigidas no dia-a-dia, principalmente ele, que tinha que trabalhar mais que os outros.

A infância do João foi difícil, pois crescer naquela tempo com mãe já era difícil, imaginem sendo criado por madrasta. A adolescência do João é um mistério, pois nem mesmo ele, que gostava de relembrar o passado, e não nos contava nada.

Veio a Juventude e com ela os anseios de um jovem. Anseios não têm época para aflorarem. O João era festeiro. Naquele tempo, as festas das comunidades rurais eram muito animadas, e localidades para se fazer uma festa era o que não faltava. A nossa família tinha naquele tempo, uma ramificação de parentes que morava em Paulo Jacinto.

O grande amigo do João era um primo que morava por lá, mas, nas épocas festivas, tanto meu pai se deslocava para Paulo Jacinto, como também ele comparecia na nossa região. Era o primo "Joca", filho da prima Mariinha.

De ir para as festas eles iam, o problema era que só tinham um par de sapatos para os dois. Astutos (naquele tempo também tinha malandragem), cada um usava um pé, o da sobra, o dedão do pé era envolto com um pedaço de pano (não tinha gaze na época), e molhado com sangue de algum bicho, pra fingimento de alguma lesão.

Foi numa dessas festas que o amor por Dona Antônia despertou n'ele. Já se conheciam de muito tempo, pois eram primos e não moravam muito distante um do outro. Só tinha um detalhe, dona Antônia não dava muita bola pra ele.

esse interim morre a irmã mais velha de dona Antônia, que deixou três filhos. Dona Antonia que sempre foi uma mulher de decisões firmes, e, já tinha uma irmã d'ela morando no Rio de Janeiro, resolveu que também iria para lá, levando os sobrinhos órfãos para dar uma educação adequada.

O João, desiludido com o pretenso amor indo embora, foi logo pensando: "Nunca mais ela voltará", indo logo pro Rio de Janeiro! A desilusão abateu drasticamente sobre o João. Passou um bocado de tempo pra reanimar-se. Para tentar não se lembrar do amor que partiu, resolveu ir à luta.

Não perdia mais festa nenhuma, principalmente as festas de Santo. O João era muito religioso. Numa dessas festas, alguém lhe dirigiu um olhar. Ele pensou muito. - Já que o amor não voltará mais, e, nem vou poder ir ao encontro d'ela, vou partir pra outra.

Namorou, noivou. Estava certo que a Antônia não viria mais. Marcou a data do casamento. Foi ao sítio onde moravam meu avós maternos para convidar o pessoal de lá para o casamento d'ele. Minha avó Olivia aceitou o convite e disse pra João: - A Antônia está voltando, deverá chegar no mês que vem. Quase caiu de costas quando ouviu a notícia.

Na primeira oportunidade que teve, e, isso foi rápido, ele rompeu o noivado. No dia 12 de maio de 1953, casou-se o João com a Antônia. Com o casamento vieram as dificuldades costumeiras de um casamento sem preparação.

Primeiro e pior, foram morar de favor em terras dos outros. Veio o primeiro filho (uma menina) que morreu antes de nascer, por falta de assistência: estava enrolada no cordão umbilical e sentada.

Em maio de 1955, nascia eu. Começaram aí as maiores dificuldades: minha mãe Antônia era inquieta. E esta inquietude preocupava o meu pai. Meu pai era do tipo meio acomodado, minha mãe, não. Como disse antes, foram morar em terras dos outros (do irmão de minha mãe).

Antes de completar um ano de idade, meus pais receberam o convite para se retirarem da casa onde moravam. Minha mãe persistente como nunca, conseguiui convencer meu pai a ir embora para morar na cidade. Descobriram a Rua da Ponte como início de uma longa caminhada de vida.

Instalaram no início um pequeno hotel. Vieram mais três filhos. Diversificaram os negócios e foram conduzindo a vida mais tranquilamente. Meu pai aposentou-se dos negócios no final da década de 80, acometido de uma doença hereditária chamada "Ataxia Spinocerebelar". Faleceu meu pai sorrindo, faltando quatro dias para completar 77 anos. Acho que morreu sorrindo lembrando-se das horas felizes em que esteve com os seus...

Experiência de quase morte

 Por Olívia de Cassia Cerqueira A experiência de quase morte para os transplantados, rendeu uma página da editoria de Cidades, especial para...