segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Meu irmão

Foto: Olívia de Cássia 

Olívia de Cássia - jornalista

Às vezes a gente fica pensando e querendo entender os desígnios de Deus na nossa vida. Esse agravamento na doença do meu irmão, problema hereditário que acomete a nossa família, me faz ficar pensando o que leva uma das pessoas melhores do mundo a passar por isso.

Meu irmão Petrônio José, o segundo da prole lá de casa, é o melhor de nós, eu sempre digo isso. Um irmão dedicado, que sempre está pronto para me ajudar, na medida do que ele podia, que tivesse ao seu alcance, fosse financeiramente, ou dando uma palavra de conforto, quando podíamos escutar o que dizia.

Petrônio, como nós dizíamos quando éramos jovens, era o ‘filhinho da mamãe’, O mais obediente de nós quatro, o que ajudava dona Antônia nas tarefas domésticas e aquele que não respondia com malcriação  à nossa mãe.

Ver o meu irmão debilitado e agora em uma UTI hospitalar nos leva a pensar muitas histórias da nossa infância e da juventude e em tudo o que ele significa para todos nós que o amamos muito.

Teve o infortúnio de desenvolver muito cedo os problemas da Doença de Machado Joseph (ataxia spinocerebelar) um mal que acomete e já acometeu vários membros da nossa família e herdamos ela do nosso pai, que passou 14 anos de sua vida em cima de uma cama, para se dizer no popular.

Segundo a chefe da área de genética do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e pesquisadora da doença há 15 anos, Laura Bannach Jardim, não existe predileção por sexo e a doença surge, geralmente, na vida adulta. "No sul do Brasil, 50% dos pacientes manifestaram Machado-Joseph por volta dos 34 anos", disse ela.  A doença é degenerativa e ainda não existe tratamento para interromper a progressão da doença.

O ator Guilherme Karan, afastado da profissão desde 2005, agora está em cadeira de rodas e vive isolado em casa. Ele sofre da doença Machado-Joseph. Ela é hereditária e, quando ocorre, necessariamente, um dos pais da pessoa também tem o problema e foi o que aconteceu conosco.

Hoje meu irmão deu entrada na UTI  do Hospital do Sanatório, com complicações por conta da doença. Tenho pedido a Deus para aliviar as dores do meu irmão e que faça o que for melhor para ele, apesar da nossa dor.

IV EPA terá baile na Palmarina, em União

Montagem de fotos dos
 I, II e III  EPAs
O IV EPA (Encontro com Palmarinos Ausentes será comemorado em União dos Palmares no  dias 7 de dezembro, às 22 horas, na Associação Atlética Palmarina (AAP), com a orquestra Contágio Tropical e artistas locais.

Segundo Ladorvane Cabral, organizador do evento, o traje será a rigor: “Para matar as saudades, uma festa à moda antiga”. O evento marcará também a reabertura do clube mais tradicional da cidade, a Palmarina.


Contato e reserva de mesas pelos telefones: 9932. 4522 (Tim), 9311. 8081 (Claro), 8806 7152 (Oi) e 8109.3405 (Vivo). A mesa dará  direito a quatro cadeiras;  R$ 120. Individual; 30. 

Cineasta carioca lança filme em União dos Palmares

Blogue do JMarcelo Fotos

O cineasta carioca Clementino Junior está lançando este mês o filme ANJO DE CHOCOLATE em algumas cidades brasileirasNa semana passada em comemoração ao Dia da Consciência Negra, ele reuniu um grupo de amigos em União dos Palmares para prestigiar o filme que retrata a vida de Sonya Silva.

  
Sonya Silva é cobradora de ônibus no Rio de Janeiro e já foi destaque em vários veículos de comunicação por sua luta em sobreviver de sua arte. Segundo o professor de vídeo Clementino Junior "Conheci Sonya Silva há oito anos e desde a Bienal do Livro de 2005 venho registrando suas conquistas e derrotas na batalha para se firmar como escritora de livros infantis".

A sessão especial do filme no Auditório da Prefeitura Municipal de União não estava lotada como os demais eventos culturais que acontecem na cidade, no bate papo com os presentes o cineasta disse "Esta cobradora de ônibus da linha 125 (Central/Gen.Osório) que escondeu da empresa o primeiro lançamento de seu livro para não perder o emprego, e ao ter matéria publicada no RJTV viu sua história crescer na mídia, a empresa entender e apoiar sua iniciativa, e ela seguir para vários eventos, programas de TV, mas ainda na batalha de vender seus livros praticamente de mão em mão, eventuais crises com editoras, criar o filho, ser apoiada pelo filho, enfim… Quase uma década da vida de uma escritora cujo talento progrediu e que acredita que a leitura salva vidas, mas que até agora batalha para modificar a própria através do seu sonho com os livros". Finaliza.

Após a exibição do filme Clementino Junior respondeu algumas perguntas dos interessados. No Facebook Lua Tavares e Zulu Fernando já se articulam para uma nova exibição do filme já que muitos querem assistir.


O cineasta é responsável pelo Cineclube Atlântico Negro esteve em União dos Palmares para fazer um documentário "Águas no Muquém - sobreviventes de uma enchente". O filme retrata, a partir dos depoimentos dos moradores, os momentos vividos na enchente de 2010, onde muitos passaram a noite em uma jaqueira. Veja AQUI

sábado, 23 de novembro de 2013

Reconhecimento de terras quilombolas esbarra na especulação e grilagem

Foto: José Marcelo Pereira
Agência Brasil

União dos Palmares (AL) - Disputas, construções de grandes empreendimentos e especulação imobiliária ameaçam a herança ancestral mantida viva pelas comunidades quilombolas. Das 2.408 comunidades certificadas pela Fundação Cultural Palmares (FCP), apenas 207 têm o título da terra e, em uma parte delas, os ocupantes não quilombolas ainda não foram retirados ou indenizados.

“A posse da terra é a maior dificuldade enfrentada atualmente pelas comunidades quilombolas. A titulação é um direito fundamental prevista na Constituição Federal”, defende o diretor do departamento de proteção ao patrimônio afro-brasileiro da FCP, Alexandro Reis. “Esse é o grande gargalo da questão quilombola nos dias de hoje”.

O Artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias é claro quanto ao assunto: “Aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo o Estado emitir-lhes os títulos respectivos”.

“À medida que isso não ocorre, a gente acaba prejudicando a comunidade porque outras pessoas acabam ocupando a terra quilombola. Vamos ter problemas de expulsão, violência no campo, violência contra essas famílias, atuação de grileiros a atravessadores até na atividade produtiva da comunidade”, explica Alexandro Reis. “Titular a terra é algo fundamental para a comunidade quilombola no Brasil e é o grande desafio que temos hoje”, acrescentou.

Há todo um processo pela posse da terra. As comunidades que já foram reconhecidas como quilombolas pela Fundação Palmares precisam fazer o pedido para o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que é o responsável pela titulação. Então, são feitas análises da área e de possíveis contestações que possam aparecer no processo.

A fase seguinte é a regularização fundiária, com a retirada de ocupantes não quilombolas por desapropriação ou pagamento de indenização. Mas o processo, que também pode ser feito via estados e municípios, é demorado. De acordo com informações do site do Incra, há processos abertos em 2003 que ainda não foram concluídos.


O secretário da Promoção da Igualdade Racial do Distrito Federal, Viridiano Custódio, explica que a principal razão para a demora de alguns processos são disputas envolvendo a terra. “Disputa política, de território. Alguns setores, principalmente do meio agrário, são contra essa legalização porque os territórios, muitas vezes, ficam dentro ou perto de alguma terra que está em litígio”, destacou. “Esse é um processo que acaba emperrando o trâmite”.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

MinC destina R$ 4 milhões para reformar parque em União dos Palmares

Foto de Olívia de Cássia



Por Jornal do Brasil

O Ministério da Cultura destinou R$ 4 milhões, do Fundo Nacional de Cultura, para a Fundação Cultural Palmares com o objetivo de incentivar as comemorações do Dia da Consciência Negra, celebrado neste 20 de novembro. Metade dos recursos deve ser usado para reformas e melhorias na estrutura do Parque Memorial Quilombo dos Palmares, no município.

De acordo com o presidente da fundação, Hilton Cobra, a ministra da Cultura Marta Suplicy telefonou para ele de manhã, informando sobre a disponibilização dos recursos. “É mais do que necessário, mais do que urgente essa atualização constante dos equipamentos do parque”, destacou.

Com o dinheiro, ele acredita que será possível reformar as construções do local, que simulam como eram as casas no local, no século 16. Parte dos recursos serão utilizadas, também, para asfaltar os 9 quilômetros de estrada de terra que levam à fundação.

Cobra também quer transformar uma estação de trem desativada de União dos Palmares em um museu e criar uma linha de trem que leve as pessoas ao pé do Morro da Serra da Barriga, que conta com o memorial em seu topo e que fazia parte do histórico Quilombo dos Palmares.

“Se a gente conseguir emplacar isso até 2014, vamos mostrar que, realmente, o Poder Público abriu seus recursos, seus cofres e suas cabeças para a necessidade de manutenção da cultura mais rica do Brasil, que é a cultura de matriz africana”, destacou.

O Parque Memorial Quilombo dos Palmares, implantado em 2007 pelo Ministério da Cultura, por meio da Fundação Palmares, reconstitui o cenário do quilombo no século 16. Desde 1981, no Dia da Consciência Negra, representantes do movimento, de religiões de matriz africana, além de admiradores da história de Zumbi, sobem a serra – a maioria a pé – para reverenciar o herói nacional e os habitantes de Palmares.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Martinho da Vila canta sucessos em data especial para Zumbi dos Palmares

Fotos: José Marcelo
Por: Natally Tenório – Secom/PMUP

Ao som de muito samba, e com muita alegria, centenas de palmarinos e visitantes lotaram a Praça Basiliano Sarmento na noite desta quarta-feira (20), no encerramento aos festejos em comemoração aos 318 anos da morte de Zumbi dos Palmares. 

Por volta das 22h30, o cantor Martinho da Vila, atração principal da noite, animou o público presente. Algumas canções conhecidas nacionalmente, entre elas Madalena e Mulheres, embalaram os que prestigiaram o sambista.

Martinho, que mostrou ter muito samba no pé, também esbanjou simpatia ao atender a multidão que o esperava na expectativa de conseguir tirar uma foto com o cantor. 

Janaína Martins também foi uma das atrações da noite, ela resgatou as canções afros contagiando a multidão. Outro artista que também colocou o público pra dançar com seu samba de gafieira foi o cantor Igbonan Rocha. Nel do Reggae e a banda Raízes de Zumbi e a banda Afro Zumba, atrativos culturais de cidade, comandaram o encerramento da festa que varou madrugada a fora.  

Na oportunidade, estiveram presente além do público e da imprensa, a equipe coordenadora da Fundação Cultural Palmares, o Prefeito Beto Baía, o vice Eduardo Pedrosa,os Deputados João Henrique Caldas e Paulão, a secretária de Cultura, Genisete Lucena, O secretário de Comunicação, Hermes Marques, a secretária de Saúde, Carla Theresa,o secretário da Infância e da Juventude, Sergio Rogério, e a Coordenadora da Defesa Civil, Nádia Seabra.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Homenagens ao herói negro Zumbi em União lembram 318 anos da morte do líder

Fotos de Olívia de Cássia
Olívia de Cássia – Repórter

Cerca de cinco mil pessoas estavam sendo esperadas na Serra da Barriga, em União dos Palmares, no Dia da Consciência Negra, para reverenciar os 318 anos da morte de Zumbi e homenagear o herói negro, segundo a representante do Escritório da Fundação Palmares, em Alagoas, Maria José da Silva.

Na subida da Serra, logo cedo, as equipes de reportagens e vários carros foram bloqueados para prosseguir o caminho, com argumentação, segundo os motoristas que foram barrados, de que seria pago um pedágio e não subiriam todos.

Depois de algumas negociações a passagens de carros pequenos foi liberada até determinado ponto e subiram até o platô apenas os carros de apoio, de reportagens, ambulâncias e Corpo de Bombeiros.

Segundo Maria José, da FCP, estavam sendo esperados 40 vans com grupos culturais e religiosos; 500 capoeiristas estavam inscritos para fazerem apresentações, entre outros grupos culturais da cidade e de municípios vizinhos.

Sobre a reforma no Parque Memorial Quilombo dos Palmares, Maria José explicou que já estão adiantadas em 90%.  Segundo ela, os banheiros ficaram fechados por conta da questão da água que está sendo resolvida no parque, mas foram disponibilizados vários banheiros químicos na serra, para quem precisasse utilizar.

“O dia hoje é importante para a gente fazer uma reflexão sobre a data e as conquistas que já tivemos; reverenciar Zumbi, apesar da situação preocupante da violência no Estado, que acomete não só jovens negros, mas mulheres também; celebrar Zumbi, mas não esquecer o presente”, observou Maria.

Várias homenagens foram e estão sendo realizadas durante todo o mês no município e hoje à noite na Praça Basiliano Sarmento, no Centro da cidade, haverá show de Igbonan Rocha e de Martinho da Vila.

A chuva que caiu intensa no local não impediu a realização da festa, no platô da Serra da Barriga e muita gente lembrou a epopeia de Zumbi dos Palmares.

Depois do cortejo afro, com a aposição de flores na estátua de Zumbi, houve uma salva de tiros, seguida da posse do Comitê Gestor, que terá a participação de grupos religiosos e a Ialorixá Mãe Neide como representante.

Mãe Neide disse que estava emocionada e também cansada pela série de atividades da semana, sem dormir direito, mas pediu a Zumbi cada dia mais força e consciência. “Agradeço a todos pela confiança e prometo cumprir pelo menos um pouquinho da missão que me foi dada. Quando sento na cadeira, não estou sozinha”, disse ela, encerrando a fala com uma música da líder espiritual e atriz Xica da Silva, sobre Zumbi e foi bastante aplaudida.

Além do Comitê, houve a assinatura simbólica de um Termo de Cooperação, que facilitará as negociações das demandas do povo negro com os gestores. Segundo Mãe Neide, o Comitê gestor terá um papel importante para o povo negro. As atividades comemorativas na Serra da Barriga começaram na madrugada, com o tradicional canto e rezas dos religiosos de matriz africana.

Nas falas das autoridades no palanque também foram anunciados para a região vários projetos e a ministra Marta Suplicy mandou como representante Márcia Holemberg, que anunciou a destinação de verbas para as artesãs Irinéia Nunes, Marinalva, e Julieta, artesãs do barro do Muquém, além de editais que foram e serão publicados com a destinação de recursos.

Márcia Holemberg informou que os editais serão parte do programa do Governo Federal Cultura Viva e que de 350 grupos e pessoas foram contempladas; 24 serão de Alagoas. Também foi anunciado que a previsão para a conclusão das obras de reforma no parque serão daqui a um mês.

A secretária de Cultura do município,  Genisete de Lucena Sarmento, disse que a Serra da Barriga até hoje inspira muitas lideranças no País. “Esse é um momento de continuar refletindo sobre a condição de vida de milhares de brasileiros e lutando, fazendo com que as condições de vida dessas pessoas não seja precária”, ressaltou.

O prefeito Beto Baía (PSD) disse que esse é um grande momento de homenagear Zumbi e o espírito de liberdade que ele inspira nas pessoas “e isso começa a mudar a história, provocando avanços contra a desigualdade, por uma sociedade mais justa”, observou o prefeito. Beto destacou que a Serra da Barriga recebe cerca de mil visitantes por mês e que precisa oferecer condições para que os visitantes sejam bem-recebidos.

PRESERVAÇÃO DA CULTURA

 A artista popular Dona Zeza do Coco disse que já é tradição na sua família a preservação da cultura e dos folguedos.  Além de participar do coco, dona Zeza compõe as músicas para o grupo e disse que foi testemunha do tombamento da Serra da Barriga, fato que a deixa emocionada.  

“Na época não tinha nada aqui, só mato; agora está uma maravilha. O que precisa é as autoridades darem mais atenção aos grupos culturais da terra”, destaca. Ela conta que também faz literatura de cordel e também é artesã.

Além do prefeito Beto Baía (PSD), vários secretários do município também estavam presentes.  A secretária das Minorias, Kátia Born, representou o governador Teotonio Vilela (PSDB); o presidente da Fundação Palmares, o ator Hilton Cobra, o reitor da Uneal , Jairo Campos, o secretário de Estado da Cultura, Osvaldo Viègas, fizeram falas no evento.

Incômodos acentuados

 Olívia de Cássia |Cerqueira Hoje sinto os tais incômodos, sendo que mais acentuados. Avalio agora que já eram sintomas da Ataxia cerebe...