quarta-feira, 12 de março de 2014

ALE discute com setor jurídico e sociedade a reestruturação da 17ª Vara

Sessão pública foi de autoria do deputado Ronaldo Medeiros (PT)

Olívia de Cássia – Repórter
(Fotos: Olívia de Cássia)

A Assembleia Legislativa junto com deputados, Tribunal de Justiça (TJ\AL), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB\AL), Associação dos Magistrados de Alagoas (Almagis) e setores da sociedade civil discutiram em sessão pública o projeto do Tribuna de Justiça que prevê a reestruturação da 17ª Vara Criminal do Estado.

A sessão aconteceu hoje, e foi de autoria do deputado estadual Ronaldo Medeiros (PT) e teve como objetivo  tirar as dúvidas de deputados, do próprio setor jurídico e da sociedade sobre  o tema.

Segundo o deputado Ronaldo Medeiros, depois de ouvir os especialistas na causa jurídica os deputados vão votar o projeto do Tribunal de Justiça: “Ele reestrutura de uma forma diferente da que foi criada a 17ª Vara e a gente espera que os deputados possam decidir com mais convicção quando  vier ao plenário para votação”, disse o petista. 

Medeiros  destacou que é um projeto polêmico que a maioria na Casa não tem a formação jurídica “e esse é o momento que a Assembleia tem para ouvir e debater com mais propriedade com a sociedade e o setor jurídico e depois os deputados discutirem e votarem; a Casa vai interferir em muitas vidas”, observou.

O deputado Inácio Loiola (PSB) lembrou que a proposta do Tribunal de Justiça de Alagoas com relação à reestruturação da 17ª Vara foi uma determinação do Supremo Tribunal Federal, precisa da aprovação da Assembleia Legislativa  e o TJ está fazendo nada mais nada menos do que  cumprir a determinação do STF e lei não se discute, cumpre-se”, conclui Loiola.

Presidente do Tribunal de Justiça diz que quem é contra é porque tem interesses contrariados

O presidente do Tribunal de Justiça (TJ\AL), José Carlos Malta Marques, disse na sessão que é a favor da 17ª Vara, pois segundo ele, “é um instrumento mais valioso no combate ao crime organizado no Estado de Alagoas e já revelou-se extremamente eficaz, com um cabedal enorme de serviços prestados à sociedade”,  observou.

Malta Marques destacou que quem é contra a 17ª Vara são aqueles que devem ter os interesses contrariados. “Iisso é próprio do Poder Judiciário, em todo o processo existem duas partes; existe um sentimento, principalmente da classe dos advogados de que com a 17ª Vara passaram a ter mais trabalho; a essas pessoas não interessa o instrumento, mas isso é natural no estado democrático de direito”, pontuou o presidente do TJ.

O juiz Diógenes Tenório explicou que a 17ª Vara surgiu da necessidade de o Poder Judiciário combater a violência no Estado e observou que “o reclamo da existência ou não é daqueles que mergulharam no crime, que adotaram uma postura que é anti-sociedade e a Vara veio em defesa da sociedade que reclamava uma atuação mais efetiva  no combate à violência”, destacou.

Segundo Tenório, o STF fez uma série de recomendações com relação à criação a 17ª Vara, para alterar alguma coisa e hoje a criação com uma nova proposta está gerando essa discussão, para avaliar o sentimento dos advogados, da OAB e sociedade como um todo. “Esse é um momento muito bom; é do livre debate que surgem as grandes decisões”, pontua.

Fátima Pirauá, presidente da Alagis,  elogia iniciativa da ALE

A presidente da Associação dos Magistrados de Alagoas (Almagis), Fátima Pirauá, disse que a sessão pública para discutir a reestruturação da  17ª Vara é importantíssima, democrática e elogiou a Assembleia Legislativa em ouvir os setores da sociedade: “’Eles são os maiores beneficiados com a 17ª Vara”, avalia.

Segundo  Pirauá, o  crime no Estado está se organizando e os Poderes constituídos precisam se organizar. “O Judiciário especificamente faz a instrução e o julgamento dos crimes; ele também precisa se preparar, enfrentando a organização criminosa; quando se julga um membro do crime organizado, você está exposto, vulnerável; eles são muito solidários. O que a gente pretendeu com a 17ª Vara foi criar um coletivo de juízes”, destacou.

Pelo projeto de reestruturação que tramita na Casa de Tavares Bastos, a 17ª Vara comportará três juízes e segundo a presidente da Almagis, é de grande importância para a sociedade a manutenção dela. Fátima Pirauá argumenta que foi entendido pelo Supremo que a forma (como estava estabelecida a 17ª Vara) não era correta e por isso determinou essa reestruturação.

“A lei não é feita especificamente para um caso: ela dá margem a várias interpretações; mas a nossa visão é que não há nenhuma inconstitucionalidade nessa matéria; achamos que o Tribunal tem absoluta razão em querer manter  a 17ª Vara”, observou.

Presidente da  OAB disse que não pode se pronunciar sem conhecer o projeto que tramita na Casa

O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB\AL), Thiago Bomfim, disse que a Ordem não tem como se pronunciar sobre o assunto, nem favoravelmente, nem contra, porque não conhece o projeto que está tramitando na Assembleia.

“Nós não tomamos conhecimento de todo o projeto; soubemos que foi encaminhado (à ALE) pela imprensa e uma das primeiras providências nossas foi solicitar à Assembleia uma cópia, para que a OAB possa opinar, possa fazer avaliação, queremos deixar bem claro que o TJ está , em tese, dentro da sua competência”, disse o advogado.

Thiago Bomfim ressaltou que a OAB reconhece os grandes louros que foram colhidos com a 17ª Vara, “o grande trabalho desempenhado,  ainda que tenha sido estruturada, em boa parte  de forma contrária a algumas normas constitucionais, mas a gente também não pode achar que os fins justificam os meios”, pontuou.

Segundo ele, por mais que os fins sejam louváveis existem processos para que esses fins sejam atingidos. “A OAB não está aqui ara ser contrária a nada,  nem para  tumultuar, o que nós queremos é tomar conhecimento do projeto primeiro”, reforçou.

CONTRA

O juiz Marcelo Tadeu disse que é contra o projeto de criação da 17ª Vara dentro da proposta que ela está: “Ela viola o regime jurídico, a Constituição Federal, até normas de direitos humanos ela viola. A discussão é importante para que as comissões (da ALE) entendam o que de fato estão apreciando e no final decidirem o que é melhor. Acho que todo juiz em Alagoas está preparado para atuar em qualquer tipo de processo, não são três juízes que vão fazer a diferença”, finaliza.


sábado, 8 de março de 2014

Mulheres fazem ato público em comemoração ao Dia 8 de março

Atividades  prosseguem durante  todo o mês de março,
com palestras, Roda de Conversa e seminário
(Fotos: Sandro Lima)
Olívia de Cássia – Repórter

 A passagem do dia 8 de maço, Dia Internacional da Mulher, comemorado neste sábado, foi lembrada no Estado com atos públicos, durante todo o dia de ontem, organizados pela Central Única dos Trabalhadores em Alagoas (CUT-AL) e suas entidades filiadas, em conjunto com os movimentos sociais: de mulheres, sem-teto, Movimento por Moradia, entre outros e contou cm a presença do deputado  Judson Cabral (PT), único parlamentar no evento.

Segundo a presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT\AL) e integrante da Marcha Mundial das Mulheres, Amélia Fernandes, as  atividades vão se estender durante todo o mês de março, com uma programação variada, que vai de Roda de Conversa, a palestras e seminários educativos que terão temas variados.

As mulheres ativistas alagoanas se concentraram no Calçadão do Comércio, em frente ao antigo Produban e realizaram um ato público, com batucada, seguindo em caminhada pelas ruas do Centro de Maceió. 

Presidente da CUT\AL Amélia Fernandes
No ato público, lembraram que a campanha deste ano teve como tema: “Liberdade, Igualdade e Autonomia”, direitos que costumam ser violados nos locais de trabalho, no próprio lar e na sociedade e distribuíram cartilhas e panfletos para quem passava no local.

Segundo Amélia Fernandes, o dia 8 de março é um dia histórico, em que as mulheres do mundo inteiro se reúnem para fazer uma reflexão sobre a sua condição na sociedade e sobre quais as políticas necessárias para promoverem a qualidade de vida delas.

“A questão da violência contra a mulher que vem aumentando, políticas públicas da saúde; da educação, igualdade de oportunidades, ocupação dos espaços de poder, para mudar a sociedade na lógica feminina da mulher, que vem sofrendo preconceito só pelo fato de ser mulher, entre outros temas”, observou.

Segundo os dados distribuídos na cartilha para comemorar o 8 de março, a pesquisa Violência contra a mulher: feminicídios no Brasil, coordenada pela técnica de Planejamento e Pesquisa do Instituto Leila Posenato Garcia, apresentada na Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados, na última semana de fevereiro, Alagoas está em terceiro lugar no ranking da violência.

Os dados do documento indicam que  o Espírito Santo é o estado brasileiro com a maior taxa de feminicídios, 11,24 a cada cem mil, seguido por Bahia (9, 08) e Alagoas (8,84). A região com as piores taxas é o Nordeste, que apresentou 56,9 casos a cada 100 mil mulheres.  

Depois das falas das lideranças e também do deputado Judson  Cabral (PT) as mulheres saíram pacificamente em caminhada pelas ruas do Comércio,  segundo Amélia Fernandes,  com o objetivo de dialogar com a sociedade  sobre a importância do 8 de maço “e junto com a Secretaria da Mulher da CUT e Marcha das Mulheres,  realizar uma programação até o dia 30 de março, com Roda de Conversa com mulheres, com o tema Combate à Violência, em Maceió e Arapiraca, diversos bairros, participação do Encontro de Trabalhadoras do Sinteal; Seminário de Formação da Marcha das Mulheres, na Barra de São Miguel, entre outras atividades”, explicou.

Maria Justino é do Movimento por Moradia e estava participando do ato público em comemoração ao 8 de março, acompanhada da mãe, dona Luzia Maria, 65 anos, e da filha, Patrícia, uma adolescente de 16 anos. Ela contou à reportagem que está no movimento  com o objetivo de ganhar uma casa.

“Estou aqui com minha mãe e minha filha, participando dessa luta, porque acho importante; a mulher é forte e precisa se dá valor, minha filha. Na minha casa eu trabalho como diarista, minha mãe é aposentada rural e sustento minha filha, que está atrasada no estudo”, disse ela.

Socióloga diz que data significa a continuação da luta pela igualdade de gêneros

A socióloga e professor-doutora  Belmira Magalhães, da Universidade Federal de Alagas (Ufal), disse que o 8 de março significa a continuação da luta pela igualdade de gêneros e por uma sociedade justa. Ela observou que as mulheres têm que continuar lutando e procurando entender as causas da situação que privilegia alguns na sociedade.  

Segundo Belmira Magalhães, os avanços conseguidos pelas mulheres brasileiras, como a ascensão no mercado de trabalho; o direito ao voto, a chegada à universidade e pela primeira vez na história, o cargo mais importante do País, tem o significado de que a luta empreendida sob a liderança das mulheres tem alcançados muitas conquistas.

A professora observa que o extrato feminino da sociedade tem que continuar lutando “contra o patriarcalismo que assola a sociedade e permite a violência contras as mulheres, das mais diferentes formas”, avalia. 

Segundo Belmira Magalhães, essa mesma sociedade ainda reserva para as mulheres como atividade principal os cuidados domésticos com filhos, maridos, idosos e a casa . “Enfim, as outras atividades são sempre vistas como secundárias e subjugadas ao tempo de trabalho não doméstico”, pontua.

Ela destaca que, para assegurar a igualdade de gênero, ainda falta transformar a sociedade como um todo no espaço de igual em todas as oportunidades, sem divisão de classes e sem preconceitos.

A  socióloga avalia ainda que há um crescente aumento da violência em geral na sociedade brasileira e um aprofundamento das relações conservadoras e moralizantes que permitem violência contra as mulheres em geral, homossexuais, pobres,  entre  outros setores.

RECUO

Com relação ao recuo do movimento de mulheres, diferente de décadas atrás, ela analisa que, da mesma forma que foram alcançadas algumas conquistas “e agora chegamos a um momento de aprofundamento das relações de gênero, a luta se torna mais difícil e alguns movimentos não conseguem acompanhar. É importante ressaltar que todos os movimentos sociais sofrem esses mesmo problema”,  destaca.

Data é um marco histórico para os movimentos sociais

Para a professora-doutora  Elvira Simões Barretto, assistente social e coordenadora do Núcleo Temático da Universidade Federal de Alagoas, o 8 de março é um marco histórico e político para evidenciar publicamente as injustiças vivenciadas pelas mulheres no decorrer da história. Uma dessas injustiças, segundo ela, é o salário desigual para funções semelhantes.

A assistente social observa que a manutenção de salários inferiores das mulheres em relação aos homens no âmbito do trabalho formal, apesar de tantas conquistas, “é a explicitação de uma discriminação histórica vivenciada pelas mulheres, mesmo quando o mundo ocidental atinge a era moderna e proclama que todos são iguais perante a lei”, observa.

Elvira  Barretto analisa que a lógica de desvalorização da mão-de-obra feminina rebate nas pessoas individualmente, mulheres e homens, reproduzindo o não reconhecimento social e o precário  autorreconhecimento pessoal do direito, enquanto mulher, a um salário que tenha equivalência ao lucro gerado pelo seu trabalho.

Lei Maria da Penha foi uma das maiores conquistas

A Lei Maria da Penha foi uma das maiores conquistas das mulheres e foi criada para protegê-las contra a violência doméstica e familiar. Além de punir o agressor, esta lei tipifica a violência doméstica e oferta as medidas protetivas de urgência. Mas apesar da lei, a violência contra a mulher cresce todos os dias, como mostra o noticiário policial.

Elvira Barreto pontua que a sociedade contemporânea é marcada pela complexidade socioeconômica e cultural, com paradoxos até então não existentes. “Essa complexidade e seus paradoxos repercutem nas relações socioafetivas, seja nas relações entre pais e filhos\as, alunos/as e professores/as, entre casais, como fica evidenciado na mídia ao publicizar cotidianamente as mais diversas manifestações de violência”, argumenta.

Segundo a assistente social, podemos afirmar que a violência contra a mulher é uma das expressões desse paradoxo: “As mulheres conquistam direitos, a sociedade passa a reconhecer publicamente que homens e mulheres têm direitos iguais, entre outras conquistas; entretanto, ainda não foi superada a cultura patriarcal --o homem com o poder de mando e sentimento de propriedade sobre a mulher e a mulher com o sentimento de subserviência em relação ao homem -- nas relações afetivas e amorosas. O que ocorre?  Deparamo-nos com uma armadilha que põe em risco muitas vidas”, reforça.

Para mudar esse quadro de violência a professora avalia que é preciso fortalecer o movimento feminista e das mulheres no Estado de Alagoas. “É importante, também, o investimento no sistema de educação pública e privada, no que concerne a educação em direitos humanos na perspectiva da igualdade de gênero, da valorização da diversidade étnico-racial e do respeito à diversidade sexual”, destaca.

HISTÓRIA

O 8  de março foi  adotado para se comemorar o Dia Internacional da Mulher,  para homenagear as trabalhadoras têxteis da fábrica  Coton, de Nova York que foram queimadas vivas por reivindicarem diminuição da jornada de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação de salários com os homens (as mulheres chegavam a receber até um terço do salário de um homem, para executar o mesmo tipo de trabalho) e tratamento digno dentro do ambiente de trabalho.

A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano.

Porém, somente no ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o "Dia Internacional da Mulher", em homenagem as mulheres que morreram na fábrica em 1857. Mas somente no ano de 1975, por meio de um decreto, a data foi oficializada pela ONU (Organização das Nações Unidas).

terça-feira, 4 de março de 2014

O carnaval se despede do Brasil


Olívia de Cássia – jornalista

 

E lá vai o carnaval acabando no País, deixando saudade para alguns; para outro levando  o  período de descanso e a certeza do recomeço de tudo amanhã. Em outras fases da minha vida eu ficaria desesperada se não tivesse em alguma folia, em alguma situação de brincadeira, mas tudo passa na vida e este ano não deu para me divertir no carnaval.

Lembro que esperneava, brigava com mamãe quando ela me dizia que eu não ia para a folia na Palmarina, chorava rios de lágrimas para ir aos bailes, teimava, desobedecia, porque naquela época era como se tudo fosse acabar se eu não fosse pular, brincar e estivesse na companhia dos amigos.

O tempo passou, a gente amadurece e tudo vai tendo outras prioridades: o mundo não acabou porque não brinquei este ano. Não é que eu tenha deixado de gostar de carnaval e de muita festa, mas como estou sem muito aporte financeiro para me divertir e ir para um lugar de muita diversão, resolvi me aquietar.

Também porque passei esses dias de Momo saudosa, lembrando meu irmão que se foi em dezembro último. Esta semana lembrei muito de quando ele tinha saúde e nessa época de carnaval em União, saia com seu opala amarelo, levando meu primo Josival Serqueira, que se vestia de mulher e era animado quando chegava lá em casa vindo do Rio de Janeiro.

Meu irmão também criou um bloco de carnaval na Rua da Ponte, o irreverente Bloco Unhão, e saia com a turma boêmia da Rua da Ponte para se divertir na periferia da cidade, que era onde ele se sentia melhor, era a sua praia e mesmo com as reclamações da minha mãe, era na periferia que ele se encontrava.

Por tudo isso e por razões que também não entendi a desanimação, achei por bem me aquietar, descansar, dormir e ler um pouco mais. Fui no domingo em União, mas não me animei como nos outros anos; também por motivo de trabalho, resolvi voltar no domingo.

E nem para ir à praia tive ânimo; antes eu me arrumava e mesmo sozinha não perdia um domingo ou feriado de mar e sol. Mas essa mudança interior deve querer me dizer algo que ainda não entendi: tem algumas situações emocionais que ainda estou aprendendo a conhecer, mas que ainda me são desconhecidas.  

Passei esses dias lembrando os antigos carnavais de União dos Palmares, acessando a internet, vendo fotos antigas e postando no Facebook; lendo, pensando um pouco em como vou fazer para administrar minhas contas; na vontade e necessidade de fazer uma reforma geral aqui em casa e nas responsabilidades que terei pela frente.

É muita coisa para decidir, para dar conta com o mínimo de dinheiro e sem saber administrar muito a minha vida, tudo isso vai ficando complicado, mas eu tento não pensar muito para não adoecer.

Da mesma forma que tenho a saúde já um pouco frágil, não posso mais me aborrecer e nem me preocupar tanto assim. O jeito é ir levando a vida, da maneira que for possível e tentando ser feliz com o que a vida puder me oferecer.  

Mas ainda é carnaval e penso que eu devo mentalizar situações e momentos de alegria, de positividade e pensar que este ano vou começar a viajar muito, a conhecer o que não deu para ser durante esses anos que desperdicei com situações que não foram para frente ou outros projetos que me desviaram dessa meta, digamos assim. Boa noite e fiquem com Deus.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Dei a volta por cima

Olívia de Cássia – jornalista

Nesta segunda-feira de carnaval, em casa, depois de ter ido ao cinema e ouvindo velhas marchinhas de carnaval, me passa um filme na cabeça e ainda bem que não são lembranças que me façam mais sofrer.

Felizmente dei a volta por cima, em todo aquele sofrimento meu, mas de vez em quando é bom a gente rememorar certas passagens da nossa vida, para que nos sirva de lição e não cometamos mais os mesmos erros.

Naquele tempo de então, eu achava que só seria feliz daquela forma, com ele do meu lado, me acompanhando para todos os eventos, participando do meu mundo, da minha vida profissional, até que um dia eu descobri, depois de quase vinte anos de vida em comum, que não passei de um investimento lucrativo, um objeto de manipulação, um degrau para a sua ambição desmedida.

No começo de tudo, nossos carnavais, eram muito divertidos; eu achava que aquele era o centro das minhas atenções. Depois eu comecei a entender todo o processo; comecei a ser deixada para trás, não servia mais como companhia e passei a ser evitada.

As desculpas eram as mais esfarrapadas: que durante o carnaval ia trabalhar, levar parentes do chefe para os balneários e não teria tempo de ficar em casa; almoços com familiares de mulheres casadas que ele estava se envolvendo e que só fiquei sabendo depois e outras desculpas pobres de argumentos.

Toda aquela rejeição me causou muito sofrimento: mas no fundo do meu coração eu sabia que existiam outras mulheres, outros casos; era tudo muito doloroso e minha vida se tornou um inferno de Dante; ainda mais, porque eu via minhas teses feministas irem de ralo abaixo.

Nada do que eu filosofava e apreendia estava sendo colocado em prática, era tudo ao contrário. Eu queria que aquela realidade não fosse verdade, minha autoestima era muito baixa, eu não queria acreditar no que as investigações da minha mãe tinham descoberto.

Era uma trapalhada em cima da outra e todas foram descobertas: o envolvimento com mulheres casadas, a ida aos motéis de União com outras e a argumentação dele para que eu não fosse para União nos fins de semana, cada dia caia por terra.

Era para que eu não soubesse de fato o que acontecia embaixo do nariz de mamãe, que tratava de me ligar para dar todas as notícias. Dói demais a gente ser traída, ser passada para traz e feita de idiota. A gente se sente um lixo e foi aí que todo o processo depressivo teve início.

Se eu não tivesse buscado apoio eu não teria suportado todo aquele processo dolorido e que me trouxe muito sofrimento e mais baixa autoestima. Mas tudo agora é passado e já não me faz sofrer tanto assim.

Hoje eu sou mais feliz depois que aprendi a ter um pouco de amor próprio, a seguir meu rumo apenas me dedicando ao que gosto de fazer: trabalhar, escrever, ser jornalista. E viva a alegria, o amor próprio, autoestima e a paz interior, porque é carnaval e a folia pede passagem. Bom restinho de carnaval para todos.

Carnaval: uma festa onde tudo é permitido e os tabus deixados de lado?

A ideia de liberou geral está ligada
 ao sentimento de libertação interior
Olívia de Cássia - Repórter
Há quem diga que todas as loucuras são permitidas no carnaval e todos os tabus são deixados de lado: das mais simples fantasias até as mais sensualizadas. É tempo de soltar aquelas energias que estão reprimidas e de dar vasão à sensação de liberdade que está escondida dentro de cada um.
Para a psicóloga clínica Claudia de Bulhões, terapeuta corporal e escritora, essa ideia do liberou geral no carnaval acontece por uma necessidade de espaço aonde as pessoas se sintam livres. 
Segundo ela, pode ser liberar geral ou liberar a sua vontade de viver. “Colocar sua criança para fora vestindo fantasias infantis colocando a agressividade contida com fantasias que comportem objetos como espada machadinha ou a sensualidade; vestindo-se de dançarinas do ventre ou de havaiana”, destaca.
Cláudia de Bulhões argumenta que as pessoas costumam usar máscaras nesta época do ano, para se esconder do óbvio que é ‘esconder de si mesmo’. “Nossos grilhões culturais (sociais) necessitam ‘afrouxar’ um pouco do dia a dia. Somos prisioneiros do que nos ensinaram e aprendemos. O não pode, não deve, é pecado são expressões muito fortes e o carnaval nos oferece a oportunidade de, ao vestirmos uma fantasia física ou mental sairmos de nossos grilhões”, analisa.
O antropólogo e jornalista Jorge Vieira disse que essa ideia de liberação geral no carnaval faz parte da própria história do povo brasileiro: “Não é uma coisa de hoje; há uma hipocrisia da sociedade, que diz que nessa época o povo expõe o corpo, mas o brasileiro já vive o ano todo nessa festa”, observa.
Diferente do Brasil, Jorge Vieira explica que em alguns países da Europa, o carnaval é apenas arrumar as crianças com roupas de personagens das histórias infantis. No Brasil ele destaca que há uma ressignificação simbólica das culturas, um momento propício (para extravasar emoções).
Segundo o professor, por mais que a elite e alguns meios de comunicação tentem colocar a questão ideológica, o carnaval do Brasil com todo o seu significado e ideia de liberação total é um processo histórico: “Como dizia Darci Ribeiro, a questão pudica não é nossa, mas a mídia se apropria disso”, observa.
VALE NIGHT
Para a blogueira Marcela Pimenta, vivemos preocupados com os afazeres do dia a dia, na maior parte do ano estamos correndo atrás de alguma coisa e o nosso lado racional é valorizado por nos auxiliar com a clareza e objetividade necessária aos desafios cotidianos.
“Mas existem alguns períodos em que a situação se inverte e o Carnaval é a representação mais clara desse momento. A racionalidade fica em segundo plano e o princípio do prazer conduz grande parte das pessoas. A brincadeira, a vontade, a sensualidade e a alegria tomam conta do país e muitos se rendem à magia dessa época”, pontua.
Segundo Mateus Santino, o carnaval é definido como uma época de ‘liberdade’: “Numa palavra, trata-se de um momento onde se pode deixar de viver a vida como fardo e castigo e ter a oportunidade de fazer tudo ao contrário, mas é preciso estar atento à prevenção de doenças e da gravidez não planejada”, argumenta.
A jornalista Mariana Alves observa que no carnaval gosta de se sentir livre, sem compromissos e que todo ano dá um ‘vale night’ para o namorado. “Nós temos um relacionamento aberto, de confiança, mas reconheço que nem todas as mulheres têm essa coragem. De certa forma sinto que testo um pouco o meu namorado”, observa.
Mariana Alves acredita que ‘dando’ essa liberdade para o namorado Artur, o relacionamento fica mais franco, sem hipocrisias. “Quase todo homem trai e no carnaval isso não seria diferente; então me antecipo e deixo o Artur livre, para quando terminar o carnaval ele avaliar suas escolhas”, conta.

sábado, 1 de março de 2014

Brincar o carnaval nos principais centros do país pode sair caro

 Olívia de Cássia – Repórter
 Brincar o carnaval fora do Estado pode custar muito caro. Em tempo de folia e curiosa para saber os gastos de quem vai brincar nos principais centros da folia, como Olinda e Salvador, a reportagem da Tribuna Independente foi entrevistar alguns alagoanos que costumam passar o carnaval nessas cidades ou que organizem essas excursões.   
Rose Mendonça, vocalista do grupo dona Mariquinha e integrante do grupo Baque Alagoano, conta que há mais de dez anos viaja com um grupo nessa época para brincar o carnaval em Olinda e observa que o gasto na folia depende de que forma a pessoa quer ou pode ficar acomodada.
Este ano ela explica que vai se apresentar com o grupo Baque Alagoano e ficará hospedada numa  posada fora do centro histórico; na beira-mar de Olinda, com diária a R$ 200, tipo albergue. “É por isso que é mais barato, porque não é no centro histórico”, explica.
Ela destaca que os custos da viagem e  estadia dependem de várias situações. “Tem lugar que a diária é de 700 a mil reais e ainda se gasta com comida: se for num casarão no centro histórico de Olinda, geralmente contrata-se uma empregada para fazer a limpeza da casa e a comida, além de um segurança; a feira, mais o transporte”, destaca.
Rose Mendonça conta que já foi a Olinda em situações diversas: “Já fiquei em hotel quatro estrelas, pagando caro; “já fiquei numa casa no centro histórico, pagando razoável; já dormi dentro de um carro em um posto de gasolina, porque não tinha grana para pagar; também fiquei na casa de parentes de amigos; em casa de amigos de parentes, entre outras situações”, pontua.
SEM ALIMENTAÇÃO
Iris Danielle Tenório e o marido André vão para Olinda num grupo de 20 pessoas (faixa etária de 20 a trinta e poucos anos). Ela conta que alugaram uma casa no centro histórico da cidade, com diária no valor de R$ 330. “Sem direito a alimentação, nem empregada, nada. Todo mundo se vira, cada um faz alguma tarefa”, explica.  
Ela explica que come na rua, em padarias ou outros locais, “mas quem quer comer na casa compra os alimentos no mercadinho e prepara, não contratamos empregada ou segurança e ano passado faltou água na maioria das casas e a gente teve que se virar  para o banho”, explica.
Iris Danielle conta que quando falta de água, os visitantes utilizam os serviços disponibilizados pelos moradores do lugar.  “Já tem morador que, pensando nisso, coloca  cartaz feito de cartolina na porta. O banho custa R$ 2 e o xixi R$ 1”, explica.
Outra alternativa, segundo Iris, são os proprietários de retífica e oficinas ou outras lojas que não funcionam durante o carnaval. “Esses proprietários incrementam os banheiros para ser utilizados comercialmente nessa época; eles sabem ganhar dinheiro, comercializam tudo e a gente já deixa um trocado separado para essas emergências”, destaca a foliã.
Para quem deseja conforto, ficar em hotel é a alternativa
Para quem vai brincar o carnaval nesses locais, tem condição financeira e quer um pouco mais de conforto, o empresário Raphael Ferreira Carnaúba é proprietário de uma agência de turismo em Maceió e vai levar dois ônibus com 40 pessoas para ficarem hospedados em um hotel em Recife, indo diariamente para Olinda.
Segundo Raphael Ferreira, nesse caso, o pacote para cada pessoa custa R$ 1.122 (as quatro diárias), com direito ao café da manhã e ao translado todos os dias para a folia, sendo que no primeiro dia o café será servido no próprio ônibus e à noite um passeio no Recife antigo, com direito a um guia no ônibus.
Ele explica que não leva grupos para casarões, porque a responsabilidade é muito grande para uma empresa levar 40 pessoas desconhecidas para ficarem em casas alugadas. Disse que em Maceió nenhuma agência oferece esse serviço.
“O que tem são amigos, amigos de amigos ou conhecidos que se juntam e alugam casas no centro histórico, mas por conta própria, aqui nenhuma empresa faz isso”, observa.
Cristiano Alexandre é outro empresário alagoano que organiza grupos para Salvador. No caso dele vai levar 12 pessoas para um apartamento de três quartos, hospedagem no valor de R$ 650, com café, almoço e janta.
Site calcula gastos nos maiores centros do país
O site de viagens TripAdvisor criou um índice para calcular o valor de um dia de festas nas cidades mais badaladas do carnaval no país. Os cálculos levam em conta uma diária em hotel três estrelas, duas refeições, uma caipirinha, uma viagem de dez quilômetros de táxi e o ingresso para o desfile no sambódromo do Rio de Janeiro; o abadá para um bloco tradicional como Nana Banana, em Salvador. Os valores têm como base o preço médio de bares, restaurantes e hotéis cadastrados no site.
Recife ficou em primeiro lugar como o local mais barato, levando-se em conta que a folia é na rua: R$ 276,26. O Rio veio logo atrás, com gasto médio de R$ 1.108,36, à frente de Salvador, onde o custo por dia pode chegar a R$ 1.622,75.
O Rio tem os preços médios mais altos em todas as categorias analisadas, à exceção do táxi, que em Salvador a bandeira é mais alta. Veja abaixo os custos estimados:
 Com festa
1 – Salvador – R$ 1.622,75
2 – Rio de Janeiro R$ 1.108,36
3 – Recife (festa gratuita) R$ 279,26

Sem festa
 1 - Rio de janeiro R$ 488,36
2 – Salvador R$ 382,75
3 – Recife (festa gratuita) R$ 279,26

Jornalista Aldo Ivo completa 65 anos de atividade profissional, neste sábado

Jornalista Aldo Ivo: Fotos: Olívia de Cássia
Olívia de Cássia – Repórter
O jornalista Aldo Ivo, completa neste sábado, 1º de março, 65 anos de atividade profissional. Avesso a tecnologias, Aldo não tem celular, se recusa a usar o computador e ainda tem em casa e no seu local de trabalho, na Casa da Indústria, uma máquina de escrever. Ele conta que quando se iniciou no jornalismo ainda era muito moço, o pai era muito rígido e não permitia que os filhos chegassem tarde em casa. “Aí muitas vezes eu dormia no jornal com outros companheiros, por causa dessa determinação do meu pai”.
Aldo começou no jornalismo nos anos de 1940 do século XX, quando os conflitos armados que assolaram a década anterior chegam ao apogeu com o holocausto e seu declínio. Ele explica que é um jornalista realizado e que fez tudo o que chegou às suas mãos na profissão. O maior orgulho dele, segundo conta, é ter uma filha que seguiu a mesma carreira.
Aldo Ivo também foi funcionário público de onde tem aposentadoria. “Em 1957 entrei na Imprensa Oficial e em 1962 no Ministério do Trabalho;  me aposentei de lá em 1990, mas continuo saindo de casa todos os dias e faço visitas (à Delegacia Regional do Trabalho – DRT) onde fiz muitos amigos; não gosto de ficar me casa”, observa.
O jornalista Aldo Ivo não dirige, só anda de ônibus, táxi ou a pé, como fazia desde o princípio da carreira profissional. “Prefiro andar de ônibus, nunca dirigi. Andando de ônibus ou caminhando eu conheço mais pessoas e são muitas histórias que vivencio, observa”.
Oficialmente foi no dia 1º de março de 1949 que o jornalista teve sua efetivação na empresa, mas no final de 1948 já andava pela redação do extinto Jornal de Alagoas fazendo algum trabalho jornalístico. Na empresa dos Diários Associados de Assis Chateaubriand Aldo Ivo trabalhou durante 44 anos ininterruptos e só saiu de lá quando o jornal fechou as portas.
RECONHECIMENTO
O jornalista é editor de Turismo do jornal semanário Tribuna do Sertão, de Palmeira dos Índios e conta que quando o Jornal de Alagoas  fechou  Ivan Barros, que trabalhou no O Cruzeiro, o convidou para fazer uma página de turismo para a Tribuna do Sertão. “Continuo fazendo até agora”, pontua.
Além de editor de turismo na Tribuna do Sertão, Aldo Ivo desenvolve atividades na assessoria de imprensa da Casa da Indústria. Homenageado em várias ocasiões de sua vida profissional, o jornalista Aldo Ivo é membro da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (Abrajet) de onde já foi presidente. Ele destaca que começou na profissão como cronista esportivo e depois foi trabalhar na reportagem de Geral.
Aldo contribuiu  com conquistas da categoria
 Aldo Ivo esteve à frente e foi presidente da ACDA (Associação dos Cronistas Desportivos de Alagoas) e foi presidente do Sindicato dos Jornalistas por dois mandatos consecutivos durante seis anos. Foi presidente da entidade na época da ditadura militar.” Para mim não houve problema porque como eu era cronista esportivo tinha um relacionamento bom com os militares”, explica.
O jornalista revela que uma das orientações da direção do Jornal de Alagoas naquela época era dar cobertura aos militares e que ele entrava e saía do quartel sem problema nenhum. “O governador Luiz Cavalcante gostava de esporte e sempre mantive amizade com ele, bem como com os outros governadores a exemplo de Lamenha Filho e Manoel Gomes de Barros”, diz.
Contemporâneo de uma época em que fazer jornalismo era também ser um pouco romântico, Aldo diz que pagava do seu próprio bolso o transporte para ir fazer as suas matérias e que anos depois foi que o jornal instituiu uma ajuda de custo para o seu deslocamento.
Contador de muitas histórias vivenciadas ao longo de tantos anos de profissão, ele sempre teve o respeito de seus colegas de batente e dos dirigentes do futebol alagoano. “Viajei por quase todo o País como cronista esportivo, como editor de turismo e também como presidente do Sindicato; tenho muitas histórias para contar que aqui não caberia”, observa.
Ele lembra que antigamente os sindicatos eram juntos (jornalistas e gráficos) e em 1962 houve o desmembramento e as entidades foram separadas. Aldo Ivo também observa que foi por meio do Sindicato dos Jornalistas que a categoria conseguiu algumas conquistas profissionais no acordo coletivo como triênio e o quinquênio que permaneceram por muito tempo e depois foram incorporados para quem já tinha o direito adquirido.
DIFERENÇA
O jornalista Aldo Ivo diz que há uma diferença enorme entre o jornalismo que se fazia quando começou na carreira com o que é feito nos dias de hoje pois, naquela época, os jornais funcionavam até de madrugada e era muito difícil levar um furo.
“Nós tínhamos um congraçamento com o pessoal do jornal Gazeta de Alagoas, pois os prédios ficavam próximos (no Centro de Maceió) e quando terminava o expediente ia todo mundo para o Bar do Chope; era uma redação paralela, boêmia e dali surgiam muitas histórias, ideias”, conta.
Amante inveterado dos jornais ele revela que um amigo sugeriu que escrevesse um livro, mas ele diz que gosta mesmo é de ler jornal e que não vai escrever um livro para não gerar um conflito com seus amigos, pois observa que se escrevesse escreveria sobre fatos acontecidos. “Gosto de ler jornal nem que seja jornal de outro dia, não gosto muito de livros”.

A tecnologia, na opinião de Aldo Ivo, transformou os jornais, ele diz que naquela época o jornalismo era mais romântico e observa que era gostoso trabalhar nas oficinas, na parte operária. “Ali fiz muitas amizades e até arrumei um compadre, Benedito Eliziário, que era negro e havia muito preconceito pelo fato de eu ser seu amigo; as pessoas criticavam o fato de eu ter um amigo preto, mas eu nunca fui racista”, conta.

Incômodos acentuados

 Olívia de Cássia |Cerqueira Hoje sinto os tais incômodos, sendo que mais acentuados. Avalio agora que já eram sintomas da Ataxia cerebe...