quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Por um Brasil melhor

Por Olívia de Cássia

De volta ao nosso bate-papo, meu Diário, cá estou eu tentando seguir minha nova rotina de fisioterapia e pequenas caminhadas, na tentativa de retardar os efeitos da DMJ. Passei alguns dias de enfado, dores, cansaço, mas nem assim sossego, enquanto não escrevo e ponho para fora algumas inquietações que vêm do fundo da alma.

Fora do mercado de trabalho e licenciada, por motivos de saúde, acompanho de longe o movimento da categoria; a política brasileira e a conjuntura atual, que não é das melhores. Dá fadiga e revolta a gente acompanhar o noticiário, principalmente o televisivo.

Todos concordam que uma reforma política no Brasil é necessária, para que a sociedade civil tenha cada vez mais espaço nas decisões tomadas pelos nossos poderes. Isso já foi dito amplamente por especialistas e comentaristas políticos confiáveis.

No entanto, do jeito que a carruagem está andando, estamos indo para o fundo do poço. Não sei, sinceramente, se ainda dá para ter alguma esperança. Tem horas que ela foge de mim. O Brasil está vivenciando uma crise muito pior do que estava e só não enxerga isso quem não quer ver ou admitir o caos que se instalou no País depois que os golpistas tomaram conta do Palácio do Planalto.

Ficou bem evidente que os que foram às ruas pedir a saída da presidente, eleita legitimamente pela maioria dos brasileiros, não estavam preocupados com a corrupção, apenas queriam marginalizar e execrar apenas um partido e suas lideranças.

E não estou aqui isentando quem quer que tenha cometido irregularidade, seja de que lado for, como já escrevi várias vezes. Queriam tirar os direitos das empregadas domésticas, dos negros, pobres, mulheres e dos trabalhadores. Com a saída da presidente Dilma ficou mais do que escancarado o que queriam os golpistas.

Aliás, foram obrigados a noticiar ontem que no governo da presidente o país estava bem melhor. O ilegítimo e seus seguidores tomaram o poder de assalto e implantaram um retrocesso político, mental, cultural e social no país.

Mesmo assim, as panelas, que em 2013-2014 retumbavam nos apartamentos de luxo dos bairros nobres brasileiros silenciaram. Rogerio Dultra, em Análise de Conjuntura, Democracia e Conjuntura, Política, exclusivo para o site O Cafezinho, diz que o regime Temer faz água em velocidade assustadora.

“Envolto em denúncias de corrupção, em uma crise econômica aguçada por sua incompetência e pela ganância desenfreada das forças internacionais do capital que desejam saquear o país o mais rapidamente possível”, disse ele.

Segundo Rogerio Dultra, estamos assistindo o mais abrangente processo de criminalização da política no Brasil. “Desde 2013, o discurso de combate à corrupção – arma histórica da direita udenista – tem encontrado respaldo e materialidade no aparato judicial e repressivo do Estado”, avalia.

Para ele, o golpe que afastou Dilma Rousseff da Presidência trazendo à baila o embate da classe política tradicional com a burocracia policial/judicial tem produzido a erosão da lógica da legalidade como orientação do funcionamento das relações sociais.

Diante dos fatos, percebe-se que o Brasil está vivendo um estado de exceção. “As regras do jogo democrático estão sendo substituídas à luz do sol pelo podere arbítrio de um aparato institucional que deseja funcionar à imagem e semelhança da “Operação Lava-Jato”, isto é, sem controle”, avalia.

A Constituição de 1988 foi rasgada e cuspida, a chamada Constituição Cidadã do dr. Ulisses Guimarães. O estado democrático de direito foi ameaçado e está sendo destroçado a cada dia; a instabilidade do golpe cavalga para direções imprevisíveis e não podemos nos calar diante de tais fatos absurdos.

A população precisa voltar às ruas com mais frequência; parabéns à rapaziada da ocupação. Continuarei a perseguir uma sociedade mais justa, um mundo melhor para todos; defender as políticas públicas, principalmente para os menos favorecidos, mais investimentos em educação e na melhoria pela qualidade de vida do cidadão. Boa noite.
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Alguns instantes. Vivendo por aí...