quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Procissão do mastro da festa da padroeira

Foto: Olívia de Cássia - arquivo 2014
Olívia de Cássia – jornalista

Será neste domingo, 17, a procissão do mastro da festa da padroeira de União dos Palmares, Santa Maria Madalena. São 181 anos de festividades e fé do povo palmarino, que todo ano representa a sua fé acompanhando o cortejo.

A árvore esse ano foi tirada na Fazenda Laginha, onde ficava a antiga Usina Laginha, e como tradição será carregada por milhares de fiéis; mas  antes de falar da fé e da religiosidade do nosso povo, vai aqui uma sugestão: que para cada árvore cortada anualmente, outras dez sejam plantadas, para preservar o nosso meio ambiente.

A saída do cortejo será no final da Rua Juvenal Mendonça (antigo Castelo Branco),  com destino à Igreja Matriz de Santa Maria Madalena. A procissão percorre cerca de três quilômetros: são fiéis que fazem o percurso quase correndo: a pé, de moto, bicicleta; cavalo ou carro.

Um  detalhe que se mistura com a fé é um culto pagão e incomoda muita gente: alguns homens embriagados durante o trajeto, montados nos cavalos, que às vezes assustam. Depois da procissão, costumam desfilar na Avenida monsenhor Clóvis Duarte, para demostrar ostentação e ficam lá até tarde da noite.

Alguns comerciantes de churrasquinho aproveitam para faturar e até paredões são instalados.  Já teve ano que depois do evento ou durante aconteceram casos de agressões e até tiroteios, por conta da injeção exagerada de álcool.

Mas a festa de Santa Maria Madalena é o principal evento turístico religioso/cultural de União dos Palmares e reúne milhares de devotos da santa, bem como pessoas que querem apenas se divertir. 
É nessa época que se dão os encontros fraternos; de amigos e familiares que passam o ano distante. 

Desde criança acompanho esse ritual. Lá em casa era costume a gente receber os parentes que chegavam do Rio de Janeiro e era tudo muito bom de se viver tudo aquilo.

São momentos que estão na memória de quem viveu em União dos Palmares nas décadas de 60; 70; 80 e por aí vai. Um tempo de calmarias, onde a cidade não tinha essa violência estampada nos dias de hoje, onde a gente ia visitar as casas dos amigos e familiares; fazia refeições, se divertia harmoniosamente.

Outro setor que vai festejar o período é o  comércio local, pois  é uma oportunidade de faturar um pouco mais e aquecer as vendas. Lembro que nessa época do ano, as moças não repetiam uma roupa para o evento e nas nove noites de festa se trajavam com peças diferenciadas.

As atrações artísticas para o evento, que acontece na Praça Basiliano Sarmento, o point das atividades culturais de União, onde está localizada a Igreja Matriz de Santa Maria Madalena; a Casa do Poeta Jorge de Lima e próximo ao Museu de Maria Mariá,  ainda não foram anunciadas.

Atualmente a festa cresceu bastante: antigamente estava restrita apenas na praça, mas atualmente se estendeu até a Avenida Monsenhor Clóvis Duarte e o pátio da antiga Estação Ferroviária, mudando toda a estrutura da cidade nessa época, como o deslocamento da principal feira livre e o trânsito.

Este ano eu não poderei ir para a procissão das charolas e nem para mais dias de festa, mas por certo neste domingo estarei presente, embora que discretamente, por conta de motivos superiores, mas estarei daqui, pedindo a proteção da santa. Fiquem com Deus.


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