sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Faz muito tempo ...

Olívia de Cássia – jornalista

Rebuscando novamente o baú das minhas memórias, encontrei essas fotos que eu já tinha postado no meu Orkut. Para quem não viveu nessa época, é de estranhar alguns ambientes de União dos Palmares ou de Maceió. Na foto lá de baixo, em preto-e-branco, de autoria de Ladorvane Cabral, estamos no Carnaval, década de 70, se não me engano, o ano foi o de 75 ou 76. As roupas dos blocos que frequantavam a Palmarina, em União dos Palmares, eram variadas.

Nessa aí, em plena ditadura militar, esse pano era cor laranja e a frase de efeito “O petróleo é nosso” foi uma frase que se tornou o lema da Campanha do Petróleo, patrocinada pelo Centro de Estudos e Defesa do Petróleo e promovida por nacionalistas, que culminou na criação da empresa petrolífera nacional, a Petrobras. Nós nem sabíamos o que estávamos consumindo na época.

Comecei a freqüentar a Palmarina ainda menina, fosse nas matinês de Carnaval com minha tia Ozória Paes de Freitas, ou à noite com os pais das minhas amigas e meu irmão Petrúcio. Aos 13 anos eu já ia aos bailes noturnos e me divertia muito. Era tudo muito inocente e íamos mais para ouvir música mesmo.

Na outra foto ao lado, foi bem muito depois, final da década de 80, é de minha autoria e foi feita com minha máquina Canon recém-comprada. Meu irmão ainda tinha saúde, andava; minha sobrinha Raynara costumava nos acompanhar aos passeios. Desde aquela época, que a máquina passou a ser uma extensão do meu corpo, não consigo sair sem ela.

Mais acima, meu irmão Paulinho, na porta da mercearia de papai, na saudosa Rua da Ponte, com uma vizinha nossa e na outra foto, meu amado pai, com meus sobrinhos ainda pequenos, no jardim da nossa casa, na Rua Tavares Bastos, em União. Quanta saudade que eu tenho disso tudo.

As duas primeiras fotos são bem anteriores. Eu e minha prima Rita de Cássia, foi feita pela prima Josete Paes, chegada do Rio de Janeiro e foi revelada em agosto de 1970, mas se não me engano foi feita bem antes, na Praça Antenor de Menonça Uchôa.

A outra foto foi na Rua da Ponte, foi feita por minha prima e madrinha Rita de Cássia Paes Peixoto. Petrúcio, Margarete Leão ainda criança e eu. Lembro que a gente costumava fazê-la dormir, eram nossos vizinhos e além de eu ter sido dama de honra do casamento do casal Anselmo (Nininho e Carminha), eram pessoas do nosso convívio. Gente do bem de quem tenho muita saudade.

Além dessas fotos, lá embaixo tem as da minha formatura: a do pedagógico, novamente feita por Ladorvane Cabral, que teve como paraninfo meu primo Afrânio Vergetti de Siqueira e a de jornalismo, que foi feita pelo colega de curso Sérgio Marcos, cujo paraninfo foi o meu então companheiro de quase 20 anos.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Revirando o fundo do baú, encontrei essas relíquias...


Eu, aos dez anos, com minha prima Rita de Cássia, na Praça Antenor de Mendonça Uchôa. Na segunda foto: Petrúcio, Margarete Leão e eu, na Rua da Ponte...


Na primeira foto: meu pai, na garagem da nossa casa, na Rua Tavares Bastos, com meus sobrinhos Mácia Maria, João Emanuel e Márcio José. Na segunda foto, meu irmão Paulinho com uma amiga, na porta da mercearia do meu pai, na saudosa Rua da Ponte...


Na primeira foto, meu irmão Petrônio, minha sobrinha Raynara e meu ex-companheiro Beron, na orla lagunar, em Maceió, logo quando foram construídas as barracas. Na segunda foto, Carnaval na Palmarina, em União dos Palmares, década de 70...Bloco O Petróleo é nosso...

Fotos de minha autoria e/ou do meu acervo particular...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Formaturas

Foto de Sérgio Marcos

Minha formatura em jornalismo, a concretização do meu maior sonho - fevereiro de 1988... faz muito tempo isso...

Foto de Ladorvane Cabral


Formatura do Pedagógico, em União, final de 1982. Meu primo Afrãnio Vergetti foi meu paraninfo...

As mudanças na Festa de Santa Maria Madalena...

Década de 80...



Década de 70 ...


Década de 60...

Fotos do meu acervo particular...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Crer ou não crer?

Petrúcio Manoel Correia de Cerqueira- Bancário

(Foto de Olívia de Cássia)

A minha concepção cristã, adquirida através dos ensinamentos dos meus pais, não deixam dúvidas quanto a minha fé em Deus. Mas, os acontecimentos ocorridos comigo, no decorrer dos meus quase 56 anos, aumentaram ainda mais a minha fé no criador.

Quando eu estava com oito meses de idade, nossa família morava num sítio em União dos Palmares, chamado de “Baixa Sêca”, onde nasci. Contava minha mãe que, estava eu a engatinhar pela casa, quando fui ao ninho de uma galinha que estava chocando, sem que ninguém percebesse, a galinha deu-me uma bicorada nos meus olhos que quase fiquei cego. Estava aí começando as aventuras de um protegido por Deus.

Meu pai vendeu o sítio, por ordem de Dona Antônia (minha mãe), pois não queria que os filhos fossem criados naquele fim de mundo, sem estudos, sem qualquer tipo de assistência. Fomos morar na antiga e saudosa Rua da Ponte.

Nos fundos do quintal da casa onde nós morávamos, passava o Rio Mundaú. Com uns cinco anos de idade, já dava as primeiras braçadas nadando no rio. Insultei o meu irmão mais novo do que eu (Petrônio), para que também viesse tomar banho, pois eu já sabia nadar, e o protegeria.

Aí então, o coitado começou a se afogar no rio. Fui salvá-lo, ele agarrou no meu pescoço. Ia logo sendo os dois a morrerem, se não fosse uma lavadeira de roupa que estava por perto, certamente, com a ajuda daquele lá de cima, já era.

Tínhamos um cachorro vira-latas, vindo conosco do sítio, e o mesmo não era muito amistoso. Eu também não era lá muito quieto, e um dia desses, inventei de tirar um osso do cachorro. Não foi bem o que esperava. O cachorro avançou em cima de mim e rasgou meu rosto.

Meus pais ficaram numa situação que só Deus os aliviaria. O cachorro ficou louco (pegou raiva). Tomei umas vinte injeções na barriga, e cachorro meu pai teve que sacrificar.

O clube do Zumbi ficava onde é hoje a Praça Benon Maia Gomes. Todos os Natais naquela época eram muito animados com folguedos e pastoris (década de 60). Tínhamos uns parentes que moravam bem em frente ao clube, e não perdíamos uma noite sequer.

Numa dessas noites, saí em disparada de dentro da casa do meu primo, atravessando a rua sem olhar para os lados, e pimba! Fui atropelado. Mas a Mão do criador mais uma vez agiu e escapei.

Fui estudar interno no colégio Salesiano, em Carpina-PE. Tinha onze anos. A área onde é localizado o colégio é muito grande, cheia de fruteiras, e até uma granja pra criação de guinés, tinha no Colégio.

Todas as quintas-feiras, era dedicada à recreação dos alunos. Numa dessas, inventei de subir num pé de jambo. Quando já estava quase no topo, a galha quebrou-se. Desci em queda livre, mas, novamente, a mão de Deus agiu. A última galha do pé de jambo, não sei como, me segurou da queda, que fatalmente não seria de bom grado as consequências.

Passou-se o tempo da infância, da adolescência, e cheguei à fase adulta. Os acontecimentos não pararam por aí. Passei no concurso do Banco do Brasil em 1975, assumi o cargo em Santana do Ipanema-AL em Julho/1976. No mês de dezembro/1976, saímos, eu e a turma do banco pra umas comemorações de fim de ano.

No fim da festa, tivemos a péssima ideia de ir a Olho d'Água das Flores, que fica a 22 km de Santana, para terminarmos a farra. Foi só a desculpa. Na saída da cidade rumo a Olho d'Água, o carro virou. Era um Fusca.

No primeiro dia útil do ano de 2011 (3.1.2011), dirigia-me ao trabalho em São Miguel dos Campos. Estava caindo uma garoa na estrada. Redobrei o cuidado. Na ladeira do Varrela, uma carreta desgovernada me acertou em cheio. Perdi o carro. Mas acreditem, nem um arranhão eu tive. É ou não pra crer?

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Santa Maria Madalena


Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e fotos)

Há 176 anos a comunidade católica de União dos Palmares homenageia sua padroeira, Santa Maria Madalena. Essa tradição foi se modificando, avolumando e se modernizando ao longo dos anos, mas não perdeu a sua essência nem a sua grandiosidade. A Igreja Matriz mudou, na parte física e na institucional (um pouco menos), mas mudou.

Antigamente as festas eram mais simples, não tinha bandas famosas, as apresentações culturais ficavam por conta da bandinha da prefeitura, eram mais folclóricas e tradicionais e a quantidade de mesas na praça era bem menor, dava pra gente andar e conversar com os amigos e visitantes. Era tudo menos barulhento.

Depois que o palanque foi construído, as apresentações passaram a ser ali; antes tinha um coreto no meio da praça, que foi demolido, onde as bandas se apresentavam. A praça não tinha piso, era de areia. Seu Manoel Lima, pai dos meus amigos Suely, Ana, Natalina, Madalena, Eduardo, Luis e Cláudio tocava um instrumento enorme, acho que era um trombone.

Lembro que em época de festa e mais no Natal, tinha o pastoril que se apresentava num palanque de madeira que era armado do lado da Casa do Poeta Jorge de Lima; tinha a frente virada para a igreja. Maria José Serafim (tia de Emídio) dançava pastoril e ficou conhecida na cidade como ‘Pastorinha’. Isso eu era muito criança, mas lembro.

As mesinhas da festa eram de madeira e muitas vezes os banquinhos desfiavam nossas meias novas, deixando-nos insatisfeitas. Lembro que no dia 2 de fevereiro, último dia da festa, papai mandava meus irmãos irem mais cedo para reservar os bancos, senão nós ficávamos sem ter onde sentar, porque quem chegava primeiro ia pegando os banquinhos das outras mesas.

Papai sempre foi muito devoto de Santa Maria Madalena e falava do seu poder de cura todos os dias para os filhos; agradecia as graças alcançadas e nos aconselhava a frequentar a igreja com mais assiduidade.

Ele não perdia uma noite de novena nem de festa quando tinha saúde e podia andar. Depois foi começando a cair na rua, a tombar demais e não pôde mais andar. Chorava nos dias de festa e ficava na porta para ver a procissão passar quando já estava bem debilitado.

Em frente à loja de seu Nequinho, que era compadre dos meus pais, ficavam armados os barcos do seu Cícero Lopes, avô do Gilsinho e pai de Gracinha, ou então em frente ao prédio da farmácia e da Secretaria de Educação do município, ao lado da igreja. Lembro também das quermesses cujas prendas eram doadas pela comunidade e atraia muita gente.

Tem cidade do interior como Pilar, cuja festa da padroeira ainda mantém esse modo tradicional. Lá não tem banda de forró malícia tocando na praça da igreja, nem de outro tipo, a não ser manifestações do folclore e da cultura popular. Mas cada canto tem sua cultura, seu jeito de ser, faz parte da história de cada local, não sei se mudássemos nossa festa se a população ia gostar.

Tem muita gente que critica tudo: critica a Comissão Organizadora, a disposição e quantidade das mesas, o modo como a festa está sendo conduzida, mas isso faz parte da democracia.

Ninguém é obrigado a gostar de tudo e avalio que as críticas são salutares, até para contribuir com a melhora do evento. Só não concordo quando as críticas partem para o lado da agressão pessoal, acho isso deselegante e inapropriado.

Santa Maria Madalena merece todas as homenagens de quem acredita, tem fé e acompanha sua festa, uma das melhores do interior de Alagoas e que é sempre lembrada por quem já frequentou o evento. Seja quando em criança, ou depois de adulto.

Domingo, dia 16, tem a procissão do mastro iniciando os festejos comemorativos à nossa padroeira. Que venham as nove noites de festa, que sejam de paz e harmonia. Uma pena que não poderei estar presente todas as noites. Até lá.

Vale quanto pesa

Olívia de Cássia – jornalista

Anos atrás tinha uma propaganda na mídia de um sabonete cujo nome era “Vale quanto pesa”. O sabonete era volumoso e pesado e sugeria economia no bolso. Na sociedade de consumo e mais materialista dos dias de hoje, o título acima cai como uma luva.

Infelizmente, nesse mercado de injustiças e grandes contradições, valemos o quanto pesamos, na maioria das vezes, não em se tratando de peso corporal ou o que temos de bom interiormente, mas com relação ao que temos de patrimônio material ou quanto na conta bancária, ou que aparentamos ter. Isso acontece muito.

Não sou hipócrita e não vou negar que eu não goste de conforto, bem-estar, dignidade; que gostaria de ter uma vida mais tranquila e confortável; isso é cidadania e não consumismo exagerado.

Gosto de coisas boas sim, como ir ao cinema com frequência, comprar livros, sair com amigos e tomar um chope, comprar boas roupas, bolsas e sapatos quando posso, conversar sobre amenidades e outros confortos mais que a sociedade de consumo nos oferece.

Infelizmente não tenho condições financeiras de viver ainda como eu gostaria. Mas não é disso que quero falar aqui; o que quero dizer é que tem pessoas que só se aproximam da gente se enxergar nisso que a gente tem alguma vantagem material para oferecer, alguma posição social e isso eu acho o fim.

Muitas pessoas não se aproximam de você pelo o que você é, mas pelo o que você representa no mercado de vantagens e pode dar de lucro pessoal. Já fui vítima desse golpe e hoje, infelizmente, vivo mais seletiva e atenta diante dessas questões. Acho isso uma pobreza de espírito.

Nunca fui muito de reparar nessas coisas, mas os anos foram me endurecendo. Minha mãe sempre me abria os olhos para as questões mais práticas e realistas da vida que eu me recusava a enxergar com mais clareza, por causa das minhas teorias utópicas. “Minha filha, quem se abaixa muito o rabo aparece”, dizia ela muitas vezes.

Hoje eu reconheço que mamãe era uma pessoa sábia na sua simplicidade e tudo o que dizia e me ensinou era para o meu próprio bem, mesmo que seus ensinamentos fossem carregados de preconceitos e eu tivesse sempre que dar um desconto.

Experiência de quase morte

 Por Olívia de Cassia Cerqueira A experiência de quase morte para os transplantados, rendeu uma página da editoria de Cidades, especial para...