quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

Sem querer


Olívia de Cássia Cerqueira


E sem querer fui lembrando da minha infância, na saudosa Rua da Ponte. Em quantas histórias a enchente de 2010 levou e destruiu. Já não morava lá há muitos anos, mas a lembrança daquele tempo me povoa a mente.

Nos ambos 1960, para as crianças era uma festa ver o rio enchendo, os meninos pulando da ponte, preocupando ainda mais os adultos.

Tinha uma lagoa por trás da nossa casa, braço do rio Mundaú, que mamãe se baseava com uma vareta, para marcar o nível do rio. Nas primeiras enchentes que mamãe presenciou, ela contava para os filhos que meu avô Manoel, que era muito turrão, não queria sair da casa em que morava. E só saiu amarrado pela cintura para passar na ponte.

Por conta das muitas enchentes que a preocupava, anos depois, e eu já com nove anos, meus pais compraram uma casa na rua Tavares Bastos, que tinha vizinho um grande terreno, ambos pertenciam a Dr, Hamilton Baia, filho de dona Helena, proprietária da fazenda Anhumas.

Era uma propriedade no centro da cidade e longe do perigo que nossa casa na rua da Ponte proporcionava. Mas o comércio do meu pai continuou por lá, só desfazendo-se da mercearia e do armazém, tempos depois.

Mas antes da aposentadoria de papai, meus irmãos tomaram conta por um tempo. As casinhas de aluguel que tinham por lá, também foram vendidas, por necessidade para pagar despesas hospitalares de mamãe, ou para passar para o nome dos filhos, que também venderam, isso já no começo dos anos 80

Foi o mais acertado, porque anos depois, em 2010, a fúria das águas levou tudo e só ficaram lembranças para quem morou ou costumava andar por ali.

Hoje em dia, sempre que vou a União dos Palmares visito o local e dá uma saudade danada de lembrar as famílias na porta das casas, colocando os assuntos em dia, fosse falando da vida alheia, ou não.

As crianças aguardando o moço que vendia algodão doce, ou o do quebra-queixo, o carrinho de pipoca ou outras guloseimas que eram comercializadas por ali. São doces lembranças que o tempo não apaga. Bom dia.

 

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Hipocrisia


Olívia de Cássia Cerqueira

 

Segundo o Wikipédia é:” é o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui, frequentemente exigindo que os outros se comportem dentro de certos parâmetros de conduta moral que a própria pessoa extrapola ou deixa de adotar”

Nos últimos dias, a grande imprensa, direitistas e outros mais, reagiram ferozmente nas redes sociais sobre as declarações do presidente Lula, sobre Israel e o Holocausto é 'ignorante' e 'deve ser condenada': as reações na imprensa.

Estranhamente, esses mesmos setores não reagiram da mesma forma, quando  ‘inominável’  apareceu numa foto, abraçado e sorrindo com a neta de um nazista.

Num primeiro momento, fiquei apreensiva com a declaração do presidente Lula, porque tinha certeza de que a mídia e a direita iam explorar o assunto, “até o último sumago” (expressão que minha mãe costumava usar).

Na verdade, o que o presidente disse, muita gente gostaria de ter dito, mas não teve coragem de dizer. Lembre das beatas que vão a algumas missas, escutam a homilia de algum padre, aplaude-o e depois sai falando do padre e fofocando sobre o que  ele  disse.

Lula não tem que pedir desculpa para essa gente, mas talvez o faça por diplomacia. Em política e em sociedade há muita hipocrisia.

O bispo Bepe Damasco disse no site Brasil 247, que “Em uma das coberturas mais calhordas, da história do jornalismo, só há espaço para porta-vozes der entidades sionistas”.

“Os sionistas religiosos acreditam que a criação de Israel é um cumprimento de profecias bíblicas e veem o estabelecimento do Estado como parte da vontade divina. Eles estão profundamente ligados à observância religiosa e à manutenção de lugares sagrados judaicos na Terra de Israel”.

Para entender o assunto acesse https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/sionismo.htm#:~:text=Sionismo%20religioso%3A%20Os%20sionistas%20religiosos,judaicos%20na%20Terra%20de%20Israel.

Bom dia!

 

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

A sociedade prepara mal o cidadão

 


Olivia de Cássia Cerqueira

 

O século 21 já tem mais de duas décadas, e mesmo assim, apesar de tantos avanços no geral, a sociedade ainda prepara mal o cidadão, isso em vários aspectos.

O mundo enfrenta problemas com drogas, fabricação de bombas nucleares, aumento de assaltos, violência, mundo rico  x mundo pobre, preconceitos de todo o tipo, atraso de pensamentos herdado dos séculos passados, xenofobismo, crises diversas.

Segundo o site da BBC Brasil, “o maior perigo do século 21 é o próprio homem, com tanta desigualdade, fome, sede (de justiça e de água), carência religiosa e tantos outros fatores que fazem com que o homem se torne uma ameaça para si mesmo, com a devastação de áreas verdes, abuso de poder e outros”.

Falta ainda educação. Passamos no Brasil um período de atraso e obscuridade que nos deixou várias consequências, em vários aspectos. Felizmente o atual governo prioriza muita educação e a saúde. 

No retorno da Conferência Nacional de Educação após seis anos. O presidente Lula destaca a importância de investir no segmento e ressalta anúncios recentes, como o programa Pé-de-Meia e a instalação do ITA no Ceará, no dia 3º de janeiro passado.

“As prioridades do nosso governo são duas: a educação e a saúde pública. E, em terceiro lugar, a cultura, porque sem cultura nenhum país vai a lugar nenhum “, afirmou o presidente.

Que Deus o proteja para que cumpra um terço das promessas de campanha, no que se refere aos programas sociais, para que tenhamos uma sociedade mais justa, e um Brasil melhor. E tenho dito. Bom dia.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Dois de fevereiro

 


Olivia de Cássia Cerqueira

 

Hoje é dia do maior evento de turismo religioso da cidade de União dos Palmares: a festa da Padroeira da cidade. Quando eu era adolescente e jovem não perdia um dia de festa, era um acontecimento.

Meu pai, que era devoto da santa, também comparecia ao evento, até o dia que ficou impossibilitado, devido ao agravamento da Ataxia. Tinha promessa com ela, por ter ficado curado de uma tuberculose nos ossos e ter sido desenganado pelos médicos, de Maceió e Recife.

Era o dia mais esperado do evento apesar de que que eram nove noites, de novena e festa que começava com a procissão a bandeira, no dia 23 de janeiro. No entanto, oficialmente, a data é 22 de julho dedicado a orações para os devotos e pedidos para que ela interceda na vida de todos nós.

Antigamente, na Terra de Jorge de Lima e de Zumbi, os festejos dedicados à santa eram realizados em julho,  mas o evento foi transferido para janeiro\fevereiro por conta do período chuvoso no município.

Os festejos, para os católicos, iniciam com a procissão do mastro, no segundo domingo de janeiro, que reúne mais de 20 mil pessoas, numa demonstração de fé e homenagem a nossa padroeira.

No local da concentração, na Rua Juvenal Mendonça, muita gente se aglomera e aproveita para se confraternizar e rever os amigos que moram fora da cidade.

Ciclistas, cavaleiros e amazonas, motos, carroças, pessoas a pé acompanham a procissão. Fé e religiosidade, um sentimento em cada rosto que com a sua obrigação de religioso, paga penitências e promessas. Pessoas aproveitam para registrar a procissão, com celulares, máquinas e filmadoras.

Era tempo dos encontros, dos telegramas, das paqueras. Isso na década de 1970. O evento foi se modernizando, ao longo anos. E Hoje em dia, tudo mudou, para pior, cuja programação, acontece na  beira do rio Mundaú, na Rua do Jatobá, desagradando muita gente.

QUEM FOI

 

segundo relatos dos especialistas na biografia de Madalena, era uma mulher que tinha uma visão à frente do seu tempo. Durante séculos a igreja ocultou a importância desta mulher, chamando-a de prostituta e ainda hoje tem machistas, misóginos que assim o faz.

Conta a história que Santa Maria Madalena foi primeira testemunha da Ressurreição de Jesus.  Chamada de apóstola dos apóstolos, nomeada por São Tomás de Aquino, “o nome deriva de Magdala, onde nasceu, na aldeia de pescadores situada às margens ocidentais do Lago de Tiberíades”

Viva Matia Madalena. Que ela  proteja a todos nós e interceda junto ao Pai, pela nossa saúde.

 

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Já é carnaval



 Olívia de Cássia Cerqueira

 

Já é carnaval de novo, ou quase. O Carnaval de 2024 iniciará oficialmente no dia 13 de fevereiro, terça-feira.  Agora me restam as lembranças da juventude, que nessa época de folia, me vêm à memória.

Dos pulos que eu dava na Palmarina, ou na Praça Basiliano Sarmento, nas décadas de 1970 e 1980, em União dos Palmares. E dançava e pulava feito cabrito e só parava nos intervalos do baile.

Vale lembrar das paqueras, nas farras que fazia com os amigos, pelas ruas da cidade. Algumas atitudes minhas, se pudesse voltar no tempo, hoje não faria mais, me serviram de lição.

Os erros e acertos da juventude, agora fazem parte do passado, só vale lembrar o que foi bom, se é que alguma coisa valeu a pena. Tenho que pensar afirmativamente agora, pois já não posso estar nas festas e hoje acompanho o que posso, pela TV.

 Lembro que minha mãe, que apesar dos preconceitos e preocupação com a minha integridade física, que eu não entendia os motivos, me dizia: “ felizes são os artistas, que vivem sorrindo”.

Eu não tinha controle da minha rotina diária, era muito ingênua e sonhadora e apesar das leituras que fazia, acreditava nas pessoas, me rendia a qualquer situação que me fizesse acreditar que eu valia a pena e no outro dia me envergonhava.

“Mudanças físicas e psíquicas perpassam a construção da sexualidade na adolescência. Compreensão e diálogo são fundamentais durante esse processo”, mas não existiam naquele tempo, entre meus familiares. 

Era um tempo de muita desinformação. Era como se eu tivesse cometido algum pecado, pois tudo era proibido, apesar de só ter acontecido entre mim e aqueles paqueras, beijos e "amassos" e não tinha sexo naquelas brincadeiras de adolescente, pelo menos comigo, não que eu fosse melhor do que as outras meninas.

... Mas mudando um pouco de assunto, ou de "pau pra cacete", como de diz no popular,  o calor está me sufocando, não me faz bem. Mas o dia está ensolarado e lindo lá fora, dá vontade de ver o mar.

 Se eu pudesse ir sozinha, fazia como antes: vestia roupas apropriadas, pegava minha bolsa e iria pegar a van no posto de gasolina, perto de casa, rumo à praia do Francês, como fazia antes, quando ainda tinha mais firmeza nas pernas e o corpo obedecia. Era tão maravilhoso!

A cabeça dói, a ansiedade vem, é hora de dar uma pausa, ler um pouco e fazer Cruzadas, como tenho feito. Até outro dia. Boa Folia. Bom carnaval para todos!

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Festa de Santa Maria Madalena movimenta União dos Palmares

Olívia de Cássia Cerqueira

 Mais um ano que não compareço à procissão do mastro da festa de Santa Maria Madalena, em União dos Palmares, minha terra, que este ano completa 189 anos oficialmente, mas há quem diga que é muito mais antiga.

Um evento que faz parte do turismo religioso do local, faz parar a cidade, para assistir ou acompanhar o evento. Este ano, o pé de eucalipto doado por um fazendeiro da cidade possui 20 metros e foi erguido em frente à Igreja Matriz.

O momento do erguimento do mastro é uma emoção à parte. E eu ficava com frio na barriga, porque segundo a lenda na cidade, se o mastro cair o ano não será próspero. Lendas a parte, a festa não teve a divulgação merecida.

Uma pauta que avalio como importante para os moradores locais. Seria as mudanças que os padres e a Comissão   Organizadora efetuaram na festa, segundo informações de moradores do local.


Me perdoem quem aprovou a transferência das atrações musicais principais para a Rua do Jatobá. NJa praça, apenas o estilo Gospel.

É certo que a parte acústica ficava a desejar, devido o volume muito alto e a colocação do excesso de mesas na praça Basiliano Sarmento, dificultando os transeuntes que costumavam se confraternizar com os amigos, visitantes de outros estados, ou não.

Todo ano, antes das dificuldades de locomoção se acentuarem, eu estava lá, registrando o evento. Rever os amigos da infância ou outros era uma felicidade.

Além da demonstração da fé, muitos empregos são criados nessa época, movimentando a economia local. A festa cresceu, se  agigantou e os brinquedos, que antes ficavam armados ao lado da igreja matriz foram colocados, com o passar dos anos,  na Avenida Monsenhor Clóvis e no pátio da antiga Estação Ferroviária.

A atual logística do evento lembra um pouco de como era na nossa lembrança da infância distante, mas está muito longe de ser como era. Eram nove noites de muita movimentação.

A festa de Santa Maria Madalena não tem mais aquele romantismo de antes, o correio sentimental (os telegramas), que eram atração no evento e eram lidos por seu Maurino Veras e equipe.

Tenho saudade daquele tempo de ingenuidade e alegria, quando a gente se confraternizava com os amigos, sem violência. Também as músicas que eram tocadas na festa vinham do serviço de alto falantes Palmares, igualmente de Maurino Veras, pai da minha amiga de infância Rosemary Veras.

As mesas da festa não eram tantas e não tinha esse viés comercial dos últimos anos, antes da pandemiaa, quando se colocava na praça quase 500 unidades.

Outras cidades do interior de Alagoas também celebram suas padroeiras nessa época do ano, mas festejar Santa Maria Madalena é lembrar do seu poder perante os católicos e aqueles que têm fé.

É lembrar da nossa infância, adolescência e juventude, quando vivíamos nossos melhores momentos. Que Santa Maria Madalena proteja todos palmarinos de todo o mal. Viva Santa Maria Madalena.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Os equívocos


Olívia de Cássia Cerqueira

Sim, como todo ser humano, já cometi alguns equívocos. Quando julguei inapropriadamente o meu próximo, quando me comportei mal, fui grosseira com a minha mãe e na juventude , como todo adolescente da época, ou quase todos, eu só queria contrariar.

Tive educação pequeno-burguesa, com contradições cotidianas. Muitas situações só fui ter noção quando entrei na faculdade e o contato que tive com o diferente, com ensinamentos, até então, sem explicação para mim.

Mesmo sonhando com um mundo melhor para todos, desde muito cedo, na independência das mulheres, seu empoderamento e outras causas sociais, diferente do que pensava a maioria dos amigos do interior.

Minha mãe não tinha instrução escolar, ou tinha o mínimo do que era possível na roça dos anos 30. Apesar disso, ela era sábia e tinha noção da importância da família para uma educação pautada no empoderamento das meninas.

Ela defendia que eu estudasse e viajasse, mas não queria que eu me envolvesse com os meninos. E quando percebia meu interesse por algum deles, ia até a casa de alguns e pedia que se afastassem da filha.

Coisas de mamãe que eu não entendia e me revoltava. Tenham um bom dia, com vivências valorosas. Feliz Ano-novo!

Experiência de quase morte

 Por Olívia de Cassia Cerqueira A experiência de quase morte para os transplantados, rendeu uma página da editoria de Cidades, especial para...