domingo, 14 de junho de 2015

Orquestra de Tambores de Alagoas busca estabelecer diálogo entre passado e futuro

Samba, reggae, maracatu

e outros sons da cultura alagoana

agregam valores e contribuem 

com diversos pontos 

de cultura no Estado



Olívia de Cássia - Repórter
A Orquestra de Tambores de Alagoas atualmente está em estúdio gravando o seu segundo CD,  "Coisa e Mestres". Segundo o percussionista Wilson Santos, a ideia inicial é fazer uma releitura das músicas de alguns dos folguedos, a partir das vivências do grupo, agregando elementos rítmicos e sonoros das tradições alagoanas, as batidas re-significadas da cultura afro-brasileira e os sons eletrônicos da contemporaneidade.

A Orquestra de Tambores de Alagoas atualmente está em estúdio gravando o seu segundo CD,  "Coisa e Mestres". Segundo o percussionista Wilson Santos - Fotos: Paulo Tourinho

A partir desse encontro, a Orquestra objetiva estabelecer um diálogo produtivo entre o passado recente, o presente e o futuro, segundo observa Wilson Santos. “O Coisas e Mestres,  acima de tudo, é uma homenagem aos mestres e mestras da cultura popular alagoana e uma forma de tentar de algum modo difundir as práticas que contribuirão para o desenvolvimento sociocultural de nosso Estado”, destaca.

A Orquestra objetiva estabelecer um diálogo produtivo entre o passado recente, o presente e o futuro, segundo observa Wilson Santos

O músico conta que a Orquestra de Tambores ainda serve de inspiração para artistas no Brasil e contará com algumas surpresas e participações de alagoanos: “O Coisas e Mestres está sendo gravado no Estúdio do Sesc/Centro e espera contar com o apoio da Secretaria de Cultura (Secult/AL) e da Fundação Cultura de Maceió (Fmac)”, argumenta.

“O Coisas e Mestres está sendo gravado no Estúdio do Sesc/Centro e espera contar com o apoio da Secretaria de Cultura (Secult/AL) e da Fundação Cultura de Maceió (Fmac)”

Wilson Santos diz ainda que para fortalecer a caminhada do grupo “nos pautamos e fazemos nossas a frase do escritor russo Leon Tolstói quando diz: "Canta a tua aldeia e serás universal”.

Criação

A Orquestra de Tambores de Alagoas foi criada em março de 2004, por iniciativa de um grupo de percussionistas e ritmistas dos bairros da zona sul da Maceió e começou suas atividades de maneira bastante informal com encontros aos domingos à tarde no quintal da casa do percussionista Wilson Santos.
“A princípio a ideia era apenas tocar tambor, praticar e com base nos ritmos afro e folclóricos alagoanos, criar repertoria de estudos pois a maioria desses percussionista não dispunham de outro espaço para expressar sua musicalidade a não ser nos terreiros da capital”, explica.
Os encontros do grupo começaram com quatro percussionistas e em três finais de semanas já contava com a presença de onze, o que, segundo Wilson Santos,  impossibilitava a permanência dos encontros no quintal da sua casa, pois a batucada, a cada dia, tomava mais volume.

Em Alagoas, a Orquestra de Tambores tem contribuído com diversos Pontos de Cultura - Foto: André Goldman

“Sendo assim, buscamos o apoio da Secretaria de Estado da Cultura, na pessoa do então secretário Edberto Ticianeli, no que fomos atendidos, na disponibilização de uma sala no Cenarte, para a realização de nossos encontros”, ressalta.
Os instrumentos de percussão utilizados pela Orquestra de Tambores naquele momento eram todos confeccionados por Wilson Santos, com material alternativo como tronco de coqueiro, bambu, cabaças, e madeira de demolição, mesmo não tendo a pretensão de tocar profissionalmente, segundo o percussionista. Em 2004, a Orquestra aceitou o convite da família de Gustavo Leite para tocar em sua homenagem no 1º Prêmio Gustavo Leite, que aconteceu no Museu Théo Brandão.

Grupo iniciou rotina de ensaios e apresentações e se estruturou a partir de oficinas

A OTA, a partir da apresentação no Museu Théo Brandão, recebeu outros convites e o grupo iniciou uma rotina de ensaios e apresentações. “Dessa forma sentimos a necessidade de estruturar o grupo a partir de oficinas de confecção de instrumentos e aulas sistemáticas de ritmos,  além da aquisição de instrumentos”, assentiu Wilson Santos.
Com isso ele destaca que enviou projeto para o Programa BNB Cultura, “e podemos então de alguma forma profissionalizar os participantes do grupo”, destaca.  A Orquestra de Tambores de Alagoas ao longo de seus onze anos de existência tocou em festivais e eventos diversos nos estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Maranhão, Brasília e São Paulo, num total de aproximadamente 40 cidades.
“Uma característica importante dessas andanças do grupo tem sido o acesso à formação pois na maioria das cidades onde são realizadas as apresentações musicais o grupo também ministra oficinas de ritmos ou de confecção de instrumentos de percussão artesanais”, disse ele.
Em Alagoas, a Orquestra de Tambores tem contribuído com diversos Pontos de Cultura em que  seus integrantes ministram oficinas de formação na área de confecção de instrumentos e aulas de instrumentos percussivos.
Além da criação de incentivar e acompanhar a criação de novos grupos percussivos, a Orquestra de Tambores, desde seu início, tem como um dos objetivos a formação de multiplicadores de suas ações: “Sendo assim a maioria de seus percussionistas são também instrutores que repassam o conhecimento e as práticas para outros grupos, jovens, estudantes, e comunidade em geral”, comenta.

Em 2014, a Orquestra de Tambores foi selecionadas como Ponto de Cultura em edital da Secult-AL/MinC - Foto: Divulgação

Recentemente, o grupo percorreu o Nordeste, por intermédio do Projeto Tamborandar, patrocínio Correios e teve a oportunidade de tocar em 19 cidades da Bahia ao Maranhão. Wilson Santos acrescenta que o grupo também é membro fundador do Núcleo Temático de Percussão Popular e Erudita da Ufal (NUP/Ufal), onde Wilson Santos também ministra aulas de ritmos popular brasileiros e coordena as demais oficinas.  

Pontos de Cultura

Em 2014, a Orquestra de Tambores foi selecionadas como Ponto de Cultura em edital da Secult-AL/MinC. “Vamos oferecer este ano oficinas nas áreas de dança afro, fotografia e, ritmos brasileiros e confecção de instrumentos para aproximadamente 80 alunos da zona sul de Maceió”, explica.
Outro projeto em execução na Orquestra de Tambores tem sido a formação continuada de seus arte-educadores e um dos assuntos mais recorrentes durante os encontros do grupo tem sido o ingresso de seus percussionistas no sistema de ensino superior.
“Desse modo a Universidade Federal de Alagoas atualmente é uma meta bem clara nos caminhos da OTA que tem a intenção de capacitar ao máximo seus integrantes para assim poder oferecer cada vez mais qualidade nas ações formativas para o publico de base”, descreve.  

Trabalhos


Em 2008, a Orquestra de Tambores gravou o primeiro CD, intitulado "Bantos e Caetés - Foto: Divulgação

Em 2008, a Orquestra de Tambores  gravou o primeiro  CD,  intitulado "Bantos e Caetés, que  teve como base as vivências e percepções do grupo, “além da contribuição individual de cada um. O trabalho contou com a participação especial do percussionista Naná Vasconcelos na faixa de nº 13 e foi lançado em 2010 pela gravadora Britanica Far Out Recordings,  http://www.faroutrecordings.com
 

Literatura de cordel desperta talento de jovem universitário

Artista popular é de Santana do Mundaú,
interior de Alagoas, e já tem 
vários folhetos publicados



Olívia de Cássia - Repórter 
Cicero Manoel de Lima Alves tem 24 anos, é estudante de Letras pela Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) e conta que começou a escrever versos com dez anos de idade. “Descobri a literatura de cordel aos dezesseis anos, depois que uma professora levou um texto para a sala de aula na escola em que eu estudava. Antes eu só escrevia poemas em quartetos e passei a escrevê-los em sextilhas como havia visto no cordel”, observa.

No lançamento do livro: “Versos de um cordelista”. Foto: Elaine Marcelino

Cicero Cordelista, como é conhecido o artista, explica que depois de ver um senhor lendo um cordel comprado na feira de Santana do Mundaú foi até a banca e comprou um exemplar. “Depois de lê-lo, fui correndo para casa escrever uma história em cordel e a partir daquele dia nasceram meus primeiros versos”, destaca.  
O estudante descreve que em 2007,  quando cursava o ensino médio, “ao trabalharmos o gênero em sala de aula, a pedido de uma professora tive a honra de escrever um cordel para ser apresentado pela turma em toda a escola: nasceu ali “O casamento forçado”, um dos meus cordéis mais conhecidos e que também me deixou conhecido em toda escola”, comenta.

Alguns dos seus cordéis.

Segundo ele, daí em diante passou a escrever os versos no estilo e a vendê-los na escola em folhetos feitos por ele mesmo, de modo artesanal (fazia xérox, recortava as páginas e encadernava), a preço de R$ 2 e R$ 3.
“No instante em que comecei a vender os folhetos, percebi que a maioria dos cordéis usavam um desenho na capa por nome de xilogravura, foi aí que descobri que tinha outra arte; como já gostava de desenhar, passei a elaborar as xilogravuras que ilustrariam meus folhetos”, explica.
Começava ali um trabalho de divulgação do seu trabalho, nas escolas da região fazendo apresentações em datas comemorativas. “Passei a frequentar as rádios de União dos Palmares onde recitava os cordéis em programas culturais. Conheci o jornalista e radialista Humberto Maia da rádio Pajuçara FM, em Maceió, que abriu as portas de seu programa “Manhãs Nordestinas”, onde pude mostrar meu trabalho para todo o Estado de Alagoas”, ressalta.
Nascido em Garanhuns-PE, em 20 de setembro de 1990, Cícero cresceu no Sítio Ilha Grande, município de Santana do Mundaú, em Alagoas, cidade onde reside hoje em dia, ajudando a família nos trabalhos da roça. Em novembro de 2013 ele conta que participou da VI Bienal do Livro de Alagoas onde pode expor seus trabalhos, no  estande da Secretaria de Cultura, (Secult), servindo de matéria para  sites da capital.  
“Cresci na roça, enfrentando as dificuldades que ela proporciona a quem nela habita, mas nem por isso perdi o gosto pelos estudos ou pelos livros. Depois de passar em um vestibular, entrei para o curso de Letras Vernáculas no Campus V da Universidade Estadual de Alagoas – Uneal, no início de 2013 e dei de cara com o reitor José Jairo Campos. Não perdi tempo para apresentar-lhe meu trabalho e fiquei surpreso quando ele me fez o convite para editar um livro patrocinado pela instituição”, revela.
O primeiro livro de Cícero Cordelista, ‘Versos de um cordelista’, ficou pronto em dezembro de 2014 e foi lançado no Campus V da Uneal, em abril de 2015. O livro foi editado pela Editora Viva e contém dez cordéis, entre eles: ‘O casamento forçado’, um dos seus primeiros textos. O livro ainda conta com um prefácio do reitor Jairo Campos e está em divulgação.
O artista popular comenta que tem mais de cinquenta cordéis escritos. A maioria  folhetos, outros em no blog (www.mcordeis.blogspot.com) onde divulga e posta suas criações.
Entre os trabalhos mais conhecidos de Cicero Cordelista estão: O casamento forçado; Relato da enchente de 2010 em Santana do Mundaú- Alagoas; Sebastião e Carolina, A moça que fez promessa para poder se casar; O homem que adormeceu e sonhou beijando uma égua;  A mulher que morreu quando viu o marido nu; A mulher que capou o marido; O viajante cantador e a moça que não sorria.
“Não tenho um tema específico para escrever, os temas nascem conforme a história. Porém os temas mais abordados em meus folhetos de romance, humor e temática social são: amor, paixão, traição, vingança, tristeza, seca, compra de voto, etc. Para escrevê-los, busco inspiração em meu interior e em minha sociedade. Amo ouvir histórias e adoro escrever os causos do interior em versos”, argumenta.
Depois de quase dez anos como cordelista, o estudante de Letras ressalta que a sua maior dificuldade é recurso para editar os folhetos. “Não recebo apoio de nenhum órgão ou instituição. Vivemos em um Estado onde a cultura não é valorizada, principalmente a arte do cordel comparando a estados como Pernambuco, Paraíba e Ceará onde o cordelista é bem mais valorizado”, avalia.
Ele explica que sempre editou os folhetos com recurso próprio, e depois de tê-los em mãos, ele mesmo os vende. Cícero Cordelista ressalta que não tem um ponto específico para venda e divulgação dos folhetos.  
“Não busco lucro ou fama naquilo que faço, busco prazer, respeito e reconhecimento. Sinto prazer em escrever, em criar histórias que fazem o povo rir, pensar, se emocionar e se identificar. Fico feliz quando alguém diz que riu muito com meu cordel ou que se identificou com aquele poema. Às vezes fujo do gênero cordel e adentro em outros gêneros, pois também escrevo poesia (soneto) e conto, porém minha casa é a literatura de cordel”.
O escritor luta para que esse tipo de manifestação popular permaneça viva dentro de uma sociedade pobre de conhecimento e podre de influências e bestialidades que fazem seu povo não valorizar as riquezas que possuem.
“Hoje a Literatura de cordel encontra-se extinta das feiras do Nordeste, raramente os folhetos são encontrados. Em meio a tanta tecnologia o cordelista resiste nos dias de hoje com sua arte, lutando para que ela não morra. Porém a mesma modernização tecnológica que afasta o povo dos folhetos de cordel ajuda o cordelista a manter-se mais vivo do que nunca: por que os cordéis que eram publicados em folhetos hoje são publicados on-line nos sites e redes sociais. Em meu blog é possível encontrar grande acervo de minha obra”.
Abaixo um exemplo do trabalho de Cícero, relatando a tristeza e o arrependimento de um caboclo depois de deixar seu sítio para morar na cidade.
DO SÍTIO PARA A CIDADE

Vendi meu taco de terra
E vim morar na cidade,
Aqui eu não tenho paz,
Não tenho felicidade,
Do meu rancho lá no sítio
Só me resta a saudade.

Eu tinha muita vontade
De a cidade conhecer,
Então vendi minha terra
E aqui eu vim viver,
Mas de arrependimento
Com certeza vou morrer.

Lá eu criava galinha,
Pato e porco no chiqueiro,
Criava peru, guiné,
Bode cabra e carneiro,
Um sabiá cantador
E um cachorro perdigueiro.

Lá no sítio eu criava
Uma vaquinha malhada,
Um cavalo corredor
Pra eu fazer cavalgada,
Um jegue e um velho burro
Pra levar carga pesada.

A um rico fazendeiro
Meus animais eu vendi,
Botei as roupas num saco
E pra cidade parti
Hoje meu coração dói
Muito me arrependi.

Tenho saudade do campo
Do meu lindo riachinho,
Sinto saudade de ouvir
O cantar de um passarinho,
Me lembrando do meu sítio
Aqui eu choro sozinho.

Foi uma grande burrice
Minha terrinha eu vender,
Nessa imensa cidade
Está ruim de viver,
Queria voltar pro campo
Meu doce eterno prazer.

Aqui só tem violência,
É tiro pra todo lado,
Se alguém vai comprar um pão
Na esquina é assaltado
À noite aqui nas ruas
Só tem ladrão e tarado.

De dia eu não aguento
É um barulho do cão,
É carro que só a gota
Estremece até o chão
Aqui só sinto tristeza
Não tenho satisfação.

Minha velha todo dia
Chora pra se acabar
Lembrando dos animais
Que lá chegava criar
Hoje o seu maior sonho
É para o sítio voltar.

Com o dinheiro da venda
Da terra e dos animais,
Aqui comprei uma casa
Que roubou a minha paz,
Desse dinheiro um real
Hoje eu não tenho mais.

A terra que eu vendi
Não posso hoje mais comprar,
Também não tenho dinheiro
Pra comprar noutro lugar,
Digo muito magoado
Aqui vou me acabar.

Para respirar aqui
Não tenho mais facilidade,
Queria morrer no sítio
Mas essa é a verdade:
Vou morrer arrependido
Nas ruas dessa cidade.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

‘Matuto de Luxo’ Geraldo Cardoso lança novo CD e DVD no Dia dos Namorados

O Matuto de Luxo Geraldo Cardoso promete animar a festa
Evento será no Restaurante Buganvìlia, em Maceió

Olívia de Cássia – Repórter
Foto: Olívia de Cássia

Para quem gosta do autêntico forró e quer comemorar o Dia dos Namorados ao estilo, nesta sexta-feira, 12, a partir das 22 horas, o Matuto de Luxo Geraldo Cardoso lança novo CD e DVD Roda de Forró, no Restaurante Buganvìlia, no evento Noite dos Namorados.

O trabalho foi concebido na casa do artista, nos encontros com os músicos: Pardal (zabumbeiro) e Geraldo Araújo (baixista). “A gente se encontra depois dos shows, para dar uma descansada e virou um show, por intermédio do jornalista Keyler Simões”, observa.

Geraldo Cardoso vai trilhando seu caminho de sucesso, com simplicidade e determinação e uma carreira já consolidada nos palcos do Brasil. O Matuto de Luxo compartilha essa alegria com o público, na próxima sexta-feira, quando promete muita alegria, descontração e forró, pela qualidade do seu trabalho e empreendimento na sua carreira.

Geraldo Cardoso está entre os melhores nomes do forró do Nordeste; prova disso é que ele foi escolhido mais uma vez para representar o Estado de Alagoas nas gravações do "São João do Nordeste" da Rede Globo. Dessa vez o programa é a presentado pelo Wesley Safadão que gravou em cada estado com um artista representando o seu estado. O programa vai ao ar no sábado dia 13 de junho.  

“Cada show que eu faço a emoção é diferente, o prazer aumenta cada vez mais quando sinto que toco no coração e na emoção das pessoas, eu gosto de ver o povo dançando”, pontua o Matuto de Luxo.    
O evento será uma comemoração à Noite dos Namorados e os ingressos estão sendo vendidos no @vivaalagoas (Shopping Maceió) e no local. O restaurante tem amplo estacionamento, pista de dança, cerveja gelada, drinks, bons pratos e segurança.


Além de Geraldo Cardoso, a festa contará com apresentação de Cristóvão Amado, ‘o mais apaixonado do Brasil’  e Ponei, ‘o rei da sofrência’. 

sábado, 6 de junho de 2015

Vocalista das bandas Cachorro Urubu e Som de Vinil, Felipe Seixas investe em trabalho autoral

Artista conta que começou tocando em bandas, em 1991, mas naquela época
não era tão fácil


Olívia de Cássia - Repórter
O vocalista das bandas Cachorro Urubu e Som de Vinil, Felipe Seixas, está em andamento nas composições de músicas autorias, junto com Vitor, Júnior e a parceira de John, que é praticamente a turma da banda Cachorro Urubu fazendo o trabalho autoral, segundo ele comenta.
Felipe Seixas é conhecido do público alagoano pelo projeto Tributo a Raul, em que o músico incorpora o rei do rock brasileiro Raul Seixas há 13 anos e como integrante da Banda Som de Vinil, conhecida na noite de Maceió, tocando músicas de qualidade e que agradam seu público.
Felipe Seixas é conhecido do público alagoano pelo projeto Tributo a Raul, em que o músico incorpora o rei do rock brasileiro Raul Seixas - Fotos: Divulgação
O músico começou a carreira em bandas no ano de 1991, com Hélio Pisca, que tocou na banda Mopho por muito tempo, quando um grupo de jovens que apreciavam rock in roll e a boa música montou uma banda para tocar, pois àquela época não era fácil, pois eles não tinham onde tocar e nem estúdio para gravarem.
“A gente ensaiava na casa de cada um e outro, na garagem, com equipamento simples. Eu vim viver da música mesmo a partir de 2001, quando surgiu a Cachorro Urubu, com a ideia de fazer a homenagem ao Raul e a banda já tem 15 anos. Agora a gente fez um especial tocando Raul e o João, que é irmão do Vitor, cantando Tim Maia; foi fantástico”, avalia.
Felipe explica que a Som de Vinil foi criada para tocar outras coisas na época: rock in roll dos anos 60, 70, nacional e internacional (Beatles e Secos e Molhados), entre outros sons. “Hoje a gente toca músicas dos anos 80, já com outra formação, e esse trabalho autoral”.
O jovem artista diz que sobrevive atualmente tocando na noite com a banda Som de Vinil em várias casas de shows e barzinhos da capital alagoana
Felipe Seixas conta que ainda não tem data definida para lançar o trabalho autoral, que é uma proposta antiga, mas observa que já está em processo de produção das músicas: “Estamos no processo de criação, fazendo as músicas e logo logo vamos entrar em estúdio para gravar, eu e João”, pontua.
O jovem artista diz que sobrevive atualmente tocando na noite com a banda Som de Vinil em várias casas de shows e barzinhos da capital alagoana e fazendo muita festa como: casamentos, aniversários, confraternizações  e tocando aquilo que gostam.
“A gente tem sorte de tocar, pelo tempo da banda, que já é conhecida em Maceió. As pessoas gostam, a gente toca o que gosta e curte e muita gente que vai assistir interage e gosta; tem muitos jovens também, que se identificam com a banda e o repertório que toca”, pontua.
Felipe diz que sempre aparecem locais para tocar: nos bares, nas boates e muita festa; nesse e no outro fim de semana já tem agenda para cumprir. Ele avalia que poderia ser melhor, “porque em Maceió a questão da cultura é muito complicada”.
Indagado sobre o que acha do péssimo gosto dos jovens de hoje, ele explica que gosta de música boa, depende do estilo: “Eu toco rock desde muito cedo; mas gosto de Almir Sater, Sérgio Reis, Renato Teixiera, que é a raiz da verdadeira música sertaneja; Paulinho da Viola, os sambas de Djavan, que eu acho fantásticos”, ressalta.
Indagado sobre o que acha do péssimo gosto dos jovens de hoje, ele explica que gosta de música boa, depende do estilo
. “É muita ostentação, apelação, retrato de que a educação e a cultura não tem vez, mas a gente fica feliz de ver muito jovem gostando de rock, de  muita coisa boa, a esperança ainda fica com essa turma nova”, destaca.
Sobre o mercado alagoano para a música, Vitor, guitarrista da Cachorro Urubu, da Som de Vinil  e parceiro de Felipe no trabalho autoral, diz que está difícil e que nunca foi fácil: “Está difícil, as casas são poucas e as que conseguem resistir, no segmento de rock são menos ainda. É uma dificuldade sem fim, mas a gente está resistindo”, observa. 

quinta-feira, 4 de junho de 2015

A política é um jogo e às vezes perigoso

Olívia de Cássia – jornalista

O Brasil vive ainda um clima de disputa eleitoral, apesar de já estarmos no meio do ano e a eleição ter acontecido em outubro do ano passado. Todos já entenderam que nem sempre o jogo da política é um jogo limpo; na maioria das vezes a disputa se transforma em briga pessoal e as propostas vão ficando de lado, confundindo o eleitorado.

É o jogo pelo poder e muitas vezes pelo dinheiro mesmo e tudo isso é muito perigoso. O ministro da Educação, Janine Ribeiro, logo que assumiu a pasta deu uma entrevista onde disse que o que acha muito ruim na política brasileira é que há uma discussão que instrumentaliza a questão da corrupção para atacar aquele lado do qual se discorda, mas que não quer no fundo o fim da corrupção.

“Quando a corrupção favorece a pessoa que está reclamando, ela finge que não existe. E isso é um sinal de uma imaturidade muito grande na discussão política”, disse ele. É o que acontece nos dias atuais no Brasil.

Não concordo e nunca concordei com a corrupção e defendo que tudo seja apurado, milimetricamente, mas o que está acontecendo hoje em dia é que os perdedores das últimas eleições esqueceram o que fizeram no passado, como se a corrupção desenfreada tivesse nascido com o Partido dos Trabalhadores.

Não digo aqui que os erros cometidos sejam justificáveis; isso eu não acho, mas os políticos da oposição, em sua maioria conservadores, no Congresso Nacional, tentam passar para o povo uma falsa teoria. É bom que procuremos ler e conhecer os fatos da história recente do País, para não sair por aí dizendo asneiras. Muita gente o faz de caso pensado.

Venho de um tempo de disputas políticas e pessoais acirradas em União dos Palmares. Na década de 70, na Terra da Liberdade, já tinha briga política dos dois lados. Muita gente brigou, se engalfinhou e ficou intrigado por causa da política palmarina; aí eu pergunto: valeu a pena?

Era uma época de ditadura militar em que haviam apenas dois partidos políticos: a Arena (formada pelos conservadores e defensores do regime) e o MDB (que era uma frente partidária, onde oposicionistas de todos os calibres e pensamentos se aglomeravam).

Desde menina acompanho essas contendas e hoje sei que não valem a pena. Meu pai era um homem apaixonado por eleição e fã número um do seu primo-político Afrânio Vergetti de Siqueira e herdei de seu João esse lado também.

Aprendi com meu pai que o voto da gente é uma arma sagrada e que ninguém tem o direito de comprá-lo. Votar é um exercício de cidadania e não devemos transformar o nosso voto em mercadoria barata.

Muita gente critica os políticos corruptos do Congresso Nacional, das Assembleias e das Câmaras de Vereadores, mas quem os coloca nesses locais é o povo e lá a representatividade tem a cara da sociedade. Não adianta reclamar, depois do leite derramado.

Fui crescendo aprendendo isso e quando cheguei à faculdade me integrei logo às pessoas de pensamento mais à esquerda, simpatizei logo com eles e entendi naquela época que eu não era tão errada, por pensar tão diferente da maioria dos meus amigos de infância.

Mas depois de presenciar tanta coisa hilária na política, alianças sem princípios e coisas estranhas àquilo que pregávamos quando lutávamos na rua em passeatas por uma sociedade melhor e mais justa, e também por causa do problema de saúde, fui me afastando das brigas e contendas e hoje prefiro ficar mais na observação e análise de caso, mas não fujo à luta.

Não deixarei de defender meus princípios de defesa pelos direitos humanos, contra os preconceitos raciais e sociais, a favor dos direitos das mulheres, das crianças, dos negros, dos índios e dos injustiçados e sem demagogia vou votar sempre naqueles candidatos que defendem princípios parecidos com os meus, independente de onde estejam.


As denúncias de corrupção na política brasileira são graves e devem ser apuradas, sim, mas nem sempre o que o que é publicado na mídia é de real valor e devemos observar o que vai por trás das entrelinhas de quem está denunciando. Que interesses têm por trás de tudo isso. Vale a reflexão. 

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Equipe do Maceió Rugby de Alagoas precisa de patrocínio

Apesar das dificuldades, time faz trabalho social

 com alunos de escola pública de Maceió


Olívia de Cássia - Repórter
Jovens de vários bairros da capital alagoana da equipe do Maceió Rugby praticam o esporte há nove anos, treinam três dias da semana na quadra de esporte em frente ao Hotel Enseada, na Pajuçara, mas ainda não têm patrocínio do poder público. 
O apoio que o time precisa, por meio de recursos estaduais e do município ainda não foi possível, porque a equipe não tem o CNPJ para que possa ter patrocínio nas competições, mas os participantes esperam que tão logo a documentação fique pronta, venham os apoios necessários.
Jovens de vários bairros da capital alagoana da equipe do Maceió Rugby praticam o esporte há nove anos - Fotos: Paulo Tourinho
Quando a turma precisa viajar, faz vaquinhas ou pedágio nos sinais de trânsito da capital alagoana e cada viagem para fora do Estado implica em custo elevado e se torna quase inviável sem patrocínios fixos, apenas com os apoios esporádicos recursos dos próprios jogadores e pequenos outros incentivos de colaboradores.   

Apesar disso, os atletas do Maceió Rugby desenvolvem trabalho de responsabilidade social com alunos da Escola Campos Teixeira, do bairro da Ponta da Terra e dão treino pelo Projeto Escola para crianças e adolescentes carentes.
Os alunos recebem lições de disciplina e boa conduta, além do esporte e o raciocínio lógico. “Eles aprendem o rugby tag, para sair desse mundão que é meio perdido e para participar o aluno tem que ter boas notas e frequência na escola”, explica André de Souza, pilar direito do time.
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André de Souza observa que os alunos que estudam de manhã praticam o esporte à tarde e vice-versa. “O rugby exige disciplina: o respeito dentro e fora do campo e se o aluno faltar aula, não participa; se falta às aulas com frequência será cortado do esporte. É uma coisa boa para eles e para a gente também”, explica.
O rugby é uma disputa de território e que ajuda o atleta a pensar rápido
O pilar direito acrescenta que é tradição no rugby a confraternização, um chamado terceiro tempo, quando são finalizadas as partidas e os atletas vão se confraternizar. “A disputa, a rivalidade é só no campo, quando sai existe aquela amizade, é isso que esse esporte traz: é o que gosto nele, os meninos saírem de suas casas para praticar o esporte e ocupar a cabeça com algo positivo”, argumenta.

Pedro Ernesto, treinador do time, trabalha com o esporte há quase quinze anos

Pedro Ernesto é paulista, formado em Publicidade e Propaganda e é o treinador do Maceió Rugby há um ano e meio; diz que trabalha com o esporte há quase quinze anos. “Comecei a jogar em São José dos Campos, uma cidade conhecida como a capital do rugby e a apitar os campeonatos da Federação Paulista e da Confederação Brasileira”, destaca.
Pedro  Ernesto argumenta que se tem apoio, grana, daria para participar de torneios em outros estados
Em Maceió, Pedro Ernesto conta que tem uma gráfica, se mudou por conta do trabalho da esposa. “Já existia um time que estava mal das pernas e tinha um treinador que foi embora para Arapiraca e fui convidado para assumir a vaga”, explica.
O treinador destaca o projeto da escola, apadrinhado pela equipe do Maceió Rugby, e observa que essas crianças precisam de um olhar especial. “A gente vai criando apego; o impedimento é financeiro. Eu dou treino no colégio, posso ir porque não tenho emprego, tenho minha empresa, trabalho em casa e há disponibilidade”, pontua.
Pedro  argumenta que se tem apoio, grana, daria para participar de torneios em outros estados. “A escola ajuda, abre a quadra, o horário, mas não tem como colocar na receita, não pode tirar, a única dificuldade é essa, mas não tem recompensa melhor do que um abraço”, observa.  
Atleta da equipe feminina destaca que o esporte melhora o condicionamento físico
Natália Momberg é atleta da equipe feminina do Maceió Rugby e disse que na última etapa de João Pessoa a equipe participou com 16 meninas. “Eu entrei no time tem pouco tempo, vai fazer seis meses; existe uma rotatividade na equipe feminina, mas aqui temos um time mais consolidado: tem aparecido meninas novatas querendo participar”, explica.
Natália Momberg é atleta da equipe feminina do Maceió Rugby e disse que na última etapa de João Pessoa a equipe participou com 16 meninas
Segundo a atleta, o rugby melhora o condicionamento físico: “Para mim me deixou muito mais ativa do que quando eu não estava praticando esporte; fortalece os músculos, é preciso ter um treinamento baseado em força e o rugby tem essas vantagens”, pontua.
Segundo a atleta, o rugby melhora o condicionamento físico
“O time feminino só joga sevens, que é um jogo muito rápido e com muita corrida; a gente precisa ter treinamento de resistência para aguentar a corrida, segurar o tempo de jogo e de força. A gente tem momento de explosão dentro do jogo e tem que trabalhar muito resistência física e fortalecimento”, comenta.
Secretário jurídico fala de como tudo começou
Octávio Augusto Vieira é secretário jurídico do Maceió Rugby, número três e pilar esquerdo do time e conta que a turma mais antiga começou tentando jogar futebol americano: “Só que a bola que eles conseguiram foi uma bola de rugby, aí eles começaram a estudar sobre o esporte”, destaca.
Octávio Augusto Vieira é secretário jurídico do Maceió Rugby, número três e pilar esquerdo do time e conta que a turma mais antiga começou tentando jogar futebol americano
A reportagem do Primeiro Momento pesquisou que jogos com bola e contato físico são praticados pela sociedade humanas há milênios. “Os romanos, por exemplo, praticavam o harpastum, muito semelhante ao rugby moderno, no qual os atletas jogavam em equipes e buscavam levar uma bola à outra extremidade da quadra de jogo, empurrando os oponentes”.
Autores antigos como Ateneu, Galeno, Sidônio Apolinário e Júlio Polux relatam a prática contemporânea. Na Itália, na região de Florença, floresceu o Calcio, cujas regras foram formalizadas em 1580, segundo as quais duas equipes com 27 jogadores deveriam conduzir a bola até o outro lado do campo adversário, em dois tempos de 50 minutos, contando ainda com juízes de campo e de linha 
Os celtas, por sua vez, praticavam o Caid, ao qual se atribui grande influência sobre o rugby. Como afirma o historiador Hilário Franco Júnior, os jogos com bola são manifestações antropológicas, comuns a diversas sociedades humanas ao longo dos séculos.
Se o atleta sofrer um jogada desleal, ele destaca que é comunicado ao capitão e ele vai organizar a situação
Octávio Augusto destaca que rugby é uma disputa de território e que ajuda o atleta a pensar rápido. Uma partida desse jogo tem duas partes de quarenta minutos. E o objetivo é fazer maior número de pontos. Cada time no rugby tem 15 jogadores titulares e seis reservas.
“Nasceu antes do futebol americano, por volta de 1836, na Inglaterra, numa partida de futebol, na cidade de mesmo nome e reza a lenda que grupo de universitários estava treinando, um jogador pegou a bola e saiu com a bola na mão disputando o campo e daí nasceu essa disputa”, explica. 
Octávio argumenta também que o rugby é um jogo muito honesto, que impõe respeito, com tratamento polido entre os atletas
Ele ressalta que são 50 linhas, 50 metros e elas vão se dividindo em linhas de 20 e de dez até o tray (gol); essa linha na barra, que a gente chama de agá; o futebol americano usa o ypsilon. “O objetivo é a bola iniciar a marcação e impedimento; a bola é como se fosse uma bandeira, ela vai ganhando territórios”,  ensina.
Segundo Octávio, quanto mais o time vai ganhando territórios, até o ponto de o atleta chegar ao território do adversário, que é o tray, uma linha do in gol, de cinco metros atrás que vai da barra do agá “e temos que colocar a bola nesse espaço, ela cobre toda a lateral do campo e tenho cinco metros para  conseguir colocar a bola ali dentro, eu marco um ponto, equivalente a um gol, que no rugby tem uma coisa parecida que os americanos fazem, que aqui a gente chama de conversão”, destaca.
O atleta comenta ainda que “o rugby tem uma trombada, um contato mais programado, uma coisa mais técnica, um  jogo completamente corrido
O secretário do time pontua ainda que a conversão, “quando o atleta chuva a bola da mesma linha onde eu a coloquei no chão e esse chute me converte mais três pontos, então o total eu consigo cinco pontos. O rugby é um jogo mais corrido, mais dinâmico. Se fosse para diferenciar eu diria que o FA é um pouco mais estratégico, tem muitas pausas”, pontua.
O atleta comenta ainda que “o rugby tem uma trombada, um contato mais programado, uma coisa mais técnica, um  jogo completamente corrido: tem dois tipos de jogo; o bola viva e o bola morta. O jogo do tipo bola morta é quando eu cometo um penal; paro o jogo e vou dar oportunidade de os times estarem iguais”, observa.
Octávio argumenta também que o rugby é um jogo muito honesto, que impõe respeito, com tratamento polido entre os atletas. “Ninguém fala com árbitro que não seja com a referência de meu capitão e todas as reclamações são para ele”.

Diferente do que se pensa, o secretário jurídico do time comenta que o que menos se usa no rugby é a força
Se o atleta sofrer um jogada desleal, ele destaca que é comunicado ao capitão e ele vai organizar a situação: “O rugby é um jogo de cavalheiros; o atleta tem que estar presente na jogada, você tem que estar atento porque a qualquer momento pode  ter um impacto e é um jogo que ‘abusa’ da capacidade física e mental. O atleta tem que aproveitar as regras, o rugby não é um jogo de força”, explica.
Diferente do que se pensa, o secretário jurídico do time comenta que o que menos se usa no rugby é a força. “É um jogo de pensamento rápido e não se joga pra frente: a jogada é para trás, é um jogo fiel à regra. Eu gosto desse método regrado, porque eu não consigo, por exemplo, roubar uma bola e jogar para frente. Eu tenho que conquistar o meu time, galgo cada metro; impõe muita disciplina”, reforça.

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