terça-feira, 19 de maio de 2015

CPI da Câmara faz diagnóstico da violência contra jovens negros e pobres

Audiência pública realizada na ALE ouve familiares de vítimas de homicídios e discute problema no Estado

 / Tribuna Independente 19 Mai de 2015 - 11:01

Foto: Adailson Calheiros
Desafio lançado ao Estado requer que ALE também possa constituir uma Comissão Especial para acompanhar o tema
Desafio lançado ao Estado requer que ALE também possa constituir uma Comissão Especial para acompanhar o tema
Dar visibilidade ao tema, fazer um diagnóstico e oferecer soluções legislativas, por meio de um projeto compartilhado, com planos de metas para estados, municípios e União é o que propõe a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara dos Deputados, que investiga a violência contra jovens negros e pobres no Brasil.
Segundo o presidente da comissão e autor da criação da CPI, deputado Reginaldo Lopes (PT/MG), na audiência pública realizada na Assembleia Legislativa, na tarde de ontem,  é inaceitável o silêncio da sociedade brasileira a respeito dos homicídios contra jovens pobres e negros. “Nós precisamos mudar a realidade do nosso país em relação ao número de homicídios”, observa
Segundo ele, Alagoas é o Estado onde tem o maior índice de homicídios para cada cem mil. De acordo com o Mapa da Violência,  são 193 assassinatos para cada cem mil habitantes e  na cidade de Maceió mais de 300 para cada cem mil. “Os dados são estarrecedores”, pontua.
Reginaldo Lopes, observa que é fundamental a presença da CPI em Maceió. “O desafio que está colocado, para o Estado de Alagoas, requer que a Assembleia Legislativa do Estado pudesse também constituir uma Comissão Especial para acompanhar e dar visibilidade a esse tema, acompanhar os trabalhos nossos em Brasília”, sugeriu.  
O deputado avalia que é preciso desnaturalizar a questão dos assassinatos no Brasil: “A sociedade não pode aceitar. Os indicadores da Organização das Nações Unidas (ONU) consideram guerra civil país que mata mais de dez a cada cem mil habitantes”, destaca.
Reginaldo Lopes diz ainda que é preciso transformar o tema de domínio popular: “Segurança pública não pode ficar reservado, elitizado o debate. Esse tema é do cidadão, quem recebe segurança pública é ele, cabe a cada um participar da concepção sobre a segurança pública no Brasil”, pontua.
O deputado do Partido dos Trabalhadores de Minas Gerais disse que a proposta da CPI é que o País tenha que fazer um novo sistema federativo em que município e união passem a ter um papel nesse debate e estabelecer um plano de metas feito pelo estado brasileiro, com obrigação dos municípios e dos estados também.
Novo sistema federativo de segurança deve ser partilhado, segundo comissão
Quando for finalizado o trabalho da comissão, o presidente Reginaldo Lopes observa que será feito um projeto criando esse novo sistema federativo de segurança pública partilhado, integrando as ações, unificando as polícias, e ao mesmo tempo e mais importante, um plano de metas englobando município, estados e união, que terão que elaborar um plano de metas com controle da sociedade.
“A sociedade fará o monitoramento para ver se esse plano será realmente implementado; com meta  de redução das taxas de violência, mas acima de tudo políticas sociais preventivas para evitar a violência e os homicídios no Brasil”, destaca.
(Foto: Adailson Calheiros)
Presidente da CPI, Reginaldo Lopes diz que projeto terá políticas sociais preventivas
O deputado Paulão, autor do requerimento propondo a sessão no Estado e titular da comissão, fez um resumo do trabalho da comissão e disse que o tema foi despertado a partir do Mapa da Violência, a partir de um estudo do professor Júlio Jacobo.
Segundo o estudo, as oito cidades mais violentas do País estão no Estado de Alagoas e que essa violência tem localização na periferia de Maceió e nas cidades consideradas mais violentas.
“Essa pesquisa define também o sexo, o masculino, com idade de 14 a 29 anos e define o corte étnico racial que é a população negra e as comunidades pobres. Diante disso a CPI começou fazendo audiências com oitivas ouvindo os estudiosos, começando pelo autor do Mapa da Violência, Júlio Jacobo e várias entidades, visitas in loco, como no Morro do Alemão, onde a situação é muito complexa”, destaca. Paulão observa que é preciso discutir o modelo de segurança no Brasil. “Esse modelo tem que ser modificado”.
Depois do diagnóstico e do relatório, da deputada Rosângela (Gomes) a CPI vai buscar soluções e entregar o relatório ao Ministério  Público, à Câmara Federal, Executivo, presidente da República, e as autoridades que vão melhorar esse índice de mortes”, observou.
Rosângela Gomes (PRB/RJ), que está no primeiro mandato, disse que  o passado triste do povo negro é a escravidão e que infelizmente a sociedade ainda vê a pele negra como secundária na sociedade.
“Nós não podemos admitir mais isso, esse quadro tem que mudar”, observou. A deputada disse ainda que     já começou o seu mandato com uma responsabilidade importante que é ser relatora dessa CPI, que para ela é uma das mais importantes.
“Nós sempre fomos invisíveis nessa sociedade e agora de uma forma brilhante a CPI se coloca para investigar os assassinatos de jovens, pobres e negros”.
CONSULTOR
O consultor da comissão, advogado Pedro Montenegro, que é ligado à questão dos direitos humanos no Estado, disse que a CPI é fundamental porque ela traz luz sobre o assunto.
“É um tema gravíssimo no País, estamos muito acima e em Alagoas mais ainda. Temos taxas altíssimas no Estado e estamos tratando de uma epidemia. A CPI vai fazer o diagnóstico e vai oferecer soluções legislativas”, destacou.
Próxima cidade a ser visitada pela comissão é São Paulo
O deputado Paulão destacou que depois do Morro do Alemão, a CPI visitou a cidade de Salvador e agora Maceió: a próxima cidade a ser feita sessão será em São Paulo. “Não dá para suportar um final de semana, de sexta a segunda-feira e você ter 36 mortes, em alguns bairros tipificados como os mais violentos e jovens, negros, meninos e da periferia”, ressalta.
(Foto: Adailson Calheiros)
Para o deputado alagoano Paulão, é preciso defender a vida
Segundo o deputado do PT, existe um corte com o novo fenômeno chamado crack, onde tem a violência do jovem contra o jovem, mas existe também a violência do agente público. “Temos que defender a vida, estamos remando contra a maré, a luta dos direitos humanos não dá voto, mas temos que discutir esse processo, infelizmente a maioria da população defende a pena de morte, mas precisamos realizar esse debate”, pontua. 
CASO BRUNO
O deputado-delegado Edson Moreira (PTN/MG), que ficou conhecido no País por ter atuado e desvendado o caso do goleiro de Bruno, do Flamengo, disse que a comissão fez visita ao diretor-geral da Polícia Civil (Paulo Cerqueira) e procurou saber qual o motivo de os jovens serem assassinados no Estado, “qual o motivador, sendo Maceió o primeiro no Brasil e o 44º no mundo e ele explicou que a maioria dos homicídios (80%) está ligado às drogas ou ao redor delas”, ressalta.
O trabalho da CPI, segundo Edson Moreira, foi muito proveitoso em Alagoas:  “Fizemos oitivas, vamos ficar até tarde da noite e na madrugada vamos embora”, observa.
Mãe de jovem desaparecido diz que deseja que o filho seja encontrado
Dona Maria José da Silva, mãe do jovem Davi da Silva, do bairro do Benedito Bentes, desaparecido desde agosto do ano passado estava lá. Uma senhora pequena, frágil, sensível e que mal conteve a emoção ao falar do filho e da falta que ele faz. “Espero que meu filho seja encontrado; eu queria meu filho vivo”, observou dona Maria.
Ela comentou que começou a investigar o desaparecimento do filho, procurou em todos os lugares, mas até agora, nada. “Começamos investigando, mas até hoje não me deram uma resposta de nada. Já bati em todas as portas, para ver se encontram meu filho. Foi a polícia quem pegou meu filho, porque teve gente que viu, quando eles botaram meu menino dentro do carro”, disse ela.
Dona Maria José ressaltou que o filho Davi  estava na companhia de um amigo. “Aí o outro disse que revistaram os dois; abordaram e mandaram o outro abaixar a cabeça e ficar virado para a parede e colocaram meu filho dentro do carro. Disseram que iam dar uma volta com ele no ‘Aprígio’ um local que tem pra lá, aí o menino foi dizer muito tempo depois e acho que meu filho já estava muito longe”, observou.
A mãe de Davi disse que quando soube da notícia do desaparecimento do filho, estava no quintal lavando roupa. “Soltei tudo e saí atrás, bati todo canto, procurei e nada. Fui ao quinto Batalhão, no Aprígio, levei a foto dele, me mandaram ir  para Central de Polícia, eu fui e não encontrei”, reforça.
OUTRO CASO
Dona Lucielma é funcionária pública, estava na sessão de ontem acompanhada pelo líder comunitário Israel, do Benedito Bentes, e falou que o filho dela foi assassinado em Massagueira;  estava na casa dele quando foi assassinado.
“Os amigos o chamaram para beber e nessa bebida quando eu estava trabalhando recebi um telefonema de uma pessoa dizendo que tinham assassinado ele. Eu e meu marido estávamos no trabalho. Eu acho o seguinte: ninguém tem o direito de tirar a vida de ninguém, até se você fizer alguma coisa  contra aquela pessoa,  tem a Justiça para você procurar”, avalia.
Segundo ela, a família não procurou a Justiça para tentar solucionar o caso. “A gente deixou pra lá, somos uma família religiosa , a esposa dele mora lá em Massagueria, ele tem um filho que vai fazer cinco anos e a gente fica até com medo de uma ação e deixou pra lá: entregamos na mão de Jesus”, ressaltou.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Luar do Sertão se prepara para fazer bonito no São João

Quadrilha estilizada compete há 28 anos,
já ganhou vários prêmios e passa 
a tradição de pai para filhos

Olívia de Cássia - Repórter
A quadrilha junina Luar do Sertão, do bairro do Prado, em Maceió, está se preparando para fazer bonito no próximo São João: os componentes recebem treinamento rígido nos ensaios, do coreógrafo, produtor e noivo Davi Perdigão, para que faça bonito e novamente seja vencedora nas competições que participa.

A quadrilha  Luar do Sertão não para; os componentes descansam um mês e em seguida já retomam às atividades - Fotos: Paulo Tourinho

A quadrilha não para; os componentes descansam um mês e em seguida já retomam às atividades. Davi está há onze anos como coreógrafo e explica que  a Luar foi a única de fora de Pernambuco escolhida para o Festival Pré-junino, para representar Alagoas e encerrar o evento, patrocinado pela Liga de Quadrilhas de Pernambuco, que aconteceu neste domingo, 17. (Veja o vídeo)  https://www.facebook.com/209350839219590/videos/vb.209350839219590/474633546024650/?type=2&theater&notif_t=comment_mention

Davi Perdigão, coreógrafo, produtor e noivo da quadrilha Luar do Sertão

Além de coreógrafo, Davi Perdigão também produz o kit bolsa-figurino que os componentes vão utilizar, como assessórios, sapatos, meias, entre outros objetos. O dançarino paga um valor X, dividido em três vezes, para todo o material que vai precisar nas apresentações. “Isso tudo sem apoio financeiro de ninguém, nós bancamos tudo”, ressalta o presidente da quadrilha Cláudio Menezes.

Cláudio Menezes, Presidente da quadrilha Luar do Sertão,

As quadrilhas estilizadas foram substituindo com o tempo as antigas quadrilhas tradicionais de São João, trazidas para o Brasil colonial pelos Europeus. No início, estavam associadas às formações militares existentes à época. Tinham passos mais lentos e uniformes e a música não era o forró.
No Nordeste, a dança ganhou traços regionais e marcação de triângulo, zabumba e sanfona, mas hoje essa tradição quase que se perdeu no tempo. As quadrilhas estilizadas mostram para o público a dança junina com passos coreografados, roupas com bastante brilho e até mesmo cenários.
Com a necessidade de cativar os jovens para a perpetuação da essência dessa tradição, muitas das quadrilhas existentes ganharam nova roupagem. As mais tradicionais permanecem e têm público cativo, mas ao longo dos anos as do tipo estilizadas vêm conquistando seu lugar nos arraiais do Brasil.

A quadrilha ainda não tem sede própria, mas o grupo está se organizando para isso

A reportagem do portal Primeiro Momento acompanhou uma tarde de ensaio da Luar do Sertão, que tem 32 anos de existência, mas compete há 28 e já ganhou vários prêmios durante esse tempo nos concursos de quadrilha pelo Brasil a fora. A Luar do Sertão tem uma particularidade: componentes que dançam desde a sua formação e foram passando a tradição para os filhos, que também participam da comunidade.
A quadrilha ainda não tem sede própria, mas o grupo está se organizando para isso. O presidente diz que em 1987 começou competindo e já ganhou no Campeonato Alagoano de Quadrilhas 15 vezes; três brasileiros; a mesma quantidade no Novo Nordeste, além de prêmios no Nordestão. A entidade tem uma vida própria e está em evidência durante todo o ano, realizando também trabalhos comunitários.

Quando terminam os festejos juninos o trabalho recomeça

O presidente Cláudio Menezes explica que assim que termina o São João, o trabalho recomeça, da mesma forma que as escolas de samba do Rio de Janeiro. “A gente faz eventos, bingos, festas em boates, feijoadas para arrecadar fundos o colocar o espetáculo em prática”, comenta.

O presidente Cláudio Menezes explica que assim que termina o São João, o trabalho recomeça, da mesma forma que as escolas de samba do Rio de Janeiro

O investimento das quadrilhas estilizadas é pesado, desde a maquiagem, cabeleireiro, vestimentas e todo o aparato que é utilizado nas apresentações. Tem roupas para os ensaios e específicas para as apresentações que é guardado segredo até a última hora. Segundo os organizadores, tem apresentação que é de mais de um traje e isso requer muito esforço.

Tradição vai sendo passada para novas gerações

karlleane e o marido Leandro se conheceram na quadrilha em 2011, casaram o ano passado, mas há quatro anos estão juntos. Ela diz que ano passado dançou grávida e esse ano vai dançar de novo e deixar o bebê com a sua mãe e conta que está na Luar do Sertão há cinco anos.

Karlleane e o marido Leandro se conheceram na quadrilha em 2011, casaram o ano passado, mas há quatro anos estão juntos

O esposo Leandro observa que é uma satisfação participar desse meio junino. “Desde que eu vim, em 2007, me apaixonei; conheci minha esposa aqui: ela já vinha de outra quadrilha e começamos a namorar. Ano passado a gente noivou, ela já estava grávida, eu não sabia, ela dançou grávida de quatro meses e em setembro no chá bebê eu fiz uma surpresa e a gente casou no chá de bebê; o fruto desse amor pela quadrilha e pelo São João está aqui”, diz ele mostrando o filho.

O fruto desse amor pela quadrilha e pelo São João está aqui”, diz ele mostrando o filho.

“Nossas roupas, nossos calçados, tudo a gente paga nesses eventos que faz para arrecadar dinheiro para as competições. Estamos associados como se fosse uma ONG que faz vários trabalhos sociais: começamos essa prática do ano passado para cá, arrecadando alimentos, material de limpeza, roupa, para ajudar o pessoal dos asilos, inclusive ano passado fizemos uma ação solidária no Natal, ajudando aqueles que nunca tiveram nada”, observa Leandro.
Suelene e Guilherme é outro casal que também começou a namorar na Luar do Sertão e estão na quadrilha desde o começo. Antes eram apenas amigos, cada um namorava pessoas diferentes e depois iniciaram o relacionamento, casaram e estão desde o início. Ele conta que já tem 50 anos e mesmo assim ainda vai dançar por muitos anos.

Suelene e Guilherme é outro casal que também começou a namorar na Luar do Sertão e estão na quadrilha desde o começo

Bruna e Stefani, 22 e 18 anos, são filhas de José Costa Lima Júnior, que dança com sua esposa desde o início. Bruna conta que dança desde os 12 anos; o pai há 30 anos: “Estou desde a fundação da quadrilha, já dançava em outras. Eu e minha esposa fazemos parte da fundação e achávamos que quando as meninas começassem a dançar a gente parava, mas estamos aqui até agora, minhas filhas já dançam há anos também”, explica Júnior.

Bruna e Stefani, 22 e 18 anos, são filhas de José Costa Lima Júnior, que dança com sua esposa desde o início

Noiva e Rainha da Quadrilha

Darianny é noiva da quadrilha há nove anos, mas disse que está na Luar do Sertão há 12. “Já dancei grávida, com barrigão; isso aqui é uma confraternização maravilhosa, faz parte da minha vida, é minha segunda família, me sinto em casa, mas todo ano é uma emoção diferente”, pontua.

Darianny é noiva da quadrilha há nove anos, mas disse que está na Luar do Sertão há 12 anos

Jane Lima é a rainha da quadrilha pela primeira vez, mas destacou que já dança há oito anos na quadrilha. “Eu sempre gostei de dançar e da cultura junina e já faz 20 anos que danço quadrilha, antes estava em outra, já participei de várias quadrilhas do bairro que acabaram e resolvi participar da Luar”, enfatiza.

Jane Lima é a rainha da quadrilha pela primeira vez, mas destacou que já dança há oito anos na quadrilha

Ela conta que procurou o pessoal da organização, “fui atrás, falei com o presidente e estou aqui até hoje. Jane explica que as apresentações requerem muito ensaio, porque tem ano que tem várias trocas de roupa: “Enquanto um grupo está dançando o outro vai trocar de traje”, destaca.

 De outras localidades 

Os 140 componentes que dançam na quadrilha não vêm só do bairro do Prado, mas também de outros bairros e do interior do Estado como Arapiraca e Porto Calvo; mais vinte pessoas no apoio e uma banda com 14 músicos. “Os ensaios da Luar são ‘overdose’, às vezes duram o dia inteiro e a comunidade se organiza levando comida, para que os componentes possam se alimentar”, destaca.
Joyce Prado é moradora do bairro operário de Fernão Velho e está na quadrilha Luar do Sertão há oito anos e participa junto com o noivo da agremiação. “É um mundo mágico, a gente se diverte, apesar de gastar, é uma família e tem um pessoal que quando não posso ir para casa durmo na casa deles, virou uma família, na verdade”, avalia.

Joyce Prado é moradora do bairro operário de Fernão Velho e está na quadrilha Luar do Sertão há oito anos

Aldiran só tem um ano na Luar do Sertão e disse que está gostando muito. “Estou amando participar, o pessoal é ótimo, acolhedor e encontrei aqui uma nova família”, destaca.

Aldiran só tem um ano na Luar do Sertão e disse que está gostando muito

Costureira fala do seu trabalho na confecção das roupas das quadrilhas estilizadas

A costureira Marisa Cabral confecciona roupas das quadrilhas estilizadas de Maceió há anos e diz que se abrir mão, trabalha o ano todo. “Começo a trabalhar para o São João depois do carnaval; depois que a quadrilha deixou de ser tradicional e foi para o formato estilizada, é realmente uma escola de samba”, pontua.

A costureira Marisa Cabral confecciona roupas das quadrilhas estilizadas de Maceió há anos e diz que se abrir mão, trabalha o ano todo

Dona Marisa Cabral conta que tem oito pessoas trabalhando com ela e que terceiriza o trabalho, para poder dar conta. “Antigamente o trabalho era todo em casa; agora não. Eu tenho pessoas que fazem o babado para mim, outra peça e só faço montar”, destaca.
Ela conta que existe quadrilha estilizada que tenha só uma roupa: “Hoje, por mais simples que seja, tem mais de um traje. Outra quadrilha aqui do Prado só tem cinco anos, 40 casais e já vem cada dama com duas roupas. Ninguém usa mais uma roupa só para dançar; nem pensam”, observa.

A estilista pontua que para participar de uma quadrilha estilizada o participante tem que desembolsar muito dinheiro: cerca de três mil reais para um casa

Ela explica que antigamente as roupas eram confeccionadas com tecidos barateados como chita e bico: “Hoje não se usa nem bico mais, é lantejoula, estrais e outros detalhes caros. Uma componente de uma dessas quadrilhas do bairro gastou quase R$ 300 reais só com pedras para colocar na roupa; extrapolou mesmo”, ressalta.
A costureira pontua que para participar de uma quadrilha estilizada o participante tem que desembolsar muito dinheiro: cerca de três mil reais para um casal. “Tem que ter condições para entrar num balanço desse e a costureira para dar conta, tem que trabalhar muito. Antigamente eu costurava só para a Luar; eu fazia as roupas de todos os componentes, mas quando começou a crescer, em matéria de temas e de roupas, não deu mais, teve que colocar mais costureiras”, pontua.
Marisa Cabral explica ainda que cada casal representa de quatro a cinco estados do Nordeste. “Um homem que vai representar quatro estados ele vem com quatro camisas, quatro coletes; um monte de roupa, a mulher do mesmo jeito”, explica.

Segundo ela, as quadrilhas grandes como a Luar do Sertão, cada componente tem que se manter para adquirir os trajes, além dos custeios para as viagens

Marisa explica que esse glamour nas quadrilhas estilizadas está em todo o País e as de Alagoas têm que acompanhar, porque quando chegam lá fora é do mesmo jeito ou mais. “É um espetáculo e as escolas de samba perdem; cada componente se manter. Boi e quadrilha são muito mais ricos do que escolas de samba”, avalia.
Segundo ela, as quadrilhas grandes como a Luar do Sertão, cada componente tem que se manter para adquirir os trajes, além dos custeios para as viagens. “Os patrocinadores são os próprios componentes, que arcam com todas as despesas”, complementa.

Veja mais fotos do ensaio da Quadrilha Luar do Sertão

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Igbonan Rocha adotou Alagoas há cerca de 30 anos

Artista diz que não se vê mais morando em Salvador, onde começou sua carreira musical


Olívia de Cássia - Repórter 
Igbonan Rocha é uma voz conhecida de quem frequenta o meio artístico e musical alagoano. Ele é baiano e adotou Maceió como sua cidade há 30 anos e conta que não se vê mais morando em Salvador, sua terra natal, onde começou a carreira musical, no início da década de 1980, cantando em barzinho.

Igbonan Rocha é uma voz conhecida de quem frequenta o meio artístico e musical alagoano - Fotos: Paulo Tourinho

Esse baiano arretado tem o riso fácil, voz que encanta e muita gente comenta que se assemelha à tonalidade de Milton Nascimento. Ele comenta que a primeira vez que subiu ao palco foi na Barra e quem convidou foi o Netinho, da Banda Beijo.    
Igbonan Rocha, ou Rochinha, como o chamam carinhosamente os amigos, destaca que às sextas-feiras à noite costumava ir ao Croques e Crepes, uma creperia de Salvador. “A dona era minha amiga e botou o Netinho para cantar lá; ele era bem novinho para cantar MPB”, destaca.
Segundo o artista a turma de jovens que não tinha o que fazer,ia  às sextas nesse local. “Um dia Netinho me chamou para cantar e eu cantei Corcovado, foi a primeira vez que eu cantei e a dona do local pediu para eu me apresentar lá: ele cantava na sexta e eu no sábado; a partir daí cantei em vários locais”, explica.
Igbonan conta que terminou o curso de história, foi fazer pós-graduação nos Estados Unidos, ganhou uma bolsa de estudos de uma fundação americana e quando voltou, em 1985, a irmã que tinha uma escola de Inglês em Maceió o convidou para passar três meses para tomar conta da empresa.  
Ele conta que a princípio recusou o convite, mas depois aceitou: veio para Maceió e não quis mais voltar. “Tinha uma barraca perto da escola onde cantavam Zelia Santi e Eraldo França; as barracas de praia começavam a funcionar naquela época à tarde e escutávamos da escola os meninos passando o som”, relata.
 Depois do expediente, Igbonan Rocha comenta que saía com uma amiga para tomar cerveja nessa barraca e uma das noites pediu uma música do Milton Nascimento e o amigo disse que não sabia a música: só sabia tocar,  “e eu disse que sabia, cantei a música e a partir daí comecei em muitos lugares: no Marina Morena, Ipaneminha, Astrolábio, entre outros locais”, destaca.
Passados os três meses que tinha combinado com a irmã, ele conta que ela liga e informa que já tinha encontrado a pessoa para tomar conta da escola e que ele poderia volta para Salvador. “Aí eu disse: ‘não vou mais voltar’ e nessa história vou fazer 30 anos em dezembro que estou em Maceió”.

 Atualmente o cantor está fazendo festas particulares e com alguns projetos - Fotos: Paulo Tourinho

Igbonan Rocha disse que também trabalhou em hotel, mas sobrevive atualmente apenas da música. Ele ressalta que há cinco anos entrou pro samba: “Foi outra guinada em minha vida, porque sempre cantei MPB. Montei um show ‘Samba eu canto assim’, chamei o Marcão para dirigir o show e fizemos um show muito legal lá no Cantoria”.
A partir desse show ele destaca que veio a ideia de se montar um grupo de samba: “Primeiro veio o Clube do Samba, depois veio o Nosso Samba, começamos no Jaraguá Tenis Clube e depois montei o Samba de Nego”.

Igbonan Rocha disse que também trabalhou em hotel, mas sobrevive atualmente apenas da música

 Atualmente o cantor está fazendo festas particulares e com alguns projetos: “No próximo dia 30 estou fazendo aniversário de 55 anos e pretendendo fazer um show legal para comemorar;  recebi uma proposta legal de um cantor de renome para fazer o show comigo; estou correndo atrás para ver se acontece”, pontua.

terça-feira, 12 de maio de 2015

5ª Feijolaca terá participação especial de Eliezer Setton e acontece dia 24 de maio

Evento é organizado todo ano pelo cantor baiano Igbonan Rocha

Olívia de Cássia - Repórter
No próximo dia 24, na Fundação Pierre Chalita, em Jaraguá, acontece a 5ª Feijolaca, evento para ajudar o Laca (Lar de Amparo a Criança para Adoção, com uma participação mais que especial do cantor e compositor de forró Eliezer Setton.
participação mais que especial do cantor e compositor de forró Eliezer Setton - Divulgação
O evento é promovido pelo cantor Igbonan Rocha, voluntário da instituição, que está  convidando toda a sociedade alagoana para participar da festa.
Evento promovido pelo cantor Igbonan Rocha, voluntário da instituição - Foto: Paulo Tourinho
A 5ª Feijolaca acontece a partir do meio dia do dia 24, um domingo,  e o valor por pessoa é de R$ 40. O Laca é  uma instituição sem fins lucrativos que recebe crianças em situação de risco com idade de 0 a 6 anos e que, por não receber subsídios dos órgãos governamentais, sobrevive de doações e do trabalho voluntário de pessoas abnegadas.

Igbonan Rocha foi o homenageado desta segunda, no bairro do Prado, no Samba dos Amigos

Evento acontece toda semana, na Rua Franco Jatobá e reúne a nata do samba alagoano

Olívia de Cássia - Repórter
O cantor Igbonan Rocha foi o homenageado desta segunda, 11, no bairro do Prado, onde toda segunda-feira, no Churrasquinho do Duca - Rua Franco Jatobá  (rua em frente ao portão da Pecuária),  um grupo de amigos está fazendo  o evento Samba dos Amigos, uma roda de samba, e o convidaram para participar: entre outros nomes que já participaram do evento, o baiano foi o homenageado.
Durante a homenagem o artista relembrou  os tempos de militância. Foto: Paulo Tourinho
“São 12 músicos, eles estão não ganham nada, é um barato, estão levando grandes nomes da nossa música para a periferia: a primeira foi a Carla Araújo, o segundo, Eliezer Setton, a Kel Monalisa. Nesta segunda eu fui homenageado, por estar perto do dia 13 de maio, Dia Nacional de Luta e de combate ao racismo”, destaca.
Durante a homenagem o artista relembrou  os tempos de militância:  “Dizer que o 13 de maio não é para se comemorar, é para se repensar, lutar por políticas públicas, que o nosso dia é o 20 de novembro”, observa.
No evento,  ele falou que a proposta é contar um pouco da história do samba. “O samba era discriminado, os cantores de samba eram presos, ainda hoje é discriminado como coisa de malandro. No meu show Coisa de Negro eu só canto compositores negros, para mostrar para as pessoas que coisa de negro também pode ser boa e na maioria das vezes, é muito boa”, diz sorrindo.  

Nara Cordeiro prepara CD com repertório de MPB

Baiana de nascença a artista diz que a expectativa e fazer um lançamento quando o trabalho estiver finalizado


Olívia de Cássia - Repórter 

A cantora Nara Cordeiro está preparando um novo trabalho que será gravado em CD, com participação de nomes como Mira Abs, Adriano Santos, Everaldo Borges, Ronalso na percussão, entre outros músicos que atuam no Estado. “As pessoas têm me ajudado bastante”, comenta.
A cantora Nara Cordeiro está preparando um novo trabalho que será gravado em CD - Foto: Paulo Tourinho
Ela diz que o novo CD está sendo finalizado: “Na verdade tem alguns anos, tem sugestão do Paulo (Tourinho) e retomei; estou modificando algumas coisas e parece que desta vez vai sair, depois de tanto tempo de batalha, espero que as pessoas curtam, tanto quanto a gente está gostando”, destaca.
Baiana de nascença, Nara Cordeiro diz que a expectativa é fazer um lançamento quando o trabalho estiver pronto. Ela destaca que começou a cantar profissionalmente em Maceió, mas muito antes disto, já cantava em festas e rodas de amigos em sua terra natal. “Eu cantava de brincadeira e no final de 80 comecei a cantar profissionalmente”, reforça.
Baiana de nascença, Nara Cordeiro diz que a expectativa é fazer um lançamento quando o trabalho estiver pronto - Foto: Paulo Tourinho
Nara Cordeiro relata que já cantou em lugares como shopping,  em vários restaurantes. “Comecei com Marina Teresa, que é minha amiga; depois fomos fazendo outros lugares, como festas, aniversários, casamentos”, explica.
Com um repertório recheado de músicas da MPB – incluindo pérolas da Bossa Nova e o melhor do samba e do choro – e com voz aguda e delicada, Nara confere intimismo às interpretações musicais, ela canta com o coração.
Tímida e um pouco acanhada e apaixonada pelo o que faz, ela fala de seu trabalho e diz que já participou de vários projetos em Alagoas como o Elas cantam Bossa Nova, Misa Acústico, Divas de Alagoas.
Nara também participou de projetos no Sesc cantando repertório exclusivamente formado por músicas de compositores alagoanos. Alguns autores são bastante conhecidos pelo público, como Chico Elpídio, Ibys Maceioh, Eliezer Seton, entre outros e pelo reconhecimento do seu talento,  a artista vem consolidando cada vez mais seu trabalho, reconhecido e aplaudido, no universo musical.
A cantora informa ainda que tem tido a ajuda de muitos amigos na formatação de seu trabalho, como Chico Elpídio na direção musica - Foto: Paulo Tourinho
Ela diz que o novo CD está sendo finalizado
“Atualmente estou cantando às sextas-feiras no Mesa de Bar, na Casa da Picanha, na Jatiúca, e no segundo sábado do mês eu estou na Vila Chamusca, fazendo uma tarde de samba”, divulga.
A cantora informa ainda que tem tido a ajuda de muitos amigos na formatação de seu trabalho, como Chico Elpídio na direção musical e comenta que o CD tem uma seleção especial de seu repertório já conhecido do público alagoano: MPB, samba, Bossa Nova, entre outras boas músicas. “Estou feliz, só em estar trabalhando com amigos é o melhor ainda”, avalia.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Acalentar filho e acompanhar primeiros passos não tem preço

Mulheres se submetem a qualquer tipo de tratamento para engravidarem

 / Tribuna Independente 11 Mai de 2015 - 10:52

Foto: Adailson Calheiros
Luciana Manzini passou cinco anos tentando engravidar; só conseguiu das gêmeas com fertilização in vitro
Luciana Manzini passou cinco anos tentando engravidar; só conseguiu das gêmeas com fertilização in vitro
Dizem que o sonho de toda mulher é a maternidade, acalentar um filho no colo, acompanhar os primeiros passos, os primeiros descobrimentos. Muitas mulheres fazem todo tipo de sacrifício no que se refere a tratamentos clínicos, para conseguirem engravidar e com o apoio das novas tecnologias conseguem o objetivo. Outras não precisam ir muito longe e engravidam sem tentativas cansativas; algumas preferem o caminho do coração e adotam.
Luciana Manzini disse que passou cinco anos tentando ter um filho e que fez uma série de tratamentos para conseguir o intento. “Foram cinco anos de muita frustração, de expectativa. Tive obstrução nas trompas e por isso a dificuldade para engravidar. Depois de várias tentativas veio a indicação médica da fertilização in vitro, que foi feita em Pernambuco”, destaca.
A relações públicas destaca que na primeira tentativa de fertilização deu certo e engravidou de duas meninas. Ela conta que foram quatro embriões implantados, dos quatro ficaram as duas e no terceiro mês ela teve um sangramento.
Era um terceiro embrião que não tinha se desenvolvido e estava sendo eliminado, mas os outros dois embriões permaneceram e deu tudo certo: as gêmeas nasceram de parto cesárea, a bolsa estourou e Luciana teve que ser operada.
“A maternidade é uma realização, porque é um sonho, eu já casei querendo filho; era uma coisa muito certa. Meu esposo queria esperar mais um pouco, embora que a gente tenha namorado durante dez anos; quando namorávamos eu usava os métodos normais para evitar  e quando realmente resolvemos ter filhos vimos a dificuldade”, explica.
Luciana Manzini observa que depois que teve as gêmeas engravidou novamente, mas quando estava suspeitando da gravidez, perdeu a criança. “A gravidez estava no comecinho; um mês e meio, as meninas estavam com quatro anos, hoje estão com sete. Elas nasceram prematuras, perto de oito meses, mas apesar de terem sido prematuras, a recuperação foi rápida; quatro dias depois elas já estavam no apartamento comigo, com sete dias de nascidas tivemos alta”, destaca.
Ex-bancária fez laqueadura no primeiro casamento e quando quis reverter, teve problemas
A ex-bancária Kátia Guimarães da Rocha é paulista, mas mora em Alagoas há muitos anos e conta que foi mãe pela primeira vez aos 17 anos; tem a filha Bianca que hoje está com 22; um ano e seis meses depois teve a segunda filha, que hoje tem 20 anos,  ambas do primeiro casamento que durou onze anos.
Depois da segunda filha, ela conta que fez laqueadura de trompas, aos 19 anos, porque disse que não se adaptava aos outros tipos de anticoncepcional e tinha medo de ter outra gravidez. “Consegui fazer a laqueadura e o casamento durou onze anos, me separei e casei novamente. Fiz três cirurgias para reverter o processo e oito meses depois da cirurgia fiquei grávida, só que foi uma gravidez tubária: eu quase morri, foi muito complicado”, comenta.
Kátia Guimarães observa que ela e o atual marido resolveram fazer o tratamento para fazer a inseminação artificial, mas um dia antes desistiram, porque ficaram com medo de passar por tudo novamente e resolveram adotar. “Já era uma coisa que a gente tinha vontade de fazer, mas queríamos primeiro tentar ter nosso filho mesmo. Foi quando eu fui visitar um abrigo e tinha o Gianlucca, que estava com dois meses e pouco, quando o conhecemos; aí nos apegamos muito”, destaca.
(Foto: Adailson Calheiros)
Kátia, o marido e o filhote: família realizada com a chegada de Gianlucca depois do processo de adoção
Kátia Guimarães pontua que, da mesma forma que já estavam apaixonados pelo bebê, o marido falou: ‘vamos correr atrás’. “Aí fizemos um curso, entrevistas, passamos por todos os trâmites, é muito longo o processo e muito doloroso; tivemos que passar por muitas situações  e já estávamos apegados à criança; resolvemos pedir a guarda dele, quando já tinha completado nove meses”, explica. 
Ela conta que o quarto do bebê já estava pronto, com todo o enxoval e o bebê chegou só com a roupa do corpo. “Depois o juiz revogou a guarda provisória e deu a definitiva e hoje ele é muito amado pelas irmãs; minha outra filha foi embora para a Irlanda mas foi aos prantos”, destaca.
Kátia conta que trabalhava em um banco privado há dez anos e resolveu ser mãe de novo, ter tempo para se dedicar à criança: “O tempo que eu não tive com minhas filhas, pois estava trabalhando; hoje eu dedico a ele,  a gente participa de tudo: festinha da escola que eu não ia das meninas, reunião de pais na escola; tenho o maior prazer de ir”, destaca.
A ex-bancária ressalta que com as duas filhas mais velhas geralmente quem ia levar às festinhas ou reuniões de pais eram os avós,  pois ela trabalhava e estudava. Enquanto fazíamos a matéria, o garoto não parava quieto e fez questão de dizer seu nome, sua idade e nome do colégio que estuda: ‘meu nome é , Gianlucca Guimarães Laranjeira, tenho três anos e estudo na escolinha”, disse ele.
Jornalista conta que não teve problema para engravidar
Já a jornalista Camila Ferraz está grávida pela primeira vez de uma menina e disse que a gravidez foi uma surpresa. Ela faz parte daquele grupo de mulheres que não tiveram dificuldade com a fertilidade e não recorreu a nenhum tratamento para tal.
“Fiquei surpresa; não fiz tratamento nenhum. Tomava anticoncepcional, mas passei um mês sem tomar por conta das fortes dores de cabeça e engravidei rapidinho. A sensação é inexplicável! Uma mistura de sentimentos. Primeiro o susto, o medo e depois a emoção. A felicidade é o amor que aumenta a cada dia”, pontua.
Camilla Ferraz observa que a cada exame de ultrassom é uma nova emoção. “Fico boba, choro; não sei se estou preparada, mas farei o máximo para fazer a minha filha a criança mais amada e mais feliz do mundo”, observa.
A jornalista diz ainda que está muito mais sensível com a gravidez. “Sempre fui chorona, mas agora triplicou”, diz sorrindo. A maior preocupação de Camila Ferraz é com o tempo disponível que terá para se dedicar à maternidade. “Tempo para cuidar dela, educar, enfim... A mãe que tem várias atividades acaba tendo pouco tempo para os filhos e essa é uma das minhas maiores preocupações. Quero muito me dedicar e aproveitar ao máximo cada momento”,  pontua.
Incapacidade de conceber superior a 12 meses já caracteriza infertilidade
Alessandra Evangelista, ginecologista especialista em Medicina Reprodutiva, observa que a incapacidade de conceber em um período superior a 12 meses sem uso de método contraceptivo configura o quadro clínico de infertilidade. “Quando esse casal não atinge seu objetivo que é a gravidez, ou antes mesmo de tentar, já sabe que terá dificuldades; o ideal é procurar um especialista”, aconselha.
Segundo a ginecologista, essa primeira abordagem pode ser feita por um ginecologista que, por meio de exames, vai avaliar tanto a mulher quanto o homem e definir o melhor tratamento. “Os tratamentos podem se iniciar com o acompanhamento deste casal com a monitorização da ovulação, indicando assim os dias favoráveis à relação sexual”, explica.
Alessandra Evangelista pontua que em alguns casos a indução da ovulação por intermédio de  medicações é necessária, e dependendo do problema do casal poderá ser indicado o procedimento de inseminação intrauterina (quando o sêmen é preparado e colocado no útero da mulher) ou fertilização in vitro (quando o embrião é feito no laboratório e colocado no útero da mulher).
“Cada técnica tem sua taxa de sucesso, indicação e custo, por isso a opinião de alguém que entenda sobre o assunto para nortear o melhor a ser feito é imprescindível. Cada caso deve ser individualizado”, ressalta.
A especialista destaca ainda que algumas mulheres antes mesmo de realizar um tratamento específico de fertilidade precisam ser submetidas a cirurgias como no caso de pacientes com endometriose e queixa de dor ou perda da função de algum órgão, mas cabe ao médico que está acompanhando explicar o motivo dessa indicação.
“O importante é saber que hoje em dia o médico possui em suas mãos um arsenal de tratamentos que pode e deve ser usado para esse casal atingir seu objetivo. Sendo assim, a mulher que quer engravidar deve procurar um especialista e conversar sobre seu problema. Lembrando sempre que perder tempo e postergar a decisão de se consultar é o que mais prejudicará o sucesso em atingir seu objetivo”, conclui.
Causas orgânicas e psicológicas podem impedir a mulher de engravidar
A psicóloga clínica Rose Mendonça, especialista em Gestalt Terapeuta disse que muitas são as causas que impedem uma mulher de engravidar, de orgânicas a psicológicas. Por conta disso, ela observa que em seu consultório se depara com situações onde a falta de informação e o despreparo emocional perante uma situação dessas, podem levar desde à desestrutura familiar ao final de uma carreira profissional.
Muitas vezes até, segundo ela, há um processo de vida adoecido, sendo agravado por uma série de patologias. “A impossibilidade de gerar filhos pode levar à sensação de completo fracasso”, argumenta. A psicóloga destaca que o primeiro passo é enfrentar o problema. “Encarar e aceitar o que você está sentido ajuda a suportar os sentimentos de tristeza e perda: é normal que a paciente sinta-se em uma das mais difíceis fases da vida, com um sério problema, sem saber que decisões tomar”, destaca.
Segundo Rose Mendonça, é importante que a pessoa entenda que não é culpada, pois esse tipo de pensamento negativo interfere nocivamente no processo psicoterapêutico, muitas vezes levando a paciente ou o parceiro a uma raiva de si mesmo desproporcional. Ela avalia que a participação do parceiro nesse momento é imprescindível.
(Foto: Arquivo pessoal)
Psicóloga Rose Mendonça diz que mulher não pode se sentir culpada
“Evite culpá-lo pela dificuldade em engravidar; trabalhem juntos cuidando um do outro para que possam combater o problema”, aconselha. Rose avalia que é importante que seja determinado um limite de tentativas e formas de tentativas de engravidar. “Com isso a mulher sente-se mais segura, além de ter um relativo controle sobre o lado financeiro diminuindo os índices de ansiedade. O tratamento de infertilidade requer tempo, dedicação e acompanhamento de um especialista”, avalia.
“É nesse momento onde a angústia e a ansiedade serão trabalhadas: durante a psicoterapia será possível aprofundar conteúdos íntimos da mulher ou do casal e oferecer acolhimento facilitando a elaboração de estratégias mentais para a preparação do luto e a solução do problema. Somente esse ambiente acolhedor poderá tocar em conflitos inconscientes mais profundos”, ressalta

Incômodos acentuados

 Olívia de Cássia |Cerqueira Hoje sinto os tais incômodos, sendo que mais acentuados. Avalio agora que já eram sintomas da Ataxia cerebe...