sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Estou de volta

Por Olívia de Cássia

Há mais de 15 dias sem escrever no blog, tive a sensação de que algo me faltava. Para quem tem o vício e o gosto pela escrita, é um sufoco danado: dá impaciência e angústia. Problema técnico resolvido, eis-me aqui com alguns questionamentos, alegria na família pelo nascimento de mais um membro e algumas inquietações pessoais que me afloram vez ou outra.

A notícia que está em pauta nos grandes meios de comunicação e nas redes sociais é a eleição do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tema que já viralizou na net. E sem querer me aprofundar nesse assunto já bem comentado, gostaria de tecer algumas considerações aqui.

O mundo neste ano de 2016 retrocedeu, ficou careta, conservador, homofóbico, racista, preconceituoso e outros adjetivos mais. Depois de três séculos da epopeia de Zumbi, que deu o primeiro grito de liberdade do Brasil, a gente fica se perguntando o que aconteceu com a sociedade?

Este mês de novembro é simbólico para todos aqueles que têm ideais de liberdade. Quando se reverencia Zumbi e comemora-se o mês da consciência negra no Brasil. Palmares era um quilombo pertencente ao estado de Pernambuco no século XVII.

Para lá iam milhares de negros, índios fugidos da escravidão dos engenhos e fazendas. O quilombo de Palmares, comunidade de quilombolas localizada na Serra da Barriga, em União dos Palmares, com uma área de 27 mil quilômetros quadrados; uma área equivalente a do atual estado de Alagoas.

Lá, Zumbi construiu uma fortificação onde viveram cerca de 20 mil pessoas, entre elas: brancos, negros e índios fugidos do cativeiro e em busca da tão sonhada liberdade. Tornou-se o símbolo maior dos que lutam por justiça social.

Depois de tanto tampo, os ideais de liberdade e igualdade propagados por nosso herói maior, foram subjugados nesse tempo de tecnologia de ponta. E como diria Cazuza, ‘eu vejo um futuro repetir o passado, eu vejo um museu de grandes novidades’.

A onda de revolta que acometeu aqueles que foram às ruas exigir a saída da presidente eleita pela maioria da população, sob acusação de corrupção, parou. Os paneleiros já não vão para as janelas de seus apartamentos de luxo gritar Fora Dilma.

A reclamação era contra a corrupção dos outros e não contra as suas próprias. Calaram-se diante do pacote de maldades do governo vampiro ilegítimo, contra trabalhadores, a educação, a saúde e os menos favorecidos.

São essas mesmas pessoas que vão no sábado ou domingo à missa rezar pedindo paz, a sua paz, falando em bondades em nome de Deus e esquecem que o Deus está dentro de cada ser humano. Basta olhar do lado e perceber suas necessidades.

Gente que olha apenas para os seus umbigos. Falam em corrupção, mas subornam o guarda, misturam água à gasolina, fazem gato na energia e negam um pedido de ajuda de quem precisa.

Que mundo é esse, onde a gentileza, a humildade e a honestidade passaram a ser objetos raros de consumo e quem as tem é posto à margem de seu grupo; muitas vezes da própria família!?

Onde não se respeita o pensar diferente e muitas vezes não é por falta de educação, é por ignorância intelectual mesmo. Li uma postagem na internet do meu celular, por esses dias, que não adianta o indivíduo ter diploma de ‘doutor’, se trata mal o ascensorista do elevador, o porteiro do prédio, o padeiro da esquina ou alguém que trabalha para si.

Antes de se ter um diploma, seja ele de que nível for, é necessário que se tenha a humildade de perceber que as chances que lhes foram dadas foram amplas e o melhor a se fazer é agradecer ao criador ou seja lá a quem for, pela oportunidade. Para refletir nesta sexta-feira, que marca a minha volta ao mundo dos blogs.
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