quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Bons ventos...

Bons ventos...

Olívia de Cássia – jornalista

Bons ventos que sopram no mundo, depois de uma campanha eleitoral no Brasil, cheia de preconceito, ódio e discriminação. Uma notícia que surpreendeu a muita gente nos chegou com ares de suavidade e esperança, na quarta-feira, 17: o presidente dos EUA, Barack Obama, propôs o fim do embargo a Cuba.

A medida foi elogiada por diversas autoridades mundiais, como as Nações Unidas e o Mercosul, mas Obama terá dificuldades, bem sabemos, pelo seu gesto democrático e solidário. Não vai ser fácil para o presidente norte-americano ter que encarar a discriminação e o preconceito que se espalha ainda hoje, assustadoramente.

Cuba sofre o embargo americano desde a Revolução cubana de 1959, quando Fidel Castro derrotou o regime de Batista. O embargo contra Cuba já dura 53 anos e o presidente Obama encontrará muitos impedimentos nessa sua nova jornada.

Segundo as agências de notícia no mesmo dia da declaração do presidente dos EUA, a notícia ainda não pode ser comemorada plenamente, assim como os planos para a abertura de uma embaixada americana em Havana nos próximos meses, corre o risco de não sair do papel.

O Congresso americano é composto em sua maioria pela oposição, mas a decisão do presidente dos Estados Unidos de iniciar um diálogo imediato com Cuba para restabelecer os vínculos diplomáticos entre os dois países inaugurou um novo capítulo na tensa relação..

A presidente Dilma Rousseff disse que o restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e Estados Unidos  "marca uma mudança na civilização" e elogiou os presidentes dos EUA, Barack Obama, de Cuba, Raúl Castro, e o papa Francisco, que teve um papel fundamental nessa decisão,  pela medida.

Dilma aproveitou para comentar que  “é um momento que marca uma mudança na civilização mostrando que é possível restabelecer relações interrompidas há muitos anos", disse.

O acordo fechado entre EUA e Cuba com intermediação do papa Francisco prevê o estabelecimento de embaixadas nas capitais dos dois países, além do relaxamento do embargo norte-americano contra a ilha comunista.

"Eu acredito que a possibilidade de relacionamento, o fim do bloqueio, o fato de que Cuba tem hoje condições plenas de conviver na comunidade internacional é algo extremamente relevante para o povo cubano e acredito para toda América Latina", disse a presidente.

O escritor Fernando Morais, autor do clássico 'A Ilha', comemorou o que chamou de 'fim da guerra fria', com a reaproximação diplomática entre Cuba e Estados Unidos.

 "Não é só uma frase de efeito, mas a Guerra Fria acabou; finalmente Obama fez jus ao prêmio Nobel que ganhou. O reatamento das relações vai produzir uma mudança imediata na economia cubana. É uma revolução. É importante do ponto de vista político porque degela as relações, acaba com essa idiossincrasia que não serviu para nada", ressaltou Morais. Que venham as mudanças: viva a democracia, viva Francisco!!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

O encontro

Olívia de Cássia – jornalista

Fazia tempo que a nossa turma da faculdade, da Comunicação da Ufal, do movimento estudantil da década de 80, não se encontrava fraternalmente para desfrutar e relembrar dos  nossos bons momentos vividos naquele tempo. Apesar da dureza da ditadura, a gente sabia se divertir, protestar.  

Encontrar uma parte dos amigos me reenergizou, me fortaleceu  e me fez muito bem. É  bom rever pessoas, reencontrar amigos que nos enriqueceram culturalmente e que nos fizeram pessoas melhores. Falamos das aventuras vividas, dos amigos que não estavam presentes, das nossas homéricas farras, dos professores, da vida, enfim.

Apesar de a gente se ver em alguns eventos da categoria, de vez em quando,  fazia tempo que eu não me juntava aos bons amigos. Nos reencontramos depois de muitos anos  e falamos do passado e presente. Ficamos de programar outros encontros, dessa vez mais organizados e previsíveis, com mais participantes.

Apesar das perdas que tivemos ao longo do tempo, da falta de alguns que já se foram, dos anos passados e dos cabelos grisalhos da maioria, dos tingidos também, mudamos, mas continuamos todos iguais.

Continuamos defendendo os nossos ideais, pelo menos a maioria, a persistir caminhos mais justos, a gostar das músicas que ouvíamos antes e a ler os nossos autores preferidos.

O tempo passou, mas ainda somos aprendizes da vida.  E como é bom este sentimento que tenho agora. Vamos nos encontrar de novo, galera. 

sábado, 13 de dezembro de 2014

Sedentarismo já é considerado uma doença que atinge crianças e jovens

Professora de Educação Física,
 Lorena Rodrigues  alerta que sedentarismo
 deixou de ser uma doença apenas
de pessoas mais velhas
 - Repórter 
/ Tribuna Independente 


A professora de Educação Física Lorena Rodrigues, em entrevista pelo Facebook à reportagem da Tribuna Independente, disse que o sedentarismo deixou de ser uma ‘doença’ só de pessoas mais velhas para ser doença de criança.
Ela exemplifica as crianças que ficam horas e horas sentadas no computador ou com celular.
“Hoje em dia é muito fácil encontrar crianças que não gostam de praticar atividades recreativas, ficam muito tempo acessando tecnologias e não têm também a liberdade que tínhamos antigamente de ficar jogando, brincando no meio da rua”, observa. Segundo a professora, atualmente, as crianças só querem saber de redes sociais, vídeo games e TV, se tornando assim crianças sedentárias, hipertensas, com doenças de adulto como o colesterol alto, entre muitas outras doenças.
Segundo a professora é importante a prática de atividade física e que seja com acompanhamento: “Traz benefícios para a saúde, proporcionando um bem-estar físico e mental.
Lorena Rodrigues disse que a atividade física suficiente para ‘uma melhora’ na qualidade de vida das pessoas seria se exercitar três vezes na semana, uma hora e trinta minutos.
“Melhora o sistema cardiovascular, a pessoa dorme melhor e tem também a questão da hipertensão e diabetes. Não adianta tomar o remedinho se não seguir à risca as recomendações como a prática de atividade física”, destaca.
Qualquer atividade física deve ser avaliada por médico
A professora Lorena Rodrigues, que ensina em escolas nos municípios de Pão de Açúcar e Santana do Ipanema, lembra que antes de fazer qualquer exercício a pessoa deve procurar um médico e um educador físico, para orientar adequadamente nas atividades: “Nada de fazer por conta própria”, destaca.
Outro ponto a ser observado, segundo Lorena Rodrigues, é a questão da coordenação motora.
EXEMPLOS
Alguns exemplos de atividades físicas de intensidade leve ou moderada são: a caminhada, musculação, hidroginástica, dança e ginástica em geral. Como exemplos de atividades físicas de intensidade vigorosa há a corrida, os esportes coletivos no geral, ginástica aeróbica, entre outras atividades que aumentem a frequência cardíaca muito além dos níveis de repouso.
ENVELHECIMENTO
Segundo a professora, quando envelhecemos perdemos uma parte do nosso tecido muscular, “nossas articulações ficam limitadas, e as pessoas idosas procuram principalmente na caminhada diminuir a velocidade com que essas perdas acontecem, ressaltando que quando fazemos algum tipo de exercício, tudo melhora dentro da gente e fora, como taxas de colesterol, autoestima elevada, entre outros benefícios”, cita Lorena.
Alguns alagoanos procuram fugir da estatística do IBGE
Ioneide Oliveira tem 20 anos e faz atividade física três vezes na semana em uma academia do Conjunto Murilópolis, em Maceió. Ela disse que começou a se exercitar há um mês, mas já sente a diferença na qualidade de vida “Eu comia muito mal e errado; sentia fraqueza por conta da alimentação errada. Agora estou melhorando aos poucos, tenho mais energia”, observa.
Ioneide Oliveira começou a se exercitar há um mês e se sente muito bem (Foto: Sandro Lima)
Haley Oliveira Moreira Lima disse que faz musculação de segunda a sábado, todos os dias, na mesma academia de Ioneide, durante uma hora e meia, e disse que tenta comer de três em três horas para poder manter a dieta e que ingere algum suplemento alimentar. Ele disse que se sente muito bem praticando atividade física.
Os dois jovens são exemplos de alagoanos que procuram se cuidar, fugindo da estatística de sedentarismo divulgada pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada no dia 10, referente ao ano de 2013, que indica que quase metade da população com 18 anos ou mais do país –46%, é sedentária, 28,9% assistem três horas ou mais de televisão por dia e 15% fumam ou usam produtos derivados do tabaco.
O professor Samuel Lima é personal trainer da academia onde entrevistamos Ioneide e Haley e dá aula de circuito, onde trabalha flexibilidade, agilidade, para proporcionar melhor condicionamento físico para o aluno. “Nesse período do ano a procura é bem maior; as pessoas esperam o resultado rápido do exercício, mas têm que saber que precisam fazer exercícios em longo prazo, o ano todo, buscando sempre uma melhor qualidade de vida”, observa.
CAMINHADA
Maria da Soledade Vieira tem 65 anos, disse que costuma fazer caminhadas logo cedinho, mas também vê televisão por mais de quatro horas seguidas e deixou de fumar. “Em casa a gente se acomoda um pouco, mas procuro compensar na caminhada que faço de manhã, com meu cachorro. Meu médico disse que faz bem praticar exercício”, destaca.
José de Arimatéia dos Santos trabalha como taxista no bairro do Farol, disse que não costuma praticar atividade física, mas sabe que está errado. “Eu como muito, bebo e não pratico esporte, sou do tipo barriguinha de chope; trabalho sentado o dia todo e sei que isso faz mal, mas o dia a dia vai levando a gente a esses hábitos que não são saudáveis”, disse ele.
Mulheres lideram pesquisa
Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (NS), referente ao ano de 2013, cerca de 67,2 milhões de pessoas não faziam exercício físico.
O ranking de sedentarismo é liderado pelas mulheres, com 51,5% ou 39,8 milhões, contra 39,8% ou 27,4 milhões dos homens.
O percentual de mulheres “insuficientemente ativas” varia de 50,3% na região Sul a 56,4% na região Norte - que também lidera o maior número de pessoas sedentárias (48,1%).
Exercício físico eleva frequência cardíaca, melhora colesterol, reforça e protege as articulações (Foto: Sandro Lima)
Entre os homens, essa variação fica entre 37,3% no Nordeste e 41% no Sudeste. Os dados específicos de Alagoas não foram divulgados.
Segundo a pesquisa, mais da metade (62,7%) das pessoas de 60 anos ou mais estava inativa no último ano. Já o grupo menos sedentário é o de idade entre 18 e 24 anos, chegando a 36,7%.
SEM INSTRUÇÃO
Das pessoas sem instrução ou com ensino fundamental incompleto, 50,6% são “fisicamente inativos”, sendo este o grupo mais representativo entre os demais.
Em relação à raça, os brancos são um pouco mais sedentários (47,9%) do que os pardos (44,8%) e os pretos (42,4%).
O estudo aponta que um dos fatores que levam ao sedentarismo é o hábito de assistir televisão.
O Sudeste lidera a lista de moradores (31%) que aderiram ao costume em 2013.
O Rio de Janeiro é o Estado com o maior número (40,4%), seguido por Espírito Santo (29,4%), São Paulo (28,9%) e Minas Gerais (28,1%).

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Enterro sem Defunto

Olívia de Cássia - Jornalista

Acabo de ler a obra do escritor alagoano Daniel Barros. Um romance de 239 páginas, que nos remete a outros escritores clássicos da literatura. É o  segundo livro do autor, de acordo com informações da orelha do livro. Não li o primeiro, mas pela qualidade deste que acabo de degustar, capítulo por capítulo, deve ter a mesma característica dos bons escritores.

Daniel Barros nos leva até o fim da história, não de forma concatenada, a devorar cada página, como  deve fazer um escritor de qualidade. O romance do alagoano conta a história de Alcides, um homem idealista, que depois de trabalhar como jornalista-repórter fotográfico envereda no meio policial tentando fazer um trabalho honesto, como deveria ser todo profissional e se decepciona com a corrupção no meio da polícia.

O final do livro nos leva a pensar;  não tem fim e cabe a cada um de nós imaginarmos o que teria acontecido com Alcides: se realmente morreu ou se os amigos fizeram um plano para livrá-lo das ações de um traficante famoso, filho de um político influente de Brasília, que o baleou.

O livro é escrito de maneira saborosa, de linguagem simples, mas agradável e que leva o leitor a se interessar em ir até o final do mistério envolvendo o caso amoroso entre Alcides e a procuradora Catarina, ameaçada de morte pelo crime organizado em Alagoas.

Além de falar das nossas belezas naturais e divulgá-las para o mundo, em algum momento a obra de Daniel Barros lembrou Jorge Amado, Graciliano Ramos e outros bons escritores da nossa língua portuguesa.

Ganhar o livro do autor, recebê-lo em casa pelo Correio, ter o privilégio de receber uma dedicatória e receber o convite para fazer uma resenha da história, me deixou lisonjeada, apesar de não saber se tenho competência para tal e se o fiz da maneira encomendada, mas está aí.

Daniel Barros está de parabéns e é uma promessa que orgulha a nossa terra e com certeza vou mergulhar em seu primeiro livro, para me deliciar com suas histórias, ora picantes e apaixonadas, ora de suspense e ação.

Despedida


Alana Vergetti

Tem momentos em nossa vida que precisamos esquecer os sentimentos mais profundos... Esquecer nosso apego a situações e momentos em nosso passado que nos fazem teimar em enraizar mais ainda esses sentimentos!

Passei uma vida inteira esperando a oportunidade de voltar para minha terra...voltei com o coração aberto disposta a trabalhar muito para ajudar meu povo a ter mais qualidade de vida, a fazer a diferença mesmo, porém não fui compreendida! Não fui ouvida!

E novamente estou daqui me despedindo! Não aceito ver, ouvir e ficar calada...não consigo ser conivente com a situação que passa a saúde de União dos Palmares... Não quero ser cúmplice desse descaso e falta de respeito com a população mais carente...com toda população afinal!

Agradeço imensamente a oportunidade que tive de tentar, mas preciso pensar também em mim. Aos amigos garanto que estarei muito presente sempre, através das redes sociais e anualmente em minhas férias!

Estou voltando para Roraima...também uma terra querida onde passei grande parte de minha vida. .Lá tenho já grandes oportunidades de valorização de minha profissão e poderei ajudar quem de mim necessitar sem envolvimentos politiqueiros!

Obrigada União dos Palmares...Obrigada a todos os Palmarinos que me receberam de braços abertos e garanto que jamais esquecerei de vocês!

É preciso coerência...


Olívia de Cássia – jornalista

Em tempos de muita agitação política, tecnologias avançadas e modernidade, podemos dizer, sem medo de errar, como disse um filósofo clássico que não me recordo o nome agora, que é preciso coerência naquilo que pregamos; no que escrevemos e no que dizemos.  

“O orador, quando estiver organizando a sua peça oratória, deve atentar para essas três palavras: coerência, clareza e concisão. Geralmente, não damos muita conta da enxurrada de palavras que proferimos, sem nexo, sem sentido, sem autocrítica”, escreveu Sérgio Biagi Gregório, no blog do Centro Espírita Ismael.

Segundo Biagi, é preciso lembrar que “a plateia é constituída de seres humanos, que momentaneamente estão nos emprestando os seus ouvidos (e aqui eu acrescento os olhos), para que possamos expressar o nosso pensamento sobre determinada matéria”, isso para não dizer que é preciso vigiar porque os ouvidos e olhos de todos são sensíveis.

Na campanha eleitoral deste ano, que culminou com a vitória da presidente Dilma Rousseff o que mais vimos nas redes sociais, meio político e nos meios de comunicação foi a falta de coerência de muita gente.

É preciso que sejamos coerentes, claros e concisos. “Somente assim poderemos influenciar positivamente o pensamento de nosso interlocutor”, observa Biagi. A jornalista Ana Paula de Araújo, da Revista Nova Escola, escreveu no site da editora Abril, que cada palavra tem seu sentido individual, quando elas se relacionam elas montam um outro sentido.

Setores da oposição insistem em ignorar o processo democrático, principalmente o candidato perdedor, persistindo num discurso golpista, que cheira mal. A corrupção deve ser combatida, em todas as suas instâncias e quem cometeu erros que pague pelo o que fez de errado, mas a gente percebe que as análises dos opositores e da mídia tradicional são contraditórias: tipo dois pesos e duas medidas.

Se houve corrupção em alguns setores do atual governo ou no Partido dos Trabalhadores, que sejam reparados e punidos, mas também que sejam observados os erros cometidos pelo outro lado. “Doa a quem doer”. Como disse o ex-presidente Lula, querem criminalizar o PT por tudo; daqui a pouco até pela mudança do tempo o PT vai ser o responsável.

O que vemos são pessoas que defendem o purismo na política e que votaram nos candidatos que significam o que tem de pior na sociedade brasileira, a exemplo de Bolsanaros da vida, exortando o fim da corrupção. Ai eu fico meditando e refletindo: Jair Bolsonaro foi o deputado federal mais votado no Rio de Janeiro. Celso Russomanno foi o mais votado em São Paulo.

Outros diversos ídolos dos reacionários de Internet, como o Coronel Telhada ou Marco Feliciano, também tiveram votação expressiva. “O próprio Levy Fidélix, que teve 0,06% dos votos em 2010, quando era só o “candidato do Aerotrem”, chegou a 0,43% dos votos com seu discurso homofóbico em 2014, pouco atrás da “sensação das redes sociais” Eduardo Jorge, com seu discurso progressista”, disse o blog Um pouco de Prosa.

Portanto, caros leitores, é preciso mais leitura, mais clareza, mais observância do que dizemos, mais mergulho na história e mais coerência, para não sairmos por aí dizendo coisas sem nexo e sem sentido. Bom dia. 

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

De acordo com levantamento, Alagoas registrou 17 casamentos gays em 2013

GGAL está fazendo levantamento nos cartórios e avalia que número é bem maior do que os divulgados pelo IBGE

 / Tribuna Independente 10 Dezembro de 2014 - 08:00

  • Foto: Reprodução
´Número de uniões entre pessoas do mesmo sexo representa 3,4% do total de matrimônios do Estado
´Número de uniões entre pessoas do mesmo sexo representa 3,4% do total de matrimônios do Estado
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na terça-feira os dados das Estatísticas de Registro Civil, com relação às uniões civis de pessoas do mesmo sexo realizados em Alagoas.
Segundo os dados, o Estado registrou 17 casamentos gays ao longo do ano de 2013. O número representa 3,4% do total de matrimônios que acontecem no Estado, um dos percentuais mais baixos do Brasil. Em número, Alagoas está a frente apenas do Acre, Maranhão, Sergipe e Espírito Santo.
Segundo o estudo, das uniões homoafetivas realizadas nos municípios alagoanos, três foram entre casais do sexo masculino (1,3%) e 14 do feminino (5,3%). A maior parte das uniões civis foi entre cônjuges com idades de 35 a 44 anos – a média nacional é de 37 anos para os homens e 35 para as mulheres.
MAIORES
O presidente do Grupo Gay de Alagoas (GGAL), Nildo Correia, avalia que os números são maiores do que os apresentados na estatística oficial do IBGE.
“Da mesma forma que a gente sabe que muitos casais vivem no anonimato, acredito que o número de casamentos homoafetivos é bem maior”, observa.
Nildo Correia informa que o GGAL está fazendo um levantamento nos cartórios alagoanos para saber os números exatos das uniões civis entre pessoas do mesmo sexo.
Para presidente do GGAL, Nildo Correia, os casais gays estão mais conscientes (Foto: Adailson Calheiros)
“Até o final do mês deveremos finalizar o levantamento para ver como está a legalização nos cartórios. Ainda existe muita dificuldade, pois tem local que não tem essas informações, porque muitos casais preferem viver no anonimato”, pontua.
Movimento avalia como positivo o levantamento
Segundo o presidente do GGAL, Nildo Correia, apesar de os números de uniões entre pessoas do mesmo sexo divulgados pelo IBGE ainda parecerem tímidos nas estatísticas, o levantamento é positivo, pois é a primeira vez que a instituição faz um estudo com o tema.
“Em nível nacional esse número quase que triplicou, pois em 2012 era pouco mais de mil; os casais, ainda bem, estão mais conscientes, saindo do anonimato e procurando seus direitos, mas a sociedade ainda não está preparada para isso. Outro avanço que tivemos no movimento foi com relação às adoções de crianças por casais do mesmo sexo”, ressalta.
O casal Klécio Fernandes e Tanino Silva (presidente do Grupo Gay de Maceió) oficializou a união estável em junho deste ano, mas há três anos estão juntos.
Clécio Fernandes disse à reportagem da Tribuna Independente que não teve burocracia para oficializar a relação e a assinatura do documento de união estável foi tranquila.
Ele observa que o relacionamento entre eles não mudou nada depois da assinatura do documento. “Não mudou nada, continua do mesmo jeito”, observa, acrescentando que por enquanto o casal não pretende adotar filhos.
Há três anos juntos, Klécio Fernandes e Tanino Silva oficializaram a união estável em junho deste ano (Foto: Cortesia / Maceió 40 Graus)
No Brasil, são reconhecidos às uniões estáveis homoafetivas todos os direitos conferidos às uniões estáveis entre um homem e uma mulher. As uniões do mesmo sexo utilizam-se das disposições de diversos princípios constitucionais.
Igreja Católica não aceita união como casamento
O padre Marcio Roberto dos Santos, da Paróquia Nossa Senhora Rosa Mística, no bairro de Mangabeiras, em Maceió, em entrevista à reportagem, em outra oportunidade, sobre casamentos homoafetivos, disse que para a Igreja Católica, matrimônio ou casamento é a união de um homem e uma mulher e que naturalmente desta união nasce um novo ser humano.
Padre Marcio destacou que a Igreja Católica respeita a decisão de convivência de pessoas do mesmo sexo, apesar de não reconhecer como casamento.
“Qualquer relação a dois sem uma abertura à vida é visto como relação afetiva, mas não casamento. A igreja não reconhece a união de pessoas do mesmo sexo como matrimônio”, pontua.
Segundo o padre, existe o respeito à decisão da pessoa e da liberdade de consciência seja deles ou delas, mas destaca que no projeto de Deus, o crescimento e o desenvolvimento da pessoa humana passam pela família constituída por um homem e uma mulher.
“Qualquer casal hetero que podendo ter filhos, não os deseja, não poderá se casar na Igreja”, ressalta.
Segundo o pároco, essa decisão é “por não corresponder àquilo que é próprio de um casal para firmar a união de ambos, o fruto de desse amor, isto é, a abertura aos filhos. Isso não significa que a Igreja tem uma atitude desrespeitosa a tal casal, por não reconhecer nesta união a família dentro de um projeto de Deus”, explica.
No Brasil foram 3.701 uniões civis entre pessoas do mesmo sexo
Os dados divulgados na terça pelo IBGE indicam que, no Brasil, em 2013, graças à Resolução nº 175 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que determinou que os cartórios realizassem a união civil entre pessoas do mesmo sexo, o país registrou 3.701 casamentos gays, apenas 0,35% do total. Deles, 52% foram entre mulheres e 48% entre homens.
Segundo o levantamento, a maioria das uniões civis entre pessoas do mesmo sexo foram realizadas no Sudeste (2.408) – sendo 80% da região em São Paulo. O Estado é o que tem mais registros de casamentos gays no país (1.945), seguido do Rio de Janeiro (211) e Minas Gerais (209). No outro extremo está o Acre, com apenas um registro em todo o ano de 2013. Os sete estados da Região Norte juntos registraram 56 uniões civis entre pessoas do mesmo sexo.
A maioria dos casais homossexuais que oficializaram a união em 2013 era formada por pessoas solteiras – tantos entre homens (82,3%) quanto entre mulheres (75,5%). No casamento entre mulheres, 24,5% tinham pelo menos uma das cônjuges divorciada ou viúva – entre os homens essa proporção foi de 17,4%.
O total de registros de casamento ficou praticamente estável entre 2012 e 2013 – aumento de apenas 1,1%. No ano passado, 1.052.477 casais oficializaram a união nos cartórios do país. Os dados incluem casamentos entre pessoas com 15 anos ou mais.
RECONHECIMENTO
O reconhecimento do casamento entre pessoas do mesmo sexo no Brasil como entidade familiar, por analogia à união estável, foi declarado possível pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 5 de maio de 2011 no julgamento conjunto da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) n.º 4277, proposta pela Procuradoria-Geral da República, e da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) n.º 132, apresentada pelo governador do Estado do Rio de Janeiro.
No primeiro ano de vigência na cidade de São Paulo, onde a obrigação já existia desde final de fevereiro de 2013, foram realizados 701 casamentos.

Incômodos acentuados

 Olívia de Cássia |Cerqueira Hoje sinto os tais incômodos, sendo que mais acentuados. Avalio agora que já eram sintomas da Ataxia cerebe...