Por Olívia de Cássia Cerqueira
Na próxima terça-feira, 20, comemora-se o Dia da Consciência Negra, em homenagem ao herói da liberdade, Zumbi. Em tempos obscuros e de volta do fascismo em nosso país, de preconceito e intolerância, mais do que nunca o tema está tão atual e vale a pena relembrar a luta do guerreiro, contra a opressão e pela liberdade.
O Dia da Consciência Negra é comemorado em todo território nacional; data escolhida por ter sido o dia da morte de Zumbi, que lutou contra a escravidão no Nordeste brasileiro. A celebração relembra a importância de refletir sobre a posição dos negros e oprimidos na sociedade. Afinal, as gerações de afro-descendentes que sucederam a época de escravidão sofreram diversos níveis de preconceito e continuam sofrendo.
A luta de Zumbi vive em cada Marielle assassinada, em cada jovem negro e negra assassinados e em cada violência cometida contra as mulheres. Também representa a luta dos negros contra a discriminação racial e pela a igualdade social.
Cada visita que faço à Serra da Barriga eu me emociono e recebo as energias dos antepassados. Acompanho o movimento em Alagoas desde os primeiros anos da década de 1980 quando ainda morava na minha União dos Palmares.
Sempre me interessei pela causa dos menos favorecidos, dos oprimidos e injustiçados. Sei que durante todo esse processo, angariei algumas antipatias, mas continuo com meu pensamento de estar sempre desse lado.
O feriado referente à data foi estabelecido pelo projeto Lei n.º 10.639, no dia 9 de janeiro de 2003. No entanto, somente em 2011 a lei foi sancionada (Lei 12.519/2011) pela presidente Dilma Rousseff, no entanto não foi adotado em todos os estados da Nação.
Em alguns estados do país, o Dia da Consciência Negra é feriado como no Rio de Janeiro, Alagoas, Amazonas, Amapá, Mato Grosso e Rio Grande do Sul. Em Alagoas, este ano, como em outros passados, o governo do Estado antecipou o feriado e acredito que essa atitude pode prejudicar as comemorações na Serra da Barriga, local onde se deu a epopéia de Zumbi e onde se comemora com mais veemência a data.
O Dia da Consciência Negra é uma forma de lembrar a importância de valorizar um povo que contribuiu para o desenvolvimento da cultura brasileira e embora isso seja um fato, o preconceito e a discriminação estão aparentes nesses dias obscuros que estamos passando.
A data erá de reverência ao nosso herói, mas também de reafirmação da resistência dos democratas que querem ver o país voltar aos trilhos do desenvolvimento. Um país de mais oportunidades, em que o preconceito seja banido e as pessoas possam viver com qualidade de vida.
Analisando todo esse processo que o país está vivendo, de volta ao passado, em que se elegeu um presidente que defende o atraso e a volta do país a situações de 50 anos atrás, há que se lamentar e continuarmos na resistênia. Viva a liberdade, salve Zumbi!
quinta-feira, 15 de novembro de 2018
sábado, 10 de novembro de 2018
Hora de votar
Se você não adquiriu ainda meu livro Mosaicos do Tempo, está a venda na livraria Beaba ou comigo, em Maceió. Em União dos Palmares com Iolanda Cerqueira ou no Rotary, com Clezivaldo Mizael Neto.
XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX
Meu livro Mosaicos do Tempo Está concorrendo como melhor livro de memória no 15 Prêmio Notáveis da Cultura Alagoana 2018. Votação via internet pelo Emai: carlitoplima@gmail.com
domingo, 4 de novembro de 2018
Apesar de tudo
Olívia de Cássia Cerqueira
No dia 1º de outubro veio ao mundo Maria Luísa, minha sobrinha-neta, 15ª entre os de sangue e do coração. Fico me perguntando que mundo vai encontrar essa geração, quando tiver a idade de ter discernimento e entender as coisas.
Malu nasceu faltando poucos dias para o primeiro turno da eleição presidencial, num momento de muitas divergências e embates políticos, quando o conservadorismo, o machismo e a intolerância se fazem presentes mais do que nunca em nossa sociedade.
Social e culturalmente, foi um retrocesso de mais de 50 anos, em pleno século XXI, depois de tantas lutas dos movimentos sociais e políticos, em séculos passados, para conseguir melhorias para o país.
A vitória de um candidato conservador e que defende a tortura, reflete atualmente, o quanto estava escondido dentro de cada eleitor da criatura, sentimentos densos, levados pelo ódio a um partido político, elegendo o que tem de pior na sociedade, no que diz respeito a direitos do cidadão, avalio eu.
Mulheres como Bertha Lutz cientista, líder feminista e política paulista (1894-1976), uma das pioneiras da luta pelo voto feminino e pela igualdade de direitos entre homens e mulheres no país, se pudessem ver o que está acontecendo no país, ficariam de cabelo em pé.
Várias outras mulheres se destacaram em busca de um país melhor e mais justo, ao longo dos séculos e atualmente, mas o resultado das urnas desse ano deram um banho de água congelante em todos aqueles e aquelas que vislumbram um país de direitos.
O assassinato há pouco menos de um ano da ex-vereadora Marielle Franco e seu motorista deu o tom da cor do nosso tempo atual. Crimes ainda sem solução, como tantos outros no país. Quero acreditar que essa luta de todos e todas não foi em vão, apesar de tudo.
Quero acreditar que não devemos abandonar a luta e seguirmos em frente, de mãos dadas, em caravanas se for preciso, defendendo os direitos de todos os cidadãos e cidadãs. É o que tenho para hoje.
terça-feira, 16 de outubro de 2018
Ainda há esperança?
Olívia de Cássia Cerqueira
Não adianta o seu discurso racista,
homofóbico, xenófobo, machista e truculento.
Não adianta os seus seguidores quererem
nos intimidar com comentários imbecis e sem noção.
Vamos continuar lutando e querendo
um mundo melhor e mais justo para todos.
Um mundo onde o pobre possa ter oportunidades.
Um mundo de amor e de paz, sem intolerância
Em que a gentileza esteja sempre presente,
Sem discriminações, sem impedimentos
de nossas liberdades.
Ainda há esperança?
Não adianta o seu discurso racista,
homofóbico, xenófobo, machista e truculento.
Não adianta os seus seguidores quererem
nos intimidar com comentários imbecis e sem noção.
Vamos continuar lutando e querendo
um mundo melhor e mais justo para todos.
Um mundo onde o pobre possa ter oportunidades.
Um mundo de amor e de paz, sem intolerância
Em que a gentileza esteja sempre presente,
Sem discriminações, sem impedimentos
de nossas liberdades.
Ainda há esperança?
domingo, 14 de outubro de 2018
A democracia ameaçada
Por Olívia de Cássia Cerqueira
Já passa de meio dia; o sol está tinindo, como a gente diz no interior do Nordeste. Descanso do almoço na varanda de casa; livro no colo me aguarda a leitura, que está atrasada e lenta; Com a idade vamos ficando com mais vagareza nas ações.
Malala e Juca, meus pets, se aproximam para me fazerem companhia.
E me ponho a pensar nos dias de Intranquilidade que estamos vivendo no país, às vésperas do segundo turno das eleições para presidente.
Vejo o avanço desse atraso com preocupação para todos nós em que duas propostas estão em jogo. Precisamos livrar o Brasil da incitação ao ódio, à intolerância e do retrocesso, que são as perspectivas do projeto do candidato do atraso, votando em um candidato que defende a educação, economia, de paz e por um país melhor.
A democracia no Brasil está ameaçada, com um candidato da direita que defende o espancamento de pessoas, o militarismo e atraso de ações ao invés de lançar propostas construtivas. Mulheres, negros e homossexuais estão em pânico quando se vêm ameaçados com o aumento dos ataques de violência pelo país.
Os seguidores do tal candidato se vêm incitados a cometerem o barbarismo, espancando pessoas, matando, espalhando notícias falsas atingindo a moral do candidato do PT nas redes sociais.
O inominável é o que tem de pior para os direitos humanos, para quem defende um mundo melhor e mais justo. Estamos numa democracia, que mesmo torta, é sempre melhor que regimes ditatoriais.
A internet se tornou um campo de guerra, em que amizades foram desfeitas ou abaladas; rigas entre famílias, amigos e parentes. Vivemos momentos de tensão e de terror disseminado abertamente nas redes sociais, de segundo em segundo.
A democracia precisa ser preservada; a Constituição de 88, chamada de cidadã precisa ser cuidada, respeitada e preservada. Os programas sociais do Governo Lula que beneficiaram milhares de pessoas estão em perigo e precisam ter continuidade.
Precisamos lutar pelo fortalecimento da frente democrática nesse segundo turno, com partidos e pessoas democratas, capaz de resistirem, para impedir o avanço do nefasto.
Já está mais do que na hora de as pessoas esquecerem o ódio a um partido e pensaram mais no país. Sou defensora dos direitos humanos e sempre me colocarei ao lado de quem os defende, combate as desigualdades e quer o melhor para o futuro do Brasil.
Não podemos ser neutros nesse momento em que o país corre o risco de mergulhar nas trevas e retroceder à colônia. Peço a todos os amigos e conhecidos que estão em dúvida em quem votar, que repensem sua decisão e que não deixem de votar no segundo turno; não fiquem neutros nesse momento, porque só favorece ao outro candidato; o do retrocesso.
Esqueçam o ódio ao PT. Não é mais a eleição de partidos; agora são as ideias e projetos em jogo. Vamos resgatar o Brasil. Peço o seu voto para o candidato Fernando Hadadd e sua vice, a jornalista Manuela D´Avila, para construirmos e resgatarmos o País das garras desse governo que aí está e que representa o candidato do atraso. A democracia está em jogo. Reflitam. Boa tarde.
Já passa de meio dia; o sol está tinindo, como a gente diz no interior do Nordeste. Descanso do almoço na varanda de casa; livro no colo me aguarda a leitura, que está atrasada e lenta; Com a idade vamos ficando com mais vagareza nas ações.
Malala e Juca, meus pets, se aproximam para me fazerem companhia.
E me ponho a pensar nos dias de Intranquilidade que estamos vivendo no país, às vésperas do segundo turno das eleições para presidente.
Vejo o avanço desse atraso com preocupação para todos nós em que duas propostas estão em jogo. Precisamos livrar o Brasil da incitação ao ódio, à intolerância e do retrocesso, que são as perspectivas do projeto do candidato do atraso, votando em um candidato que defende a educação, economia, de paz e por um país melhor.
A democracia no Brasil está ameaçada, com um candidato da direita que defende o espancamento de pessoas, o militarismo e atraso de ações ao invés de lançar propostas construtivas. Mulheres, negros e homossexuais estão em pânico quando se vêm ameaçados com o aumento dos ataques de violência pelo país.
Os seguidores do tal candidato se vêm incitados a cometerem o barbarismo, espancando pessoas, matando, espalhando notícias falsas atingindo a moral do candidato do PT nas redes sociais.
O inominável é o que tem de pior para os direitos humanos, para quem defende um mundo melhor e mais justo. Estamos numa democracia, que mesmo torta, é sempre melhor que regimes ditatoriais.
A internet se tornou um campo de guerra, em que amizades foram desfeitas ou abaladas; rigas entre famílias, amigos e parentes. Vivemos momentos de tensão e de terror disseminado abertamente nas redes sociais, de segundo em segundo.
A democracia precisa ser preservada; a Constituição de 88, chamada de cidadã precisa ser cuidada, respeitada e preservada. Os programas sociais do Governo Lula que beneficiaram milhares de pessoas estão em perigo e precisam ter continuidade.
Precisamos lutar pelo fortalecimento da frente democrática nesse segundo turno, com partidos e pessoas democratas, capaz de resistirem, para impedir o avanço do nefasto.
Já está mais do que na hora de as pessoas esquecerem o ódio a um partido e pensaram mais no país. Sou defensora dos direitos humanos e sempre me colocarei ao lado de quem os defende, combate as desigualdades e quer o melhor para o futuro do Brasil.
Não podemos ser neutros nesse momento em que o país corre o risco de mergulhar nas trevas e retroceder à colônia. Peço a todos os amigos e conhecidos que estão em dúvida em quem votar, que repensem sua decisão e que não deixem de votar no segundo turno; não fiquem neutros nesse momento, porque só favorece ao outro candidato; o do retrocesso.
Esqueçam o ódio ao PT. Não é mais a eleição de partidos; agora são as ideias e projetos em jogo. Vamos resgatar o Brasil. Peço o seu voto para o candidato Fernando Hadadd e sua vice, a jornalista Manuela D´Avila, para construirmos e resgatarmos o País das garras desse governo que aí está e que representa o candidato do atraso. A democracia está em jogo. Reflitam. Boa tarde.
sábado, 13 de outubro de 2018
Os desentendimentos de sempre
Por Olívia de Cássia Cerqueira
A divergência de opinião existem desde que vamos formando nosso caráter e tendo opiniões próprias. Dizem os estudiosos que o exercício do diálogo abre espaço para divergência de opiniões e leituras de mundo. E é assim que deve ser.
Segundo o site Congresso em Foco, “a grande polarização política nacional que leva pessoas a brigarem em grupos de WhatsApp, a desfazerem amizade no Facebook e que divide o Brasil há dois anos não é uma questão só local. Opinião política diferente é onde há mais tensão em países do mundo todo, segundo pesquisa da Ipsos realizada em 27 países, incluindo o Brasil”.
Ainda segundo o mesmo site, ao todo, foram ouvidas cerca de 20 mil pessoas. Pelo menos 44% dos entrevistados escolheram esse tema como um dos motivos causadores de conflitos entre familiares e amigos.
Em seguida, 36% das pessoas ouvidas no trabalho apontaram as diferenças entre ricos e pobres e outros 30% apontaram questões relativas a conflitos entre imigrantes e a população nativa de cada país.
Ainda muito miúda acompanhava meu pai aos comícios da oposição no começo dos anos 1970, em plena ditadura militar, quando existiam apenas dois partidos: a extrema direita representada pela Arena e as forças da oposição concentradas do antigo MDB, partido do saudoso Ulysses Guimarães.
A ditadura militar foi um período que se estendeu no país por 20 anos, quando pessoas foram mortas e torturadas por pensarem diferente e quererem um país melhor. Fico sem norte quando vejo pessoas esclarecidas defendendo o que tem de pior no Brasil e no mundo.
Embora meu pai fosse muito temeroso e não quisesse nos ver na rua, por conta da repressão política, ele era fanático por política e eleitor número 1 do nosso primo Afrânio Vergetti, porque ele acreditava nas suas idéias e tinha admiração pelo primo.
E assim me criei vendo desavenças entre vizinhos, que não eram simples desentendimentos de ideias. Chegou a haver mortes ao longo dos anos em União, por conta de brigas entre os simpatizantes do dois candidatos, assim como acontece nos dias de hoje, sendo que o ódio de hoje é bem maior. A intolerância é uma epidemia.
Qualquer semelhança com o momento atual, que está mais agravado, não é mera coincidência. Política e eleições eram eventos que o meu pai se entusiasmava e quando ainda andava ia de noite para o viaduto, reduto dos homens em União, para saber as novidades da conjuntura, pois naquela época os meios de informação eram escassos e tecnologia nem se sonhava ter.
Eu não entendia tudo aquilo, mas gostava de acompanhar papai aos comícios. O material de propaganda usado naquela época era muito primitivo: eram pequenas bandeirinhas com o nome e uma foto que pareciam xilogravura colados num palito parecido com os de churrasquinho.
Parecidos também com as bandeirolas distribuídas nas procissões do interior ou faixas mal feitas de murim, tecido usado pelas costureiras para forrar peças de roupas das suas freguesas. Além desse material, uma foto no mesmo estilo do candidato, distribuído aos eleitores.
Os candidatos da oposição, que eu e meu pai acompanhávamos, ficavam num palanque improvisado na carroceria de um caminhão, com um microfone que nem sempre funcionava. E ali Francisco Pimentesl, Moura Rocha, Mendonça Neto, José Costa, Marcos Freire, Afrânio Vergetti de Siqueira e correligionários davam o recado. Íamos também na boleia dos caminhões aos comicios no povoado Timbó.
Naquela época as forças de oposição se concentravam numa grande frente no antigo MDB, que aglomerava pessoas de vanguarda daquela época. Faziam discursos inflamados contra aquele momento de vergonha que o país passava.
E eu, com meus dez anos me emocionava, junto ao meu pai, sem entender aquele palavreado que já me tocava de alguma forma, me deixando fascinada. Mas também naquela época como nos dias atuais havia muita br4iga entre vizinhos e familiares tanto da Arena, que representava a extrema direita, quanto do MDB, da oposição.
Presenciei naquela época desavenças até dentro da igreja, quando pessoas desmaiavam e tinham crises estranhas, intrigas de vizinhos e amigos, partidários de Afrânio ou de Mano. Não pensem os leitores que a briga de idéias ou de preferências partidárias seja de agora, mesmo que o contexto fosse diferente.
Quando comecei a votar, sempre o fiz na oposição, aqueles que na minha visão de jovem pensavam no coletivo e nos menos favorecidos. Já na faculdade, nos primeiros dias, fui logo me engajando aos companheiros do movimento estudantil e ainda na época da ditadura, eu e minha amiga Ozana Pinto fazíamos campanha para o candidato José Costa, quando fomos impedidas pelos amigos do seu pai, o empresário Lula Pinto.
Estive nas ruas pelas Diretas-já, em quase todos os momentos. Fui à rua pedir o Fora Collor e sempre me engajei nas lutas sociais e por um mundo melhor e um país mais justo. Tem sido assim desde sempre, mesmo que agora a saúde não me permita mais estar nas ruas.
Continuarei a lutar, até que seja impedida fisicamente e chamada à casa do Pai, sem medo de ser feliz. Minha militância agora se dá nas redes sociais, onde tenho feito minha campanha para meu candidato, sem invadir página de ninguém.
Independente de qualquer resultado que tenha essa eleição, continuarei a lutar pelos meus ideais. Vejo nos dias de hoje um total retrocesso total de ideias, político e social, depois termos tido grandes conquistas no governo Lula.
As perspectivas do momento não são as melhores, se esse candidato da direita vier a assumir a presidência. Precisamos ficar atentos e continuar a nossa militância nesse segundo turno. Bom dia.
A divergência de opinião existem desde que vamos formando nosso caráter e tendo opiniões próprias. Dizem os estudiosos que o exercício do diálogo abre espaço para divergência de opiniões e leituras de mundo. E é assim que deve ser.
Segundo o site Congresso em Foco, “a grande polarização política nacional que leva pessoas a brigarem em grupos de WhatsApp, a desfazerem amizade no Facebook e que divide o Brasil há dois anos não é uma questão só local. Opinião política diferente é onde há mais tensão em países do mundo todo, segundo pesquisa da Ipsos realizada em 27 países, incluindo o Brasil”.
Ainda segundo o mesmo site, ao todo, foram ouvidas cerca de 20 mil pessoas. Pelo menos 44% dos entrevistados escolheram esse tema como um dos motivos causadores de conflitos entre familiares e amigos.
Em seguida, 36% das pessoas ouvidas no trabalho apontaram as diferenças entre ricos e pobres e outros 30% apontaram questões relativas a conflitos entre imigrantes e a população nativa de cada país.
Ainda muito miúda acompanhava meu pai aos comícios da oposição no começo dos anos 1970, em plena ditadura militar, quando existiam apenas dois partidos: a extrema direita representada pela Arena e as forças da oposição concentradas do antigo MDB, partido do saudoso Ulysses Guimarães.
A ditadura militar foi um período que se estendeu no país por 20 anos, quando pessoas foram mortas e torturadas por pensarem diferente e quererem um país melhor. Fico sem norte quando vejo pessoas esclarecidas defendendo o que tem de pior no Brasil e no mundo.
Embora meu pai fosse muito temeroso e não quisesse nos ver na rua, por conta da repressão política, ele era fanático por política e eleitor número 1 do nosso primo Afrânio Vergetti, porque ele acreditava nas suas idéias e tinha admiração pelo primo.
E assim me criei vendo desavenças entre vizinhos, que não eram simples desentendimentos de ideias. Chegou a haver mortes ao longo dos anos em União, por conta de brigas entre os simpatizantes do dois candidatos, assim como acontece nos dias de hoje, sendo que o ódio de hoje é bem maior. A intolerância é uma epidemia.
Qualquer semelhança com o momento atual, que está mais agravado, não é mera coincidência. Política e eleições eram eventos que o meu pai se entusiasmava e quando ainda andava ia de noite para o viaduto, reduto dos homens em União, para saber as novidades da conjuntura, pois naquela época os meios de informação eram escassos e tecnologia nem se sonhava ter.
Eu não entendia tudo aquilo, mas gostava de acompanhar papai aos comícios. O material de propaganda usado naquela época era muito primitivo: eram pequenas bandeirinhas com o nome e uma foto que pareciam xilogravura colados num palito parecido com os de churrasquinho.
Parecidos também com as bandeirolas distribuídas nas procissões do interior ou faixas mal feitas de murim, tecido usado pelas costureiras para forrar peças de roupas das suas freguesas. Além desse material, uma foto no mesmo estilo do candidato, distribuído aos eleitores.
Os candidatos da oposição, que eu e meu pai acompanhávamos, ficavam num palanque improvisado na carroceria de um caminhão, com um microfone que nem sempre funcionava. E ali Francisco Pimentesl, Moura Rocha, Mendonça Neto, José Costa, Marcos Freire, Afrânio Vergetti de Siqueira e correligionários davam o recado. Íamos também na boleia dos caminhões aos comicios no povoado Timbó.
Naquela época as forças de oposição se concentravam numa grande frente no antigo MDB, que aglomerava pessoas de vanguarda daquela época. Faziam discursos inflamados contra aquele momento de vergonha que o país passava.
E eu, com meus dez anos me emocionava, junto ao meu pai, sem entender aquele palavreado que já me tocava de alguma forma, me deixando fascinada. Mas também naquela época como nos dias atuais havia muita br4iga entre vizinhos e familiares tanto da Arena, que representava a extrema direita, quanto do MDB, da oposição.
Presenciei naquela época desavenças até dentro da igreja, quando pessoas desmaiavam e tinham crises estranhas, intrigas de vizinhos e amigos, partidários de Afrânio ou de Mano. Não pensem os leitores que a briga de idéias ou de preferências partidárias seja de agora, mesmo que o contexto fosse diferente.
Quando comecei a votar, sempre o fiz na oposição, aqueles que na minha visão de jovem pensavam no coletivo e nos menos favorecidos. Já na faculdade, nos primeiros dias, fui logo me engajando aos companheiros do movimento estudantil e ainda na época da ditadura, eu e minha amiga Ozana Pinto fazíamos campanha para o candidato José Costa, quando fomos impedidas pelos amigos do seu pai, o empresário Lula Pinto.
Estive nas ruas pelas Diretas-já, em quase todos os momentos. Fui à rua pedir o Fora Collor e sempre me engajei nas lutas sociais e por um mundo melhor e um país mais justo. Tem sido assim desde sempre, mesmo que agora a saúde não me permita mais estar nas ruas.
Continuarei a lutar, até que seja impedida fisicamente e chamada à casa do Pai, sem medo de ser feliz. Minha militância agora se dá nas redes sociais, onde tenho feito minha campanha para meu candidato, sem invadir página de ninguém.
Independente de qualquer resultado que tenha essa eleição, continuarei a lutar pelos meus ideais. Vejo nos dias de hoje um total retrocesso total de ideias, político e social, depois termos tido grandes conquistas no governo Lula.
As perspectivas do momento não são as melhores, se esse candidato da direita vier a assumir a presidência. Precisamos ficar atentos e continuar a nossa militância nesse segundo turno. Bom dia.
quinta-feira, 20 de setembro de 2018
Sentindo-me agradecida...
Olívia de Cássia Cerqueira
Sento-me diante da tela do computador, abrindo a página em branco do editor de texto e pensando nas possibilidades do que eu possa expressar agora, depois da expectativa de ter publicado Mosaicos do Tempo.
Dessa forma, resolvo fazer uma compilação de textos que escrevi e publiquei no blog, sem nenhuma pretensão maior, a não ser a possibilidade de um dia, talvez, voltar a publicar esses escritos, para colocar o cérebro em atividade e não perder as minhas esperanças diante das minhas já acentuadas limitações, por conta do Doença de Machado Joseph.
Finalizei Mosaicos, em 2004, com a morte de mamãe e a minha separação, que aconteceu em setembro de 2003 e me deixou sem norte, me levando a uma terapia com psiquiatra e a partir daí surge a idéia de escrever o livro.
Parece que a iniciativa de escrever com mais frequência sempre se dá quando algo me impulsiona e me afeta de alguma forma. Posso dizer que quase cheguei ao fundo do poço, embora a pessoa em questão não merecesse o meu sofrimento e a minha dor. Mas tudo bem, me serviu de lição e amadurecimento.
Embora à época eu tivesse cheia de conceitos feministas e filosóficos, me deixei levar àquele tempo, por um sentimento de baixa autoestima e desamor a mim, que me perseguia desde a infância. Felizmente, passados todos esses anos, sobrevivi a tudo aquilo e posso dizer que hoje eu sou uma vencedora, que sou feliz, apesar do meu problema de saúde que já me limita de realizar algumas tarefas, às vezes as mais banais.
Atualmente envolvida nas questões políticas, na conjuntura que o Brasil vive, com minhas leituras, meus pets, fotografia e agora com a divulgação e venda de Mosaicos do Tempo, posso dizer que só me falta ter condições de viajar com mais frequência , para ser uma pessoa realizada.
Reafirmo todos os dias a minha gratidão às pessoas, amigos, conhecidos e anônimos, que se dispuseram a contribuir com esse momento que estou vivendo. Agradecer a Deus por ainda me dá discernimento e coragem para lutar por um mundo melhor, por uma país mais justo e contra todo tipo de preconceito, contra quem quer que seja. Viva a liberdade, viva a democracia.
Sento-me diante da tela do computador, abrindo a página em branco do editor de texto e pensando nas possibilidades do que eu possa expressar agora, depois da expectativa de ter publicado Mosaicos do Tempo.
Dessa forma, resolvo fazer uma compilação de textos que escrevi e publiquei no blog, sem nenhuma pretensão maior, a não ser a possibilidade de um dia, talvez, voltar a publicar esses escritos, para colocar o cérebro em atividade e não perder as minhas esperanças diante das minhas já acentuadas limitações, por conta do Doença de Machado Joseph.
Finalizei Mosaicos, em 2004, com a morte de mamãe e a minha separação, que aconteceu em setembro de 2003 e me deixou sem norte, me levando a uma terapia com psiquiatra e a partir daí surge a idéia de escrever o livro.
Parece que a iniciativa de escrever com mais frequência sempre se dá quando algo me impulsiona e me afeta de alguma forma. Posso dizer que quase cheguei ao fundo do poço, embora a pessoa em questão não merecesse o meu sofrimento e a minha dor. Mas tudo bem, me serviu de lição e amadurecimento.
Embora à época eu tivesse cheia de conceitos feministas e filosóficos, me deixei levar àquele tempo, por um sentimento de baixa autoestima e desamor a mim, que me perseguia desde a infância. Felizmente, passados todos esses anos, sobrevivi a tudo aquilo e posso dizer que hoje eu sou uma vencedora, que sou feliz, apesar do meu problema de saúde que já me limita de realizar algumas tarefas, às vezes as mais banais.
Atualmente envolvida nas questões políticas, na conjuntura que o Brasil vive, com minhas leituras, meus pets, fotografia e agora com a divulgação e venda de Mosaicos do Tempo, posso dizer que só me falta ter condições de viajar com mais frequência , para ser uma pessoa realizada.
Reafirmo todos os dias a minha gratidão às pessoas, amigos, conhecidos e anônimos, que se dispuseram a contribuir com esse momento que estou vivendo. Agradecer a Deus por ainda me dá discernimento e coragem para lutar por um mundo melhor, por uma país mais justo e contra todo tipo de preconceito, contra quem quer que seja. Viva a liberdade, viva a democracia.
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