quarta-feira, 22 de março de 2017

A despedida

Por Olívia de Cássia

Meu bebê de quatro patas de doze anos, a Malu, virou uma estrela. Ela se submeteu a uma cirurgia de risco da vesícula e o veterinário já tinha me alertado de que ela poderia morrer, tanto na cirurgia quanto depois dela, mas que era preciso a intervenção, por conta do sofrimento da cadelinha toy.

Eu nunca tinha visto tanta pedra ser retirada de um animalzinho indefeso e nem sei como ela estava aguentando esse tempo todo. Se o ser humano tem um problema ele grita e diz, mas a Malu apenas olhava com aqueles olhinhos pra gente, para dizer que não estava bem.

Nem a palavra mágica passear a animava mais. Malu foi o melhor presente que eu ganhei, há doze anos, quando estava numa fase conturbada da minha vida. Foi presente do primo Edvaldo Siqueira, o Edinho, e veio para mim um bolinho de pelo de 700 gramas.

Algumas pessoas diziam que ela não sobreviveria naquela época. Durante todos esses anos, a Malu, com seu sorriso mais lindo do mundo, como eu dizia para ela rir para as visitas, só distribuiu meiguice, amor incondicional e amizade.

Dormia comigo e ultimamente já vinha dando sinais de que estava chegando a hora de partir, virar estrelinha. A minha estrela que vou continuar amando e lembrando pro resto da vida, como lembro de todos que vieram antes dela.

Nem pude chorar o luto da Malu, pois tive que me ausentar o dia quase todo de casa, por conta de consulta médica que estava marcada há alguns dias no Hospital Universitário, e não poderia faltar.

Deixei o corpinho da minha deusa para ser feito os procedimentos devidos por minha prima Isabell. Foi melhor assim. O ruim é não ter um cemitério para animais por aqui, para que a gente dê um enterro digno a um pedacinho de nosso coração que se foi. Eu não chorei ainda essa perda como eu deveria e queria.

A comprovação da ataxia me deixou menos sensível para chorar, em algumas situações, como era de costume, nos endurece o coração e nos deixa mais duros, devido a tanto remédio. Depois da comprovação da Doença de Machado Joseph, estou procurando não me emocionar.

Não passar por situações de estresse como estava acontecendo antes do benefício, pois isso só piora meu estado de saúde. As pernas travam, as carnes tremem, a gente cai e tomba com mais facilidade. Agora, devidamente medicada e com a fisioterapia, venho tendo melhor qualidade de vida.

Me mediquei antes de sair de casa, mas passei o dia no hospital para ser atendida e voltei em situação de cansaço físico e mental. Estou exausta e triste, mas o que me conforta é o sentimento de que se Malu tiver um espírito, ele está sereno e em boa companhia.

Amo essas criaturas e acredito que são anjos que Deus coloca em nossas vidas para tornar nossos dias mais amenos e suaves. Podem me chamar de louca, quem não gosta dos bichinhos, mas eu ‘conversei’ muito com Malu, antes da cirurgia. Uma espécie de despedida antecipada.

Disse para ela que ‘Francisquinho de Assis’ iria estar do lado dela e todos os espíritos de luz; falei do meu amor por ela, eterno, sincero e leal. Ela se foi, mas com a certeza de que era muito amada. Meu pedacinho de amor. Boa noite e fiquem com Deus!
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