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Olívia de
Cássia Cerqueira
(08-07-2023)
Cai de novo
e isso não é mais novidade na minha existência. Vivo relutando em ter cuidadora,
às vezes me aborreço quando alguém (familiar) sugere a situação, mas sou
teimosa, sei que vou passar perrengues financeiros e pessoais.
Preservo
muito a minha individualidade. Não me sinto só. Sempre sonhei em morar sozinha, desde
adolescente rebelde. Hoje sei que a minha rebeldia não me levou a nada, ou a quase
nada. Minha mãe deve estar dizendo, onde estiver: “Eu avisei e você não entendeu”.
Desde a
aposentadoria que não escrevo mais em bloquinhos, de quando fazia minhas
entrevistas iniciais, porque depois ganhei um gravadorzinho porreta, que veio
pelo correio.
O gravador
digital e pequeno, vindo do Rio de Janeiro, presente do meu primo Edvaldo
Siqueira, também portador da famigerada Ataxia (DMJ), me ajudou muito, porque
antes de pendurar a chuteira no jornalismo, não conseguia acompanhar a fala dos
entrevistados e reportar com clareza o que diziam.
Comentando
por e-mail com Edinho, quando ele ainda conseguia usar a tecnologia, me fez o carinho
do presente. Hoje perdi o contato com ele e soube que está muito debilitado,
pelos sintomas da doença.
Não costumo
adotar negatividade por ter herdado esse problema, que me limita a cada dia e
me leva a chamar palavrões quando caio (é libertador), mesmo que em seguida
peço perdão aos anjos de luz, a Deus e às entidades que me protegem até agora,
me livrando de uma quebra de bacia ou de outro membro.
Não tenho
luxos, vivo uma vida simples. Penso que apesar dos pesares, meu anjo da guarda
está de plantão, ininterruptamente, e comentei outro dia com alguém próximo que
não lembro quem, que ele deve reclamar dos apelos dessa velha chata, há,há.
E por falar
em velhice, avalio que ainda não me caiu a ficha. Não me reconheço quando me
olho no espelho. Cadê aquela menina sonhadora e juvenil, que nunca se aceitou
porque se achava muito feia (hoje repenso isso) que ainda gosta de Rock e da
boa música?
Quase não
saio mais de casa, apenas para supermercados, farmácias, médico e uma vez no mês ao shopping, sempre
acompanhada, coisa que eu estava fazendo com frequência antes. Ia com a amiga
Iranei Barreto; nos conhecemos em 2004,
numa pós-graduação. Íamos toda semana ao cinema, às exposições, restaurantes.
Não fiz mais
pequenas viagens, por conta de limitações e de implante dentário protocolo que
fiz e de alguns e empréstimos consignados, me limitando ao saldo líquido da
aposentadoria...
Ontem
resolvi ir num salão cortar o cabelo e fazer as unhas, que estavam um horror.
Fui com minha cunhada Sônia. Passei o final de semana sem sentir dores e até
comentei que no sábado eu não havia ingerido medicamento para dor. Me limito
muito para ir a médicos.
Quando
voltei do salão já estava com dores, de cabeça e no corpo inteiro e caí de novo
na cozinha. Me arrisquei a tomar uma dose forte de um remédio para dores, neurológicas,
pois novamente o joelho esquerdo ficou dolorido. Ainda estou mais bêbada ainda
do remédio…
Escuto as
notícias dos ídolos que estão indo para outro plano. Me entristeço, pois nossa
cultura está mais pobre a cada dia. Gal, Elis Rita Lee e tantos outros artistas
que se foram e estão indo, por problemas de saúde, drogas, e pela idade. É a vida.
Não tenho
medo da morte, mas fico pensando que terei uma dor muito forte quando, ela vier
me buscar e me preocupo. Depois que fui diagnosticada com Ataxia, oficialmente,
pelo médico (eu já sabia que era portadora), dr. Fernando Gameleira, neurologista
dos bons, me receitou Fluoxuetina, para ansiedade, Lomitrogina, para cãimbras.
Fora isso controlo
a pressão com Enalapril, receitado pelo cardiologista (disse que o exame cardiológico deu ok, apenas um problema tolo que não me
disse qual era), remédio para o colesterol, e para alergia, quando tenho crises
Tomo por
conta própria um complexo vitamínico, alguns analgésicos que tomo quase
diariamente e alguns que pego com alguém.
Não é fácil
conviver com Ataxia, mas ocupo meu tempo de aposentada com leituras vorazes: quando
termino uma, já pego outro livro; com palavras cruzadas e vendo séries; ou
fazendo tarefas domésticas que hoje em dia procuro fazer para não atrofiar
logo.
Quando jovem,
não gostava de fazer tarefas domésticas, sempre achei que elas ocupavam o tempo
das leituras e do bater pernas na rua, com
as amigas. Sou uma péssima dona de casa, me apavoro quando surge um
problema, que preciso resolver: entupimentos, vazamentos, problemas na energia.
Nessas horas
eu lamento não ter uma pessoa em casa, que resolva isso. A laje da casa apesenta
problemas de infiltração, precisa cobrir com telhas impermeáveis. Hoje quebrei
um prato com o ovo que preparei para o café da manhã. Nem meus pets quiseram o
ovo no chão. Acho que não gostaram do sabor.
Também estou
teclando “catando milho” para não errar tanto na digitação. Mas agradeço sempre
por ainda poder realizar pequenas tarefas em casa. Resta lembrar da minha
juventude e das pequenas aventuras, que participei na infância e juventude: ”poderia
ter aproveitado mais”.
Resta me
redimir dos pecados e pedir a Deus e aos anjos de luz, para quando aquela senhora
sinistra quiser me levar para outro plano, que não me deixe acamada e
precisando de alguém para me fazer higiene ou me transportar de vez, pois atualmente
já saio acompanhada.
E hoje resolvi
deixar a preguiça de lado e voltar a fazer minhas confissões, já que só tenho psicóloga
dia 15. Mas hoje não vou poder postar no blog, porque deu problema na parte de
cima da casa e a internet do computador não está funcionando. Fui. Até a
próxima.