quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Preciso aprender...

Foto de Nathalya Cerqueira
Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Preciso aprender a viver. Parece que foi ontem que te conheci e já faz tanto tempo que o tempo levou a saudade, tempo que não te vejo mais, amor. Sozinha em silêncio nessa noite fria fico a imaginar em que parte da vida eu te perdi...

Eu te perdi para a vida, para outros quereres; eu te perdi para a vida. Minha mente diz não, meu corpo diz é preciso. Meu corpo envelheceu, ele tem muitas marcas do tempo, mas o tempo passou e não me deu a chance de te reencontrar novamente...

Em pensamentos ainda me pego agindo como adolescente, te amando e te querendo, nessa noite fria. Não, eu não te quero mais, queria poder dizer. O tempo que tenho agora já não é suficiente para um desejo...

Os anos e a maturidade me trouxeram experiências, verdades incontestes e frias, mas o tempo não me ensinou como a gente faz para deletar essa lembrança que eu tenho de mim, essa lembrança de você. Sinto-me adolescente, inconsequente, inquieta...

Uma metade de mim é saudade. Outra parte de mim solidão. Tem coisa que não foi feita para mim. Ainda preciso aprender a ser... Solidão...

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

O despertar

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

O coração da gente palpita, insistentemente, quando temos alguém para dividir simpatias, adversidades e alegrias.

O coração palpita quando a gente ama indistintamente, acreditando ser correspondido. O coração lateja de dor, ardente, freneticamente, quando acreditamos ser verdadeiro um sentimento.

Mas a mente treinada e cética adverte que demos ficar atentos e que não nos enganemos.

E de volta à razão eu vi meu mundo desmoronar, quando percebi o abismo, o abismo que tinha sido preparado para mim, o precipício que eu estava às vésperas de me atirar.

Ufa! Acordei do triste pesadelo.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

O desafio das mulheres

Olívia de Cássia - jornalista

São muitos e tantos os desafios que as mulheres têm pela frente, desde que assumiu ir á luta e viver independente, sem amarras, sem donos, sem imposições, a não ser as suas próprias limitações. Desde o início do movimento feminino, o grande desafio foi conquistar o mercado de trabalho, a independência e a igualdade de gênero.

O mercado de trabalho as mulheres conquistaram, hoje são a maioria, fazem movimentar a economia do País, mas no que se refere aos salários nos postos de trabalho que ocupam, muitas vezes eles não fazem jus à sua capacidade e competência.

As mulheres ultrapassaram barreiras a muito custo, nada nos foi dado de graça na sociedade. As conquistas e os espaços foram conseguidos com reivindicações, passeatas, queimas de sutiãs, com enfrentamentos, assédio moral no trabalho, machismo, falta de solidariedade e muito destemor.

Mas as mulheres ainda enfrentam um desafio maior que é se libertarem dos sentimentalismos exagerados porque com eles não conseguem denunciar seus agressores, pelo motivo de não terem se despojado de um amor sem tamanho, de um apego sem limites e vivem submissas e amarradas a seus companheiros como se eles fossem a única tábua de salvação do mundo.

Muitas mulheres, mesmo aquelas alfabetizadas e educadas em boas escolas, ainda carregam dentro de si o ranço de uma formação machista, autoritária e retrógrada e submissa e que só faz com que elas se sintam mais diminuídas e não evoluam em seus potenciais.

É preciso reaprender a viver, reeducar os sentimentos, para que mais na frente, quando for necessário, se liberte das amarras que consomem a alma e a vida. A mulher já provou que pode, deve e tem condições de se manter sem precisar de um provedor, como antigamente, quando eram obrigadas a casar para sair de casa e diminuir as despesas.

Outro desafio das mulheres é vencer e se livrar da violência que a acomete no dia-a-dia. Nosso Estado é o segundo ou terceiro mais violento do país e é preciso fazer valer a Lei Maria da Penha e enquadrar esses agressores covardes nos rigores dela.

Um homem que bate em sua companheira, seja ela namorada ou mulher, irmã, amante ou filha, não merece respeito e muito menos piedade. É preciso que os casos de violência, tortura, maus-tratos e espancamentos sejam denunciados. Não podemos mais ficar caladas. Pense nisso!

Medeiros critica segurança do Estado na ALE, depois de atentado

Foto de Camila Ferraz
Olívia de Cássia – jornalista, com informações de agências e Camila Ferraz

No primeiro discurso que fez na Assembleia Legislativa, depois do atentando sofrido na semana passada, da tribuna da Casa de Tavares Bastos o deputado Ronaldo Medeiros (PT) criticou na sessão desta terça-feira, 14, a segurança pública do Estado.

O parlamentar falou da perseguição sofrida por ele e seus assessores na quinta-feira passada, em um trecho da BR-101, quando teve seu veículo perseguido e abalroado pelo condutor de uma Hilux preta, .quando saia do município de Porto Real do Colégio, após participar de uma reunião com moradores da cidade e se dirigia à Igreja Nova.

Medeiros disse que foi perseguido durante quase 30 minutos, “por esse tal de Orlandinho, que agiu como um marginal, como um vândalo, que a todo o momento tentava me matar e matar a todos que estavam no carro; ele só parou de bater no carro quando chegamos na entrada da cidade de Igreja Nova, praticamente na porta da delegacia”, relatou o deputado.

Depois de relatar toda a perseguição sofrida, o deputado criticou a segurança no Estado e sugeriu que o governador do Estado, reveja o projeto de segurança de Alagoas. O petista afirmou que quem o fez, deve estar no mínimo, querendo acabar com o seu mandato no Governo de Alagoas.

“Eu ando nesse Estado e raramente vejo uma blitz, como poderemos combater a violência assim? Vi uma blitz no sábado em Satuba, mas com apenas quatro policiais”, destacou Medeiros.

Medeiros informou que vai se reunir com a secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki e solicitar uma audiência com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, para narrar a situação de insegurança vivida pelos alagoanos.

“O que aconteceu comigo foi um absurdo. Quase 30 minutos sendo atacado em uma rodovia. Se tivesse viatura na delegacia, esse marginal que agiu como covarde teria sido preso”, observou.

O parlamentar afirmou que, a partir de agora, irá visitar todas as delegacias do Estado, com o objetivo de saber para onde estão indo as armas e viaturas com as quais o governo afirma estar equipando a segurança pública: “Agora, vou defender mais uma bandeira nessa Casa: cada cidade tem que ter um delegado, pelo menos duas viaturas equipadas e um lugar decente para trabalhar”.

Ronaldo Medeiros contou que recebeu diversas ligações de familiares do acusado pelo atentado – identificado até o momento apenas como “Orlandinho” e de vários políticos. “Um desses familiares me disse que ele não sabia que era um deputado. Ou seja, se fosse outra pessoa ele poderia fazer o que fez”, desabafou.

Em apartes, vários deputados se solidarizaram ao petista, entre eles Judson Cabral, Antônio Albuquerque, Gilvan Barros, Inácio Loiola, Jota Cavalcante, Sérgio Toledo e João Beltrão, cujo discurso foi enfático: “Isso é um covarde. Bandido merece ir para cadeia. Não podemos ficar calados diante de um ato desses. Não interessa se ele sabia que era um deputado ou não, embora em Alagoas ninguém respeita mais policial, nem deputado. Talvez jornalista tenha hoje mais respeito que deputado”, finalizou.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

As diferenças que entravam o cotidiano

Olívia de Cássia – jornalista

Conviver em sociedade não é fácil em se tratando de seres humanos. Cada um tem uma forma de pensar e agir, um método de trabalho diferente e experiência de vida idem. A gente vive, leva cacetada e vai aprendendo assim, na universidade da vida, com as decepções e amarguras.

No campo profissional nunca conhecemos realmente as pessoas. Lidar com o ser humano é a coisa mais difícil da vida. Melhor lidar com os de quatro patinhas mesmo e isso eu aprendo todos os dias com meus bichanos e cães. Eles nos dão mais alegria.

Como disse um internauta quando lhes foi feito a pergunta: por que é tão difícil lidar com o ser humano, “talvez a resposta mais compatível, sem clichês e falso moralismo, seria dizer que cada cabeça é um mundo diferente”.

É sabido que cada ser humano tem pensamentos e reações que mudam de pessoa para pessoa. “Por esse motivo, não conseguimos agradar e nem compreender a todos, tornando o relacionamento e a convivência um grande desafio nas sociedades”.

Mas como disse o internauta Matheus, nós somos diferente porque pensamos diferente, mas não deveríamos ser intolerantes ao ponto de achar que o outro está agindo para lhe incomodar. A intolerância para com o ser humano cresce todo segundo.

Homens espancando suas mulheres, políticos roubando os impostos que pagamos, colegas querendo dar rasteiras nos outros e outras coisas mais perversas. Esse é um momento que estou vivenciando, estranhamente, depois de 24 anos de exercício da profissão.

Mas como a gente tem que passar por muitas fogueiras para preservar um lugar no ‘céu’ ou no ‘inferno’, muitas vezes temos que engolir sapos cururus e no jornalismo isso é muito comum.
Isso não quer dizer que devemos deixar que essas intempéries nos diminua como pessoa ou profissional ou nos torne menos qualificado.

No jornalismo muita gente estranha quando chega ao mercado de trabalho. Um mundo competitivo, uma guerra de nervos onde muitos, para preservarem seu lugar ao sol, acham que só é possível dando rasteiras nos outros.

Também tem muita gente que não assume seus erros e está sempre procurando um bode expiatório para descarregar todas as suas frustrações e mal desempenho na vida.

Aprendi com meu pai, humildemente, que nunca deveria competir com outras pessoas para o bem ou para o mal e nem querer ser melhor do que ninguém para mostrar produtividade. Isso eu nunca farei.

sábado, 11 de agosto de 2012

Dia dos Pais

Olívia de Cássia – jornalista

Neste domingo, 12 de agosto, comemora-se o Dia dos Pais. Para quem ainda tem o privilégio de tê-lo ao lado, ainda que bem velhinho, é uma sorte, uma dádiva divina. Quem me dera que eu pudesse ainda tê-lo presente, lá na nossa antiga casa de União dos Palmares, na Rua Tavares Bastos, para visita-lo, abraçá-lo e contar-lhe todos os meus segredos e aflições.

Há 14 anos o meu querido velho se foi deixando uma lacuna na minha vida, uma saudade incontida e uma dor enorme no peito. A lembrança do meu pai ainda é muito presente e para mim essas datas comemorativas têm sabor de saudade.

Meu pai foi para os filhos um exemplo de homem: generoso, religioso, temente a Deus e que deixou para os seus muitos ensinamentos. Ele era solidário quando alguém, algum amigo passava dificuldade, procurava sempre ajudar, indistintamente, fosse pobre, rico ou necessitado.

Sem formação escolar quase nenhuma, meu pai sabia apenas escrever o seu nome, mas lia muito, gostava de ficar informado; fazia contas de cabeça, melhor que eu e meus irmãos estudantes e foi formado na universidade da vida.

Nascido e criado na roça, órfão de pai e mãe muito cedo, meu pai teve que dar muito duro na vida para cuidar de todos nós. Quando saiu da Baixa Seca, vendeu as terras para morar em União, montou um pequeno hotel que não deu certo, depois comprou a mercearia da Rua da Ponte e o armazém de compra e venda de cereais e deles tirou o nosso sustento.

Quando eu e meus irmãos saímos de União para estudar em Maceió para cursar o antigo científico (hoje ensino médio) ele e minha mãe tinham duas despesas. A educação dos filhos era mais importante. Só deixou que eu começasse a procurar emprego quando terminei o segundo grau e já estava com 18 anos.

Namorador quando moço, a gente sabe muito pouco dessa época da vida do meu pai, a não ser que era muito festivo (isso eu também herdei dele) e que chegou a noivar com outra moça antes de casar com minha mãe.

Algumas das aventuras amorosas do meu pai ficávamos sabendo por que quem contava era minha mãe. Mas papai era apaixonado por dona Antônia e na primeira oportunidade, deixou a moça que estava noivo e finalmente casou com a mulher amada.

Meu pai era um homem de fé, apaixonado por eleições, jogar nos bingos da festa da padroeira, dos bingos do Trapichão e jogar na loteria; era diversão do meu pai, além da festa de Santa Maria Madalena.

Eu tinha uma afinidade enorme com seu João Jonas, ficávamos conversando longamente, principalmente quando a gente enveredava pelo lado da política e herdei dele o gosto de votar.

Mas se meu pai estivesse por aqui ainda hoje, certamente estaria decepcionado com o que estamos vendo nas disputas eleitorais: xingamentos, traições, deslealdades e falta de propostas reais dos candidatos.

Quando estou assim, fragilizada, necessitando de um colo de pai e mãe, de conselhos, sinto infinitamente a falta dele para me dar firmeza e da fortaleza da minha mãe para me orientar. Ela era quem comandava tudo, inclusive queria reger a vida da gente.

Tive a felicidade de tê-los até depois dos 70 anos, mas quando a gente perde vê o quanto era feliz e como Deus foi tão bom em tê-los destinado a cuidar de nós aqui na terra. Onde estiverem mamãe e papai, que estejam num lugar sossegado, de paz e de luz. Fiquem com Deus.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Senado aprova obrigatoriedade do diploma de jornalismo

Por Rosa Costa, de O Estado de S. Paulo

O Senado aprovou nesta terça-feira, 7, por 60 votos a favor e 4 contrários, o segundo turno da proposta de emenda constitucional que torna obrigatória a obtenção do diploma de curso superior de jornalismo para o exercício da profissão. O texto terá ainda de ser votado na Câmara dos Deputados, onde tramita uma proposta semelhante. Em 2009, o Supremo Tribunal Federal decidiu que a exigência do diploma, imposta no regime militar, atenta contra a liberdade de expressão.

A emenda agora aprovada e a da Câmara são alvo do lobby patrocinado pela Federação dos Jornalistas (Fenaj) e por outras entidades sindicais. O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) foi o único a se manifestar contra a proposta que, na sua opinião, interessa sobretudo aos donos de faculdades privadas ruins, "arapucas que não ensinam nada e que vende a ilusão de um futuro profissional". "Não há interesse público envolvido nisso, pelo contrário, a profissão de jornalismo diz respeito diretamente à liberdade de expressão do pensamento, de modo que não pode estar sujeita a nenhum tipo de exigência legal e nem mesmo constitucional", defendeu.

Ele lembrou que se a emenda for aprovada pelos deputados, a profissão de jornalista será a única a constar na Constituição. "Existem médicos, advogados e outros profissionais que são bons jornalistas, sem a necessidade de ter um diploma específico", defendeu. "Será uma aberração colocar a profissão de jornalista na Constituição por razões meramente corporativas, para atender ao sindicalismo dos jornalistas, que é o mesmo que trabalha pelo controle social da mídia", criticou

A senadora Ana Amélia (PP-RS) disse que, como jornalista diplomada, aprovaria a proposta "por questão de coerência. Já o autor da proposta, senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), atribuiu as críticas à proposta de emenda aos "patrões" de empresas de comunicação, interessados em contratar profissionais não diplomados por um salário menor.

Experiência de quase morte

 Por Olívia de Cassia Cerqueira A experiência de quase morte para os transplantados, rendeu uma página da editoria de Cidades, especial para...