terça-feira, 10 de julho de 2012

Cinco anos de lutas

Olívia de Cássia – jornalista

Nesta terça-feira, 10 de julho, o jornal Tribuna Independente completa cinco anos de circulação na capital alagoana. Nós que participamos da construção do informativo e que fomos ludibriados por um golpista, temos muito a comemorar, apesar das dificuldades que enfrentamos ainda hoje.

Foram anos de dedicação e luta para levar a informação e para sobreviver no mercado jornalístico alagoano, apesar do calote que jornalistas, gráficos e funcionários da área administrativa do extinto jornal Tribuna de Alagoas sofreram, depois de serem enganados pelos arrendatários do antigo jornal.

Tudo começou quando os funcionários da antiga Tribuna de Alagoas estavam com dois meses de salários atrasados e das desculpas esfarrapadas dos antigos patrões: Ronaldo Lessa e Robert Lyra, representados pelos seus testas-de-ferro Vorney Mendes e Geraldo Lessa.

Esses agravantes fizeram com que jornalistas, gráficos e pessoal dá área administrativa do jornal resolvessem cruzar os braços e fizessem uma vigília em frente à empresa, no dia 16 de janeiro de 2007, para aguardarem que os salários fossem pagos.

O protesto teve o apoio dos sindicatos dos jornalistas e dos gráficos que deram o suporte político e logístico para as reivindicações dos trabalhadores que fizeram um acampamento em frente à empresa. A mobilização teve início numa sexta-feira, dia em que nos jornais são finalizadas duas edições de fim de semana: a de sábado e a de domingo.

Nessa época o diretor de jornalismo era o jornalista Manoel Miranda, que tentava o tempo todo convencer os trabalhadores que deveriam voltar aos postos de trabalho, pois o pagamento dos salários estava a caminho, coisa que não aconteceu. Era só conversa fiada, uma forma de ganhar tempo e embromar os jornalistas, gráficos e demais funcionários.

MOBILIZAÇÃO

A assembleia realizada pelos trabalhadores ficou definido que ninguém voltaria ao trabalho até que os salários fossem pagos e que os trabalhadores da empresa não arredariam o pé dali. A luta iria continuar. O horário para o fechamento do jornal foi se expirando e com o passar das horas todos começaram a perceber que aquela batalha estava apenas começando.

No fim da noite foi feita uma consulta e decidido o piquete para o dia seguinte. Com o passar dos dias, o movimento foi se fortalecendo em busca de saídas para aquela greve e foi nascendo a necessidade de colocar para a sociedade o que estava acontecendo com os trabalhadores da empresa.

Foram dias e noites de vigília, os turnos eram revezados na grama em frente ao prédio, com receio de que os empresários não dilapidassem o patrimônio do jornal, que na prática pertence ao Banco do Nordeste. A toda hora surgia uma notícia diferente. As entidades de classe colocaram faixas e carro de som para denunciar aquele calote. O que foi feito com a empresa e com os 140 trabalhadores, largados na rua da amargura.

Os débitos que a empresa tinha contraído com seus fornecedores, os gastos excessivos dos diretores com farras, viagens de lazer para a Europa e uso de cartão institucional sem limite foram os fatores que levaram à falência da empresa, na fase administrada por Geraldoo Lessa e Bob Lyra. A Tribuna de Alagoas foi à bancarrota.

Em uma assembleia decisiva e diante daquela crise instaurada, os jornalistas e gráficos decidiram invadir o prédio e fazer ocupação; como consequência iriam fazer edições semanais para que fossem distribuídas nos atos, piquetes e mobilizações que fossem feitas na rua, em frente à Nagoya, empresa do empresário Bob Lyra e nos sinais de trânsito, colocando para a sociedade alagoana toda aquela situação constrangedora que estavam passando.

A determinação foi aproveitar o material humano e o papel que ainda tinha na empresa e todo domingo passaram a finalizar as edições, com apoio da sociedade civil alagoana, de alguns parceiros que foram prestar solidariedade àqueles trabalhadores e familiares.

Além dessas edições e dos piquetes, foi elaborado um blog que era atualizado diariamente com postagens dos relatos do dia e fotos onde eram postadas inúmeras mensagens de apoio e comentários sobre todo aquele processo. As edições semanais da Tribuna Independente, ora saiam aos domingos e outras vezes na segunda-feira, de acordo com o que desse para fazer.

APOIO

O movimento, as lutas e decisões que eram aprovadas em assembleias e reuniões foram divulgados nacionalmente e os trabalhadores receberam a solidariedade da Federação Nacional dos Jornalistas e sindicatos de todo o País.

Alguns funcionários dormiam na sala do setor comercial e revezavam os turnos. De manhã os sindicatos providenciavam o café. O almoço era na churrascaria ao lado da empresa.

Na primeira manifestação que foi feita na Avenida Fernandes Lima, em frente à Nagoya Veículos, o trânsito foi interrompido de um lado da pista, com faixas, carro de som e a distribuição da edição do jornal Tribuna Independente. Nossa primeira edição semanal causou um reboliço na cidade.

Quando as primeiras edições semanais foram saindo, os trabalhadores iam para os sinais de trânsito para vender o produto colocando o desabafo para a população. Nessa fase receberam muito apoio e a ideia da criação de uma cooperativa que reunisse as duas categorias foi tomando fôlego. Para que isso acontecesse era necessário ter o aval dos donos do prédio (a família Farias) e do Banco do Nordeste (financiador do maquinário do jornal).

JORGRAF

Com garra, coragem e resistência, sob o comando dos trabalhadores e depois de discussões sobre uma alternativa de reinserção no mercado de trabalho, nascia a Jorgraf – Cooperativa dos Jornalistas e Gráficos de Alagoas que teria como principal produto o jornal Tribuna Independente, cuja primeira edição diária passou a circular no estado no dia 10 de julho de 2007, com um coquetel de lançamento nas dependências da empresa.

Passados cinco anos desde aquele início conturbado, pode-se dizer que apensar das muitas dificuldades o jornal está consolidado, garantiu os postos de trabalho para aqueles que quiseram continuar no projeto e se engajar na proposta do cooperativismo.
A Tribuna Independente ganhou a credibilidade e respeito dos leitores alagoanos.

É o primeiro jornal de uma cooperativa no Brasil e quiçá no mundo envolvendo duas categorias: jornalistas e gráficos, abrindo nacionalmente o comando para outros empreendimentos semelhantes. Também estamos comemorando neste dia 10 um ano do site Tribuna Hoje.

A Tribuna Independente, carro-chefe da cooperativa Jorgraf, circula diariamente com 20 páginas e aos domingos com 24 páginas e conta hoje com diversos parceiros de linhas ideológicas variadas: quem quiser se engajar nessa proposta será bem-vindo.

A criação da TI foi o coroamento de todo o esforço coletivo dos profissionais mostrando que é possível os trabalhadores gerenciarem uma empresa, sem patrões.

Apesar disso todos reconhecem as dificuldades que enfrentam diariamente, mas com esforço e dedicação da maioria sabem que estão fazendo história porque foram pioneiros nessa modalidade no Brasil.

Depois de abandonados à própria sorte pelos antigos administradores, ou era isso ou cada um ia tocar sua vida como achasse melhor. As perspectivas de crescimento da Tribuna Independente e a ampliação na oferta de produtos aos leitores, como a criação do Tribuna Hoje e de e outros serviços de comunicação são concretizações nossas.

Cinco anos passados desde o calote recebido, a greve, ocupação e circulação da primeira edição diária da TI, a Justiça do Trabalho, até agora não se posicionou favorável aos trabalhadores da extinta Tribuna de Alagoas, que até agora amargam o não-recebimento das verbas indenizatórias a que têm direito.

A Justiça não reconheceu os antigos gestores como proprietários que enganaram os trabalhadores e ainda retirou o nome de um dos acusados no golpe, o sr. Robert Lyra do processo trabalhista.

Cinco anos se passaram sem que os trabalhadores tenham recebido um centavo sequer do que têm direito. E eu pergunto: é justo isso? Enquanto ainda hoje amargamos endividamento de nossas vidas, quem nos deve está aí à solta, livre para se candidatar a cargos eletivos e sem compromisso com ninguém. Pense nisso!

FIQUEMOS DE OLHO!

Bom dia para todos os amigos leitores do blog, hoje quero fazer um alerta. Com a proximidade do pleito eleitoral, muita gente vai explorar as mazelas da capital alagoana e dos municípios como se elas se fossem novidade a ser combatida nessa época do ano apenas. É preciso entender o foco de todas essas questões.

Uma boa administração deve ser feita e fiscalizada durante todo o ano e também cobradas ações em benefício da população, sempre, pois o cidadão paga impostos muito caros e precisa ver algum retorno disso, não apenas em época de eleições.

Fiquem de olho naqueles falsos profetas que prometem ‘mundos e fundos’ em época de campanha, mas que quando assumem posto de comando são arrogantes, valorizam apenas grupinhos, querem enriquecer à custa de política e quando o povo reclama e vai à sede da administração pedir retorno, é tratado como lixo. SEJAMOS FISCALIZADORES E ESTEJAMOS ATENTOS, NÃO COMERCIALIZE SEU VOTO!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Meu Pai

Petrúcio Cerqueira - bancário

Na década de 20, em 16 de abril do ano de 1921, num local inóspito, conhecido por "Cafuxi", nascia o filho mais novo do casal Sr. Jonas Rosa de Cerqueira e Rosa Correia de Cerqueira, João Correia de Cerqueira, conhecido mais adiante do tempo em União dos Palmares-AL, pelo nome de "João Jonas".

O Cafuxi, era uma gleba de terra que pertencia à família do meu avô paterno. Em outra parte, mais precisamente perto da Barriguda, ficava a outra gleba que pertencia ao meu avô materno; e, mais uns quilômetros depois ficava a Jitirana, que uma parte pertencia ao irmão do meu avô materno, o José Paes, avô de Edvard "Véve´", que é irmão de Nilda, de Nete, de Nilza, de Nado e Soninha.

Veio o batizado. Como era de costume antigamente, o padrinho do rebento teria que ser alguém de poder político e financeiro da região. O meu avô estava com um dilema: quem escolheria? O major Ozéas, do Cafuxi, ou, o major José Cula, do Timbó? Depois de decidir-se, não sei o motivo, o major José Cula fez o batizado do João na igreja do Timbó!

O João não teve muita sorte na infância. Perdeu a mãe logo cedo, foi criado pela madrasta, que logo depois ganhou três meio- irmãos. Para alimentar-se razoavelmente, tinha que se aventurar nas caçadas e nas frutas da região, pois em casa (comentários do meu pai) não era servido o necessário para as calorias exigidas no dia-a-dia, principalmente ele, que tinha que trabalhar mais que os outros.

A infância do João foi difícil, pois crescer naquela tempo com mãe já era difícil, imaginem sendo criado por madrasta. A adolescência do João é um mistério, pois nem mesmo ele, que gostava de relembrar o passado, e não nos contava nada.

Veio a Juventude e com ela os anseios de um jovem. Anseios não têm época para aflorarem. O João era festeiro. Naquele tempo, as festas das comunidades rurais eram muito animadas, e localidades para se fazer uma festa era o que não faltava. A nossa família tinha naquele tempo, uma ramificação de parentes que morava em Paulo Jacinto.

O grande amigo do João era um primo que morava por lá, mas, nas épocas festivas, tanto meu pai se deslocava para Paulo Jacinto, como também ele comparecia na nossa região. Era o primo "Joca", filho da prima Mariinha.

De ir para as festas eles iam, o problema era que só tinham um par de sapatos para os dois. Astutos (naquele tempo também tinha malandragem), cada um usava um pé, o da sobra, o dedão do pé era envolto com um pedaço de pano (não tinha gaze na época), e molhado com sangue de algum bicho, pra fingimento de alguma lesão.

Foi numa dessas festas que o amor por Dona Antônia despertou n'ele. Já se conheciam de muito tempo, pois eram primos e não moravam muito distante um do outro. Só tinha um detalhe, dona Antônia não dava muita bola pra ele.

esse interim morre a irmã mais velha de dona Antônia, que deixou três filhos. Dona Antonia que sempre foi uma mulher de decisões firmes, e, já tinha uma irmã d'ela morando no Rio de Janeiro, resolveu que também iria para lá, levando os sobrinhos órfãos para dar uma educação adequada.

O João, desiludido com o pretenso amor indo embora, foi logo pensando: "Nunca mais ela voltará", indo logo pro Rio de Janeiro! A desilusão abateu drasticamente sobre o João. Passou um bocado de tempo pra reanimar-se. Para tentar não se lembrar do amor que partiu, resolveu ir à luta.

Não perdia mais festa nenhuma, principalmente as festas de Santo. O João era muito religioso. Numa dessas festas, alguém lhe dirigiu um olhar. Ele pensou muito. - Já que o amor não voltará mais, e, nem vou poder ir ao encontro d'ela, vou partir pra outra.

Namorou, noivou. Estava certo que a Antônia não viria mais. Marcou a data do casamento. Foi ao sítio onde moravam meu avós maternos para convidar o pessoal de lá para o casamento d'ele. Minha avó Olivia aceitou o convite e disse pra João: - A Antônia está voltando, deverá chegar no mês que vem. Quase caiu de costas quando ouviu a notícia.

Na primeira oportunidade que teve, e, isso foi rápido, ele rompeu o noivado. No dia 12 de maio de 1953, casou-se o João com a Antônia. Com o casamento vieram as dificuldades costumeiras de um casamento sem preparação.

Primeiro e pior, foram morar de favor em terras dos outros. Veio o primeiro filho (uma menina) que morreu antes de nascer, por falta de assistência: estava enrolada no cordão umbilical e sentada.

Em maio de 1955, nascia eu. Começaram aí as maiores dificuldades: minha mãe Antônia era inquieta. E esta inquietude preocupava o meu pai. Meu pai era do tipo meio acomodado, minha mãe, não. Como disse antes, foram morar em terras dos outros (do irmão de minha mãe).

Antes de completar um ano de idade, meus pais receberam o convite para se retirarem da casa onde moravam. Minha mãe persistente como nunca, conseguiui convencer meu pai a ir embora para morar na cidade. Descobriram a Rua da Ponte como início de uma longa caminhada de vida.

Instalaram no início um pequeno hotel. Vieram mais três filhos. Diversificaram os negócios e foram conduzindo a vida mais tranquilamente. Meu pai aposentou-se dos negócios no final da década de 80, acometido de uma doença hereditária chamada "Ataxia Spinocerebelar". Faleceu meu pai sorrindo, faltando quatro dias para completar 77 anos. Acho que morreu sorrindo lembrando-se das horas felizes em que esteve com os seus...

sábado, 7 de julho de 2012

Desabrigados da cheia de 2010 invadem Conjunto Habitacional em União dos Palmares

Por João Paulo Farias – O Relâmpago-Texto e Fotos

Centenas de famílias desabrigadas da enchente de 2010, invadiram na manhã deste sábado, 7, cerca de 400 casas do Conjunto Habitacional Newton Pereira Gonçalves. A invasão se deu segundo informaram os desabrigados, devido à demora na entrega das moradias que já estão prontas há três meses.

Eles reclamavam do sofrimento que estão passando em casas de aluguel, sem ter condições de pagar. Segundo Everton Rubian, que residia próximo ao Riacho Canabrava, “a demora na entrega dessas casas fez com as pessoas perdessem a paciência e invadirem o local”, disse.

Já a agricultora Maria Madalena, que residia na Usina Laginha e hoje mora de favor no Sitio Cabeça de Porco, na zona rural do município, perdeu tudo na enchente e hoje tem que vir aos domingos vender seus produtos na Feira do Bairro Roberto Correia de Araújo. Dona Maria mostrava o cadastro na Caixa Econômica e diz que não irá sair do local sem ter certeza que ficará em sua casa.

Para Miguel Silva, que também residia em área atingida pela cheia, estava ficando impossível continuar pagando aluguel, “é muito caro, não posso mais pagar aluguel, quero minha casa”, disse Miguel, mostrando o cadastro com a Caixa.

No local o Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar, fazia a segurança e auxiliava nas negociações. Segundo a Secretária de Assistência Social de União, Lídia Campos, o município já fez sua parte, cadastrando as famílias, porém agora depende da Caixa Econômica, negociar a entrega das moradias.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Apresentação do Grupo Dona Mariquinha lota Teatro Deodoro

Fotos de Olívia de Cássia-4-7-2012
Olívia de Cássia-Repórter

Foi na noite desta quarta-feira 4, a apresentação do Grupo Dona Mariquinha, que lotou o Teatro Deodoro com o show "Cerzindo Ritmos", uma diversidade de Coco de Roda, Baiana, Taieira, Guerreiro e muita música de raiz que fazem parte do repertório do grupo que é essencialmente de percussão e voz.

Segundo Rose Mendonça, que faz vocal do grupo, o Dona Mariquinha nasceu da necessidade de registrar e difundir a música popular de raiz. Com cinco integrantes, o grupo tem como objetivo a pesquisa dos folguedos e danças, grupos folclóricos e trajetória dos mestres da cultura popular, além de promover o registro escrito, sonoro e visual destas manifestações, contribuindo na difusão deste patrimônio imaterial.

Sucesso na noite desta quarta-feira, o espetáculo “Cerzindo Ritmos” teve duração de uma hora e dez minutos, com um repertório de quinze canções, com a percussividade de Théo Macaíba – Zabumba, Régis Curió – Pandeiro, Jairon Santos – Caixa, Dalmo Santos – Efeitos e Tambores e a voz melodiosa de Rose Mendonça.

O Dona Mariquinha, mergulhado na sabedoria popular, apresentou em seu espetáculo “Cerzindo Ritmos” a combinação dialógica do cancioneiro popular com composições autorais e levou o público a mergulhar no que há de melhor na diversidade cultural brasileira da música popular de raiz.

O grupo contagiou o público, que no final aplaudiu de pé. Eles fizeram uma homenagem ao mestre Benon, mestre do guerreiro alagoano, considerado um patrimônio da nossa cultura.

Ainda será possível?

Olívia de Cássia – jornalista

Crescem no Brasil e no Estado as estatísticas de mortes de mulheres, ocorridas em muitas situações por causa do sentimento de posse, da ignorância, da impunidade e da falta de amor nos corações. Segundo Terezinha Vicente, da Ciranda Net, nas últimas três décadas foram assassinadas aproximadamente 91 mil mulheres no Brasil, 7º lugar no ranking dos países onde há mais esse tipo de crime.

“O que mais assusta estudiosos do tema e feministas é o progressivo crescimento do ‘feminicídio’, que vitimou 43,5 mil mulheres só nesta última década, passando de 1.353 para 4.297 mortes por ano, um aumento de 217,6%”, dizem os dados.

Os números são do Mapa da Violência 2012, estudo do Instituto Sangari, baseado em dados do Sistema de Informações de Mortalidade – SIM – da Secretaria de Vigilância em Saúde ( SVS), do Ministério da Saúde e do Ministério da Justiça.

Segundo o estudo, que traz um balanço da violência homicida desde 1980, os homens morrem na rua, as mulheres morrem dentro de casa. “Isso acontece em todas as regiões brasileiras e em todas as classes sociais. E sabemos que o número real é bem maior, devido a má ou não notificação de muitos casos”, observa Terezinha.

Esta triste realidade mostra como são difíceis os relacionamentos entre casais quando não se tem parceria, lealdade e fidelidade. Palavras que para muitas pessoas nada significam.

Nos dias atuais as meninas perdem a inocência muito cedo e tão logo, antes de o corpo se formar, já se envolvem em relacionamentos amorosos sérios, muitas vezes relações tumultuadas, cheias de brigas, de sentimentos negativos, de sentimento de posse e de muito machismo.

Sem conservadorismo e só para uma constatação, nas primeiras décadas do século passado, uma mocinha tinha que se preservar de certas intimidades com seus namorados e muito mais de relacionamentos amorosos, que só aconteciam de fato com o compromisso do casamento e há bem pouco tempo, na maturidade. Quando se fugia disso era um escândalo na sociedade.

Hoje uma menina de 12 anos ou de menor idade que essa já sabe tudo sobre sexo e quer provar e se relacionar seriamente com seu namorado e parceiro. Com tanta modernidade e estimuladas pela mídia, elas se transformam em adultas muito cedo, são ‘adultas-anões’.

A luta feminista iniciada nos primeiros anos do século XX no Brasil seguindo a proposta da queima dos sutiãs não foi para isso, na minha avaliação simples.

Não sou estudiosa do caso, mas pelo pouco conhecimento que eu tenho, nossa luta sempre foi por igualdade nas relações afetivas, direito ao trabalho, com dignidade, salários justos e iguais para funções iguais, para homens e mulheres, luta pela democracia e pela liberdade de expressão.

Mas da mesma forma que em sociedade nada nos é dado de graça, com as conquistas que tivemos também vieram contrapartidas e a deturpação dos valores e das propostas sociais.

Não foram as mulheres que lutaram ao longo dos séculos que causaram essa degradação, mas sim, a própria sociedade midiática do consumo exagerado, do capitalismo sem freio e desvirtuamento dos verdadeiros valores familiares e humanos.

Nessa sociedade consumista e violenta, o ter se sobrepõe ao ser e desde criança as meninas são estimuladas a absorverem e a reproduzir situações que não lhes pertencem.

Creio que nesse caso cabe à própria sociedade e a família constituída fazer esse resgate; se isso não foi feito, vamos ter homens e mulheres convivendo cada dia mais em conflitos e em estado de guerra, quando não se chega ao extremo de assassinatos. É um tema para se debater. Fiquem com Deus.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Deputados aprovam LDO, GDI e outras matérias e entram em recesso

Foto de Olívia de Cássia-arquivo
Olívia de Cássia com Sessão Pública e agências

Na sessão da tarde desta terça-feira, 3, com um quorum de 22 parlamentares em plenário, os deputados aprovaram uma série de matérias que estavam tramitando na Casa de Tavares Bastos, depois de uma interrupção da sessão para entendimentos de lideranças. Entre elas, o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) para o ano de 2013.

O PL comporta as principais metas e prioridades da administração pública estadual e vai nortear a elaboração da Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2013. Também foi aprovada na tarde de hoje uma Gratificação por Dedicação Institucional , com os votos contrários da bancada do PT e do PTN.

Além dessas matérias, os parlamentares votaram o projeto que altera a lei delegada e modifica a estrutura de cargos do DER; o projeto que institui a isonomia salarial para os servidores de nível superior da Uncisal; os projetos que reestrutura as carreiras do Departamento de Trânsito (Detran); projeto encaminhado pelo Executivo que autoriza a doação de terreno na Vila Emater; projeto que autoriza empréstimo, por parte do governo estadual, de 150 milhões de dólares junto ao Bird, para redução da pobreza.

A bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) votou contra a aprovação da aquisição do empréstimo. Segundo o deputado Judson Cabral, o Governo do Estado não repassou uma prestação de conta sobre os outros empréstimos já adquiridos para combater a desigualdade social e agora coloca mais esse.

“Sabemos que amanhã quem pagará esse empréstimo seremos nós. Por isso peço uma prestação de contas do Estado para que se comprove a necessidade de mais um empréstimo, mas até hoje não tivemos respostas”, disse Judson.

PEC DO JOTA

Depois de algumas discussões e polêmicas, o projeto sobre a estrutura e cargos da Procuradoria Geral do Estado (PGE), a PEC nº 55/2011, foi retirado da pauta de votação.

A PEC altera a lei que trata da estrutura organizacional da Procuradoria Geral de Estado. Atualmente, a direção da Procuradoria só pode ser assumida por um procurador de carreira. Entretanto, a proposta que tramita no Parlamento prevê uma alteração no comando e estabelece que ele pode ser assumido, também, por uma advogado.

O projeto já foi aprovado, por unanimidade, em primeira discussão. Para se tornar lei, basta apenas que ele seja novamente votado e que conquiste a maioria dos votos dos deputados estaduais e, em seguida, sancionado pelo governador Teotonio Vilela Filho (PSDB).

Por conta da PEC, a Associação dos Procuradores de Estado ameaçou ingressar com uma ação na Justiça pedindo a ilegalidade da proposta. Com a suspensão da votação, o PL só deverá ser votado com a volta do recesso parlamentar, que ocorre em agosto.

Ainda na sessão o s deputados aprovam o projeto que institui a Gratificação por Dedicação Institucional (GDI), que deve ter a mesma função da GDE, para os servidores da Assembleia. Votaram contra os parlamentares do PT e o deputado João Henrique Caldas (PTN).

CRÍTICAS AO IBAMA

O deputado João Beltrão (PRTB) ocupou a tribuna da Casa de Tavares Bastos para criticar a decisão do Ibama, que, na semana passada, decidiu não conceder a licença de implantação do estaleiro Eisa, no município de Coruripe. Beltrão propôs que os alagoanos formem uma grande comissão para invadir a sede do Ibama, para pressionar a mudança do parecer por parte do Instituto de Meio Ambiente.

Durante a sessão, também a deputada Patricia Sampaio levantou uma Questão de Ordem para criticar o Governo do Estado, particularmente o secretário de Defesa Social, Dário César. A deputada, que é candidata a prefeita de Palmeira dos Índios, lembrou que, durante audiência da CPMI do Congresso que investiga a violência contra a mulher, o secretário se comprometeu em manter o funcionamento da Delegacia da Mulher durante os fins de semana.

Segundo ela, não é isso o que está acontecendo. “A delegacia está sendo fechada e vou comunicar isso à senadora Ana Rita, presidente da comissão", observou Patricia Sampaio.

Presentes, o presidente da Casa, deputado Fernando Toledo (PSDB), Dudu Holanda (PSD), Inácio Loiola (PSDB), Maurício Tavares (PTB), Joãozinho Pereira (PSDB), Ronaldo Medeiros (PT), Olavo Calheiros (PMDB), Jeferson Morais (DEM), Gilvan Barros (PSDB), Thaíse Guedes (PSC), Severino Pessoa (PPS), Temóteo Correia (DEM), João Henrique Caldas (PTN), Marcelo Victor (PTB), João Beltrão (PRTB), Marcos Ferreira (PSDB), Sérgio Toledo (PDT), Luiz Dantas (PMDB), Patrícia Sampaio (PT), Ricardo Nezinho (PMDB), Judson Cabral (PT) e Jota Cavalcante (PDT).

Experiência de quase morte

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