Olívia de Cássia Cerqueira
2.
Não preciso de uma análise mais aprofundada para saber que sempre fui idealista e sonhadora. Sonhava com viagens, em conhecer o mundo, pessoas, culturas diferentes, concluir meu curso de línguas e fazer outros e nada disso eu fiz.
E vem a certeza de que muitas vezes, e quase sempre são melhores o silêncio, a reflexão e o desabafo interior, cá com nossos botões.
Procurar distrair aquela intuição com leitura, música; no meu caso escrever e não procurar descarregar frustrações nas outras pessoas.
Saber que o amanhã é outro dia e você poderá ser melhor do que agora; ter a certeza de que a esperança ainda existe em meu coração. (Cheiro de Memórias – 2021)
Agradeço ao universo pela vida que tive e tenho, pois tem gente por aí passando mais perrengues que eu. Não sou perfeita, há momentos de desalento. Mas quando a idade avança, a gente vai ficando mais frágil, mais sensível.
Meu desejo era construir pontes, caminhos que me levassem a realizar o melhor de mim. Não queria passar por essa vida sem deixar coisas boas e positivas, pensava eu.
Ainda peço a Deus que me faça melhor a cada dia. Tenho em mim uma mulher que pensa, rir e não tem medo de chorar, embora as lágrimas tenham secado de tanto que fui chorona no passado já distante. Muitas vezes sinto-me uma criança que ainda acredita na vida, apesar de tudo. (Cheiro de Memórias - 2021).
Me encanta a simplicidade das coisas, o pôr do sol, o mar, o surgir da lua. Escrevi no blog que tenho em mim um ser errante que busca em si a harmonia para viver em paz.
Passei a maior parte do tempo buscando verdades. As minhas verdades. Cometi muitos erros, principalmente com mamãe, desde a adolescência. (Cheiro de Memórias - 2021).
Eu não entendia o jeito de ser dela e por sua vez ela não me compreendia. Eu também não me amava e durante muito tempo foi assim.
Tinha tamanha agressividade e rebeldia, que nem eu me entendia. Precisei me reconectar com o mundo real, pois sobreviver era essencial.
Passados tantos anos fico imaginando quanto desentendimento poderíamos ter evitado. Hoje eu entendo que d. Antônia tivesse medo que eu passasse por situações difíceis e por isso relutava tanto diante das minhas fraquezas.
Ela me conhecia muito mais do que eu e sabia da dificuldade que sempre tive no que se refere aos relacionamentos afetivos. Há momentos que me sinto culpada pela falta de paciência com ela. (Mosaicos do Tempo - 2018)
Cecília Meireles escreveu que liberdade é uma palavra que o sonho humano alimenta, mas que não há ninguém que a explique e ninguém que a entenda.
Talvez seja essa liberdade que existe dentro de mim, esse sentimento que sempre nutri, de ser livre, que esteja reclamando de algo que não fiz tenha me privado de fazer.

Nenhum comentário:
Postar um comentário