quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

A insônia me pegou

Por Olívia de Cássia

Da mesma forma que agora deito-me logo cedo, a insônia me pegou. Inquieto-me. Os pensamentos voam longe. Vou para a cama na esperança que o sono chegue, mas tudo em vão.

Juca, meu filhote caçula de quatro patas requer atenção da ‘mamãe’. Desligo a TV à hora de novelas chatas, que não me dizem nada e só ligo num programa musical. Única coisa na semana que vale a pena assistir, para quem não tem TV a cabo.

O noticiário não vale mais a pena ver. Não traz notícias novas e nem interessantes e só repete a cantilena enfadonha de corrução na política brasileira. Não dá para confiar na tendenciosidade do que se relata na mídia. Estamos pobres de jornalismo.

Ouço Nirvana na voz de uma das concorrentes e me arrepio. Não há nada melhor do que uma boa música, interpretada por uma voz bonita. O que não dá para engolir são os comentários de certa técnica do programa, mas continuo assistindo.

Juca dorme aos meus pés na cama e Malu no chão; parece molinha com a idade. Os gatos ficam sempre por perto, de vigília, na escada, perto do quarto. Sinto-me confortada pelo amor que me dedicam. Sigo minha história pensando inquietamente e ansiosa. Já tomei um remedinho, mas não fez efeito ainda.

Preciso relaxar, pois amanhã tenho confraternização importante para ir, rever colegas de trabalho, agradecer e abraçar a todos pela lembrança de me convidarem apesar do meu afastamento e pelo carinho.

No Natal, depois de mais de 30 anos, não passarei aqui em Maceió: irei virar a noite em União, com meu irmão e sua família. Será um encontro carinhoso e afetivo, mas no ano novo estarei aqui, vendo os fogos na praia.

Maceió é o lugar que escolhi para viver, apesar de amar minha terra natal. A cidade está cheia de turistas e a parte privilegiada da orla está toda iluminada lindamente. A cidade do sol o ano inteiro está fazendo a alegria dos hoteleiros que estão com seus estabelecimentos lotados, com alta taxa de ocupação.

Juca e Malu despertam e os gatos estão atentos para qualquer movimento estranho na rua. Não consigo gostar de alguns gêneros musicais de agora, que a nova safra de músicos apresenta. As músicas não têm conteúdo e falam de futilidades; avalio que refletem muito a conjuntura social da atual sociedade brasileira e tudo isso que estamos vivendo.

Estou fazendo esta incursão e digressão pessoal de pensamentos, para não voltar no momento ao tema árido da política brasileira, cada dia mais pobre de debates construtivos e de credibilidade. Boa noite; vou tentar dormir.
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