Não consigo entender alguns apelos ao atraso que pessoas
ditas religiosas fazem invocando a Bíblia. Às vezes o estranho comportamento
vem de pessoas ditas letradas, que se deixam engabelar por conversas de
aproveitadores e enganadores que usam a religião para alienar ainda mais gente
que já não gosta de ler e de se informar e para se locupletarem.
Venho me perguntando
até quando essa gente vai levar esse comportamento? Será que apostam na
desinformação eterna das pessoas? Opinião sem conhecimento de causa, não é
muito legal, pois a gente corre o risco de ‘pecar’ por falta de aparato
teórico.
As religiões às vezes alienam as pessoas de forma que elas
ficam, parece-me que com a mente embotada; embora eu respeite a opinião de quem
pensa diferente de mim, apesar de tudo. Parece-me um tanto quanto precipitada e
alienante, fazer comparações que não têm fundamento, só porque um sujeito desinformado
e ‘doido’ falou isso ou aquilo.
Não devemos misturar as coisas. Existe um quesito chamado
informação, e quanto mais a gente procura se inteirar dos fatos, menos falhas a
gente comete nas nossas avaliações.
Segundo um texto que vi postado na internet, “um dos maiores
perigos que envolve a liberdade religiosa não está exposto nas vitrines das
lojas de armamento, nem nas lojas de bíblias e nem tampouco nas rodas de debate
científico: está na mente de pessoas cujo poder de argumentação poderoso
fomenta outros ao fundamentalismo religioso”.
O exemplo que aprendi com a religiosidade do meu pai e com o
que li na Bíblia, quando jovem, vai de encontro a muita coisa que é colocada
hoje e que me causa arrepio de ver tanta gente alienada, apesar de jovem.
Nunca fui muito de aceitar as coisas que me eram impostas e
ainda hoje, apesar de ser mais tolerante, não consigo assimilar ideias atrasadas
que se propaga em nome da religião. Nasci de uma família católica, mas nem por
isso desrespeito a religião alheia, mas há que se considerar que existem pessoas
que professam uma crença e querem impor sua filosofia de vida pra gente.
Não gosto disso e abomino algumas práticas nessa direção.
Tenho minhas convicções; minha formação e não abro mão delas por nenhuma outra
filosofia; respeito muito quem pensa
diferente, só acho que as pessoas deveriam ler mais e tentar se aprofundar em
alguns assuntos, deixar de acreditar em lendas que são propagadas como verdades
absolutas.
Não existe uma verdade única, várias vezes já fiz essa avaliação.
Cada pessoa tem a sua verdade e deve respeitar a do outro. Também posso estar
errada na minha avaliação, mas quero ter o direito de dizer o que penso. Só isso.
Até o dia 4 de março está aberta no Sesc-Centro, na Rua Barão de Alagoas, Maceió, para visitação, a exposição gratuita “O compadre de Ogun – Serigrafias de Carybé”. Os grupos interessados devem agendar visitação à mostra, que pode ser vista de 12h às 18h.
Até o dia 4 de março está aberta no Sesc-Centro, na Rua Barão de Alagoas, Maceió, para visitação, a exposição gratuita “O compadre de Ogun – Serigrafias de Carybé”. (Fotos: Adailson Calheiros)
A itinerância da mostra é uma realização do Arte Sesc, projeto de circulação cultural criado em 1981 pelo Departamento Nacional do Sesc e tem o objetivo de promover o intercâmbio cultural e democratizar o acesso de diferentes públicos à produção artística do país.
O projeto propõe divulgar a arte nas suas nuances, formas e expressões, características que sobrepõem as criações, tendo o Brasil como um celeiro cultural de diversidades e estilos.Fabrício Barros recepcionou a reportagem e deu esclarecimentos sobre o evento.
Segundo Fabrício, a exposição “O compadre de Ogun – Serigrafias de Carybé”, será ampliada até março para atender ao público de escolas.
“Esse ano a gente está chegando a 35 anos com o Projeto Arte Sesc, que é o mais antigo de circulação artística que o Sesc tem. Dentro de artes visuais, a gente recebe várias exposições ao longo do ano, em especial o Carybé, que chegou em Alagoas o ano passado, fez Teotônio Vilela e Palmeira dos Índios e agora está aqui em Maceió, sempre de segunda a sexta, de meio dia às 18h, para o público espontâneo”, observa.
Segundo Fabrício, a exposição “O compadre de Ogun – Serigrafias de Carybé”, será ampliada até março para atender ao público de escolas. “É quando eles estão retomando das férias, pós-carnaval, a gente vai até março para ter essa mobilização de escolas e outras instituições que queiram visitar”, explica.
A exposição é composta de obras originais de Carybé, que criou sua obra baseado nos livros de Jorge Amado. Dono de traços simples que revelam expressões e movimento nas cores vibrantes de suas obras, Carybé foi um dos homens que incorporou a missão de apresentar a cultura popular ao universo erudito, aplicando seu talento no registro de cenas cotidianas características do Brasil.
“São 30 criações originais do Carybé, que o Sesc passou a ter, a partir de uma parceria com a Centro Cultural Banco do Brasil, e está compondo o acervo Sesc. São obras produzidas em cima da obra literária O compadre de Ogum, que inicialmente foram criadas para uma ilustração da TV. Jorge Amado fez o livro e quando foi para a minissérie da TV o Carybé fez a ilustração, em 1997”, destaca.
As ilustrações são de figuras da Bahia e da cultura afro-brasileira, que retratam aquele momento, que Jorge Amado tem na sua obra. “Carybé também acompanhava movimento de terreiros, mas não fazia registro de imediato, no momento da celebração, por respeito e só fazia as ilustrações quando chegava em casa, à noite, do que tinha vivenciado”, comenta.
Entre palavras e traços, Carybé criou em diversos suportes e formatos. O que é explorado na exposição O Compadre de Ogum, no Sesc-Centro, em Maceió, é o seu trabalho em conexão com a literatura.
A obra de Carybé constitui uma apresentação da estética do candomblé para o próprio Brasil, assim como Jorge Amado fez na literatura. O Compadre de Ogum é a segunda parte do romance Os Pastores da Noite, publicado em 1964.
Todo o acerto tem uma sequência, a ordem que está no livro. Dentro da exposição também, do dia 20 a 23 de janeiro, teve oficinas de gravura, ministrada por Alice Barros, fazendo experimentações com 20 alunos, público de iniciação e também com quem já lida com artes visuais; o resultado também está em exposição no local.
QUEM FOI
Hector Julio Páride Bernabó nasceu na Argentina, em 1911 e quando tinha apenas oito meses seus pais se mudaram para a Itália. Ainda na infância, aos nove anos, a família fixou-se no Rio de Janeiro onde ele ganhou o apelido de Carybé, que o acompanhou por toda a vida, assim como as artes plásticas e a paixão pelo Brasil.
Somente depois de formado pela Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro o artista foi conhecer seu país natal, onde viveu por alguns anos até conseguir o que ele chamou de trabalho dos sonhos: viajar a bordo de um navio registrando cenas do Brasil em pinturas que eram vendidas para jornais.
Serviço
Exposição O compadre de Ogum
Local: Galeria de Artes da Unidade Sesc Centro
Período de visitação, de 20 de janeiro a 04 de março de 2016, de 12h às 18h.
O sociólogo Carlos Martins, que também é professor universitário, disse que é um equívoco dizer que em Maceió não tem carnaval
Olívia de Cássia - Repórter - Tribuna Independente
De uns anos para cá, Maceió foi vendida para outros estados como cidade para descanso, em época de carnaval; uma festa que nos anos 60 e 70 era de muita animação e folia na capital alagoana, quando havia banho de mar à fantasia, mascarados nas ruas, corso, carnaval de clube e só se tocava frevo, marchinhas e músicas do autêntico período momesco.
O tempo foi passando e outras formas de diversão foram surgindo, mas muitos carnavalescos reclamam que o carnaval de Maceió se reduziu às prévias, período quando saem as ruas do bairro histórico de Jaraguá, vários blocos, que tentam resgar os carnavais antigos. Na avaliação dos estudiosos, brincar Carnaval, ontem e hoje, ainda é deixar-se levar pelas cores, pelo ritmo, pela alegria e vale qualquer coisa para ser feliz.
“Carnaval é vestir-se de forma bizarra, e gaiata; é mascarar-se para surpreender e provocar risos, é dançar e pular no asfalto, acompanhando blocos, trios elétricos, carros de som que dão o tom da animação”.
O sociólogo Carlos Martins, que também é professor universitário, disse que é um equívoco dizer que em Maceió não tem carnaval, porque, segundo ele, não se leva em consideração que o modelo de carnaval da capital alagoana é um modelo construído quase que espontaneamente, sem a indústria do carnaval operando. Na avaliação do professor, em Maceió existe, sim, carnaval.
“Além disso, a característica marcante do carnaval de Maceió são os carnavais de bairros como em Bebedouro; Ponta Grossa; Pitanguinha; Benedito Bentes; Ipioca, que são ações, em muitos lugares, espontâneas”, avalia.
Carlos Martins destaca que o carnaval de Maceió é “diferente dos carnavais midiáticos, depende do ponto de vista de um carnaval modelo, aqui não existe carnaval para turistas, mas para o maceioense existe sim”, observa.
Segundo ele, não é possível resgatar o carnaval de Maceió, porque só se resgata o que se perdeu. O professor avalia que existe um tipo ideal de carnaval construído a partir de alguns modelos no Brasil. O carnaval da Bahia, o carnaval do Rio e o carnaval de Pernambuco: “O que há de comum nesses três modelos? Multidões e mídia nacional, criando assim uma espécie de tipo ideal de carnaval”, observa.
Segundo Carlos Martins, quando se olha para Maceió, não se vê os mesmos elementos que existem nesses carnavais citados, “então ocorre a conclusão de que na capital alagoana não existe carnaval”, destaca.
Carnavalesco avalia que maceioense ficou sem carnaval de 20 anos para cá
O secretário de Cultura de Marechal Deodoro, o carnavalesco Carlito Lima, disse que o carnaval é a maior manifestação cultural do povo brasileiro e que o maceioense ficou sem a festa de uns 20 anos par cá, por falta de apoio dos governantes de cada época. Além disso, ele disse que a ideia dos que fazem turismo de "vender" Maceió como uma cidade de descanso “é estapafúrdia”.
Segundo Carlito Lima, isso nunca foi aceito pela população alagoana. “Escrevi artigos, fui às rádios e jornais e ainda hoje defendo haver carnaval nos dias de carnaval. Os ricos vão à procura de alegria em suas casas de praias em Salvador, no Rio ou no Recife; os pobres pegam as kombis velhas caindo aos pedaços e vão em busca de carnaval na Barra de São Miguel, Marechal; Paripueira”, reclama.
Segundo Carlito Lima, saem mais de 200 mil maceioenses buscando carnaval em outros lugares. “Se cada um gastar R$ 200 durante o carnaval deixa de circular na cidade de Maceió em torno de R$ 40 milhões de reais. O turista vem para Maceió porque é uma belíssima cidade não precisava inventar essa história de Maceió não ter carnaval”, avalia.
No entanto, o secretário de Cultura de Marechal Deodoro reconhece que na periferia o carnaval resiste: “Tanto que a Prefeitura de Maceió organizou nove polos de carnaval nos bairros onde existe tradição carnavalesca”. Carlito Lima ressalta também o ‘desaparecimento’ dos bailes de carnaval de clube no Brasil.
RESGATE
“No Rio de Janeiro há dez anos praticamente só havia as escolas de Samba, mas houve uma preocupação em incentivar blocos de ruas e o carnaval do Rio está ‘bombando’ com os blocos que levam alegria e aproveitam para fazer críticas ao momento atual. Aqui em Maceió tem as prévias, mas prévias de quê, se não existe carnaval?”, pergunta.
Ele argumenta que devia ter carnaval nos dias de carnaval e também robustecer as prévias que são fantásticas. “São a prova de que o alagoano como todo brasileiro sente a necessidade de um desabafo de quatro dias, uma alegria fugaz que se chama carnaval. Não é fazer um carnaval igual aos antigos onde brinquei muito na Rua do Comércio é fazer uma adaptação ao modernismo, o que interessa é a alegria que o pobre e o rico têm direito”, defende.
Carlito diz ainda que tem pena quando observa Maceió abandonada nos dias de carnaval. “Ano passado fui aos restaurantes e estavam vazios; fui aos hotéis, cheios, todos os turistas que perguntei se vieram a Maceió porque não havia carnaval, eles respondiam que nem sabiam desse detalhe. Na Praia do Francês, em Marechal os turistas saem atrás dos blocos, Siri Mole, e até no Bloco do Garçons, na Quarta-feira de Cinzas é cheio de turista”, pontua.
Para fugir da mesmice e da cidade-cemitério, como ele diz, Carlito Lima criou o bloco Nêga Fulô, que sai pela primeira vez este ano. “Estamos fazendo uma experiência, para desfilar no domingo de carnaval às 15h30, saindo dos Sete Coqueros; é um pequeno bloco, entre amigos que não se conformam em ver Maceió uma cidade cemitério”, disse esse.
Professor de história avalia que Carnaval precisa ser regatado
O professor de História Gustavo Pessoa avalia que o carnaval de Maceió precisa ser resgatado. “Acho que existe uma parcela da população que não pode sair da cidade e acaba sendo órfã de outra possibilidade. É refém de uma escolha de mercado. Acho que o poder público precisa estar atento a essas demandas e reconstruir o Carnaval nos bairros em parceria com as comunidades”, opina.
Segundo Gustavo Pessoa, uma cidade é concebida para quem vive nela e não para quem é visita. “Quando erguemos uma casa, atribuímos os sentidos que queremos para ela e não o sentido que os visitantes querem eventualmente atribuir. Maceió não pode ser vista como Hotel; precisa ser vista como casa. A semiótica da cidade precisa ser construída por quem vive nela; isso não significa fechar o diálogo com as possibilidades turísticas”, analisa.
MARCHINHAS E FREVOS
Já a administradora de empresas Zejane Cardoso disse que sente muita saudade dos carnavais passados, principalmente das marchinhas e frevo canção, músicas que eram tocadas amplamente nessa época do ano. Segundo ela, hoje o que se toca não é música de carnaval.
O comerciante Jobson Albuquerque, carnavalesco ‘das antigas’, concorda com a ideia de que deveria haver carnaval nos dias de carnaval e aplaude a ideia de algumas pessoas “que vêm tentando recuperar o tempo perdido”, destaca.
Prefeitura realiza carnaval nos bairros da capital
A Prefeitura de Maceió divulgou o calendário das festas carnavalescas nos bairros da capital. As atrações vão começar no dia 6 de fevereiro e vão até o dia 9. Além de desfiles, haverá shows de diversos tipos musicais como samba, funk e axé.
Seis Regiões Administrativas (R.A) tiveram projetos aprovados pela Fundação Municipal de Ação Cultural (Fmac). Na Região 1, será realizado o Polo Alternativo no bairro de Jaraguá; na R.A. 2 três bairros diferentes receberão apoio para realização dos festejos momescos, são eles: Vergel do Lago, Ponta Grossa e Pontal da Barra.
Na Região 4, o bairro de Fernão Velho foi o contemplado e na R.A. 5 o multicultural Jacintinho foi selecionado como polo para folia. Na parte mais alta da cidade, onde está a R.A. 6, dois polos concentrarão a festa no bairro do Benedito Bentes. Fechando a lista, o litoral norte segue representado pelo bairro de Ipioca, integrante da Região 8.
Segundo a Prefeitura, a realização do carnaval em núcleos espalhados em diversos bairros e realizado pela própria comunidade reafirma a proposta de descentralização das festas adotada pelo órgão. A ideia é fomentar e valorizar o carnaval nos bairros levando oportunidades de acesso à cultura e à diversão para mais perto das pessoas.
Ainda de acordo com a Prefeitura, cada projeto recebe um kit que viabilizará a estruturação do evento, contendo palco, som, luz e banheiros químicos, além da contratação de artistas com cachês que não ultrapassem o valor de R$ 5 mil por núcleo festivo.
O recém-criado bloco carnavalesco Nêga Fulô, sairá pela primeira vez no domingo de carnaval, 7 de fevereiro, deste ano, impreterivelmente às 15h30 e fará seu desfile até 17h, sem atraso, na rua fechada da Ponta Verde. O evento será animado pela orquestra de frevo W & K, de Marechal Deodoro, que tem 16 componentes. Segundo o idealizador do bloco e secretário de Cultura de Marechal Deodoro, Carlito Lima, certamente o público será de pessoas com mais de 50 anos.
Segundo o idealizador do bloco e secretário de Cultura de Marechal Deodoro, Carlito Lima, certamente o público será de pessoas com mais de 50 anos. (Foto: Olívia de Cássia)
Carlito Lima observa que o objetivo da iniciativa é fazer um resgate do verdadeiro carnaval de rua de Maceió. “De uns anos para cá, essa tradição quase acabou, pouquíssimos blocos saem às ruas no dos dias de carnaval. Nos anos 60, havia o tradicional Banho de Mar à Fantasia, no domingo anterior ao carnaval, onde os blocos fantasiados desfilavam, com muito frevo e marchinhas”, lembra.
O produtor cultural observa ainda que no bom português ‘prévia’ é aquilo que antecipa alguma coisa. “Prévia para mim é uma mostra do que vai acontecer, se não tem carnaval, como pode ter prévia?, indaga Carlito Lima, ressaltando que não é contra as prévias carnavalescas. “Gosto do Pinto da Madrugada, é muito bom, vou sempre, mas me dá uma tristeza danada quando vejo o carnaval em Maceió atualmente”, destaca.
Segundo ele, a criação do bloco Nêga Fulô tem o objetivo de retornar a animação da cidade nos dias de carnaval e que o povo da cidade tenha motivo para ficar em Maceió durante a festa. “Sempre houve uma tradição de carnaval de rua em Maceió, mas lamentavelmente, foram acabando com isso e queremos fazer um resgate da história da folia de Momo”, destacou.
Carlito observou ainda que na Rua do Comércio de Maceió, 15 dias antes do carnaval, já começava a maratona carnavalesca toda noite, com orquestras de frevo em cada esquina. “Por conta de tudo isso, estamos criando o bloco, com a finalidade única de divertimento durante o carnaval, a mais espontânea manifestação popular do povo brasileiro”, reforça.
Para a viabilização do desfile, Carlito Lima destaca que já deu entrada em todos os órgãos da Prefeitura e demais departamentos oficiais de Maceió, para os devidos licenciamentos e que não pretende competir com nenhum outro bloco. “Não queremos ser igual ao Pinto, que tem 15 orquestras e tem toda estrutura; no nosso não vai ter som; é pé no chão todo mundo”, ressalta.
O nome Nêga Fulô foi escolhido em homenagem ao poeta alagoano Jorge de Lima, autor do poema ‘Essa Nêga Fulô’. “Ressalto que não vai ter trio elétrico, não tem carro de som. Para sair no bloco o folião não paga nada: é só cair no frevo e nas marchinhas antigas”, disse ele.
Carlito Lima destaca ainda que os carnavais de Maceió nos anos 30\40 do século passado; eram animados com festas, tradições do Major Bonifácio, “depois veio o Moleque Namorador, o Rás Gonguila com seu bloco Cavaleiros dos Montes; entre tantos outros”.
“Vamos fazer na Ponta Verde, mas não é uma coisa da elite; a rua é pública e quem quiser pode participar. Geralmente o ricaço da Ponta Verde tem casa na Barra de São Miguel, no Francês e vai pra lá. Todo mundo pode entrar no frevo do bloco; é uma aposta que estamos fazendo, pois Maceió precisa de carnaval nos dias de folia. Todo ano, depois do carnaval a gente reúne várias pessoas e todo mundo fica falando que precisamos fazer o carnaval de Maceió, daqui a pouco nada faz; aí eu disse: pois eu vou fazer um bloco”, comenta.
Carlito Lima disse que o bloco Nêga Fulô já está com uma boa aceitação em Maceió e que a Facima (Faculdade de Maceió), que tem o curso de Agentes Sociais, para pessoas da terceira idade, vai fazer um bloco para desfilhar no Nêga Fulô. “Éum projeto de médio prazo, vamos fazer a primeira experiência; não estamos tendo apoio financeiro nem do governo e nem da Prefeitura”, pontuou.
HOMENAGEADO
O bloco Nêga Fulô também fará uma homenagem ao carnavalesco Prego, líder da Escola de Samba Gaviões da Pajuçara. “Eu pensei em todo ano homenagear um carnavalesco José Hilton Feitosa, mais conhecido por Prego. “Pensei em vários nomes e resolvi homenagear o Prego: um cara batalhador, da Gaviões da Pajuçara, que não vai sair esse ano, por falta de verba”, destacou.
Foi o pai do carnavalesco homenageado (Manoel Feitosa Neto, o mestre Netinho, primeiro bonequeiro do País) que começou a confeccionar os bonecos de Olinda, em Riacho Doce. Depois ele levou a ideia para Olinda e Pernambuco e lá se popularizou.
Procurado para falar sobre a homenagem, Prego, como gosta de ser chamado, disse que para ele é uma honra ser homenageado pelo Nêga Fulô. “Vamos sair com o bloco Bonecos da Cidade e encontraremos o Nêga Fulô, onde serei homenageado. Para mim é uma alegria muito grande essa homenagem que o Carlito, secretário de Cultura de Marechal, está fazendo. Depois do carnaval, vamos fazer uma oficina de bonecos”, pontuou.
Prego informou ainda que atualmente os bonecos confeccionados em Maceió (a cabeça) é de papel marchê e os de Olinda são de fibra.
Estive pensando e sempre me vêm esses pensamentos à mente,
sobre a efemeridade das coisas, onde tudo é feito para ter pouca duração. Vivemos
num mundo em que isso está presente em tudo: tanto para o bem quanto para o
mal.
Essa é uma reflexão que faço sempre e que algumas pessoas deveriam fazer, diante de um sistema onde tudo
é feito para ser descartado, inclusive e até, infelizmente, os sentimentos. A
vida útil de um produto para aumentar o consumo de versões mais recentes é
feita para movimentar o capitalismo.
Mas não falo aqui apenas do sistema em que vivemos,
politicamente falando. Nada é duradouro nessa vida, mesmo, mas tem gente que se
apega a determinadas situações avaliando que vão ficar nelas para o resto da
vida.
E se põem a agir como se fossem donos do mundo e da verdade,
como se a verdade fosse única. Filosoficamente falando, passei grande parte da
vida achando que a minha felicidade estava atrelada a outra pessoa; que eu só
seria feliz se tivesse aquele ente do meu lado.
Não estava atenta, ou estava tão envolvida que não me dava
conta da transitoriedade da vida e de suas nuances. Eu avaliava, até aquela
fase da minha vida, que só estaria satisfeita espiritualmente e materialmente
se fosse daquela forma que eu via o mundo.
Quando a gente é jovem acha que tem que viver tudo; aquele
momento é muito precioso: aquela festa imperdível, o encontro com os amigos; as
diversões e todo o que a gente possa fazer para alegrar a vida. Hoje ainda acho
que se a gente pudesse viver assim, talvez o mundo fosse bem melhor.
Com o tempo; as perdas e as dores que a vida trouxe, fui me
certificando de que não é possível a
gente viver sempre daquela forma; e que também não podemos nos apossar dos
sentimentos de alguém para preencher nosso próprio vazio existencial.
Mas isso eu passei a entender depois de muito sofrimento da
alma. Hoje vivo tentando descomplicar o que compliquei a vida inteira; tentando
praticar o desapego, me livrando de excessos de bagagem que não vou levar
quando partir para o mundo espiritual.
Já comecei me desapegando de muita coisa em casa, não vou
precisar de tanto e só de muito pouco, principalmente se a vida me deu mais
limites do que eu avaliava que deveria.
Aproveitando também para me livrar de situações, sentimentos e de
hábitos que não fazem bem ou que estejam me impedindo de seguir em frente.
É o que tenho feito, independente de religião ou credo. Viver
o que a vida ainda tem para me oferecer, agradecendo a gratidão de todos. E
como diz um amigo meu em tom de galhofa: “Tudo é passageiro, menos o motorista
e o cobrador”. E vamos que vamos. Boa tarde.
O que leva um ser humano: mãe, pai, pessoa da própria família ou amigo a tirar a vida de uma criança indefesa? Por que tem crescido assustadoramente casos de violência cometida contra crianças, no Estado e no país? Essa pergunta chega à reportagem como resultado do recente caso do assassinato de Dyllan Taylor Soares, de três anos, assassinado pelo padrasto, Meydson Alysson Silva Leão.
Essa pergunta chega à reportagem como resultado do recente caso do assassinato de Dyllan Taylor Soares, de três anos, assassinado pelo padrasto, Meydson Alysson Silva Leão. (Foto: Reprodução web)
O caso do pequeno Dyllan Taylor não foi o único no Estado. Uma pesquisa rápida na internet indica que as crianças são vítimas constantes de pessoas insanas, na maioria das vezes da própria família ou de pessoas próximas a ela.
Em junho de 2013, um caso que chamou à atenção da mídia e da sociedade alagoana foi o do menino Felipe Vicente da Silva, de dois anos, sequestrado e morto e o corpo encontrado em um buraco em um terreno baldio no Conjunto Cleto Marques Luz, no Tabuleiro do Martins, parte alta de Maceió.
O sequestro do menino Felipe Vicente gerou protesto e projeto de lei aprovado na Câmara de Vereadores de Maceió, de autoria da vereadora Heloísa Helena (Psol), que acompanhou a família desde o desaparecimento de Felipe.
O projeto de lei aprovado pela Câmara de Maceió obriga a exibição da foto de crianças e adolescentes desaparecidas em telões, murais e placares eletrônicos instalados em rodoviárias, aeroportos, teatros, cinemas, casas de espetáculo, praças esportivas e de eventos e clubes recreativos.
À época, Heloísa Helena disse que a dor de uma mãe é a mesma, sendo rica ou pobre. “O que muda é o tratamento que ela recebe”, observou. Depois de 13 dias de buscas o corpo do pequeno Felipe foi encontrado em avançado estado de decomposição.
Em julho de 2013, em Rio Largo, o sequestro, seguido de morte de uma criança de um ano e seis meses, desafiou os investigadores da Polícia Civil de Alagoas. A menina, que morava com a família na cidade de Rio Largo, região Metropolitana de Maceió, foi sequestrada e encontrada morta na lateral de uma ponte que dá acesso a saída da cidade. A menina recebeu uma pancada na nuca.
Em março de 2015, em Palmeira dos Índios, um doente mental de 17 anos espancou dois sobrinhos: um de três anos e outro de cerca de um ano, que não resistiu e morreu ainda no local. A população revoltada com o caso espancou o doente mental até a morte.
Em dados divulgados no ano passado, pelo Conselho de Medicina, Em Alagoas, cerca de 40 crianças e adolescentes desaparecem todo mês; estima-se que 50 mil crianças somem no país e cerca de 250 mil ainda não foram solucionados. No mundo esse número chega a 25 milhões.
Mortes brutais e precoces
As causas das mortes brutais e precoces de crianças são as mais variadas: violência doméstica, rituais satânicos, operações policiais frustradas, assaltos, vingança, tiroteios, entre outras. A psicóloga Juliana Campos Correia avalia que a violência cometida contra crianças acontece (quando é a mãe que pratica), porque às vezes não foi uma gravidez desejada e bem-vinda.
“A pessoa que comete esse tipo de maldade pode ser que tenha algum problema psicológico ou social e acaba descontando em um ser indefeso e incapaz de se defender, o mesmo acontece com quem maltrata animais”, comenta.
Segundo Juliana Campos Correia, essa pessoas precisam de um tratamento terapêutico, mas tem que ser consentido: “A pessoa tem que querer, porque para pessoas assim, essa atitude é normal, elas não sofrem com isso, são frias”, analisa.
A psicóloga diz ainda que, no caso do assassinato do pequeno Dyllan Taylor Soares pelo padrasto pode ter sido por ciúmes do garoto e a mãe do menino deixava-o em segundo plano. “Tem gente que é possessivo e ruim; por isso que a pessoa tem que ter cuidado com quem se envolve, para não sofrer as consequências”, observa.
Criminalista diz que violência não é método de aprendizado
O advogado criminalista Welton Roberto fez uma análise dos casos de violência cometidos contra crianças e disse que infelizmente os pais avaliam que são donos: “É a velha ideia de que por serem criança elas devem obediência cega e (os pais) utilizam do poder familiar para subjugá-la a todo tipo de tratamento”, destaca.
Segundo Welton Roberto, quando o governo lançou a polêmica "Lei da Palmada" proibindo a violência dos pais contra os filhos, ele viu muita gente dizendo que o Estado não tinha o direito de interferir na "educação" doméstica de seus filhos, “como se a utilização da violência fosse método de aprendizado”, observa.
Para o advogado criminalista, o resultado é este. “A desmesura da violência gerando mortes de crianças Brasil afora”. Ele explica que agora os acusados serão processados e punidos a depender do tipo penal que os enquadrarem: “ou maus tratos seguido de morte ou homicídio doloso”, pontua.
Perguntado se essas pessoas que praticam esse tipo de crime podem ser consideradas doentes sociais ou psicopatas, Welton Roberto responde que “a questão é cultural, pois os adultos se acham os donos das crianças, da mesma forma que os homens se acham donos das mulheres, por isso usam da violência”, pontua.
Professora diz que desmanche da instituição família desagregou sentimentos
A professora Lindair Morais Amaral, instrutora do ensino profissionalizante, disse que o caso do menino Dyllan Taylor Soares foi um assassinato cruel. “Culturalmente falando, hoje o desmanche (a palavra é essa) da instituição família, desagregou sentimentos, hábitos e responsabilidades. O ser humano criado desgarrado, sem autoestima e sem valores, tem a sensação de ser responsável somente por si, o que o faz indiferente ou insensível ao outro”, avalia.
Segundo ela, hoje as pessoas se juntam para viver, “não por motivos habituais como o amor por exemplo; dessas pessoas nascem outras que se tornam agregadas e não parte do todo. Então, se essa parte incomoda é subtraída sem qualquer sentimento de perda”, comenta.
Outra questão apresentada por Lindair Amaral é a baixa autoestima e autodesvalorização da classe mais pobre revelada no alto índice de homicídios, feminicídio e agora com maior frequência, a morte de indefesos pelos pais ou pessoas da “família”.
Segundo a professora, a falta de regras, de valores, de controles, punições efetivas, ações coletivas ou não, determinam que a vida não vale nada, como dizer “eu não tenho nenhum valor”.
Lindair Amaral destaca ainda que nenhuma criança chega à morte sem antes sofrer maus tratos constantes e vivenciar os horrores da conivência por vezes doentia de um casal. “Nenhuma criança morre sem que antes as pessoas em seu entorno tomem ciência de seu sofrimento e elas se calam. São cúmplices passivos da violência que de alguma forma também vivem e acabam por achar natural”, argumenta.
Segundo ela, as pessoas que hoje pedem justiça, muitas participaram ativamente do círculo vicioso familiar daquela criança (Dyllan Taylor Soares) e não fizeram nada, não era com elas ou não vai passar disso.
“Passou... para melhorar a consciência agora buscam justiça... Por que motivo não salvaram antes? Não queriam se envolver, precisavam se proteger. Como disse antes, sou responsável por mim, só por mim. Graças a Deus que a coletividade ainda é maior em busca da vida do enfrentamento, da tolerância zero e da fé, esta última abrange todos os outros sentimentos”, finaliza.
Mapa da Violência aponta aumento de homicídios contra crianças e adolescentes no país
A taxa de homicídios entre crianças e adolescentes no Brasil entre 1980 e 2010 cresceu 346%. Isso é o que aponta o novo Mapa da violência 2012 – Crianças e adolescentes do Brasil. O elevado índice de assassinatos de meninas e meninos colocou o país em 4° lugar em uma lista de países com maiores taxas de homicídio entre crianças e adolescentes.
Segundo a pesquisa, durante as três décadas analisadas, mais de 175 mil meninos e meninas de zero a 19 anos de idade perderam suas vidas para a violência. Somente em 2010, 8.686 crianças foram assassinadas no país.
O estudo alerta para o fato de que, nesses 30 anos, enquanto as taxas de mortalidade de crianças e adolescentes por causas naturais diminuíram, os índices de morte por fatores externos aumentaram.
Destaque para homicídios, acidentes de transporte e outros acidentes. Segundo o relatório, em 2010, essas três causas representaram mais de 90% do total de mortes de crianças e adolescentes por causas externas, ficando o assassinato em primeiro lugar (43,3% das mortes), seguido por acidentes de transporte (19,7%) e outros acidentes (19,7%).
O que mais chama a atenção é o crescimento do número de assassinatos. Em 2010, 8.686 meninos e meninas foram mortos/as no país, representando uma taxa de 13,8 homicídios para cada 100 mil crianças e adolescentes. Dez anos antes, a taxa era de 11,9 para cada 100 mil.
"Dentre os 99 países com dados recentes nas bases estatísticas da Organização Mundial da Saúde, o Brasil, com sua taxa de 13,0 homicídios para cada 100 mil crianças e adolescentes, ocupa a 4ª posição internacional, só superada por El Salvador, Venezuela e Trinidad e Tobago”, destaca.
O documento ainda mostra a diferença das taxas por unidades da federação e municípios. De acordo com a publicação, enquanto estados como Piauí e São Paulo apresentam índices de homicídios de 3,6 e 5,4 para cada 100 mil, respectivamente; em Alagoas e Espírito Santo, essas taxas sobem para 34,8 e 33,8.
Trabalho foi gravado no Fortim de Olinda, durante o carnaval
de 2015, com arranjos do maestro Almir Medeiros
Por Olívia de Cássia
O forrozeiro de raiz Geraldo Cardoso está com um novo
projeto na praça: o Forrofrevando, gravado ao vivo, no Fortim de Olinda,
durante o carnaval 2015, com arranjos do conceituado maestro Almir Medeiros.
São 22 marchas que foram gravadas ao vivo e melhoradas em estúdio.
Há sete anos participando do carnaval de Pernambuco e com
uma carreira consolidada, Geraldo Cardoso é compositor de várias músicas que
são sucesso no cancioneiro regional. Este ano ele participa do carnaval em
várias cidades pernambucanas como: Olinda; Recife; Triunfo e com possibilidade
de fazer show em Catende.
O CD Forrofrevando caiu no gosto do público e está tocando
em várias rádios alagoanas e algumas de Pernambuco. O trabalho mistura vários
elementos do forró, como xote, galope, arrasta-pé, se fundindo ao frevo, uma
mistura que deu certo.
“O forró e o frevo são primos-irmãos; e com essa mistura não
dá outra coisa a não ser a euforia de querer dançar sem parar”, comenta o
artista, um dos mais procurados na região, pela autenticidade de seu trabalho.
Alagoano de Quebrangulo, Geraldo Cardoso tem 14 trabalhos
lançados, todos fazendo sucesso especialmente aqui no Nordeste. Ele interpreta
clássicos como Minha gata (Accioly Neto); Pagode Russo (Luís Gonzaga); Estação
da luz (Alceu Valença); Rosa de Sol
(Carlos Moura) e também faz homenagem a Dominguinhos e muito mais.