quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Reavaliando tudo

 


Olívia de Cássia Correia de Cerqueira

Jornalista aposenta

Revisitando minhas leituras, relendo alguns textos antigos e tentando me conectar com situações que valham mais a pena, cheguei a uma fase da vida em que algum traço de vaidade vai pras cucuias.

Nunca fui de muitas vaidades e hoje em dia muito menos. Tenho buscado a essência. Procuro não repetir os mesmos erros que cometi no passado, embora se os tenha cometido, foi tentando ser eu mesma.

Aprendi com a idade que não somos donos da verdade, mas também não aceito intromissões. Toda vez que procuro organizar minha bagunça, lembro de Clarice.

Arrumo num dia as gavetas, no outro já estão todas bagunçadas. E quando organizo minha vida, ou não, vou lembrando dos conselhos sábios de mamãe, que a gente dizia: “praga de mãe sempre pega”.

O engraçado é retomar situações do passado e com elas aprender, porque como diz aquele clichê: “é vivendo que se aprende. Não adianta eu ficar agora num estado de negação, de que envelheci e não aceitar de todo.

Apesar de admitir que ainda não cheguei numa fase de aceitação. Se dissesse isso estaria mentindo. Não me reconheço quando me olho atentamente pro espelho do banheiro. Ainda bem que tenho poucos por aqui. Bom dia.

quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Cai de novo, mas estou bem

 




Olívia de Cássia Cerqueira

(08-07-2023)

 Cai de novo e isso não é mais novidade na minha existência. Vivo relutando em ter cuidadora, às vezes me aborreço quando alguém (familiar) sugere a situação, mas sou teimosa, sei que vou passar perrengues financeiros e pessoais.

Preservo muito a minha individualidade. Não me sinto só.  Sempre sonhei em morar sozinha, desde adolescente rebelde. Hoje sei que a minha rebeldia não me levou a nada, ou a quase nada. Minha mãe deve estar dizendo, onde estiver: “Eu avisei e você não entendeu”.

Desde a aposentadoria que não escrevo mais em bloquinhos, de quando fazia minhas entrevistas iniciais, porque depois ganhei um gravadorzinho porreta, que veio pelo correio.

O gravador digital e pequeno, vindo do Rio de Janeiro, presente do meu primo Edvaldo Siqueira, também portador da famigerada Ataxia (DMJ), me ajudou muito, porque antes de pendurar a chuteira no jornalismo, não conseguia acompanhar a fala dos entrevistados e reportar com clareza o que diziam.

Comentando por e-mail com Edinho, quando ele ainda conseguia usar a tecnologia, me fez o carinho do presente. Hoje perdi o contato com ele e soube que está muito debilitado, pelos sintomas da doença.

Não costumo adotar negatividade por ter herdado esse problema, que me limita a cada dia e me leva a chamar palavrões quando caio (é libertador), mesmo que em seguida peço perdão aos anjos de luz, a Deus e às entidades que me protegem até agora, me livrando de uma quebra de bacia ou de outro membro.

Não tenho luxos, vivo uma vida simples. Penso que apesar dos pesares, meu anjo da guarda está de plantão, ininterruptamente, e comentei outro dia com alguém próximo que não lembro quem, que ele deve reclamar dos apelos dessa velha chata, há,há.

E por falar em velhice, avalio que ainda não me caiu a ficha. Não me reconheço quando me olho no espelho. Cadê aquela menina sonhadora e juvenil, que nunca se aceitou porque se achava muito feia (hoje repenso isso) que ainda gosta de Rock e da boa música?

Quase não saio mais de casa, apenas para supermercados, farmácias, médico  e uma vez no mês ao shopping, sempre acompanhada, coisa que eu estava fazendo com frequência antes. Ia com a amiga Iranei Barreto;  nos conhecemos em 2004, numa pós-graduação. Íamos toda semana ao cinema, às exposições, restaurantes.

Não fiz mais pequenas viagens, por conta de limitações e de implante dentário protocolo que fiz e de alguns e empréstimos consignados, me limitando ao saldo líquido da aposentadoria...

Ontem resolvi ir num salão cortar o cabelo e fazer as unhas, que estavam um horror. Fui com minha cunhada Sônia. Passei o final de semana sem sentir dores e até comentei que no sábado eu não havia ingerido medicamento para dor. Me limito muito para ir a médicos.

Quando voltei do salão já estava com dores, de cabeça e no corpo inteiro e caí de novo na cozinha. Me arrisquei a tomar uma dose forte de um remédio para dores, neurológicas, pois novamente o joelho esquerdo ficou dolorido. Ainda estou mais bêbada ainda do remédio…

Escuto as notícias dos ídolos que estão indo para outro plano. Me entristeço, pois nossa cultura está mais pobre a cada dia. Gal, Elis Rita Lee e tantos outros artistas que se foram e estão indo, por problemas de saúde, drogas, e pela idade.  É a vida.

Não tenho medo da morte, mas fico pensando que terei uma dor muito forte quando, ela vier me buscar e me preocupo. Depois que fui diagnosticada com Ataxia, oficialmente, pelo médico (eu já sabia que era portadora), dr. Fernando Gameleira, neurologista dos bons, me receitou Fluoxuetina, para ansiedade, Lomitrogina, para cãimbras.

Fora isso controlo a pressão com Enalapril, receitado pelo cardiologista (disse que o exame cardiológico  deu ok, apenas um problema tolo que não me disse qual era), remédio para o colesterol, e para alergia, quando tenho crises

Tomo por conta própria um complexo vitamínico, alguns analgésicos que tomo quase diariamente e alguns que pego com alguém.

Não é fácil conviver com Ataxia, mas ocupo meu tempo de aposentada com leituras vorazes: quando termino uma, já pego outro livro; com palavras cruzadas e vendo séries; ou fazendo tarefas domésticas que hoje em dia procuro fazer para não atrofiar logo.

Quando jovem, não gostava de fazer tarefas domésticas, sempre achei que elas ocupavam o tempo das leituras e do bater pernas na rua, com  as amigas. Sou uma péssima dona de casa, me apavoro quando surge um problema, que preciso resolver: entupimentos, vazamentos, problemas na energia.

Nessas horas eu lamento não ter uma pessoa em casa, que resolva isso. A laje da casa apesenta problemas de infiltração, precisa cobrir com telhas impermeáveis. Hoje quebrei um prato com o ovo que preparei para o café da manhã. Nem meus pets quiseram o ovo no chão. Acho que não gostaram do sabor.

Também estou teclando “catando milho” para não errar tanto na digitação. Mas agradeço sempre por ainda poder realizar pequenas tarefas em casa. Resta lembrar da minha juventude e das pequenas aventuras, que participei na infância e juventude: ”poderia ter aproveitado mais”.

Resta me redimir dos pecados e pedir a Deus e aos anjos de luz, para quando aquela senhora sinistra quiser me levar para outro plano, que não me deixe acamada e precisando de alguém para me fazer higiene ou me transportar de vez, pois atualmente já saio acompanhada.

E hoje resolvi deixar a preguiça de lado e voltar a fazer minhas confissões, já que só tenho psicóloga dia 15. Mas hoje não vou poder postar no blog, porque deu problema na parte de cima da casa e a internet do computador não está funcionando. Fui. Até a próxima.

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Tenho em mim

 

Olívia de Cássia Cerqueira

 

Parafraseando Fernando Pessoa tenho em mim todos os sonhos do mundo. E diante de uma esfera tão complexa e cruel para alguns, posso dizer que apesar de tudo e, contudo, sou vencedora e felizarda.

Penso, apesar dos xingamentos que faço quando tenho uma contrariedade na minha condição, que outras pessoas passam por situações piores que a minha. E isso não é conformismo: é constatação.

Procuro seguir em frente, mesmo tendo a certeza de que não tenho muito tempo para sonhar, para idealizar situações que sempre corri atrás para conseguir.

Alexsandra Leite, no site Desenvolvendo Potenciais, pontuou que “Muitas pessoas desistem dos seus sonhos, pois acreditam que não são capazes de realizá-los, e seguem a vida com aquele vazio ou frustração”.

Outras, segundo a articulista, continuam sonhando e sonhando…apenas sonhando. E tem alguns que conseguem realizar os seus sonhos.

Posso dizer que realizei alguns, como cursar a faculdade que sonhei, mesmo indo de encontro a minha saudosa mãe. Morar sozinha foi outro sonho que realizei.

Na minha adolescência, perseguíamos esse ideal de independência e achávamos que teríamos um pouco de liberdade. Hoje se dá o contrário; os jovens não querem mais sair da casa de seus pais. Talvez porque não tenham motivo, pois têm toda a liberdade do mundo. E isso é uma realidade dos dias atuais.

quarta-feira, 31 de maio de 2023

As narrativas


Olívia de Cássia Cerqueira 

De narrativas em narrativas, para usar uma palavra da moda, vamos seguindo em busca de dias melhores, tentando ser o melhor de nós mesmos, embora nem sempre agente consiga.  

 

A narrativa é “uma exposição de fatos, uma narração, um conto ou uma história.” E cada um tem a sua: para o bem ou para o mal. 

 

As narrativas são expressas por diversas linguagens e o discurso do presidente Lula sobre o direito do presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, assanhou alguns setores da política mundial e da imprensa.  

 

O professor de relações internacionais Paulo Velasco, da Uerj, afirmou em entrevista ao UOL News disse que o discurso de Lula não ajuda o Brasil a resgatar a legitimidade internacional.  

 

Já Ricardo Mezavila, escritor, Pós-graduado em Ciência Política, com atuação nos movimentos sociais no Rio de Janeiro, pontuou no Brasil 247 que Lula teve que normalizar sua presença (de Maduro) mesmo sabendo das críticas que receberia.   

 

E que “as análises simplistas feitas por jornalistas e palpiteiros da internet sobre a ditadura na Venezuela, não colocam na discussão o cidadão e cidadã venezuelanos, não aprofundam as questões como nacionalidade e pertencimento”.   

Ver texto na íntegra: 

A ideologização sobre tudo o que se move na sociedade é uma espécie de patologia que expandiu-se com o MBL (Movimento Brasil Livre), em 2014, desenvolveu-se no lavajatismo e atingiu grau máximo com o bolsonarismo, em 2018.  

Muito foi escrito sobre a permanência do lavajatismo e bolsonarismo mesmo após a desmoralização de seus líderes, como Dallagnol, Moro e Bolsonaro. Todos erraram, porque sem o apoio da imprensa reacionária, nada fica de pé por muito tempo.  

Com a vinda do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ao Brasil, para a reunião de cúpula dos países da América do Sul, vimos, mais uma vez, como esses ‘adjetivismos’ são dependentes de uma boa imprensa parcial e financiada para produzir as narrativas de interesses dos EUA.  

O Presidente Lula, como anfitrião, teve que tomar atitudes de acordo com cada convidado. Com Maduro, que se parece com aquele primo beberrão que vive aprontando, mas que é convidado por ser da família, Lula teve que normalizar sua presença, mesmo sabendo das críticas que receberia.  

As análises simplistas feitas por jornalistas e palpiteiros da internet sobre a ditadura na Venezuela, não colocam na discussão o cidadão e cidadã venezuelanos, não aprofundam as questões como nacionalidade e pertencimento.  

Os venezuelanos, nas análises dessa turma, são fugitivos de um regime ditatorial de um sanguinário, que abandonam suas vidas, sua pátria, seus sonhos, para viverem de maneira sub-humana em outros territórios.  

Na verdade, existem venezuelanos saindo da Venezuela, como existiram cubanos indo para Miami. Porém, não é criando sanções e embargos comerciais contra o governo, que na prática se vira contra a população, que esse problema será resolvido. No Brasil, a aprovação do Marco Temporal na Câmara, foi uma derrota para o governo, como apregoa a imprensa, ou uma derrota para os indígenas?   

Aos berros, reacionários de todos os naipes e escalões, fazem coro com o imperialismo que sustenta as narrativas que refletem na crise por qual passa o povo venezuelano e, agindo assim, são responsáveis indiretos por aquilo que denunciam.   

O Presidente Lula, com toda a sua sensibilidade, percebeu isso e, diplomaticamente, de maneira cordial, do alto do exercício de seu mandato de chefe de Estado, afagou e acolheu Maduro em sua casa, tentando ‘humanizá-lo’ perante a opinião pública mundial, para que o povo venezuelano seja tratado com mais respeito e tenha a devida atenção daqueles que levaram seu país à condição que está hoje.  

A América do Sul precisa se unir e tentar resolver diferenças de cunho ideológico, social e comercial, com total soberania interna dos países do continente. Desde sempre convivemos com a desvalorização de nossas moedas, com o abafamento da nossa cultura e andamos de cabeça baixa pelos corredores da ONU e fóruns internacionais.  

Aos que olham a vida com viés ideológico, fica a lição de que existe limite entre uma nação e outra, que as diferenças precisam ser abordadas com respeito a essa regra, porque só assim é possível o diálogo, mesmo que seja com um ditador,  para que haja solução positiva que coloque em primeiro plano as necessidades dos principais envolvidos, nesse caso, o povo venezuelano”. 

quinta-feira, 25 de maio de 2023

Retalhos...

  


Olívia de Cássia Cerqueira 

 

Retalhos são mosaicos; nossos e dos outros. Na definição dos dicionários, “substantivo masculino. Parte que se tira, se corta de uma coisa, especialmente de um tecido; pedaço, fragmento”. 


Ou então: “colcha de retalhos. Parte separada de algo; seção, fração. Pedaço que se retira de uma parte do corpo para colocar em outro”. 


Na vida (psicologia), são pequenos pedaços de nós, que se juntam e formam um todo. Estou tentando reunir, “costurar”  novamente esses pedaços de mim.  


É uma miscelânia de sentimentos nem sempre tão bons. Angústia, apreensão reflexiva de si. A angústia, como geradora da transformação. 


Aperto no peito, indagações e a certeza de que é preciso reagir, juntar esses pedaços e se levantar de novo, como já fiz tantas vezes, ao longo do tempo. 


Não importar-se com as divergências, pois elas nos fazem melhor. A certeza da morte nos faz ser mais humildes, "ou não”, como diria Caetano Veloso.  


Para reflexão nesta manhã, depois da notícia da morte de mais um ídolo que se vai. Me veio logo a lembrança da adolescência, embalada nas músicas de Tina Turner, Rita Lee e tantos outros entes queridos que compuseram a juventude já distante, em União dos Palmares. Bom dia. 

O nascimento de Amaralinda

  Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Num ambiente rústico e carente, com escassez de recursos viveram Salomão Celestino e Carmem Celestin...