Olívia de Cássia Cerqueira
Eu tinha muitos conflitos internos na adolescência e juventude. Felizmente me encontrei; a maturidade me trouxe segurança e entendimento sobre situações que eu não entendia e que me causou tanto sofrimento e rejeição de mim mesmo.
Foi preciso sofrimentos internos, apanhar muito da vida e chegar à conclusão que aqueles eram padrões sociais impostos por uma sociedade hipócrita e que não temos a obrigação de ser iguais aos outros. Cada um é cada um e não uma cópia perfeita vinda de fábrica.
Felizmente consegui acessar minhas reais “configurações”, realizei uma ‘restauração interna” para usar uma linguagem tecnológica. Meus pais não entendiam, principalmente minha mãe, aquela menina-moça um tanto quanto infantil, mas inquieta e rebelde. Ela queria mudar o mundo.
Queria e ainda quero viver numa sociedade menos desigual, uma sociedade sem preconceitos e sou acusada ainda de ser sonhadora e utópica; mas como dizia Lenon, felizmente não sou a única pessoa que pensa dessa forma.
Isso não quer dizer que eu seja perfeita e que não tenha tido, em alguns momentos, comportamento feio, preconceituoso, ou agido sem gentileza com algumas pessoas. Aprendi a ser mais vigilante e a obter conhecimentos, por meio de minhas leituras, para atingir esse entendimento que tenho hoje.
No mundo, a desigualdade social é sistêmica e um problema urgente. As diferenças econômicas e de tratamento na sociedade são absurdas, apesar de estarmos no século XXI.
Por aqui a exclusão social é latente, embora tenha diminuído nos governos Lula e Dilma, mas que com esse governo, a exclusão só tem aumentado. Mas esse é um tema para se discutir ao longo dos dias.
A sociedade enxerga e trata as classes menos favorecidas, social e economicamente, ainda, de forma diferenciada. Segundo Carla Mereles, do Politize-se, “a desigualdade social é um tema presente desde a escola, quando se estuda as diferenças econômicas e de tratamento na sociedade, até a faculdade, onde se aprofundam os conhecimentos sobre a área”.
Para Mereles, essa forma de desigualdade prejudica e limita o status social de pessoas por determinados motivos, além de seu acesso a direitos básicos, como educação e saúde de qualidade, trabalho, moradia, boas condições de transporte e locomoção, entre outros.
E eu vou seguindo, diariamente com minhas lutas internas e externas, enquanto me é permitido lutar. Que continuemos a perseguir um mundo melhor e mais justo, que me seja permitido, ainda, lutar pelos meus ideais e dias mais suaves. Bom dia.
terça-feira, 27 de agosto de 2019
domingo, 25 de agosto de 2019
Desabafo
Olívia de Cássia Cerqueira
É domingo. Acordo com os miados dos gatos em frente à porta do quarto e com o chamamento do meu Juca. São seis horas da manhã e eles me fazem entender que está na hora de levantar. Meus filhotes não deixam que eu fique mais do que isso na cama.
Ligo a TV para escutar a missa e vou cuidar do café. Cumpro minha rotina matinal de higiene café e banho e meu casal de Pilcher fica já no aguardo do passeio matinal. Antes vou ao meu jardim ou minha pracinha, como chamo, e vou olhar se minhas plantinhas estão em ordem.
Agradeço a Deus por essa riqueza. Não preciso de muito para ser feliz, apenas de qualidade de vida para viver melhor e com um pouco de resistência para conviver com a Ataxia. Entristeço-me com as notícias que vejo na internet, ao ligar meu notebook ou dar uma olhada no celular.
Ponho-me a pensar que o país poderia estar bem, não fosse o golpe da direita, desde 2014, culminando com o afastamento da ex-presidente Dilma Roussef e a prisão do melhor presidente que o país já teve, Luiz Inácio, nosso Lula da Silva, o homem que deu aos menos favorecidos melhor qualidade de vida e por isso fizeram de um tudo para prendê-lo e transformá-lo em um preso político, há mais de 500 dias.
O personagem eleito para comandar o país não tem condições para ser nem vereador no menor município do país: só fala palavrão, desinformado sobre gestão, bronco, sem caráter. Um ser vil, com uma equipe fraca. Não tem um ministro em sua equipe que me agrade ou que tome alguma decisão que seja em benefício do coletivo.
Governa apenas para empresários ricos e avarentos, que só pensam em ter lucro, acentuando a crise no país. Todos os programas sociais encampados pelos governos do PT foram mexidos ou estão sendo deturpados.
Cortes na educação fundamental e universidades; cortes na saúde, privatizações de setores essenciais e toda uma gama de perversidade estão sendo cometidas por esse desgoverno e o que me causa espécie é a cegueira e entorpecimento, parvonice, burrice e cegueira intelectual de quem votou na criatura e nos ofende desrespeitosamente nas red3s sociais.
Esse desabafo eu faço num momento em que as queimadas na Amazônia se tornaram o assunto mais comentado das redes sociais e ambientalistas, incluído aqueles que votaram em Bolsonaro, observam perplexos e envergonhados, mas que não admitem o erro que cometeram, apenas para justificar o ódio ao PT e a nós que pensamos diferente deles.
Depois da minha aposentadoria, fiquei preguiçosa para escrever meus artigos, mas quero voltar, porque não posso calar, mesmo que as limitações trazidas pela Doença de Machado Joseph me tornem uma pessoa mais lenta nas minhas ações.
Observo amigos da infância se desentendendo e xingando os petistas, democratas, mulheres, comunistas e todos aqueles que pensam diferente deles. Gente que eu aprendi a admirar na infância e que me surpreende com seu ódio e preconceito. Quando é publicado na imprensa alternativa as denúncias contra os golpistas que tomaram o poder, afirmam que são fake news, mas a estratégia dos marqueteiros do coiso para ganharem a eleição, fraudulentamente, são tidas como verdades., Inversão de valores?
E me entristeço e dá uma vontade de me preocupar apenas com minhas plantas, leituras e filhotes, mas não consigo ficar de fora dessa discussão política, não tenho sangue de barata e herdei do meu pai o interesses por esses assuntos. Que tenham todos um bom domingo. Estou de volta.
É domingo. Acordo com os miados dos gatos em frente à porta do quarto e com o chamamento do meu Juca. São seis horas da manhã e eles me fazem entender que está na hora de levantar. Meus filhotes não deixam que eu fique mais do que isso na cama.
Ligo a TV para escutar a missa e vou cuidar do café. Cumpro minha rotina matinal de higiene café e banho e meu casal de Pilcher fica já no aguardo do passeio matinal. Antes vou ao meu jardim ou minha pracinha, como chamo, e vou olhar se minhas plantinhas estão em ordem.
Agradeço a Deus por essa riqueza. Não preciso de muito para ser feliz, apenas de qualidade de vida para viver melhor e com um pouco de resistência para conviver com a Ataxia. Entristeço-me com as notícias que vejo na internet, ao ligar meu notebook ou dar uma olhada no celular.
Ponho-me a pensar que o país poderia estar bem, não fosse o golpe da direita, desde 2014, culminando com o afastamento da ex-presidente Dilma Roussef e a prisão do melhor presidente que o país já teve, Luiz Inácio, nosso Lula da Silva, o homem que deu aos menos favorecidos melhor qualidade de vida e por isso fizeram de um tudo para prendê-lo e transformá-lo em um preso político, há mais de 500 dias.
O personagem eleito para comandar o país não tem condições para ser nem vereador no menor município do país: só fala palavrão, desinformado sobre gestão, bronco, sem caráter. Um ser vil, com uma equipe fraca. Não tem um ministro em sua equipe que me agrade ou que tome alguma decisão que seja em benefício do coletivo.
Governa apenas para empresários ricos e avarentos, que só pensam em ter lucro, acentuando a crise no país. Todos os programas sociais encampados pelos governos do PT foram mexidos ou estão sendo deturpados.
Cortes na educação fundamental e universidades; cortes na saúde, privatizações de setores essenciais e toda uma gama de perversidade estão sendo cometidas por esse desgoverno e o que me causa espécie é a cegueira e entorpecimento, parvonice, burrice e cegueira intelectual de quem votou na criatura e nos ofende desrespeitosamente nas red3s sociais.
Esse desabafo eu faço num momento em que as queimadas na Amazônia se tornaram o assunto mais comentado das redes sociais e ambientalistas, incluído aqueles que votaram em Bolsonaro, observam perplexos e envergonhados, mas que não admitem o erro que cometeram, apenas para justificar o ódio ao PT e a nós que pensamos diferente deles.
Depois da minha aposentadoria, fiquei preguiçosa para escrever meus artigos, mas quero voltar, porque não posso calar, mesmo que as limitações trazidas pela Doença de Machado Joseph me tornem uma pessoa mais lenta nas minhas ações.
Observo amigos da infância se desentendendo e xingando os petistas, democratas, mulheres, comunistas e todos aqueles que pensam diferente deles. Gente que eu aprendi a admirar na infância e que me surpreende com seu ódio e preconceito. Quando é publicado na imprensa alternativa as denúncias contra os golpistas que tomaram o poder, afirmam que são fake news, mas a estratégia dos marqueteiros do coiso para ganharem a eleição, fraudulentamente, são tidas como verdades., Inversão de valores?
E me entristeço e dá uma vontade de me preocupar apenas com minhas plantas, leituras e filhotes, mas não consigo ficar de fora dessa discussão política, não tenho sangue de barata e herdei do meu pai o interesses por esses assuntos. Que tenham todos um bom domingo. Estou de volta.
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
Gaspari diz que agressão de Bolsonaro aos argentinos foi assombrosa
247 – O jornalista Elio Gaspari ficou indignado com a agressão de Jair Bolsonaro ao povo argentino, dois dias atrás. "A declaração de Jair Bolsonaro de que a derrota de Mauricio Macri na prévia eleitoral argentina pode significar uma vitória da 'esquerdalha de Dilma Rousseff, Hugo Chávez e Fidel Castro foi coisa inédita, assombrosa. Ele pode achar o que quiser, mas não tem mandato para meter o Brasil numa disputa eleitoral argentina", afirmou.
"Falando de questões internas, pode se intitular 'Capitão Motosserra' ou expor sua teoria da relação do meio ambiente com o cocô. Bolsonaro é assim e, sem dúvida, prefere ver os brasileiros discutindo cocô, em vez do cheiro de uma recessão na economia", escreveu ainda o colunista, que lamentou o fato de o País não ter um chanceler, uma vez que Ernesto Araújo é pau mandado do clã Bolsonaro e não tem qualquer autonomia à frente do Itamaraty.
Saiba mais sobre o caso na reportagem da Reuters:
(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira que a Argentina pode enfrentar uma crise migratória, com cidadãos deixando o país em direção ao Brasil, caso a oposição ao presidente Mauricio Macri vença as eleições de outubro, como aconteceu em uma votação primária no domingo.
O neoliberal Macri, que é aliado de Bolsonaro, sofreu uma dura derrota para o candidato de centro-esquerda Alberto Fernández nas eleições primárias argentinas, indicando a derrota do presidente na votação presidencial deste ano.
Fernández tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner, que liderou o país entre 2007 e 2015.
“Não se esqueçam, mais ao sul, da Argentina, o que aconteceu nas eleições de ontem. A turma da Cristina Kirchner, que é a mesma da Dilma Rousseff, que é a mesma de Maduro, Chávez e Fidel Castro, deu sinal de vida aqui”, disse Bolsonaro em discurso durante cerimônia de inauguração de obra de uma estrada no Rio Grande do Sul.
“Povo gaúcho, se essa esquerdalha voltar aqui na Argentina, nós poderemos ter, sim, no Rio Grande do Sul, um novo Estado de Roraima, e não queremos isto, irmãos argentinos fugindo para cá, tendo em vista o que de ruim parece que deve se concretizar por lá caso essas eleições realizadas ontem se confirmem agora no mês de outubro”, acrescentou.
Bolsonaro já havia afirmado no passado que uma vitória da oposição na eleição presidencial da Argentina poderia transformar o país em uma “nova Venezuela”, fazendo referência à crise atravessada pelo país governado pelo socialista Nicolás Maduro.
"Falando de questões internas, pode se intitular 'Capitão Motosserra' ou expor sua teoria da relação do meio ambiente com o cocô. Bolsonaro é assim e, sem dúvida, prefere ver os brasileiros discutindo cocô, em vez do cheiro de uma recessão na economia", escreveu ainda o colunista, que lamentou o fato de o País não ter um chanceler, uma vez que Ernesto Araújo é pau mandado do clã Bolsonaro e não tem qualquer autonomia à frente do Itamaraty.
Saiba mais sobre o caso na reportagem da Reuters:
(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira que a Argentina pode enfrentar uma crise migratória, com cidadãos deixando o país em direção ao Brasil, caso a oposição ao presidente Mauricio Macri vença as eleições de outubro, como aconteceu em uma votação primária no domingo.
O neoliberal Macri, que é aliado de Bolsonaro, sofreu uma dura derrota para o candidato de centro-esquerda Alberto Fernández nas eleições primárias argentinas, indicando a derrota do presidente na votação presidencial deste ano.
Fernández tem como vice a ex-presidente Cristina Kirchner, que liderou o país entre 2007 e 2015.
“Não se esqueçam, mais ao sul, da Argentina, o que aconteceu nas eleições de ontem. A turma da Cristina Kirchner, que é a mesma da Dilma Rousseff, que é a mesma de Maduro, Chávez e Fidel Castro, deu sinal de vida aqui”, disse Bolsonaro em discurso durante cerimônia de inauguração de obra de uma estrada no Rio Grande do Sul.
“Povo gaúcho, se essa esquerdalha voltar aqui na Argentina, nós poderemos ter, sim, no Rio Grande do Sul, um novo Estado de Roraima, e não queremos isto, irmãos argentinos fugindo para cá, tendo em vista o que de ruim parece que deve se concretizar por lá caso essas eleições realizadas ontem se confirmem agora no mês de outubro”, acrescentou.
Bolsonaro já havia afirmado no passado que uma vitória da oposição na eleição presidencial da Argentina poderia transformar o país em uma “nova Venezuela”, fazendo referência à crise atravessada pelo país governado pelo socialista Nicolás Maduro.
terça-feira, 2 de julho de 2019
Solidariedade aos jornalistas em greve.
Por Olívia de Cássia Cerqueira
Nunca pensei em toda a minha vida que iria agradecer todos os dias pela miha aposentadoria, por invalidez. Quando fui homenageada ano passado, com a Medalha Denis Agra, de maior reconhecimento para jornalistas, fiquei honrada e ao mesmo tempo lamentando por receber a honraria, justamente num momento de crise por que passa o jornalismo alagoano, em que o principal jornal de circulação demitiu um monte de jornalista e fechou, passando a ser impresso semanalmente.
Agora, por conta do dissídio coletivo da categoria, cuja data-base é o mês de maio, os donos das principais empresas de jornalismo propoem a redução de 40% nos salários da categoria, proposta rechaçada até pelo MP.
É uma indecência isso. Hoje eles tentam desmentir com nota fake nas TVS dizendo que não estão propondo a redução de salário. Isso quer dizer que estão desmentindo o próprio MP, com o intuito de comover a sociedade alagoana.
Fazer jornalismo foi um sonho que durou pouco para mim, barrada pela limitação da ataxia-Doença de Machado Joseph, num momento em que eu estava produzindo ainda, fazendo matérias especiais que me davam prazer e alegria. Mas a gente precisa se acomodar à nova realidade.
Estou solidária com todos os companheiros que estão nessa luta e quero dizer que nunca desistam de lutar. Avante e na resistência até a vitória.
quinta-feira, 27 de junho de 2019
Bolsonaro edita trapalhadas por decreto
Por Helena Chagas
Publicado por Diario do Centro do Mundo - 26 de junho de 2019
Publicado originalmente no site Os Divergentes
POR HELENA CHAGAS
Raras vezes se viu um presidente da Republica tão indiferente à negociação daquela que será, certamente, a principal reforma de seu governo – a da Previdência. Jair Bolsonaro não move uma palha por ela. Anda ocupadíssimo em confrontos – e trapalhadas – com o Congresso sobre flexibilização de porte de armas, demarcação de terras indígenas e listas tríplices para nomeações em agências reguladoras.
A vida é assim. Cada um escolhe suas batalhas. As de Bolsonaro, porém, o colocam cada vez mais distante da agenda essencial ao país, aquela que, para o bem ou para o mal, poderá impactar na geração de empregos, no crescimento da economia e na melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. Nada disso parece estar entre as preocupações imediatas do presidente, concentrado numa pauta acessória de promessas de campanha, demonstrações de força perante o Legislativo e, sobretudo, abobrinhas.
Nesta terça, Bolsonaro mandou ao Congresso seu ex-articulador político Onyx Lorenzoni, destituído de surpresa da função na semana passada, para explicar a trapalhada dos decretos editados e revogados sobre posse e porte de armas. O que deu para entender foi a total incapacidade do presidente da República de se sentar à mesa com líderes do Parlamento para negociar.
Ele tentou impor sua vontade legislando (inconstitucionalmente) por decreto num tema que exige lei. Foi derrotado no Senado com a derrubada do decreto e, antes que o vexame se repetisse na Câmara e no STF, revogou a medida e editou duas outras repetindo trechos da anterior – fazendo o que seu porta voz horas antes negara que faria. Onyx foi explicar a confusão e o acordo final, que envolveu o envio de, finalmente, um projeto de lei para regular a questão das armas com o Congresso.
Quando a situação parecia resolvida, eis que surge um novo decreto, o sétimo, revogando o da véspera, conforme o acerto feito pelo ex-articulador Onyx com os presidentes da Câmara e do Senado. Fez o que prometeu e o que não prometeu, peitando novamente o Congresso ao manter, por exemplo, uma brecha no texto permitindo a compra de fuzis.
Gesto semelhante ao de, dias atrás, ter mandado nova medida provisória ao Legislativo fazendo retornar da Funai ao Ministério da Agricultura a atribuição de demarcar terras indígenas – mudança que havia sido feita pelo parlamento na votação da MP da reorganização administrativa do governo. A medida está sendo devolvida ao Planalto pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pela flagrante inconstitucionalidade de tentar reeditar proposta já rejeitada na mesma sessão legislativa.
Num caso parecido, Bolsonaro resolveu vetar parte do projeto da Lei das estatais, que tanto orgulho trouxe a deputados e senadores em sua aprovação, por achar que se tornaria “rainha da Inglaterra” se seguisse o rito previsto para nomeação de diretores de agências reguladoras.
O fato é que, em nossa jovem democracia, nunca se viu tão alto índice de escaramuças entre poderes por metro quadrado.
Publicado por Diario do Centro do Mundo - 26 de junho de 2019
Publicado originalmente no site Os Divergentes
POR HELENA CHAGAS
Raras vezes se viu um presidente da Republica tão indiferente à negociação daquela que será, certamente, a principal reforma de seu governo – a da Previdência. Jair Bolsonaro não move uma palha por ela. Anda ocupadíssimo em confrontos – e trapalhadas – com o Congresso sobre flexibilização de porte de armas, demarcação de terras indígenas e listas tríplices para nomeações em agências reguladoras.
A vida é assim. Cada um escolhe suas batalhas. As de Bolsonaro, porém, o colocam cada vez mais distante da agenda essencial ao país, aquela que, para o bem ou para o mal, poderá impactar na geração de empregos, no crescimento da economia e na melhoria da qualidade de vida dos brasileiros. Nada disso parece estar entre as preocupações imediatas do presidente, concentrado numa pauta acessória de promessas de campanha, demonstrações de força perante o Legislativo e, sobretudo, abobrinhas.
Nesta terça, Bolsonaro mandou ao Congresso seu ex-articulador político Onyx Lorenzoni, destituído de surpresa da função na semana passada, para explicar a trapalhada dos decretos editados e revogados sobre posse e porte de armas. O que deu para entender foi a total incapacidade do presidente da República de se sentar à mesa com líderes do Parlamento para negociar.
Ele tentou impor sua vontade legislando (inconstitucionalmente) por decreto num tema que exige lei. Foi derrotado no Senado com a derrubada do decreto e, antes que o vexame se repetisse na Câmara e no STF, revogou a medida e editou duas outras repetindo trechos da anterior – fazendo o que seu porta voz horas antes negara que faria. Onyx foi explicar a confusão e o acordo final, que envolveu o envio de, finalmente, um projeto de lei para regular a questão das armas com o Congresso.
Quando a situação parecia resolvida, eis que surge um novo decreto, o sétimo, revogando o da véspera, conforme o acerto feito pelo ex-articulador Onyx com os presidentes da Câmara e do Senado. Fez o que prometeu e o que não prometeu, peitando novamente o Congresso ao manter, por exemplo, uma brecha no texto permitindo a compra de fuzis.
Gesto semelhante ao de, dias atrás, ter mandado nova medida provisória ao Legislativo fazendo retornar da Funai ao Ministério da Agricultura a atribuição de demarcar terras indígenas – mudança que havia sido feita pelo parlamento na votação da MP da reorganização administrativa do governo. A medida está sendo devolvida ao Planalto pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, pela flagrante inconstitucionalidade de tentar reeditar proposta já rejeitada na mesma sessão legislativa.
Num caso parecido, Bolsonaro resolveu vetar parte do projeto da Lei das estatais, que tanto orgulho trouxe a deputados e senadores em sua aprovação, por achar que se tornaria “rainha da Inglaterra” se seguisse o rito previsto para nomeação de diretores de agências reguladoras.
O fato é que, em nossa jovem democracia, nunca se viu tão alto índice de escaramuças entre poderes por metro quadrado.
Dallagnol continua dando palpites como se nada tivesse acontecido. Por Moisés Mende
Por Diário do Centro do Mundo - DCM
Dallagnol é o procurador que ficou sob as ordens de Sergio Moro na Lava-Jato, como denunciam as mensagens vazadas dos celulares da turma de Curitiba.
Sergio Moro era o juiz que julgava e agia como acusador. E Dallagnol era o acusador que se submetia às ordens do julgador. Aí Dallagnol aceitava numa boa.
Nesse caso não era pegadinha, era submissão mesmo.
Dallagnol é o procurador que ficou sob as ordens de Sergio Moro na Lava-Jato, como denunciam as mensagens vazadas dos celulares da turma de Curitiba.
Sergio Moro era o juiz que julgava e agia como acusador. E Dallagnol era o acusador que se submetia às ordens do julgador. Aí Dallagnol aceitava numa boa.
Nesse caso não era pegadinha, era submissão mesmo.
sábado, 22 de junho de 2019
O que significa o colapso da ‘Vaza Jato’?
Por Jessé Souza
DCM - Publicado originalmente no blog do autor
Glenn Greenwald, com sua coragem, mudou a vida da sociedade brasileira contemporânea. Aquilo que só iríamos descobrir quando nada mais importasse, como na ação americana no golpe de 1964, sabemos agora, quando os patifes e eles são muitos ainda estão em plena ação. Muito ainda está por vir, mas todos já sabemos o principal: a Lava Jato, a joia da coroa do moralismo postiço brasileiro, foi para o brejo. Houve “armação política” de servidores públicos, procuradores e juízes, que, por dever de função, deveriam manter-se imparciais. Em resumo: traíram seu país e sua função enquanto servidores públicos para enganar a justiça e a sociedade. São, portanto, objetivamente, criminosos e corruptos. A verdadeira “organização criminosa” estava no Ministério Público (MP) e no âmago do Poder Judiciário. Simples assim. FHC e outros cretinos da mesma laia vão tentar tapar o sol com a peneira. Mas não vai colar. Perdeu, playboy!
Isso vale não apenas para Moro e Dallagnol que já morreram em vida, embora ainda não saibam, mas também para boa parte do aparelho judicial-policial brasileiro envolvido na “Vaza Jato”. Para o juiz e o jurista “a ficha ainda não caiu”, mas em breve serão tratados como quem possui uma doença incurável e transmissível. Se não se livrar de Dallagnol, o MP irá ao esgoto com ele. Se não se afastar de Moro, o Judiciário perderá o pouco de legitimidade que ainda lhe resta. Segue pelo mesmo caminho esse pessoal do judicial-policial que quis aproveitar a “boquinha” de ocasião, fazendo o “serviço sujo” para a elite e sua mídia venal de afastar o PT por meios não eleitorais e se apropriando, sem peias, do Estado, das riquezas públicas e do orçamento público. Na outra ponta do “acordo”, os operadores jurídicos ficavam com as sobras do banquete. Tramoias bilionárias, como o fundo da Petrobras, para Dallagnol e sua quadrilha, e cargos políticos, como a vaga no STF, para o “trombadinha da elite do atraso” Sérgio Moro.
Alguns irão dizer que é precipitado afirmar isso, visto que eles ainda são poderosos, têm os interesses dos bancos e a Rede Globo ao lado deles, envolvida até o pescoço no esquema criminoso. Bolsonaro ainda é presidente e ele faz parte dessa armação podre, e a elite quer colher os milhões do esquema, este sim, verdadeiramente criminoso. É verdade, não tenho “bola de cristal” e confesso que não sei quanto tempo a farsa ainda vai durar. O que eu sei, no entanto, é que toda ação humana precisa ser justificada moralmente. Pode-se provocar mudanças na realidade exterior, mas sem legitimação moral essas mudanças têm vida curta. Toda a história humana nos ensina isso.
Desde 1930 a elite brasileira desenvolveu, com seus intelectuais orgânicos que pautavam a direita e a esquerda, uma concepção de moralidade – da qual eu trato em detalhes no meu livro A elite do atraso: Da escravidão a Bolsonaro – que amesquinha a própria moralidade, ao ponto de abarcar apenas a suposta “corrupção política”. Para os brasileiros, moral deixa de significar, por exemplo, tratar todos com dignidade e ajudar os necessitados, como em todos os países europeus que transformaram a herança cristã em social-democracia, para se resumir ao suposto “escândalo com o dinheiro público”, desde que aplicado seletivamente aos inimigos da elite. A elite de proprietários pode roubar à vontade. Seu roubo “legalizado” passa a ser, inclusive, uma virtude, uma esperteza de negociante.
Como a mesma elite possui como aliada a imprensa venal, e, por meio dela, manipula a opinião pública, a “escandalização”, sempre seletiva, é usada como arma de classe apenas contra os candidatos identificados com interesses populares. Assim, a função real dessa pseudomoralidade amesquinhada passa a ser, ao fim e ao cabo, criminalizar a própria soberania popular e tornar palatáveis golpes de Estado sempre que necessários. O esquema pseudomoralista foi utilizado contra Vargas, Jango, Lula e Dilma, ou seja, todos que não entregaram o orçamento do Estado unicamente para o saque da elite via juros extorsivos, isenções fiscais criminosas, perdão de impostos, livre sonegação de impostos, “dívida pública” e outros mecanismos de corrupção ilegal ou legalizada.
Só a sonegação de impostos da elite em paraísos fiscais, uma corrupção abertamente ilegal, chega a mais de 500 bilhões de dólares, segundo os especialistas de universidades britânicas que compõem o Tax Justice Network. Isso é centenas de vezes maior que o dinheiro recuperado pela “Vaza Jato”, mas a imprensa venal da elite nunca divulga essas informações. É como se não existisse, até porque é crime compartilhado pelos barões da mídia. Lógico que a corrupção política dos Palocci e dos Cunha é recriminável e tem de ser punida. No entanto, não é ela quem deixa o país mais pobre nem quem rouba nosso futuro. Mas a estratégia da elite é “desviar” o foco do seu assalto sobre todo o restante da população e criminalizar a política e o Estado, que são, precisamente, quem pode diminuir o crime de uma elite da rapina, que domina o mercado e o Banco Central, sobre uma população indefesa. Indefesa posto que lhes foram retirados os mecanismos para compreender quem provoca sua ruína e sua pobreza.
A “Vaza Jato” é a forma moderna desse esquema criminoso e faz o mesmo que Lacerda fez com Getúlio Vargas em 1954. Com o apoio da mesma Rede Globo, dos mesmos jornais e da mesma mídia. Também não ficara provado que Getúlio tivesse roubado um centavo, assim como não ficou provado que Lula tivesse cometido qualquer ilegalidade. Mas a “Vaza Jato” fez mais que Lacerda. Uma turma de deslumbrados medíocres meteu os pés pelas mãos e comprometeu a dignidade do MP e da Justiça ao fazer justiça com as próprias mãos. Processos sabidamente falsos e manipulados mudaram a vida política brasileira e empresas criadas com o esforço e a luta de várias gerações de brasileiros foram entregues de bandeja aos americanos e seus aliados. A elite nacional fica com as sobras desse roubo. Tudo graças ao “trombadinha da elite do atraso”, Sérgio “Malandro” Moro, e à sua quadrilha no MP.
Mas o pior componente dessa história é o fator que explica a colaboração maciça da classe média branca ao seu herói: o racismo covarde contra os mais frágeis, os negros e os pobres. Se a elite quer roubar à vontade, a classe média branca, majoritariamente italiana em São Paulo e no Sul como o próprio Moro e portuguesa no Rio de Janeiro e no Nordeste, quer humilhar, explorar e impedir qualquer ascensão social dos negros e pobres. Nossa classe média branca, importada da Europa, foi criada para servir de bolsão racista entre elite e povo negro e mestiço. Se retirarmos a capa superficial de “moralidade”, mero enfeite para Moro e sua quadrilha, o que sobra unindo e cimentando a solidariedade de toda essa corja é o racismo cruel e covarde contra a população negra e mais humilde, o foco do lulismo.
Em virtude disso, o ódio a Lula é a mera “personalização” do ódio ao negro e ao pobre. Como o racismo entre nós não pode ser explicitado, nem por psicopatas como Bolsonaro e Witzel, devido à nossa tradição de “racismo cordial”, a “corrupção seletiva” sempre apenas dos líderes populares foi criada para ser uma capa de “moralidade” para o racismo real. Assim, todos os canalhas racistas que elegeram Bolsonaro e se identificam com Moro podem, ainda, dormir com a boa consciência de que representam a “fina flor da moralidade”. É com essa canalhice brasileira que a revolução de Glenn Greenwald está ajudando a acabar.
DCM - Publicado originalmente no blog do autor
Glenn Greenwald, com sua coragem, mudou a vida da sociedade brasileira contemporânea. Aquilo que só iríamos descobrir quando nada mais importasse, como na ação americana no golpe de 1964, sabemos agora, quando os patifes e eles são muitos ainda estão em plena ação. Muito ainda está por vir, mas todos já sabemos o principal: a Lava Jato, a joia da coroa do moralismo postiço brasileiro, foi para o brejo. Houve “armação política” de servidores públicos, procuradores e juízes, que, por dever de função, deveriam manter-se imparciais. Em resumo: traíram seu país e sua função enquanto servidores públicos para enganar a justiça e a sociedade. São, portanto, objetivamente, criminosos e corruptos. A verdadeira “organização criminosa” estava no Ministério Público (MP) e no âmago do Poder Judiciário. Simples assim. FHC e outros cretinos da mesma laia vão tentar tapar o sol com a peneira. Mas não vai colar. Perdeu, playboy!
Isso vale não apenas para Moro e Dallagnol que já morreram em vida, embora ainda não saibam, mas também para boa parte do aparelho judicial-policial brasileiro envolvido na “Vaza Jato”. Para o juiz e o jurista “a ficha ainda não caiu”, mas em breve serão tratados como quem possui uma doença incurável e transmissível. Se não se livrar de Dallagnol, o MP irá ao esgoto com ele. Se não se afastar de Moro, o Judiciário perderá o pouco de legitimidade que ainda lhe resta. Segue pelo mesmo caminho esse pessoal do judicial-policial que quis aproveitar a “boquinha” de ocasião, fazendo o “serviço sujo” para a elite e sua mídia venal de afastar o PT por meios não eleitorais e se apropriando, sem peias, do Estado, das riquezas públicas e do orçamento público. Na outra ponta do “acordo”, os operadores jurídicos ficavam com as sobras do banquete. Tramoias bilionárias, como o fundo da Petrobras, para Dallagnol e sua quadrilha, e cargos políticos, como a vaga no STF, para o “trombadinha da elite do atraso” Sérgio Moro.
Alguns irão dizer que é precipitado afirmar isso, visto que eles ainda são poderosos, têm os interesses dos bancos e a Rede Globo ao lado deles, envolvida até o pescoço no esquema criminoso. Bolsonaro ainda é presidente e ele faz parte dessa armação podre, e a elite quer colher os milhões do esquema, este sim, verdadeiramente criminoso. É verdade, não tenho “bola de cristal” e confesso que não sei quanto tempo a farsa ainda vai durar. O que eu sei, no entanto, é que toda ação humana precisa ser justificada moralmente. Pode-se provocar mudanças na realidade exterior, mas sem legitimação moral essas mudanças têm vida curta. Toda a história humana nos ensina isso.
Desde 1930 a elite brasileira desenvolveu, com seus intelectuais orgânicos que pautavam a direita e a esquerda, uma concepção de moralidade – da qual eu trato em detalhes no meu livro A elite do atraso: Da escravidão a Bolsonaro – que amesquinha a própria moralidade, ao ponto de abarcar apenas a suposta “corrupção política”. Para os brasileiros, moral deixa de significar, por exemplo, tratar todos com dignidade e ajudar os necessitados, como em todos os países europeus que transformaram a herança cristã em social-democracia, para se resumir ao suposto “escândalo com o dinheiro público”, desde que aplicado seletivamente aos inimigos da elite. A elite de proprietários pode roubar à vontade. Seu roubo “legalizado” passa a ser, inclusive, uma virtude, uma esperteza de negociante.
Como a mesma elite possui como aliada a imprensa venal, e, por meio dela, manipula a opinião pública, a “escandalização”, sempre seletiva, é usada como arma de classe apenas contra os candidatos identificados com interesses populares. Assim, a função real dessa pseudomoralidade amesquinhada passa a ser, ao fim e ao cabo, criminalizar a própria soberania popular e tornar palatáveis golpes de Estado sempre que necessários. O esquema pseudomoralista foi utilizado contra Vargas, Jango, Lula e Dilma, ou seja, todos que não entregaram o orçamento do Estado unicamente para o saque da elite via juros extorsivos, isenções fiscais criminosas, perdão de impostos, livre sonegação de impostos, “dívida pública” e outros mecanismos de corrupção ilegal ou legalizada.
Só a sonegação de impostos da elite em paraísos fiscais, uma corrupção abertamente ilegal, chega a mais de 500 bilhões de dólares, segundo os especialistas de universidades britânicas que compõem o Tax Justice Network. Isso é centenas de vezes maior que o dinheiro recuperado pela “Vaza Jato”, mas a imprensa venal da elite nunca divulga essas informações. É como se não existisse, até porque é crime compartilhado pelos barões da mídia. Lógico que a corrupção política dos Palocci e dos Cunha é recriminável e tem de ser punida. No entanto, não é ela quem deixa o país mais pobre nem quem rouba nosso futuro. Mas a estratégia da elite é “desviar” o foco do seu assalto sobre todo o restante da população e criminalizar a política e o Estado, que são, precisamente, quem pode diminuir o crime de uma elite da rapina, que domina o mercado e o Banco Central, sobre uma população indefesa. Indefesa posto que lhes foram retirados os mecanismos para compreender quem provoca sua ruína e sua pobreza.
A “Vaza Jato” é a forma moderna desse esquema criminoso e faz o mesmo que Lacerda fez com Getúlio Vargas em 1954. Com o apoio da mesma Rede Globo, dos mesmos jornais e da mesma mídia. Também não ficara provado que Getúlio tivesse roubado um centavo, assim como não ficou provado que Lula tivesse cometido qualquer ilegalidade. Mas a “Vaza Jato” fez mais que Lacerda. Uma turma de deslumbrados medíocres meteu os pés pelas mãos e comprometeu a dignidade do MP e da Justiça ao fazer justiça com as próprias mãos. Processos sabidamente falsos e manipulados mudaram a vida política brasileira e empresas criadas com o esforço e a luta de várias gerações de brasileiros foram entregues de bandeja aos americanos e seus aliados. A elite nacional fica com as sobras desse roubo. Tudo graças ao “trombadinha da elite do atraso”, Sérgio “Malandro” Moro, e à sua quadrilha no MP.
Mas o pior componente dessa história é o fator que explica a colaboração maciça da classe média branca ao seu herói: o racismo covarde contra os mais frágeis, os negros e os pobres. Se a elite quer roubar à vontade, a classe média branca, majoritariamente italiana em São Paulo e no Sul como o próprio Moro e portuguesa no Rio de Janeiro e no Nordeste, quer humilhar, explorar e impedir qualquer ascensão social dos negros e pobres. Nossa classe média branca, importada da Europa, foi criada para servir de bolsão racista entre elite e povo negro e mestiço. Se retirarmos a capa superficial de “moralidade”, mero enfeite para Moro e sua quadrilha, o que sobra unindo e cimentando a solidariedade de toda essa corja é o racismo cruel e covarde contra a população negra e mais humilde, o foco do lulismo.
Em virtude disso, o ódio a Lula é a mera “personalização” do ódio ao negro e ao pobre. Como o racismo entre nós não pode ser explicitado, nem por psicopatas como Bolsonaro e Witzel, devido à nossa tradição de “racismo cordial”, a “corrupção seletiva” sempre apenas dos líderes populares foi criada para ser uma capa de “moralidade” para o racismo real. Assim, todos os canalhas racistas que elegeram Bolsonaro e se identificam com Moro podem, ainda, dormir com a boa consciência de que representam a “fina flor da moralidade”. É com essa canalhice brasileira que a revolução de Glenn Greenwald está ajudando a acabar.
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