quarta-feira, 9 de junho de 2010

O tempo muda a vida

Olívia de Cássia – jornalista

Deixei de acreditar em cegonha, em Papai Noel e em contos de fadas muito cedo. Aprendi com as amigas da rua como nascem as criancinhas, numa idade ainda tenra e em que para nós tudo era novidade.
As curiosidades da infância para esses assuntos se revelavam a cada nova informação adquirida. Quando as mulheres da Rua da Ponte casavam ou tinham seus bebês, ou quando se reuniam para falar de suas vidas pessoais na nossa presença.
Lá em casa a gente não podia presenciar a conversa dos adultos; a educação de antigamente não permitia isso. Quando um adulto estava conversando com outro, na maioria das vezes, dependendo do assunto, as crianças tinham que se retirar do local ou não podiam se meter na conversa.
Não era como hoje em dia que as crianças desmentem os pais na frente dos outros. Era assunto de adulto, não permitido para nós, criança não cabia na sala. Mesmo assim, algumas vezes, dava para escutar quando minha mãe fazia algumas confidências para suas amigas ou para minhas tias.
As crianças e adolescentes nas décadas de 60 e 70 eram muito vigiados. Meu tio Antônio Paes de Siqueira, irmão mais velho de mamãe, de vez em quando chegava lá em casa para contar para meus pais o que ficava sabendo de nós na rua. Fosse no Bar da Sinuca, localizado na Avenida Monsenhor Clóvis, ou em outro local de União dos Palmares.
Minha tia Osória Paes de Freitas estava sempre atenta para as nossas traquinagens; era minha segunda mãe. Quando a gente dava uma escapulida da vigilância cerrada lá de casa, lá estavam meu tio Antônio e minha tia Osória para intercederem se fosse o caso, se fosse alguma coisa errada, na avaliação dos dois.
Nunca fui muito seletiva em se tratando de paqueras e acabava me interessando por meninos que não estavam a fim de mim. Sofria muito com isso. Esse sentimento me perseguiu a vida inteira, quem me conhece desde a infância sabe disso.
O tempo passou, mudou a vida. Dizem os escritores que o tempo é como o vento; ambos são soberanos. Quando a gente é criança tem mais tempo para viver e para sonhar, para observar o vento, para ver o balanço das folhas, o deslocar das nuvens. Eu ficava deitada no colo do meu avô observando os carneirinhos que se formavam nas nuvens, à noite, na porta da mercearia do meu pai.
Cada mudança das nuvens era um animalzinho que se formava e mostrava pro meu avô, que sorridente participava de todos os meus sonhos e fantasias de criança. Tinha mais tempo, tempo pra viver e para sonhar, mas só percebemos que o tempo passou quando olhamos para dentro de nós e não vemos mais aquela criança sonhadora e pura.
O vento foi tomando conta de tudo, levando os restos de esperança daquela menina acanhada e sonhadora que eu era. O tempo mudou o rumo da minha vida, só não sei dizer se foi para melhor.

terça-feira, 8 de junho de 2010

De volta à infância

Olívia de Cássia – jornalista

A gente era pequenina, gostava de brincar de roda, de pular corda, de pega-ladrão, de ciranda cirandinha, de casinha, avião e outras brincadeiras da infância da década de 60. A Rua da Ponte não era pavimentada e quando chovia muito ficávamos na chuva brincando; ninguém pensava em contrair doenças.
Eu tomava muito banho de chuva nas biqueiras das casas, catando sapinhos pequenos com meu irmão Paulinho. Era uma brincadeira que gostávamos muito de fazer e quando chovia granizo também íamos para a rua catar aquelas bolinhas de gelo e nos divertíamos muito com tudo aquilo.
No fundo do armazém do meu pai tinha uma goiabeira enorme que dava pra gente ficar em cima, por horas a fio, comendo aquelas frutas gostosas e confidenciando segredos da infância com a amiga Mariza Matias, irmã do meu amigo Quitério Matias, ou tomando banho no Mundaú com as outras amigas da infância.
Quando ia pro Rio Mundaú tomar banho ou acompanhar alguma vizinha que ia lavar roupa ou prato, eu ficava escutando as conversas daquelas mulheres, cujo repertório quase sempre era enorme, e se referia, na maioria das vezes, à vida da vizinhança.
Eu vivia pela vizinhança ou na casa dos meus avós Manoel e Olívia e não parava em casa, o que rendia muitas críticas da minha tia Osória Paes, irmã mais nova de minha mãe, que quase sempre dizia:
– Antônia, essa menina vive muito solta na rua, gosta de ficar com os meninos da vizinhança, pode aprender safadeza com eles.
Um dia, por conta dessas brincadeiras de boneca com meninos e meninas da vizinhança, e de uma das reclamações da minha tia, levei uma surra danada de mamãe e outra de meu pai, que quase nunca me batia.
Como se não bastasse isso, certa feita peguei uma briga com uma vizinha que era colega de escola no Rocha Cavalcante e apanhei muito da menina que era mais velha e bem maior que eu.
Foram todos os meninos e meninas da escola me acompanhar até em casa, na Rua da Ponte e quando cheguei casa foi um labafero desgraçado. Fiquei com a garganta doendo por muitos dias de tanto aperto que levei.
Foi a única pessoa que nunca mais eu fiz as pazes, que eu me lembre, não que eu não quisesse, mas a vida tratou de nos separar e ainda hoje eu lembro dessa amiga. Fiquei chateada por muito tempo, mas depois passou.
Quando eu não estava nas brincadeiras com a meninada da Rua da Ponte, estava na casa do meu avô Manoel Paes, ouvindo ele me contar seus causos ou lendo para ele os livrinhos de literatura de cordel que comprava na feira livre de União. Meu avô gostava de ir à Barriguda a pé e uma vez ele passou três dias sumido, causando preocupação à minha avó e minha mãe. Disse que tinha se perdido no mato e que tinha sito vítima das caiporas que tinham pegado ele, mas não se lembrava do que tinha acontecido e contava várias vezes para mim essas histórias.
Seu Francisco, o vizinho da frente da casa do meu avô, tinha uma fabriqueta rústica de confeccionar colchões de palha forrados com chita e nós adorávamos pular em cima das palhas do seu Chico, fazendo a maior folia na casa dele. Depois que saí do Rocha Cavalcante fui estudar no Monsenhor Clóvis. As ladeiras de acesso à escola eram de barro e eu levei vários tombos e quedas em época de chuva. Chegava em minha casa com o fardamento todo sujo de barro, o que causava a ira de minha mãe com aquela sujeira da roupa.
Meu pai dava duro para criar e educar os filhos tinha pouca leitura, mas sabia fazer contas de cabeça muito mais que os filhos que estavam na escola. São tantas as lembranças que tenho da minha infância, que por vezes tenho muita saudade daquele tempo. O melhor tempo do mundo.
Minhas peripécias e artimanhas

Petrúcio Manoel Correia de Cerqueira - bancário

Financeiramente, tudo ia bem com os negócios do meu pai. Nos dois anos seguintes ao da enchente (1962 e 1963), pagou os débitos, e ainda conseguiu comprar uma pequena casa longe da beira do rio.
Eu, sinceramente, não achei boa essa mudança. Era na Rua da Ponte que eu me soltava, vivia livre como um passarinho. Pintava e bordava (como se dizia antigamente). Banhos de rio, saídas para passeios sem tempo predeterminados, visitas constantes à Serra da Barriga (onde eu conhecia quase todos os moradores, pois, eram quase todos clientes do meu pai).
Logo nos primeiros dias de morada nova, tudo que eu pensava, estava sendo concretizado. Meu pai proibiu qualquer um de nós de sair para a rua, e olhe, que nem carro naquela época existia por lá. Era a Rua Presciliano Sarmento, que terminava na entrada da Fazenda Terra Cavada, com um sítio de mangueiras que não tinha mais tamanho. Pra vocês terem uma idéia, hoje, onde era esse sítio, é a continuação da Rua até a Vila Kennedy, e a sede do sitio é onde está instalada a AABB.
Sim, como estava dizendo, a mudança não foi boa pra mim. Eu mesmo só saía de casa, pra levar o café ou o almoço pra meu pai na Rua da Ponte. Era uma tirada e tanto. Foi nessa rua que comecei também a me revoltar com a ordem de não sair, e com a revolta veio também as primeiras surras, e não foram poucas.
Se naquele tempo existisse, como hoje existe, negócio de Conselho Tutelar, era capaz de meu pai e minha mãe terem de explicar algumas vezes, tamanha eram as surras que eu levava. E tem um pequeno agravo nisso tudo, às vezes (isso era o que eu achava) era sem motivo declarado, mas nem por isso, virei marginal, nem tão pouco deixei de gostar do meu pai e de minha querida mãe.
Numa dessas, fui um dia de feira (sábado é dia de feira em União) levava café pra meu pai. Pra cortar caminho, fui por trás do Grupo Rocha Cavalcante. A Rua Costa Rêgo naquela época não era pavimentada e era apelidada de "Apertado da Hora". Levava uma garrafa térmica com café e marmita com cuscuz e carne.
Escorreguei na lama, e lá se foi o café do meu pai. Imaginei logo no que iria acontecer. Não voltei pra casa. Imaginei que seria pior, e continuei. Quando cheguei ao armazém, todo melado de lama, inventei logo uma mentira pra ver se me safava daquela. Um boi vindo da Terra Cavada, e solto, teria me feito aquela desgraça. Ufa, consegui me safar, mas, só Deus sabe como.
Outra feita (essa não teve jeito), inventei de ir com um amigo pra essa tal de Terra Cavada (que eu nem conhecia), pra caçar pássaros. Saímos pela manhã umas nove horas. Entretidos, nem prestamos atenção no passar do tempo. Quando demos por conta, já estava perto de escurecer. Foi aí que bateu a agonia em nós. Estávamos perdidos, sem rumo que tomar, e ainda por cima escurecendo.
Foi quando o protetor dos meninos nos mandou um homem que voltava da pescaria no Rio Mundaú. Quando chegamos na rua em que morávamos, imaginem só a confusão que estava. Aí eu pensei, é hoje.
Quando me aproximava de casa, todo cabisbaixo, minha tia Osória se encontrava na calçada e disse-me: “Hoje quem vai te bater sou eu, pois sua mãe está sem condições, e não quero que teu pai te bata; o porquê, você já sabe, não é”? Pense na surra.
A falta de condições que minha tia alegava, depois eu soube, foi que, com a preocupação que ela teve nesse dia, ela abortou por minha causa. Surra bem merecida essa. (* Meu irmão mais velho)

segunda-feira, 7 de junho de 2010

VIDA

Petrúcio Manoel Correia de Cerqueira - bancário (*)

O tempo era de inverno. Mais precisamente no mês de junho de 1961. Essa época, um pouco remota, eu tinha seis anos. Sou o mais velho de quatro irmãos. Minha irmã, a mais nova, estava apenas com seis meses de idade. É a lembrança mais antiga que tenho da vida.
Minha mãe nos colocou pra dormir logo cedinho, umas sete horas da noite, antes que o gerador da prefeitura fosse desligado (o aparelho só trabalhava até as dez horas da noite). Naquela época, ainda não tínhamos energia de Paulo Afonso. Chovia intensamente. Morávamos na Rua Demócrito Gracindo, mas, era conhecida por Rua da Ponte. Fomos todos nos deitar. Quando deitado, ouvia a conversa de meu pai e minha mãe.
- Nêga (era assim que meu pai carinhosamente chamava por minha mãe), está chovendo muito, se continuar assim, vamos ter que levar os meninos pra casa de Osória (era minha tia).
- É, de vez em quando é bom ir olhar na porta que dá pra rua se tem gente se aglomerando em cima da ponte (era o sinal mais evidente que às águas do rio estavam subindo).
Notei, pela conversa que meu pai estava tendo com minha mãe, que a situação não estava muito boa.
- Nêga, acho melhor você aprontar os meninos, e logo em seguida nós irmos pra casa da Osória, tem muita gente olhando o rio em cima da ponte.
Minha mãe acordou os outros um pouco apressada, pegou a novinha (minha irmã), e fomos todos pra o outro lado da cidade.
Quando chegamos bem no meio da ponte, um gaiato gritou aos berros: - a ponte está caindo. Foi uma correria que Deus nos acuda. Não ficou ninguém. Só sei que meu pai, que estava com minha irmã novinha, tirou a distância que faltava pra atravessar a ponte num pulo só.
Passada a agonia da correria, estávamos todos sãos e salvos na casa da nossa tia. E o rio? Encheu mesmo pra valer. Se tivéssemos ficado em casa, a coisa teria sido pior. Mas, no interior, cada coisa tem Estória. É estória com “E” mesmo. E nessa enchente também teve a própria estória. Enquanto o nível das águas subia, era ouvido por todos um “assobio” forte.
Começou então a tradução para tal acontecimento. Teria sido uma moça prendada que caiu na desgraça e, como a mãe teria a expulsado de casa, a mesma, revoltada, teria dado uma surra na mãe. Como castigo, a moça virou serpente, e a enchente era pra levar pra bem longe a infeliz.
Baixou o nível das águas. Voltamos uns dois dias depois pra nossa casa. Quando chegamos lá, minha mãe não se conteve em lágrimas. O prédio da nossa residência estava todo avariado. Meu pai, sem avisar nada a ela, procura o seu Zé Cardoso (comerciante mais rico da época em União), e vende o prédio.
Quando foi avisada que tinha que ir ao cartório assinar a escritura, aí não prestou não. A mulher ficou braba igual a um escorpião. Só não chamou meu pai de bonito. Botou o pé na parede e não assinou nada de papel nenhum, quanto mais escritura. Nisso, o Sr. José Cardoso, que também era amigo do meu pai, ajudou o meu velho financeiramente e emprestou dinheiro para recuperar o prédio e sossegar minha mãe. (* É meu irmão mais velho)
Fujo de mim

Olívia de Cássia - jornalista

Venho buscando respostas para muitas incertezas. Quero fugir de mim, esquecer o passado, porque ele não volta mais, tal qual a água do rio em correnteza daquela bela história entre o homem e um rio.
Conta a lenda, que um homem muito apaixonado por um rio gastava longas horas vendo as águas do rio passar, carregando em seu dorso suave, folhas e histórias das cidades e isto lhe dava felicidade. Sua grande alegria era quando chegava a tarde, depois do trabalho.
O homem ia correndo para o rio, falava muito, confidenciava segredos àquele rio, dava gargalhadas, nunca ia embora, enquanto houvesse luz. E por muitas vezes só se deu conta que era noite quando a lua brilhava nas águas do rio. Ficava lá, remoendo lembranças, seus olhos só viam o rio.
Um dia, porém, o céu escureceu. Nuvens cobriram a terra a chuva desabou sobre o mundo. A cabeceira do rio foi enchendo e logo tudo virou correnteza. Árvores foram arrancadas folhas deram lugar aos galhos pesados, as barrancas desmaiavam e sumiam devoradas pela fúria das águas.
O rio cresceu, ultrapassou as margens, derrubou cercas, foi crescendo até chegar à casa do homem. Avançou o jardim. Margaridas e rosas desapareceram. Quando veio o sol, veio também a desolação. Tinha que recomeçar e como é difícil recomeçar.
Diz essa lenda também que o homem fez o que pôde, sem olhar em direção ao rio. Seu peito era uma amargura só. Sua cabeça não ficava em silêncio. Então falou: - Por quê? Por que fez isto? Eu confiava em você, tinha certeza que isto não iria acontecer. Havia muito amor entre nós...
Amor que não merecia acabar assim. Não é só a lama que está no jardim, é a confiança que nunca mais será confiança, o amor que nunca mais será amor, é o adeus que será para sempre adeus...
Foi inútil o rio tentar explicar. Nunca mais se encontraram. Nunca mais a lua cantou naquele lugar e as águas daquele rio, como o coração daquele homem, nunca mais foram os mesmos. O homem mudou-se para muito longe e o rio, quando passava por lá, tentava não olhar, mas sonhava, bem dentro, em suas águas mais profundas, um dia ver ali, debaixo do ingá, quem nunca deveria ter ido embora.. "
Da mesma forma que esta bonita história acima, às vezes eu queria voltar no tempo para poder refazer o meu caminho, mas isso não é mais possível. É um caminho sem volta, somos fruto das nossas escolhas. Por que passei a maior parte da minha vida alimentando ilusões?
O bom é a gente ser realista e ter os pés no chão. Saber que não podemos tudo, que somos tão pequenos diante das coisas de Deus. Ser humilde perante a natureza e com relação ao nosso próximo.
Ando divagando, querendo me encontrar e ser feliz. Não tenho mais tempo, o pouco que me resta é curto. Não preciso de muita coisa para ser feliz. Olho a estrada da janela do carro que faz o percurso de Maceió a União dos Palmares. As imagens se distorcem. Revejo paisagens já bem conhecidas, pessoas passam apressadas em busca de seus rumos.
Adiante a paisagem muda. De urbana fica mais rural. A viagem prossegue e eu busco respostas, respostas que estão guardadas no fundo do meu coração. De volta a Maceió a angústia me persegue, mas é preciso continuar, a vida continua e nós somos simples passageiros por aqui.

sexta-feira, 4 de junho de 2010


Eleição do Conselho Tutelar de União

Olívia de Cássia – jornalista
(Texto e fotos)

Nesta quinta-feira, 3, aconteceu em União dos Palmares a eleição do Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente do município, com participação de 17 candidatos que concorreram a cinco vagas na entidade. Segundo informações que circularam no local da votação, a Escola Monsenhor Clóvis Duarte, seriam 18 candidatos, mas um não pôde participar porque o nome não constava na lista dos candidatos.

O pleito foi concorrido e parecia até uma eleição para vereador tal foi o nível da disputa e dos investimentos que foram feitos com o envolvimento de vereadores e políticos da região, a exemplo de João Caldas e sua assessoria, que compareceram ao local de votação, bem como o prefeito Kil de Freitas e o médico Beto Baia, além de vereadores e outras lideranças da cidade.
A eleição para o Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente em União dos Palmares, teve início as 8h da manhã desta quinta-feira e se estendeu até depois das 17h, quando estava previsto o final da votação, porque muita gente chegou para votar perto da hora do encerramento. Os portões da escola foram fechados mas foi garantido o direito de quem estava lá.
Filas enormes se formaram no local e a ansiedade de quem estava lá era visível. A comunidade compareceu ao chamamento dos candidatos para votar, mas a divulgação não foi muito ampla, mesmo assim foi participativa; eu nunca tinha ido votar para o Conselho e fiquei impressionada com o interesse que despertou, principalmente por estarmos num ano eleitoral onde essa eleição vai pontuar o desempenho das lideranças de União.
O promotor da Infância e do Adolescente, Dr Tácito Yuri, acompanhou tudo de perto. Alguns candidatos alegaram que circulou no local de votação uma chapa contendo cinco nomes, indicados como pessoas preferidas do Poder Executivo municipal. Na porta da escola e nas proximidades os cabos eleitorais se revesavam para distribuir papéis com o número dos candidatos ou levavam eleitores num clima de eleição majoritária mesmo.
Muita gente se aglomereou no local, curiosa com o resultado do pleito que causou insatisfação a quem não se elegeu e torcedores. Os conselhieotos tutelares de União terão três anos de mandato para exercerem um papael importante; 1.523 eleitores anularam o voto; 3.231 votaram em branco e 4.340 escolheram os cinco que vão dirigir a entidade.
Foram eleitos: Manoel Simeão da Adefup - 1.610 votos, Ana Peixoto - 1.260 votos, Anderson da Igreja - 1.642 votos, Elizabeth de Souza do Conselho - 1.314 votos e Madalena do Conselho - 1.370 votos.
No Brasil, os Conselhos Tutelares são órgãos municipais destinados a zelar pelos direitos das crianças e adolescentes. Sua competência e organização estão previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente e surgiram com a criação da Lei Nº. 8.069, de 13 de julho de 1990. Regimentalmente, o Conselho Tutelar é composto por cinco membros, eleitos pela comunidade para acompanharem as crianças e os adolescentes e decidirem em conjunto sobre qual medida de proteção para cada caso.
Devido ao seu trabalho de fiscalização, o Conselho tem autonomia funcional, não havendo nenhuma relação de subordinação com qualquer outro órgão do Estado. Talvez seja por conta dessa garantia de independência na lei que muita autoridade fica de olho nessa eleição.
Tem gente que se candidata a um cargo de conselheiro achando que vai ganhar apenas um salário, que no interior chega a R$ 1.200, mas a responsabilidade de quem atua nessas entidades é muita. Ninguém pense que passará por um Conselho Tutelar apenas para isso. É preciso que a comunidade acompanhe o desempenho de cada um.

terça-feira, 1 de junho de 2010



Deputados destrancam pauta e aprovam vários projetos na ALE

Olívia de Cássia – jornalista

Depois de um intervalo sem apreciar projetos e com a pauta trancada, os deputados fizeram o dever de casa na tarde desta terça-feira, 1º, e aprovaram vários projetos que se encontravam nas gavetas da Casa. Com a presença 17 deputados, o deputado Alberto Sextafeira (PSB) solicitou em requerimento verbal a suspensão da sessão para que os deputados, em entendimento de lideranças, analisassem as matérias que estavam pendentes na ALE.

A sessão retomou por volta das 17h30 e foi presidida pelo presidente Fernando Toledo (PSDB), de volta à Casa depois de uma licença particular de quinze dias. Os vetos governamentais que estavam trancando a pauta da Casa foram apreciados quando o quorum diminuiu e estavam no plenário apenas 15 parlamentares.
A plenária votou várias matérias de origem do Executivo estadual que estavam pendentes nas comissões temáticas da Assembleia Legislativa, como foi reclamado na semana passada por deputados da oposição. Três vetos estavam engessando os trabalhos dos parlamentares, entre eles o veto parcial ao Projeto de Lei Complementar nº 32/09 – que altera a Lei Orgânica da Procuradoria-Geral do Estado – mantido por unanimidade pelos parlamentares presentes à sessão.
Também foi mantido o veto total ao projeto de lei nº 548/2009, de iniciativa do deputado Maurício Tavares (PTB), que determina aos hospitais, casas de saúde e às clínicas conveniadas com o Sistema Único de Saúde (SUS) a colocarem, em local visível e de maior circulação de público, o seguinte dizer: “Temos convênio com o SUS”.
Durante a sessão plenária, os parlamentares também analisaram e votaram pela manutenção do veto parcial ao projeto de lei nº 33/2007, de autoria do deputado Edival Gaia Filho (PSDB), que tinha por finalidade proibir o depósito prévio – a chamada caução – para internação em hospitais públicos e privados no Estado.

O deputado Judson Cabral (PT) lamentou o posicionamento do plenário, alegando que tanto o projeto de lei nº 548/2009 quanto o de nº 33/2007 eram de grande alcance social. “Projeto semelhante a esse já foi sancionado em alguns estados, inclusive no Rio de Janeiro. Ele coíbe o abuso de algumas instituições, que se aproveitam das pessoas nos momentos de grande desespero, quando se encontram com um familiar em situação de emergência”, observou o petista.


Bancada do PT vota contra projeto de precatórios por achar valores pequenos


A bancada do Partido dos Trabalhadores votou contra o projeto que regulamenta pagamento de precatórios de pequeno valor, por considerar que o Executivo poderia avançar nessa questão. O projeto de lei estabelece valor para os débitos judiciais a serem pagos mediante Requisição de Pequeno Valor (RPV) pela administração pública direta e indireta do Estado de Alagoas.
O deputado Paulão disse que a oposição no Legislativo votou contra a matéria, sem o objetivo de prejudicá-la, mas em protesto contra a ausência de debate na Casa. “A oposição votará contrária porque os valores são muito pequenos frente à grande expectativa dos milhares de servidores”, comentou Paulão, sendo referendado pelo colega de bancada Judson Cabral.
“O Governo do Estado deveria colocar o valor ao menos entre cinco ou seis mil reais. Não vamos prejudicar a matéria pedindo adiamento, devido ao prazo para apreciação do projeto. Votamos contra apenas em protesto, porque a medida não atende por completo a necessidade do servidor”, avaliou.
Paulão observou que o servidor que já ultrapassou os 60 anos de idade e é portador de doença em estado terminal deverá aceitar o pagamento do irrisório valor devido ‘a um momento de desespero’. “O ideal seria se o Governo somente abatesse os pouco mais de três mil reais no valor total a que um servidor tem direito, no caso daqueles que esperam receber vinte ou trinta mil reais, por exemplo, deixando o restante como precatório”.
Segundo o petista, o processo foi encaminhado ao Legislativo de forma ‘açodada’. “O secretário de Estado da Fazenda veio a esta Casa, hoje à tarde, e me disse não haver um estudo de impacto ambiental acerca deste tema”, complementou o deputado. (Com informações da Ascom/ALE e de Bruno Soriano, da Gazeta WEB)

O nascimento de Amaralinda

  Olívia de Cássia Correia de Cerqueira Num ambiente rústico e carente, com escassez de recursos viveram Salomão Celestino e Carmem Celestin...