quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Misa faz exposição do artesanato do barro Muquém

 Assessoria
Assessoria

Abertura do evento marca mês do folclore                                                                                                                                                                                                                                                                                                                       

O povoado do Muquém, localizado em União dos Palmares, guarda preciosidades em suas terras. Da matéria prima utilizada para a confecção do artesanato local à origem dos seus moradores, tudo é permeado por um sentido simbólico, que torna a pequena vila um lugar muito especial. 

No Muquém, vivem remanescentes quilombolas que fazem arte em cerâmica. É desse cenário que saíram as peças da exposição intitulada, “Modelagens do barro: Muquém”, com abertura na próxima quinta-feira, dia 8, às 19 h, no Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore (MTB).

A exposição é uma das ações do Programa de Promoção do Artesanato de Tradição Cultural (Promoart). O Programa, iniciado em 2009, foi concebido com a finalidade de apoiar produtores de artesanato de tradição cultural no Brasil. 

Realizado pela Associação Cultural de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro, o Promoart tem gestão conceitual e metodológica direta do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), vinculado ao Departamento de Patrimônio Imaterial do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com sede no Rio de Janeiro.  

De acordo com Wilmara Figueiredo, da Gestão Técnica do Promoart, há três anos, o Programa já buscava realizar esse trabalho com o Muquém. “A ideia de fazer a mostra na capital alagoana tem o objetivo de chamar a atenção da população local para os trabalhos dos artistas dessa comunidade quilombola, e num espaço de grande referência como o MTB", explica.

Segundo Wilmara, esta é uma das atuações do Promoart, que desde 2010, tentava realizar ações de incentivo à produção, à comercialização e à divulgação do artesanato do Muquém. Mas, devido à cheia, as atividades foram suspensas até que a população fosse reassentada no Novo Muquém, fato que ocorreu somente no meio deste ano. 

"Isto feito, achamos oportuno colaborar com esta nova fase da comunidade, criando um espaço de mostra e reflexão sobre seus conhecimentos tradicionais e expressões artísticas”, explicou Wilmara Figueiredo.

A gestora ressalta que o Muquém passou por uma seleção criteriosa, realizada por especialistas, em que foi considerada a importância cultural e a alta qualidade da produção artesanal, além da variedade de tipologias e técnicas envolvidas na sua produção. “O Muquém foi selecionado entre 150 possibilidades, inclusive áreas indígenas”, ressaltou.

A exposição vai contar com obras de sete artistas do Mlocal: Irinéia, Antônio, Marinalva, Aparecida, Laelson, Edson e Preta. São esculturas, objetos utilitários, entre outras peças, a exemplo das cabeças, feitas por dona Irinéia e seu Laelson; moringas, potes, panelas e cuscuzeiras, confeccionadas por dona Marinalva, e em miniatura, por dona Aparecida.

O processo de criação da arte do Muquém revela o cotidiano e as experiências vividas pela comunidade. “As peças de dona Irinéia têm um apelo singular, dentre estas, destacamos as cabeças e, mais recentemente, as esculturas relacionadas à enchente sofrida pela comunidade, como a jaqueira em que muitos passaram a noite à espera de socorro”, observou.

Dona Irinéia é considerada uma das melhores artesãs do barro, no Estado. Desde 2005, a artista faz parte do Registro do Patrimônio Vivo de Alagoas.  Ela começou fazendo cabeças de barro para ajudar na renda familiar. Tornou-se conhecida ao participar de feiras de artesanato pelo Brasil. Hoje, seus trabalhos fazem parte de catálogos da cultura popular elaborados pelo Ministério da Cultura (MinC).

Na ocasião da exposição, será lançado "A menina de barro", o primeiro livro da gaúcha, radicada em Maceió, Gianinna Bernardes. As ilustrações da publicação são de Pablo Perez Sanches.

 “A menina de barro” conta a história de uma família que morava às margens do Rio Mundaú, no interior de Alagoas, e vivia a partir da criação de objetos feitos do barro colhido na beira do rio. 

Num dia chuvoso de inverno, as águas fizeram o rio transbordar, carregando o que havia pela frente. O livro, que faz parte da coleção “Coco de Roda”, da Imprensa Oficial Graciliano Ramos, já foi lançado pela editora, no último mês de abril, junto a outros livros do selo literatura infantil.

A exposição tem a pesquisa e texto produzidos pelo pesquisador Daniel Reis, e o projeto expográfico realizado pelo museólogo Luiz Carlos Ferreira, ambos profissionais do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP). 

Para a realização dessa ação, o Promoart contou com o apoio do Sebrae/AL  e a parceria da Vale, da Prefeitura Municipal de União dos Palmares e do MTB e Ufal. A exposição ficará aberta ao público, gratuitamente, até o dia 28 de setembro, no horário de funcionamento do Museu.
Mais informações: 3214-1713 e 3214-1716.

O quê: Exposição “Modelagens do barro: Muquém”
Onde: No Museu Théo Brandão de Antropologia e Folclore – Avenida da Paz – 1490 - Centro
Quando: Abertura em 08 de agosto, às 19h. Em cartaz até 28 de setembro (terça a sexta, das 9h às 17h | sábado, das 14h às 17h).

Moradores pedem providências sobre o buraco na Vieira Perdigão

Fotos de Olívia de Cássia


Olivia de Cássia - Repórter




Os  moradores da Avenida Vieira Perdigão, fundos da Estação Ferroviária de Maceió, uma rua à esquerda depois da Santa Casa e antes da linha do trem, aguardam ansiosos pelo serviço de reparo de tamponamento do buraco que cresce a cada dia em direção às casas. A Secretaria de Infraestrutura já foi comunicada e foi solicitado o serviço.

O morador Adevan Lins ficou de apelar hoje  até para a  Casal, para que algum técnico vá analisar a proporção do problema. “Daqui a pouco vai ficar interditado esse trecho da rua e não passa mais carro”, disse ele, que colocou um obstáculo para alertar os moradores e pessoas que transitam de carro na rua.

O buraco está crescendo em direção às casas. Antes da urbanização daquela área, há 60 anos ou mais, ‘O Beco’, como a gente chama carinhosamente, era mangue, depois foram colocadas tubulações para que passasse as águas da rua Pedro Monteiro e alagava tudo quando chovia.

Quando foi feito o saneamento da rua, na década de 80,  as tubulações foram desativadas mas não foram retiradas. Nos anos 2000 foi feito o calçamento, as antigas tubulações não foram  retiradas e é frequente o calçamento ceder em alguns pontos da rua, causando problemas para os moradores do local.

Além desse buraco, em vários pontos da rua começam a aparecer indícios de que vai ocorrer a mesma coisa. De vez em quando aparece um caranguejo por lá, mas antigamente, antes do calçamento era mais frequente. "Pedimos encarecidamente que o problema seja resolvido", disse Adevan.
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terça-feira, 6 de agosto de 2013

Superintendente da FCP diz que desafio da pasta é trabalhar com estados



Com blog do José Marcelo Fotos

A superintendente do escritório regional da Fundação Palmares, em Alagoas, Maria José da Silva, há seis meses à frente da instituição, diz que o grande desafio da pasta é trabalhar junto com os estados, "pois muitos quilombos estão desassistidos, sem casa, sem água e sem condições de uma renda mínima para comprar alimentos e remédios, entre outros itens", diz.

Segundo Maria José, muitos quilombos pedem esmolas: "O resgate do trabalho está sendo a prioridade nessa minha primeira gestão. A cultura é importante mas não podemos levá-la a quem está com fome, sem procurar solucionar esse problema; tenho que levar dois balaios:, um de cultura e outro de alimento", observa.

A superintendente destaca  que o Governo Federal tem um olhar especial para os quilombolas, mas os prefeitos têm que fazer a sua parte, como implementar o Programa Brasil Quilombola ( PBQ), que garante casa, escola, terra a essas pessoas.

Maria José conta que no Estado do Rio Grande do Norte, por falta de informações, muitas famílias nem recebem o Bolsa Família, ou outro benefício do governo. "Estou viajando pelos interiores dos estados de Pernambuco e Rio Grande do Norte para regularizar as certificações, com essa documentação, elas terão assegurados os direitos constitucionais de posse de terra e de políticas públicas específicas", explica.

Outro trabalho importante, segundo ela,  é a recuperação das nascentes de água. “Muitos quilombos sofrem com a falta de água potável, a exemplo da comunidade Filus, em Santana do Mundaú. Agora, um projeto simples que tem a participação da própria comunidade coloca canos em pontos das nascentes e a água chega às casas”, pontua.

INVESTIMENTOS

A representante da FCP em Alagoas também destaca que essa melhoria de vida também reflete nos trabalhos desenvolvidos pelos quilombolas, como seus artesanatos. Mesmo assim alguns necessitam de mais investimentos nessa área.

“Muitos vendem seus produtos, mas não têm sua cultura valorizada. O resgate do trabalho está sendo a prioridade nessa minha primeira gestão”, argumenta.

 A Fundação Cultural em União dos Palmares tem atividades extras para estudantes e para a sociedade civil. São exposições, saraus, oficinas de cinema, danças, capoeira, hip hop. E a partir de 20 de agosto uma programação especial para comemorar os cinco anos de Fundação em União.

Sobre o Mês da Consciência Negra, em novembro, ela explica que a preocupação não é trazer grandes bandas ou artistas, mas a de"trabalhar com formações, debates, desfiles, teatro de  rua e envolver a sociedade com a sua cultura. “Temos milhares de palmarinos que não conhecem a Serra da Barriga".

Maria informa que teve uma reunião com secretário de Educação, Eduardo Praxedes, para viabilizar aulas de campo, onde os alunos pudessem conhecer a Serra da Barriga e na volta conhecer outros pontos turísticos da cidade.

Natural do Paraná e morando há alguns anos em Alagoas, sem pretender sair do Estado, Maria José tem uma equipe de cinco pessoas para trabalhar e visitar os 66 municípios em Alagoas com quilombolas. Segundo ela, a equipe é pequena “e temos que nos dividir e usar as tecnologias a nosso favor. Na verdade, a equipe é um gigante", resume. 

Além de Alagoas, ela também coordena os trabalhos da Fundação Cultural Palmares em Pernambuco, João Pessoa, Rio Grande do Norte e Ceará.

domingo, 4 de agosto de 2013

Mortos são preparados de forma irregular em Alagoas

Sandro Lima-foto
Olívia de Cássia – Repórter

A reportagem da Tribuna Independente recebeu e foi apurar uma denúncia de que centrais de velórios e funerárias de Maceió estariam colocando formol e preparando indevidamente os corpos nos próprios locais onde estariam sendo velados, causando risco aos familiares.

 Segundo Ricardo da Silva (nome fictício), numa central de velórios de Maceió, a funerária teria preparado (formalizou) o corpo de um parente seu, que morreu de infecção generalizada, no próprio local onde o corpo estava sendo velado.

Indignado, ele contou à reportagem que o mesmo senhor que pegou no caixão e preparou o corpo, aplicou o formol, que para ele é uma situação anti-higiênica e constrangedora e esses casos deveriam ser fiscalizados.

 “Infelizmente, aconteceu de um parente meu falecer; fui ao velório com meus filhos em uma central dessas e constatei um absurdo: a funerária preparou o corpo do meu parente dentro do próprio local. Imagine um falecido como o meu parente, que tenha morrido de uma doença como meningite, transmitindo infecção, bactérias e todos os outros tipos de doenças contagiosas”, observa.

Ricardo disse que no caso do seu parente foi cobrado R$ 500 para a colocação do formol; a reportagem pesquisou em algumas empresas que prestam esse tipo de serviço e os preços variavam de R$ 200 a R$ 250. “Não há fiscalização nesses locais; eu entendo que essas empresas para funcionar precisam de um alvará e quem fornece é a Vigilância Sanitária. Por que não há fiscalização?”, indaga.

Segundo o professor e médico legista Gerson Odilon Pereira, integrante do Conselho Regional de Medicina de Alagoas (Cremal), a formolização deve ser feita em local apropriado e com acompanhamento de um médico, “mas muitas funerárias indevidamente fazem o procedimento”. 

Pela legislação, pessoas que falecem de doenças contagiosas como hepatite, tuberculose, meningite, entre outras, devem ser veladas em caixões lacrados, pois as bactérias são facilmente transmitidas pelo ar e não devem ser expostas para que pessoas da família, parentes ou amigos a toquem.

Segundo o médico, já existe regulamentação para esse procedimento: “Está no site do CRM. A colocação de formol pelo técnico deve ser com acompanhamento médico, por conta do perigo que traz de contaminação à população. Algumas funerárias, indevidamente, fazem isso: colocam um comprimido de formol na boca do falecido ou aplicam indevidamente o produto”, disse.

Ele observa que essa prática das funerárias geralmente é feita por algumas empresas longe do IML e das vistas dos profissionais da medicina. “A exigência é que o corpo seja enterrado em até 24 horas, se demorar mais, tem que tomar as providências” (como colocar maior quantidade de formol ou outro produto utilizado na medicina legal), destaca.

ILEGALIDADE

O médico avalia que colocar formol sem a presença de um profissional da medicina para acompanhar o procedimento é prática ilegal da profissão. “Está no Código Penal, se acontecer algum problema (contaminação), se não for o médico acompanhando, quem assume essa responsabilidade?”, indaga.

Gerson Odilon ensina que se a pessoa tiver morrido por causa de doença contagiosa, o médico também deve prescrever medicamento para os familiares e pessoas que estavam próximas dele no velório. Segundo o que diz a medicina legal, a colocação de formol nos corpos tem o objetivo de recuperar a cor natural e a aparência do cadáver; controle de odores e alongar o período de velório.

A técnica consiste em injetar uma mistura de formol e fenol no cadáver forçando o sangue a sair do sistema circulatório. O fenol possui a propriedade de matar todos os micro-organismos presentes enquanto o formol, por sua vez, é um fixador de células que impede a decomposição.

Gerson Odilon conta ainda que este processo químico proporciona um ambiente limpo, capaz de resistir a uma invasão microbiana. “Sendo assim, é possível uma conservação temporária do cadáver, mantendo a aparência da pessoa em vida e uma melhor despedida para os familiares”, diz. 

O legista ressalta ainda que muitas vezes acompanha algum caso de pessoas que precisam trasladar o corpo de algum parente para outro estado, porque nesse caso a legislação exige que seja feita uma ata de como foi feito todo o procedimento assinada pelo profissional médico para poder o corpo ser liberado para a viagem.

Desobediência ao Código Penal é crime

O promotor estadual da Saúde, Ubirajara Ramos, disse que a desobediência à lei é crime. “Está no artigo 268 do Código Penal, que dispõe sobre a infração de medida sanitária preventiva: infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa, a pena é detenção, de um mês a um ano e multa”, observa.

Ramos destaca que o parágrafo único do Código Penal diz que a pena é aumentada de um terço, se o agente é funcionário da saúde pública ou exerce a profissão de médico, farmacêutico, dentista ou enfermeiro e explica que a fiscalização nesses locais deve ser de competência da Vigilância Sanitária.

Ele também destaca que quando os pacientes morrem no Hospital de Doenças Tropicais (HDT),  que atende casos de doenças contagiosas e precisam de isolamento; saindo de lá já deve ser enterrado, sob pena de infração do Código Penal. “É crime contra a saúde pública”.

FUNERÁRIAS

Um funcionário de uma funerária do Tabuleiro, que pediu para não ser identificado, porque ‘ tem medo de ser linchado’, disse que é suspeito para falar sobre o assunto, mas observou que tem funerárias com capacitação para fazer esse tipo de procedimento, mas sem acompanhamento médico, e que têm ambiente apropriado para a colocação do formol, mas outras fazem de qualquer jeito.

Ele afirmou que muitos funcionários dessas empresas não têm o curso de Tanatopraxia (uma técnica que consiste no atraso da decomposição de um cadáver), mas têm a técnica e colocam o formol. “Mas existe, sim, funerária que faz de qualquer jeito, em qualquer lugar, são os ‘urubuzinhos mais usurentos’”, denuncia.

Na segunda funerária pesquisada pela reportagem, no Jacintinho, o proprietário informou os procedimentos e disse que quando uma pessoa falece, “dependendo da doença, tem uma quantidade específica de formol, verificação do peso; se for vítima de doença contagiosa é preciso sepultar imediatamente”, reforça.

SVO

A reportagem tentou todos os caminhos indicados para obter a informação. O Serviço de Verificação de Óbitos de Maceió, por meio de sua assessoria, informou que o processo de formolização é feito pelas funerárias mesmo. “No caso de um doente que tenha morrido de uma doença como a hepatite, o vírus fica circulando durante um mês, mas a doença só é transmitida se as pessoas tiverem contato com a secreção”, explica.

A assessoria também reforça que no caso de doença contagiosa, o morto tem que ser sepultado logo; mas há casos em que a família quer esperar um parente e que é preciso preparar o corpo. “A funerária faz o procedimento e o SVO não acompanha; quando precisa, faz a necropsia para determinar a causa mortis e entrega o corpo à família para tomar as medidas necessárias”, observa.

Vigilância Sanitária se omite de falar sobre a fiscalização

A reportagem da Tribuna Independente entrou em contato por telefone com o diretor da Vigilância Sanitária do Estado, o médico veterinário Paulo Bezerra, para saber dele de quem é a competência para fiscalizar a colocação de formol nos corpos, mas ele nos encaminhou para falar com a Vigilância Sanitária Municipal. 

Desde a quarta-feira tentamos o contato da VSM: no primeiro dia ligamos cerca de dez vezes e o telefone não atendeu. Na quinta-feira conseguimos falar com o coordenador municipal de Maceió da instituição, Geovane Pacífico, mas ele recomendou que nós falássemos com o técnico da equipe (Renê) que, segundo ele, teria todas as informações sobre o assunto.

Depois de muitas tentativas conseguimos localizar o técnico identificado apenas como Renê, mas ele nos informou que não é sua atribuição esse tipo de fiscalização: “Meu trabalho é com hospitais, clínicas e laboratórios, a senhora fale com o coordenador Geovane Paciífico”, disse ele.  

A promotora Micheline Tenório, responsável pela Defesa da Saúde, disse que o Ministério Público Estadual ainda não recebeu a denúncia, mas que se existe a prática, é crime. “Se outro colega está sabendo não sei informar”, destacou.

Segundo o portal da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), a Resolução RDC nº 147, de 4 de agosto de 2006 diz que é da competência da Vigilância Sanitária: “eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e de intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção e circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde”, (Lei Orgânica da Saúde – Lei 8.080 de 19/09/1990, Art. 6º Inciso I).

Sem–teto continuam no prédio interditado mesmo com determinação judicial

Olívia de Cássia - Repórter

Os sem-teto que ocupam o prédio do Edifício Palmares, do Instituo Nacional do Seguro Social (INSS), na Praça dos Palmares, no domingo, 28, permanecem no local, mesmo com uma determinação do juiz federal Paulo Machado Cordeiro, da terceira Vara, determinando a desocupação.

Segundo o juiz federal Paulo Cordeiro, peritos de elevada capacidade técnica fizeram levantamento atestando que o imóvel não é seguro, pois as instalações elétricas, hidráulicas e estruturais oferecem riscos às pessoas. “Há fios soltos que tocam locais onde há passagem de água e outras irregularidades. São estruturas antigas e danificadas, mas isso não significa que o prédio vai desabar”, observa o juiz.

“O prédio foi interditado como repartição pública por questões de segurança aos servidores que ali trabalhavam. Se não pode funcionar como repartição pública, imagine acomodar as famílias”, disse o juiz Paulo Cordeiro, acrescentando que a retirada dessas famílias deve ser feita por órgãos como o setor de gerenciamento de crise da Polícia Militar, com o apoio da Polícia Federal, sempre por meio de conscientização dessas pessoas dos riscos ali existentes.

Segundo as lideranças dos sem-teto, os movimentos Via do Trabalho e Movimento de Luta pela Terra comandam as 500 famílias que estão divididas em dois prédios:  o Edifício Palmares e o Ary Pitombo, fechado para reforma.

Dona Ivone da Silva, uma das lideranças do movimento, disse que os movimentos conseguiram mais cinco dias para permanecer no local, com a intervenção da vereadora Heloísa Helena (PSOL) e disse que espera que nesse prazo as autoridades alagoanas consigam um local para abrigar a todos.

“Esperamos que consigam algum local para a gente ficar e as autoridades encontrem uma solução, um terreno para que as famílias não sejam despejadas novamente”, disse dona Ivone. Segundo ela, os movimentos estão lutando, além da moradia, alimentação para as famílias, fraldas e leite para as crianças. Ela disse que neste sábado farão um levantamento de quantas crianças estão no local.

Janicleide Maria da Silva tem três filhos e disse que morava no bairro da Santa Lúcia e que quem pagava o aluguel da casa onde morava era um cunhado seu que faleceu. “Como eu não tenho como pagar o aluguel estou no movimento na esperança de ter uma casa”, disse ela.

Enquanto a reportagem fazia a entrevista, algumas mulheres lavavam panelas e pratos, num cano quebrado próximo à entrada do prédio. Alguns sem-teto disseram que escutam barulhos à noite. “Estalos nas janelas do prédio”. Eles também disseram que tiveram a informação que o prédio já cedeu 30 centímetros.

GERENCIAMENTO DE CRISES


O major Givaldo, do Gerenciamento de Crises da Polícia Militar, concordou que o prédio oferece riscos às famílias que fizeram a ocupação e disse que a qualquer momento pode acontecer ali um sério problema: “O prédio está condenado e eles só estão lá porque ainda não recebemos o documento oficial do juiz autorizando a saída. Não chegou nada oficial para o Centro de Gerenciamento de Crises e quando chegar vamos estudar como vamos fazer a desocupação. Desconheço essa informação de que a vereadora Heloísa Helena (PSOL) teria conseguido o adiamento da desocupação, porque ela não tem poder para isso”, pontua o major. 

Diretório do PT de São José da Tapera faz atividade de filiação

Olívia de Cássia - Repórter

O diretório municipal do Partido dos Trabalhadores de São José da Tapera, no Sertão alagoano, há 220 quilômetros de Maceió, realizou uma atividade de filiação com vistas ao PED (Processo Eleitoral Democrático), que acontece no dia 10 de outubro, de 8 às 17 horas em todo o Estado, e às eleições do ano que vem para presidente, senador, deputado federal, estadual e Governo do Estado.

Pela legislação eleitoral, os partidos têm até o próximo dia 12 para realizar filiações. Com as 195 novas filiações deste sábado, 3, o PT de São José da Tapera conta agora com 350 filiados, mas a meta, segundo o presidente municipal Edilson Remos, é atingir muito mais no próximo sábado, 10.

O secretário do PT estadual, Adelmo dos Santos, compareceu para acompanhar o evento. Além de Adelmo, a assessoria do deputado estadual Ronaldo Medeiros (PT) representou o parlamentar na atividade.

No evento também foi exibido um vídeo com a história dos 32 anos do partido para os novos filiados e Adelmo dos Santos explicou para os novatos sobre o que é o PED, falou um pouco das eleições de 2014 e dos candidatos que a corrente majoritária do partido, a CNB (Construindo um Novo Brasil) está apoiando.

Na preleção do secretário estadual do PT ele reafirmou a intenção do partido de lançar a presidente Dilma Rousseff à Presidência da República, a candidatura do deputado Paulo Fernando dos Santos (Paulão) à eleição federal e o deputado Ronaldo Medeiros para estadual.

Adelmo dos Santos falou ainda sobre os projetos sociais dos dois governos do PT como: o Programa Bolsa Família, Programa das Cisternas, o aumento do salário mínimo para 250 dólares, o Minha Casa, Minha Vida, acesso à universidade de pessoas menos favorecidas, construção Institutos de Tecnologia, entre outros programas sociais que proporcionam a melhoria da população.

CRÍTICAS

Na atividade do PT de São José da Tapera, que tem 30.129 habitantes, também foi facultada a palavra para as várias lideranças do município que estavam no local. Foram feitas várias críticas à administração do prefeito Jarbas Pereira Ricardo (PSDB). O presidente Edilson Ramos disse que a população do município está passando por diversas dificuldades, proporcionada pela atual gestão.

“Todos vocês sabem das dificuldades da falta de água no município. O governo federal liberou verbas para a construção de 940 cisternas, mas o prefeito (Jarbas Ricardo) não deu a sua contrapartida do convênio. Agora o governo liberou verba para a construção de mais 3.107 cisternas: com ele ou sem ele vamos construir essas cisternas. Eu garanto a vocês”, prometeu.

O presidente do PT também disse que para as coisas aconteceram no município é importante a participação dos filiados e que a responsabilidade é de todos. Outras lideranças denunciaram a atual gestão de “improbidade administrativa, da ausência do prefeito na cidade, de ruas esburacadas, da falta de democracia e da arrogância da atual gestão”, entre outros problemas.

 “É preciso ter uma política que resolva os problemas das necessidades humanas. O município não aguenta mais tanta impunidade”. “Iremos fazer a mudança na política de São José da Tapera”. Pelo o que tenho estudado, a política do PT garante que podemos ter uma vida melhor: já passou da hora”, foram algumas falas em São José da Tapera, neste sábado.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Reconhecendo os erros

Olívia de Cássia – jornalista

O governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, assumiu nesta quinta-feira (1º) que cometeu erros em seu segundo mandato. O reconhecimento dessa culpa foi feito publicamente, em uma entrevista na Rádio CBN. “Sem dúvida aqui no Rio, eu também cometi erros. Erros de diálogo, erros de incapacidade de dialogar, que sempre foi a minha marca”, pontou Cabral.

Esse reconhecimento foi diante do questionamento a respeito das manifestações que estão acontecendo naquele Estado. “Acho que da minha parte faltou mais diálogo, uma capacidade de entendimento e de compreensão, poderia citar várias situações em que essas questões se deram. Mas, eu não sou uma pessoa soberba, que não está aberta ao diálogo. Para mim, a democracia é um bem intangível”, disse Cabral.

A afirmação do governador, pode até ser demagógica como a da maioria dos políticos que conhecemos e estamos acostumados a conviver, mas me fez pensar como seria bom se todos nós reconhecêssemos nossos próprios erros: é uma virtude, não só para o gestor de um Estado como o Rio de Janeiro. Ele pode ter cometido todos os enganos do mundo, mas o fato de reconhecê-los publicamente já ganha pontos comigo.

Estamos acostumados a presenciar arrogância de muitos homens públicos diante de questionamentos da imprensa a respeito de seus equívocos. Não há nada pior num ser humano do que a arrogância e a capacidade de se achar o dono da verdade.

É difícil para muitas pessoas adotarem em seu comportamento uma atitude de humildade e reconhecer os próprios erros numa cultura como a nossa. Raramente se encontra uma atitude de arrependimento numa sociedade competitiva e a gente que convive no dia a dia com diversos tipos de caráter sabe disso.

Quase ninguém reconhece que está errado e diz: "Estou errado. Sinto muito; por favor, me perdoe", “muito obrigado”, “fique com Deus”. Pelo contrário: com muita frequência a gente escuta: "Vou processar você! Vou levá-lo à Justiça”, “Você vai se dar mal".

Tenho a fama diante de alguns colegas de ser tola demais e condescendente com algumas pessoas. Nessa época globalizada, a palavra humilde mudou de significado e foi deturpada para pobreza de espírito e \ou ignorância e fraqueza.

O escritor e blogueiro Roberto Recinella observa que humildade é a coragem de assumir que posso estar errado e exige a responsabilidade de aprender com as experiências e conhecimentos disponíveis ao seu redor. “Segundo a filosofia judaica, se a tolerância é o motor da vida, a humildade é o seu combustível”, destaca o escritor.

Muitas pessoas têm vergonha ou orgulho de reconhecer que cometeram algum engano, em alguma prática ou fala diante dos outros e mesmo tendo as evidências desses enormes enganos são renitentes, intransigentes e não admitem seus erros. Eu já cometi infinitos enganos na vida e aprendi com meus pais a arte da humildade: isso não  quer dizer que tenhamos que ser submissos e baixar a cabeça perante o seu semelhante.

 “Às vezes somos complacentes demais com nossos erros, agimos com uma condescendência que não usamos para com os erros dos outros. Dois pesos e duas medidas. Saber que errou e não voltar atrás é ter compromisso com o erro. Se você percebe que errou e acha que esse erro não foi uma besteira qualquer, pode tirar dele uma lição”, escreve Manuel Felipe em seu Facebook.


Talvez o que penso e o que digo não possam interferir na opinião do outro, não tenha muita serventia para muita gente ou alguém possa achar que seja hipocrisia de minha parte falar sobre assuntos outros que não pertençam a minha seara de jornalista. Mas tenho desenvolvido um aprendizado profundo a cada dia depois que adotei novas práticas em meu comportamento. Bom dia e fiquem com Deus. 

Incômodos acentuados

 Olívia de Cássia |Cerqueira Hoje sinto os tais incômodos, sendo que mais acentuados. Avalio agora que já eram sintomas da Ataxia cerebe...