sexta-feira, 15 de maio de 2026

Capítulo primeiro

Olivia de Cássia C de Cerqueira

Jornalista aposentada


 

Terminei de escrever o sétimo livro e senti um vazio dentro de mim, embora não tenha publicado nem o sexto livro, que está na revisão final.

Escrevo por uma necessidade visceral. Necessito colocar na lauda o que vai dentro de mim, para não descontar em alguém assuntos que pouco interessam.

Falo desse sentimento, muitas vezes comigo mesma ou com a psicóloga, mas muitas vezes tem algum impedimento na agenda que me impedem de ir. Não consigo explicar realmente o que seja.

O passarinho, que vem me visitar todo dia, ainda não veio e sinto sua falta. Converso como se estivesse conversando com gente, ou com meus cinco gatos e três Pinscher barulhentos quando escutam algum barulho, pequeno que seja.

Algumas pessoas próximas não entendem meu habito de escrever, publicar livros e tê-los em casa, ou até pelo hábito de ler regularmente, bem antes de estar na cadeira de rodas, que me limitam os movimentos e a maioria dos hábitos costumeiros.

 “Me sinto privilegiada por saber ler e escrever e poder me  expressar por meio de algo tão sofisticado como a linguagem escrita expressar por meio de algo tão sofisticado como a linguagem escrita”,  segundo a colunista   Daiana Mota em seu blog Como a Escrita em Diários Pode Transformar sua Vida: Reflexões, Técnicas e Legado

Em pensamento, vou  fazendo um tour pela cidade natal, lembrando de cada aventura, de cada rua, de cada momento vivido, cada amigo, com suas peculiaridades.  

Alguns migraram para outros estados ou para outra cidade apenas, buscando sobreviver ou por querência.  

Além de mim para a capital rememoro  alguns que fizeram medicina e vivem muito bem, outros e outras não tiveram a mesma sorte, ou já estão em outro plano.

Vou falar de Celine (nome fictício), que se preocupava comigo, quando comecei a dar os primeiros tombos e andar cambaleante  que quando precisasse ia morar comigo. Não teve tempo e foi pra outro  plano .

Eu procurava disfarçar a Ataxia andando com a máquina fotográfica para todo lugar, até que ficou difícil andar com ela. Registrei cada prédio  histórico de União dos Palmares, aumentando meu acervo. Sinto saudade, mas meu lugar é  aqui.

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