domingo, 28 de janeiro de 2018

Santa Maria Madalena

Por Olívia de Cássia

Hoje vou falar da fé dos palmarinos e da Festa de Santa Maria Madalena, padroeira de União dos Palmares, que completa 183 anos neste início de 2018. Ela é descrita no Novo Testamento como uma das discípulas mais dedicadas de Jesus Cristo.

É considerada santa pelas diversas denominações cristãs e sua festa é celebrada no dia 22 de julho. Em União mudou de data devido ao período chuvoso. Maria Madalena não é a pecadora que a Igreja Católica difundiu por séculos e séculos. Ela ficou ao lado de Jesus em todas as horas.

O nome de Maria Madalena a descreve como sendo natural de Magdala, cidade localizada na costa ocidental do Mar da Galileia. Em União, a festa passou por várias modificações e atualmente arregimenta milhares de fiéis, que acomanham o cortejo das quatro procissões referentes ao evento.

A procissão do mastro que acontece no segundo domingo de janeiro, este ano acontecida no último dia 14, quando milhares de fiéis acompanharam o cortejo. A segunda é a procissão luminosa da bandeira, que leva a bandeira da Santa, onde será erguida o mastro, e permanece ali até o dia 3, quando acontece a quarta procissão, para retirála do mastro.

A grande expectativa, porém, é para o dia 2 de fevereiro, terceira procissão das charolas dos santos, que percorre diversas ruas da cidade, renovando a fé de todos nós palmarinos. Dizem os nativos que o ano novo começa é depois desse evento grandioso.

A demostração de fé na santa se dá de diversas maneiras e é costime que a gente veja, nas procissões, crianças vestidas de anjo, de freiras e frades, pessoas com tijolos na cabeça, sem sapatos ou chinelos e tantas outras vestimentas.

Algumas pessoas são céticas com relação a essa religiosidade do nosso povo, herdada dos nossos colonizadores portugueses, mas que significa muito para quem tem fé. Meu pai era um devoto da santa, a quem atribuia alguns milagres em sua vida. E embora eu seja também cética com relação a muitas histórias da religião, acredito nos poderes de Santa Maria Madalena.

Mas a festa, como relatei acima, sofreu várias modificações, inclusive na logística. Com a modernidade, acabaram-se os telegramas românticos, lidos no serviço de alto falante Palmares, de seu Maurino Veras, que atraiam a juventude da época, não escuto mais falar das românticas quermesses e outras atividades, que foram se modificando ao longo dos anos.

Quanto as atrações musicais, é uma questão à parte, que divide muita gente. Na minha humilde avaliação, não se leva para as noites músicas de bom gosto, que agradem a quem tem saudade dos velhos e bons tempos de músicas de gosto apurado. É necessário esse resgate.

Hoje, as moças e rapazes cantam e dançam músicas que os levam até o chão, que falam mal de mulheres, incitando a violência e a sexualidade, distoando com a questão da religiosidade e tradições culturais e que não condizem com religião.
Esclarecendo aos leitores que é minha opinião e que respeito sugestões contrárias.
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