quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Consciência e ocupação

Por Olívia de Cássia

No próximo domingo acontecem as celebrações do Dia da Consciência Negra, em homenagem a Zumbi dos Palmares e a todos os guerreiros e guerreiras que lutaram contra a escravidão no Brasil. Este ano, na data prevista, não estarei fisicamente no local, mas com certeza ficarei com o pensamento e coração voltados para as celebrações.

Desde a década de 1980, quando se iniciaram em União dos Palmares e na Serra da Barriga, as comemorações para homenagear Zumbi e o povo negro, branco e índio que se refugiou no quilombo, tenho participado e comparecido de alguma forma.

Por questões de limitações do corpo, por causa da Doença de Machado Joseph, estarei ausente fisicamente, sem esquecer o que representa e simboliza para nós que lutamos por uma sociedade mais justa e igualitária.

Embora avalie que todos os dias seja de a gente se policiar contra a intransigência e o preconceito manifestado seja de que modo for. Nunca devemos parar de lutar pelos nossos ideais e tenho esse compromisso: um pensamento que vai comigo até o fim dos meus dias.

Fiz uma visita ao local no domingo, 13; um passeio rápido para matar a saudade. Parece que me refaço cada vez que vou à Serra da Barriga. Num clima muito quente e de ausência de chuvas no local, constatei na ocasião que em cima da hora estão fazendo os reparos necessários.

Para quem não sabe ou esqueceu o que aprendeu na escola sobre o que representa Zumbi dos Palmares para a história do Brasil e do mundo, vale leitura, em tempos de retrocesso histórico, político, social e cultural, uma questão de ordem se faz necessária. Deveríamos deixar a ignorância intelectual de lado e procurar estudar o assunto, ser mais gentil com as pessoas que pensam diferente de nós.

Zumbi entrou para a história como o último líder do maior foco de resistência negra à escravidão no Brasil, no século XVII. O Quilombo dos Palmares, ao longo de 80 anos de resistência, foi o mais importante dos locais de resistência criados pelos africanos escravizados.

Contam os historiadores, que a prosperidade e a capacidade de organização do quilombo representaram uma séria ameaça para a ordem escravocrata vigente. Vários governos que controlaram a região organizaram expedições que tinham por objetivo estabelecer a destruição dele.

Os quilombos representam a luta daqueles que fugiram do cativeiro e da intolerância dos poderosos. O tema está tão atual que podemos fazer analogias ao que está acontecendo na sociedade brasileira e no mundo.

Nossos estudantes, que estão ocupando as escolas, estão dando exemplo aos marmanjos; raposas velhas na política brasileira, e me fazem ainda ter esperança: verdadeira lição de cidadania com as ocupações nas escolas, contra a PEC da Morte, que limita os gastos públicos por um período de 20 anos e a MP 746 (Medida Provisória), que reforma o Ensino Médio. Vale uma reflexão.





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