terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Eu te quero assim...

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Eu te quero assim, muito e profundamente,
Com todo o apelo do meu corpo, nessa hora,
Com todo o querer da minha imaginação...
Meus olhos te procuram...
Incansavelmente, Inutilmente,
Já não estás mais aqui...
Eu te quero nessa hora, de apego,
De ilusão, de desejo... Pura alucinação...
Onde foi que te encontrei?
Quando foi que te perdi?
Pura imaginação, coração,
Desejos e quereres meus...
Eu te quero assim...

Vida

Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Nesse instante de encontros
E despedidas da alegria,
Vamos pensando e querendo
Um novo reencontro de paz,
Para poder sonhar e querer mais
E sonhar e viver e querer...
Vida....

Terça-feira de Carnaval!

Olívia de Cassia - jornalista

Terça-feira de Carnaval e, na falta do que fazer referente aos festejos de Momo, além da internet aproveito para colocar a minha leitura em dia. A biografia do roqueiro Lobão é interessante, gosto de ler biografias, ainda mais sendo de uma pessoa irreverente assim.

No livro o compositor-cantor-roqueiro se desnuda e mostra como conheceu os artistas contemporâneos, inclusive Caetano, Cazuza e Chico e seus entreveros com Herbert Viana, da banda Paralamas do Sucesso. As biografias me atraem e me chamam atenção.

Mas deixando a interessante história de Lobão de lado, cá estou eu, em plena terça-feira de Carnaval, em casa, em Maceió, sem nada que me lembre de que hoje é o último dia dos festejos de Momo, a não ser o som da televisão anunciando as notas das escolas de samba do Carnaval de São Paulo.

Para completar meu complicado enredo, minha televisão está pifada desde outubro, sem imagem, apenas o som me tira do silêncio total. Coisas da minha vida atribulada e da minha crise financeira sem precedentes. Mas não posso reclamar da vida, faz parte da trama.

Nesse meu retiro forçado só resta a lembrança dos bons carnavais vividos, desde a infância, na minha querida União dos Palmares  e das experiências adquiridas com o tudo vivido. A gente nem podia imaginar que um dia eu ia ficar sem brincar Carnaval algum ano.

Eu era figurinha carimbada nos carnavais da Palmarina, ou nas brincadeiras durante o dia, as que antecediam nossos bailes de matinês e noturnos.

O tempo vai passando e a gente vai amadurecendo e aprendendo a viver com as adversidades e impedimentos que a vida nos traz. Em outros tempos infantes eu estaria esperneando e explodindo de raiva do mundo e mal dizendo da minha sorte.

Hoje em dia, graças a Deus e para o bem da minha saúde psicológica, já adotei uma postura amadurecida e diferente a respeito de tudo isso. Não vai mudar minha condição de vida se eu esbravejar contra o mundo pela minha falta de estrutura; pelo contrário, isso só faria mal ao meu espírito.

Quando a gente não tinha o que fazer no Carnaval, em União dos Palmares, saía batendo lata, cantando em grupo e nos divertindo com nossa falta do quê fazer, ou pegávamos carona e rumávamos para a vizinha São José da Laje, muitas vezes sem avisar em casa e quando chegávamos a confusão estava feita.

Éramos os jovens  ‘livres’  de amarras,  ou pelo menos queríamos ser. Não aceitávamos aquelas imposições que o sistema (nossos pais e os moradores da cidade) apresentava e quanto mais falavam de nós, aí era que queríamos nos rebelar e fazer traquinagens para dar mais motivos para falações.

Muitas vezes era só falácia nossa, para dar o que falar mesmo. Era um mundo nosso que a gente percebia que causava inquietação na sociedade local. Aquele nosso jeito irreverente e estabanado de ser, sempre fazendo as nossas ‘artes’ preferidas, sem nos importar com o que diziam de nós incomodava a muita gente.

Eu sinto muito a falta de tudo aquilo, da nossa juventude inquieta, da nossa solidariedade, da nossa união e da nossa intranquilidade e irreverência diante do mundo. Ai de quem ousasse nos contrariar, que aí sim, resolvíamos enfrentar aquilo tudo.

Eu costumo e posso dizer que fui uma adolescente rebelde, ‘revolucionária’ para minha época e desafiei os costumes. Era muito para a cabeça da minha saudosa mãezinha, que não entendia aquela menina esquisita que o povo falava tão mal.

Mas hoje é terça-feira de Carnaval, as lembranças são fortes  e os festejos de Momo se despedem, mais uma vez. Quem sabe ano que vem seja de mais cultura, mais atividades e mais vida. Espero ainda estar por aqui para viver muito mais. Boa tarde!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Domingo de Carnaval...



Olívia de Cássia – jornalista

É domingo de Carnaval e vou à minha União dos Palmares, para ficar mais perto das boas lembranças dos antigos carnavais. Coloco um colar de havaiana para dar mais um clima e lembrar a festa e pronto. Às vezes é preciso fazer de conta para deixar a vida mais suave. 

No sábado ficamos na porta saboreando uma geladinha e ouvindo músicas da época ao som de Alceu Valença, que é tudo de bom. Sempre nessas ocasiões fico a recordar a juventude e o muito que aproveitamos da vida. 

Vivi muitos bons carnavais em União dos Palmares, era tudo especial para nós, ou quando íamos a São José da Laje brincar. Tinha muito banho de chuveiro na rua e mela mela e frevo rasgado. 

Eu não gostava muito da sujeira que faziam na gente, mas caía na folia, afinal era Carnaval e ‘valia’ o sacrifício. Meu cabelo longo ficava todo empapado de uma mistura de farelo, ovo e mel. 

Era difícil tirar aquilo, além do fedor intenso de ovo que ficava, mas era tudo muito bom e sadio. Até os beijinhos no rosto e amasso roubados por acaso. Tudo muito rápido e sem muita malícia. ‘Recordar é viver’.

Tempo de a gente dançar e pular frevo nos bailes da Palmarina. Aquele grupo de meninas inocentes que ia arriscar uma paquera, se divertirem e brincar muito, aproveitamos a vida e fomos muito felizes, tanto que temos muito para contar. 

Era nos carnavais de União que sempre aparecia algum mocinho interessante na cidade, para as meninas paquerarem e sonhar com eles , de maneira fraterna e ingênua.

Fazíamos muitas festas e quando passei no vestibular de Comunicação Social fui comemorar o dia todo; fiquei de pilequinho. 

À noite tinha grito de Carnaval, era uma prévia na Palmarina. Dormi um pouco durante o dia e à noite já estava pronta para brincar de novo e lá estava eu, comemorando o sonho realizado. 

Foi o dia mais feliz da minha vida a realização de um sonho. 
Mas a vida continua e novos encantamentos vão surgindo e outros quereres vão chegando.

É Carnaval novamente e hoje estou saudosa e enquanto a van ia me conduzindo à terrinha querida eu ia viajando em pensamentos. Boa noite!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Bom Carnaval!

Olívia de Cássia – jornalista

É véspera de Carnaval e Maceió vai se esvaziando, para se transformar na capital do silêncio, em pleno período de frevo. É muito estranho isso. As pessoas vão deixando para traz a sua cultura, as tradições e a cada dia os jovens vão conhecendo menos, se ‘emburrecendo’, ouvindo aquelas músicas que escutam o ano todo.

As marchinhas de Carnaval,os sambas-enredos, os frevos e outras manifestações da cultura vão se restringindo a outros estados, menos o nosso. Quinta-feira, um grupo de ativistas culturais, acompanhados da vereadora Heloísa Helena, se reuniu para discutir o Carnaval de Maceió e o seu resgate. Tomara que consigam.

Estou desanimada hoje, em plena sexta-feira em que muitos lugares já há muito frevo no pé. Penso nas minhas responsabilidades, no meu endividamento financeiro, na bagunça financeira  que é a minha vida.

Preciso me estruturar, olho à minha volta, nos quatro cantos e procuro uma solução para tudo isso. “Deixa as águas rolar”, aconselha a marchinha de Carnaval que toca na escolinha ‘O Pequeno Príncipe’, em Jaraguá, em sua matinê para as crianças.

O ônibus vai passando bem em frente ao local e de repente lá vou eu me reportando à minha infância carnavalesca, em que tenho a minha tia Ozória, de saudosa memória, como principal protagonista desse enredo.

Nessas horas ela é muito presente em minha vida. Foi a responsável no gosto que tenho pelo Carnaval. Ela adorava costurar fantasias e organizava até bloco só de meninas para brincar nas matinês da Palmarina.

Esse meu lado festivo e festeiro eu herdei dela, que quando tinha saúde e sempre que podia não perdia um evento, em União dos Palmares, fosse a festa da padroeira, Carnaval ou  outra qualquer.

Minha tia era minha segunda mãe e era a quem eu fazia as minhas confidências; aquelas confissões que eu não tinha coragem de conversar com mamãe. Num dos carnavais em União, tia Ozória fez uma fantasia de índio muito bonitinha para mim e Rita, tudo igual.

Ela costumava nos vestir a rigor e era comum as pessoas nos encontrarem nas ruas palmarinas vestidas feito 'par de jarro', pois costurava roupas do mesmo modelo e do mesmo pano para nós duas. Parecíamos irmãs gêmeas eu e Rita.

Mas voltando à nossa  festa querida de Momo, eu não poderia deixar de relembrar do nosso carnavalesco número 1: Antônio Matias. De Toinho eu já falei várias vezes em meus escritos e é sempre bom lembrar a sua animação e alegria.

União dos Palmares deveria erguer um busto do nosso amigo, em homenagem a sua alegria contagiante que até hoje anima a todos nós palmarinos. É impressionante o seu vigor. Bom Carnaval!

Carnaval é coisa séria

Carlito Lima - secretário de Cultura de Marechal Deodoro


MACEIÓ - Acabou-se a maior manifestação cultural de nosso povo. Acabou-se o direito à alegria, o direito à fantasia, o direito aos dias de folia que se chama carnaval.

Alegando que turistas ocupam os hotéis por não ter carnaval, simplesmente extinguiram o carnaval em Maceió.  Inventaram esse argumento esdrúxulo, equivocado, uma violência contra a população, contrariando o “Estatuto dos Direitos Fundamentais do Homem” em seu art. VII: “Fica estabelecido que a alegria seja uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.” Em Maceió cassaram o Rei Momo. Roubaram a alma do povo.

Durante o último carnaval fiz uma pesquisa aleatória perguntando a um e outro turista se tinha vindo a Maceió pelo fato de não haver carnaval na cidade. Todos responderam, vieram pelas lindas praias, gostariam até de olhar algum movimento do carnaval. O turista vem à Maceió pela beleza da cidade tenha ou não carnaval. A cidade deserta, os restaurantes vazios, os ambulantes não venderam sequer para pagar o gelo.

O carnaval em Maceió começava 15 dias antes com a Maratona Carnavalesca todas as noites na Rua do Comércio, orquestras de frevo em cada esquina, o corso com carros abertos, a moçada caía no passo. 

Domingo antes do carnaval, o banho de mar à fantasia animado com blocos de frevo, fantasias, troças e críticas. No sábado de Zé Pereira o belo desfile das Escolas de Samba. Todas as noites no Comercio o frevo alegrava os corações dos foliões, as festas nos clubes só terminavam com um mergulho no mar ao som do Vassourinhas e o sol raiando.

Na verdade, os coveiros do carnaval de Maceió estão se lixando para o povo. A elite egoísta pensa que Maceió é a Ponta Verde. Eles brincam o carnaval em suas mansões na Barra de São Miguel, no Recife, Salvador ou Rio. É de fazer chorar ver nossa bela cidade abandonada pela população, deserta durante o carnaval, sem blocos de frevos nas ruas, sem batidas de bombo, ninguém passa mais sorrindo e cantando cantigas de amor.

Fiz parte de uma reunião do grupo, “Maceió que nós queremos”, tratando do carnaval como coisa séria, cultura popular. Entre os participantes liderados pelo sociólogo Edson Bezerra estavam mais de 20 artistas, intelectuais, políticos, como Heloísa Helena, Ticianeli. Reunião proveitosa o grupo pode contribuir muito para que o prefeito Rui Palmeira inicie um bom e necessário projeto de carnaval em Maceió a partir de 2014.

MARECHAL DEODORO

Na primeira capital das Alagoas, Marechal Deodoro, o carnaval foi aberto dia 26 de janeiro pelo Bloco Ninho do Pinto. Com um desfile preliminar sobre as águas da Lagoa Manguaba o Ninho chegou majestosamente em uma comitiva náutica. Ao desembarcar no Sítio Histórico, o prefeito Cristiano Matheus entregou a chave da cidade ao Rei Momo. 

Iniciou um belo desfile pelas ruas estreitas, bucólicas, enladeirada da cidade quatro centenária. Três orquestras de frevo da cidade animaram o desfile retornando para o Cais da Lancha onde a Banda Spock deu um show. Foram oito horas de animação, de muito frevo, não houve uma briga.

Durante o carnaval estão previstas para todas as tardes várias bandas em um palco armado no “Largo do Bem Amado” (aonde foi rodado o filme O Bem Amado) até o final da noite. 40 Blocos de Ruas sairão durante os cinco dias em diversos bairros e povoado do município.

Os turistas brincam, adoram os blocos. Sem esquecer o Bloco dos Garçons a partir das 17 horas na quarta-feira de cinzas saindo da praia do Francês. Carnaval é coisa séria.

É festa, é alegria, é Carnaval...

Olívia de Cássia – jornalista

Sempre fui muito festeira e desde criança costumava ir para o Carnaval, em  União dos Palmares, levada pela minha tia Ozória Paes de Freitas. A cidade nessa época ficava toda decorada com motivos dos festejos de Momo e a Palmarina era decorada com muitas cores e esmero.

Na rua os carros enfeitados, jipes desfilavam com a gente brincando, jogando amido de milho, água nas bisnagas. Os bobos mascarados caminhavam desde as primeiras horas da manhã naquela época. Quem disse que em União não tinha Carnaval?

O Carnaval é uma grande marca da cultura brasileira e é preciso fazer um resgate disso nas escolas.  É uma das que festas que eu mais gosto, é uma explosão de alegria e como a própria tradição já diz, é festa para a gente se despojar de tudo, não esquecendo de aproveitar cada minuto, com responsabilidade.

Mas os encantos da festa de Momo foram minguando, principalmente em nosso Estado, diferente de como era antigamente; é preservado em outros estados como Pernambuco, a quem eu rendo todas as reverências.

Até o bloco Pinto da Madrugada, que foi criado para preservar a tradição, em Maceió,  teve dificuldade para sair nas prévias deste ano.  Estamos precisando em Alagoas de grupos ligados à cultura e gestores que se interessem pelo resgate da fantasia, da alegria, das cores, da tradição.

A grande festa do povo este ano no Estado será mais diferente ainda em alguns municípios, que tiveram a festa cancelada por conta da crise que se abateu nas prefeituras, a exemplo de União dos Palmares. É preciso voltar os antigos bailes noturnos e matinés, como se fazia antigamente.

No Rio de Janeiro, já tem um tempinho que os bailes de Carnaval estão voltando e muita gente não dormia, assim como o faz com as escolas de samba,  hoje, só para ver na televisão aqueles desfiles pomposos das fantasias criadas pelos carnavalescos famosos como Clóvis Bornai.

O Carnaval do Rio de Janeiro não é só de escolas de samba e já teve muito glamour antes que as escolas dominassem a Marquês de Sapucaí, mas tem muito bloco pelas ruas também.

Em Pernambuco, com destaque para Recife e Olinda, a tradição fala mais alto: frevo no pé, maracatus, cirandas e outras manifestações folclóricas. Dá até um arrepio quando vejo tudo aquilo.É lindo de se assistir. 

Em Maceió inventaram  que a cidade não tinha tradição de Carnaval e a capital alagoana foi vendida para o turismo como local de  repouso. A maioria passou a migrar para os balneários como Barra de São Miguel: uma pena.  

É preciso fazer um resgate histórico também em União dos Palmares e fica aqui a minha sugestão para o próximo ano, para Ladorvane, Silvio Sarmento, Secretaria de Cultura, prefeito, Secretaria de Turismo  e outras pessoas abnegadas que queiram e podem contribuir para que a gente reviva os bons carnavais da nossa Associação Atlética Palmarina, embora que fisicamente no momento isso não seja mais possível.

Que todos brinquem um Carnaval com alegria, fantasia, esperança e responsabilidade. Muito frevo no pé, álcool com moderação e não se esqueçam da prevenção se forem arriscar uma paquera.  E viva o Zé Pereira!

Experiência de quase morte

 Por Olívia de Cassia Cerqueira A experiência de quase morte para os transplantados, rendeu uma página da editoria de Cidades, especial para...