sábado, 2 de julho de 2016

O aprendizado ...


Por Olívia de Cássia

Fugindo um pouco da minha rotina levantei mais cedo neste sábado de tempo nublado, pois estava aguardando a visita de amigos queridos da minha querida União dos Palmares. E mesmo com a bagunça e desarrumação que está em minha casa, é sempre bom a gente conversar e falar do que nos vai  no coração.

Sou uma pessoa muito indisciplinada para algumas questões, mas nessa altura da vida é difícil estabelecer outra rotina de grandes mudanças. Sabe, meu Diário, nunca deixarei de ser grata pelos amigos que Deus colocou em minha vida e pelas pessoas do bem que eu aprendi a diferenciar.

Sempre tive carinho, amor e respeito pelos amigos e embora saiba que existem algumas distinções, cada dia prefiro acreditar no melhor. As energias positivas e de bem-querer são sempre bem-vindas.

Acredito ainda na gratidão e generosidade do ser humano, porque sou testemunha disso, em várias ocasiões da minha vida e não só agora, que as limitações da ataxia chegaram. Como disse um artista popular, vamos acreditar no melhor do ser humano, porque de situações escandalosas e de conduta não bem avaliadas e abusivas o mundo está repleto.

Sempre fui uma pessoa idealista; os personagens com essa característica sempre me atraíram: desde os do livros que leio, até as das novelas que assisto.  Gosto de gente simples, gente que não ergue a ponta do nariz para os menos afortunados.

Como disse Jéssica Doni, eu gosto de gente que não tem vergonha de rir andando sozinho se lembrou de algo engraçado, mesmo que o achem maluco. Eu falo sozinha e também com meus animais.

"Eu gosto de gente verdadeira, que não forja sentimentos, que transbordam. Que sente ciúmes, que emburra, e que desfaz o bico se recebe um dengo. Eu gosto de gente que ri de si mesmo quando fala alguma coisa incrivelmente errada. Eu gosto de gente simples, que se dispersa vendo onde aquela formiguinha vai carregando seu grão", observa.

Quando eu era criança, ficava horas no degrau da casa da minha avó vendo o movimento das formigas e até onde elas queriam chegar. Desde a minha infância eu sempre me dei bem com gente considerada meio estranha.

Gente "que olha dos dois lados pra atravessar a rua, mesmo sabendo que ela é de uma mão só. Eu gosto de gente natural, de cabelo bagunçado, que assume os cachos rebeldes, de cara de sono, de sorriso largo, de coração grande. Eu gosto de gente" e isso é muito bom.

Mas eu também tenho o outro lado solitário, de gostar de ficar sozinha, no meu mundinho. Sempre fui assim. No meu quarto da Rua Tavares Bastos eu decorava as paredes com tudo o que fosse de mais 'estranho' para alguns e nas portas do guarda-roupa fazia colagens com paisagens e poesias.

Lembro de um texto que li e que não lembro a autoria agora que diz o seguinte:  "Com o tempo a gente aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou".

Juca e Malu, dois dos meus bebês de quatro patas,  ficaram ouriçados com a presença de Margarete e Saulo: obrigada, amigos, pela visita e mensagem de positividade. Juca acha que todo mundo tem quer brincar com ele, jogar a bolinha para ele pegar. Fica assim o dia inteiro, até quando a noite chega e finalmente se acalma para dormir.

Hoje é o mensário dele: faz cinco meses. Desde que chegou aqui em casa, há um mês, só me traz alegria e descontração. São muitas brincadeiras; é uma criança. Ele quer ficar assim o dia inteiro e se a gente não faz o que ele quer, se põe a mordiscar o nosso calcanhar.

Malu se coloca a sorrir e mostra os dentinhos, com seu sorriso largo e costumeiro, dando boas-vindas a quem chega por aqui. Ela adora crianças e receber visitas; pensa que vai passear.

O encontro de hoje foi de boas lembranças saudosas da nossa Rua da Ponte, em União dos Palmares, das coisas boas do passado que vieram à tona e um halo de luz sempre emana desses contatos. Sejam sempre bem-vindos. Bom dia e bom fim de semana para todos.

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