sábado, 21 de novembro de 2015

Consciência negra é celebrada no Estado

Olívia de Cássia - Tribuna Independente \ Portal \Primeiro Momento

Hoje, 20 de novembro, é celebrado o Dia Nacional da Consciência Negra, data da morte de Zumbi dos Palmares, último líder do maior do quilombo do período colonial do país, o Quilombo dos Palmares. Nessa data, os olhos do mundo se voltam à Serra da Barriga, local onde Zumbi se estabeleceu com mais de 20 mil refugiados: índios, negros e brancos.
Hoje, 20 de novembro, é celebrado o Dia Nacional da Consciência Negra, data da morte de Zumbi dos Palmares, último líder do maior do quilombo do período colonial do país, o Quilombo dos Palmares. (Foto: Paulo Tourinho)
A data é também feriado em mais de mil cidades brasileiras e para o movimento negro é um  dia é de reflexão. Comemorado há mais de 30 anos por ativistas, a data foi incluída em 2003 no calendário escolar nacional, mas somente com a Lei 12.519 de 2011 foi instituído oficialmente o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra.
Nessa data, os olhos do mundo se voltam à Serra da Barriga, local onde Zumbi se estabeleceu com mais de 20 mil refugiados: índios, negros e brancos. (Foto: Paulo Tourinho)
Militante do movimento, pesquisador do Neab – Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal de Alagoas e técnico pedagógico da diversidade da Secretaria Estadual de Educação, o professor  Zezito Araújo observa que o 20 de novembro cria várias expectativas para o segmento negro.
“O que nós percebemos, a partir da década de 1980, é que a data tem uma perspectiva política no sentido amplo, de resgate da história do povo negro, de uma forma geral”, pontua. Segundo ele, é preciso refletir sobre os ganhos e conquistas, onde os negros estão presentes.  “Nesse sentido eu acredito que o 20 é um momento de reflexão. Nós não celebramos nada”, observa.

CONQUISTAS

Zezito Araújo destaca que a população negra teve algumas conquistas de ordem pública. Ele cita a Lei 10.639 de janeiro de 2003, que em seu Art. 26-A, que determina que nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre história e cultura afro-brasileira.
Militante do movimento, pesquisador do Neab – Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal de Alagoas e técnico pedagógico da diversidade da Secretaria Estadual de Educação, o professor Zezito Araújo observa que o 20 de novembro cria várias expectativas para o segmento negro. (Foto: Olívia de Cássia)
Essa lei, segundo ele, é fruto da militância do movimento negro e assumida por setores avançados da sociedade. Foi uma das primeiras leis assinadas pelo presidente Lula e significa o reconhecimento da importância da questão do combate ao preconceito, ao racismo e à discriminação na agenda brasileira de redução das desigualdades. 
Outra conquista apontada pelo professor são as diretrizes: “Elas vêm regulamentar a implementação e a aplicação da lei. Implementação das diretrizes curriculares nacionais para educação das relações etnicorraciais e para o ensino de história e cultura afrobrasileira e africana”, pontua.
Zezito Araújo destaca que a legislação proporcionou uma mudança radical nesse sentido.  “Nós não pensamos o 20 de novembro só na Semana Nacional da Consciência Negra; é todo dia; são algumas práticas que o estado brasileiro assumiu. Nós já criamos espaços de discussões, já criamos políticas que ou são aplicadas diretamente ou monitoradas por nós”, explica.

Professor destaca que é preciso fiscalizar e cobrar aplicação da lei

Zezito Araújo ressalta que é preciso cobrar e fiscalizar a aplicação da Lei 10.639; em Alagoas e observa que o movimento negro, nesse sentido, não tem se mobilizado para isso. “Eu tenho percebido que precisamos nos organizar, ser mais efetivos para cobrar a implantação da lei”, destaca. Segundo ele, é preciso que o movimento negro faça mais pressão junto ao Estado e municípios.
“É esse contexto que eu vejo na área de educação e na área cultural. Na área das relações sociais, são gritantes os índices de assassinatos de jovens negros, de 15 aos 29 anos. O que chama a atenção é o genocídio dessa população; é a faixa etária onde mais se elimina pessoas negras”, argumenta.
O professor diz ainda que essa estatística está vinculada à falta de oportunidade desses jovens, nos municípios onde há o maior índice de assassinatos dessas populações. “Não vemos políticas públicas, a não ser a repressão do Estado, por meio das polícias, tanto Militar quanto Civil”, avalia.
Zezito Araújo ressalta que é preciso cobrar e fiscalizar a aplicação da Lei 10.639; em Alagoas e observa que o movimento negro, nesse sentido, não tem se mobilizado para isso.
Segundo ele não se justifica a fala de algumas autoridades “que legitima o crime ou não se faz um processo investigativo efetivo, que diz o seguinte: o envolvimento com drogas; generaliza como se fosse um passe para autorizar aquele adolescente a ser assassinado por um grupo, ou então a omissão de não se fazer uma investigação para punir os assassinatos”, ressalta.
O coordenador do Neab destaca também que não são oferecidos equipamentos públicos para que esses jovens tenham atividades como: escola de qualidade, em tempo integral; uma discussão étcnicorracial, entre outras questões.
Segundo ele, tem outras variantes que contribuem para que a violência apareça e vitime esses jovens, que na sua maioria são analfabetos, que não passam mais que dois anos em sala de aula, “e a droga e a violência captam eles”, observa.  Zezito pontua que é necessário um olhar especial de outros setores da sociedade para essa questão da violência contra esses jovens.

Quilombolas estão à margem de todo processo de política pública

O professor Zezito Araújo observa que os quilombolas em Alagoas estão à margem de todo o processo de política pública. No Estado, segundo ele, são 69 comunidades certificadas; são locais submetidos a um estudo histórico, topográfico e antropológico de reconhecimento, que é encaminhado à Fundação Cultural Palmares e ela emite um documento dizendo que aquela comunidade é de remanescente quilombola.
“Essas comunidades estão dentro do quadro de maior incidência de miséria e pobreza no Estado; estão desprovidas de todo de políticas sociais tanto municipais, quanto estadual ou federal efetiva, que possa transformar essas comunidades”. O professor pontua que o índice de analfabetismo e miserabilidade é altíssimo e que as drogas já estão presente também nessas comunidades.

MUQUÉM

A comunidade quilombola do Muquém, em União dos Palmares, afetada profundamente pela enchente de 2010, pode perder a identidade, segundo o Zezito Araújo. Ele explica que o espaço territorial e de produção de conhecimento; da tradição, da forma como foi feita a mudança no local, depois da enchente, desarticulou totalmente o sentido de comunidade.
Moradora do Muquém, dona Irinéia Rosa Nunes da Silva é uma mulher simples; patrimônio imaterial do Estado e assim como os demais moradores do local sobrevive da confecção de panelas e peças de barro. (Foto: Olívia de Cássia)
“Com o novo espaço organizado sem consultar a população local, está destruindo as tradições.  Em nenhum momento você vê o respeito à comunidade.  Ao chegarem a essas comunidades não levam em consideração as tradições. Essas comunidades quilombolas vivem de prática agrícola, criação de animais, artesanato de barro, entre outras atividades”, destaca.
Moradora do Muquém, dona Irinéia Rosa Nunes da Silva é uma mulher simples; patrimônio imaterial do Estado e assim como os demais moradores do local sobrevive da confecção de panelas e peças de barro.
Na última visita que a reportagem fez a sua casa ela reclamou que a tradição da arte do barro pode acabar no local, porque os netos e as filhas não querem saber de aprender a fazer as cabeças e outras peças de barro.

 Programação dos 320 anos da morte de Zumbi finalizará com show de Mart’nália

A programação cultural desta sexta-feira à noite, na Praça Basiliano Sarmento, em União dos Palmares, em celebração aos 320 anos da morte de Zumbi, será encerrada com um show da cantora Mart’nália. As atividades em União dos Palmares vêm acontecendo desde o dia 17 e nesta sexta acontecem durante todo o dia; contará com a presença do governador Renan Filho, do ministro Juca Ferreira, entre outras personalidades de destaque.
A presidente da Fundação Cultural Palmares, Cida Abreu, ressaltou a importância da data e disse que faz parte do calendário nacional, especial em Alagoas e União dos Palmares e que foi  elaborado em conjunto com o Governo do Estado, os religiosos e os fazedores e ativistas da cultura de Alagoas e União.
A presidente da Fundação Cultural Palmares, Cida Abreu, ressaltou a importância da data e disse que faz parte do calendário nacional, especial em Alagoas e União dos Palmares e que foi elaborado em conjunto com o Governo do Estado, os religiosos e os fazedores e ativistas da cultura de Alagoas e União. (Foto: Olívia de Cássia)
Segundo ela, essa contribuição é extremamente positiva para se inaugurar uma nova agenda na relação Palmares e os governos estadual e municipal. “A nossa agenda é bem extensa; está distribuída em toda a cidade de União e alguns mocambos, que são espaços de resistência negra e envolve não só a cultura de matriz africana, mas também as comunidades quilombolas locais, no sentido de a gente recuperar e afirmar a importância desse patrimônio cultural nacional que é a Serra da Barriga”, pontuou.
Cida Abreu explica ainda que a programação para as atividades comemorativas aos 320 anos da morte de Zumbi foi pensada em três contextos. “O contexto de União, observando a programação local; o Estado, que também apresentou uma proposta; a gente ouviu uma consulta pública que envolve os movimentos culturais e religiosos do Estado e a Fundação Cultural Palmares, que trouxe a sua proposta de ações nacionais”, explicou.
Segundo a presidente da FCP, a presença dos quilombolas no evento é importantíssima, “para que a gente possa ter a legitimidade da atividade fortalecida dentro do patrimônio cultural brasileiro”, observa.  Segundo  a assessoria da FCP, nas atividades também há o convite à sociedade para refletir, denunciar o racismo; além de reconhecer a contribuição que a tradição ancestral africana deu para a formação das diversas matrizes da cultura brasileira foi e sempre será o maior legado do herói nacional Zumbi dos Palmares. 

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Audiência Pública na Assembleia discute “Os Caminhos das Políticas Negras, em Alagoas”

Por Olívia de Cássia \ foto: Olívia de Cássia \ arquivo


Ainda como parte das comemorações do Mês da Consciência Negra, na segunda-feira, 23, a partir das 9h, a Assembleia Legislativa realiza a sessão pública “Os Caminhos das Políticas Negras, em Alagoas”.

A sessão é de autoria do deputado Ronaldo Medeiros, por solicitação da coordenadora do Instituto Raízes de África, para debater sobre a realidade do povo negro, em Alagoas. “ O tema é de fundamental importância, para que se amplie o debate do combate ao racismo. Eu apoio essa ação e parabenizo o governador Renan Filho pelo apoio ao movimento”, disse Medeiros.

Na audiência pública também será discutido o Fundo Estadual de Políticas para a Promoção da Igualdade Racial e segundo Arísia Barros, a ação é a primeira grande convergência da sociedade civil e do governo  e traz o ineditismo de  transformar Alagoas, no primeiro estado no Brasil a lançar lei desse teor.


O projeto de lei que cria, objetiva garantir, por meio das receitas do Estado, disposição de recursos, para o financiamento de políticas públicas, com ênfase na questão negra. O fundo financiará ações de  capacitação, aperfeiçoamento e promoção da igualdade, englobando comunidades quilombolas, indígenas e religiões afro-brasileiras, fazendo assim o enfrentamento aos danos às vítimas de violência do racismo.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Do palco às ruas, Confraria Nós Poetas vai se destacando e levando sua poesia em cada canto do Estado

Olívia de Cássia – Repórter \ Repórter Primeiro Momento


A Confraria Nós Poetas começou com um encontro de cinco amigos, no Baba Som, um bar de roqueiros, no Conjunto Santo Eduardo. A ideia original do grupo era publicar o livro ‘Nós Poetas’, segundo Eduardo Proffa, professor e poeta que já tem vários trabalhos publicados.
Eduardo Proffa comenta que propôs aos amigos fazer um livro: “Quando eu lancei o “Hopedaria” (seu livro de poesias), Guilherme Ramos Miranda, do Sesc, propôs que fosse feita uma atividade lá e foi surpreendente", destaca. Fotos: Paulo Tourinho
 “Eu já tenho um trabalho de poesia e me senti incomodado com amigos que têm poesias, musicalidade e não tinham publicado nenhum livro; isso me incomodava de uma forma angustiante, que eu não achava que tanto talento ficasse guardado debaixo da gaveta”, comenta.  
Eduardo Proffa comenta que propôs aos amigos fazer um livro: “No começo eles ficaram em dúvida. Quando eu lancei o “Hopedaria” (seu livro de poesias), Guilherme Ramos Miranda, do Sesc, propôs que fosse feita uma atividade lá e foi surpreendente. O recital do Sesc abriu várias portas pra gente”, destaca.
A poesia contagia e atualmente o grupo se apresenta em recitais do Sesc, escolas, alvoradas poéticas, escolas e diversos locais e tem mais de mil confrades numa página do Facebook; uma amizade virtual que transformou-se em algo real, palpável.
Eduardo Proffa conta que em três recitais o grupo já colocou cerca de 1.500 pessoas; queriam sair do comum e surgiu a ideia de fazer os movimentos da poesia e foi colocada sonorização. “A gente declamava dentro da melodia; isso foi num primeiro momento. Num segundo momento, declamamos nas praças, nas ruas, fazendo recitais; no Quintal Cultural, escolas, entre outros lugares”.
Proffa, que é paulistano e alagoano de coração, comenta ainda que em outra atividade do Sesc, com fotografia, foi feita uma atividade num dia de chuva e mesmo assim foi um sucesso. “Debaixo de um dilúvio, pensávamos que não ia ter ninguém na atividade e tinha muita gente. Assustadoramente fantástico”, avalia.
O grupo é feito de coragem e da sensibilidade que a poesia proporciona; atualmente está com uma exposição no anexo do Teatro Deodoro, até o mês de dezembro. São 30 poetas que convidaram fotógrafos e fizeram as fotos em cima da temática das poesias.
Ele conta que dessas atividades foram surgindo outras oportunidades para o grupo e abriram as portas. Daí Eduardo Proffa diz que receberam o convite de Carlito Lima para participarem da Flimar (Festa Literária que aconteceu de 11 a 14 último).
O grupo fez uma alvorada poética, com apresentação no evento e colocaram um box com os livros dos poetas da Confraria. Pelas ruas da cidade de Marechal Deodoro, no último sábado, eles saíram pelas ruas da cidade declamando suas poesias e foi um sucesso na comunidade.
“Dividimos dois grupos um foi para uma parte da cidade e outro em outro local e terminou no palmo, maravilhoso; só emoção”, exalta. No dia 25 de novembro a Confraria vai fazer uma tarde de autógrafos, com livros de poetas do grupo.  
Pedro César, confrade,  está lançando um novo trabalho ‘A Palavra vira poesia’, que tem 50 poesias comemorando os 50 anos de vida do autor. Ele diz que a publicação é uma comemoração para celebrar a data e a temática do livro é o amor.
“A palavra de ordem é amar; nesse livro as pessoas vão encontrar diversas formas de amar; o amor ao próximo, no ato de você acolher, de cuidar do próximo; o amor retratado na passagem bíblica, em Corintos, que fala do amor que não tem inveja nem vaidade; além da temática do relacionamento de duas pessoas que se conhecem numa clínica terapêutica”, explica.
Geo Santos é um dos fundadores da Confraria e diz que até então as poesias eram colocadas apenas no Facebook e  partir desse encontro no Santo Eduardo nasceu a ideia da Confraria e por meio do grupo surgiu a oportunidade de lançar o livro.
“Sou um dos sócios fundadores, mas já escrevia poesia na adolescência, inclusive na abertura da minha parte poética no livro, eu coloco que já no grupo escolar eu fiquei encantado com aa A fonte e a flor, que é uma poesia de Vicente de Carvalho”, pontua.
Ele termina a entrevista recitando um poema seu dedicado aos jornalistas franceses da revista Charlie Hebdo, alvo de um ataque mortal de um comando jihadista em janeiro de 2015.

Jornalista mambembe, Mário Lima inova e diz que onde tem cultura ele está

Olívia de Cássia - Repórter\ Primeiro Momento


O jornalista Mário Lima, atualmente como free-lance, está fazendo incursos culturais em feiras e eventos. Mário já foi repórter sênior de vários jornais no Estado, trabalhou na assessoria do Governo e agora está apostando em cultura.

Segundo ele, a ideia dos quadrinhos foi  influenciada na decoração de casas populares nas periferias do interior, onde se  vê aqueles quadros com imagens da família, misturados com santos.. Foto: Paulo Tourinho

 A reportagem o encontrou com um box na Festa Literária de Marechal Deodoro, onde falou de suas atuais atividades. Agora está fazendo incursões culturais em feiras e eventos, onde expõe CDs de rock in roll e discos de artistas da MPB que não se encontra facilmente nas lojas, ou quadrinhos com fotos de artistas, fazendo uma mistura, um caldo de cultura.
Segundo ele, a ideia dos quadrinhos foi influenciada na decoração de casas populares nas periferias do interior, onde se  vê aqueles quadros com imagens da família, misturados com santos.
“A concepção é colocar três quatros quadrinhos nos cantos de parede; um ensaio tipo interior de Alagoas, onde você mais vê um santinho, um pai, uma mãe, uma foto antiga, aí eu pensei em fazer: agora faço uma coisa mais moderna com arte pop, com símbolos icônicos, atores e atrizes de cinema, pintores. Chama-se ‘quadritos’; eu já registrei, o nome é meu”, observa.
Mário Lima diz que é mambembe: “Estou sempre em feiras, vou começar este domingo na praia fechada da Pajuçara, comecei na Praça do Centenário, no projeto da Prefeitura; sempre estou levando. Sou um guerrilheiro cultural, onde tem espaço eu estou chegando”, comenta.
No espaço, além dos CDs e outros itens de cultura, Mário expôs seu livro que lançou ano passado, sobre o jogador Mané Garrincha.
“Conto a história do seu Amaro, que era o pai dele, índio de Quebrangulo, a ancestralidade do Garrincha não fui eu quem descobriu, foi o Rui Castro (escritor e jornalista), que é o grande biógrafo de Garrincha, que escreveu a Estrela Solitária, fui atrás desses lugres, fui a Quebrangulo para ver se achava alguma pista do pai dele; Águas Belas”, explica.
O jornalista conta que fez um ensaio biográfico para um curso de especialização da pós-graduação em Jornalismo Esportivo, do Instituto Pitágoras de Belo Horizonte e terminou virando livro. “Dessa minha busca que é mais um tributo pois eu sou botafoguense roxo e terminou o livro de uma tese de pós graduação”, finaliza.. 


segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Flimar deixa saudade

Olívia de Cássia - jornalista

Quatro dias de muita cultura, música, poesia e literatura foram vividos pelos moradores da cidade turística de Marechal Deodoro, durante a Flimar, idealizada pelo secretário de Cultura do município, Carlito Lima, o nosso Capita.


Ali, escritores, poetas, cantores, atores, artesãos e artistas diversos interagiram com a comunidade, principalmente as crianças, que se encantaram com tudo aquilo. O poeta Jorge de Lima e o cantor Nando Cordel foram os principais homenageados.
 O escritor Ovídio Poli Júnior, da Feira de Paraty, falou a respeito das festas literárias e disse que é uma ferramenta que aproxima os participantes. “Escrever é uma espécie de convivência permanente com o outro”, disse ele.
Segundo o escritor, a literatura é uma forma de comunicação entre os homens e que uma festa literária aproxima as pessoas e exercita a arte do encontro. É um dos poucos instrumentos que permite o reconhecimento social do escritor; não há política sem palavras; o silêncio é o território das ditaduras”, disse ele.
Segundo Ovídio, ver o escritor Inácio de Loyola Brandão rodeado de crianças, na saída do auditório da Flimar, é cena que não se apaga da memória. “E para algumas crianças de Marechal, essa foi a primeira vez que tiveram contato com um escritor”, pontuou.
O escritor falou ainda de história, da história do nosso país que se tornou literatura. “Estamos aqui hoje regando o chão da casa do Marechal Deodoro. Quando a literatura ganha as ruas, amplia-se o canal de comunicação, para que a literatura sirva de reflexão. É nas festas literárias que a literatura pode ser democratizada e difundida para todos”, observa.
O contista disse ainda que o sequestro da palavra conduz ao inferno, “ao racismo, ao machismo, à homofobia e ao terrorismo”. O escritor ainda citou Graciliano Ramos, Guimarães Rosa e vários outros escritores brasileiros.
Ovídio disse ainda que a importância das festas literárias é difundir as diversidades culturais, num país de dimensões continentais e promover a arte do encontro, do que a geografia e a história distanciaram.
A bisneta do poeta Jorge de Lima esteve na homenagem a seu bisavô e disse que a família se sente muito agradecida pela honraria que os alagoanos concedem ao poeta. Pena que não vi na plateia nenhuma autoridade da minha terra, para prestigiar o evento, que homenageou um palmarino.
O jornalista, poeta, escritor, especialista na obra de Jorge de Lima, Claufe Rodrigues, que participou pela terceira vez da festa de Marechal, disse que sua poesia se divide em duas fases: antes de conhecer a obra do poeta e depois que conheceu os poemas de Jorge. “Jorge é meu padrinho poético”, disse ele.
A Flimar teve contação de história para crianças, com a Flimarzinha e contato delas com textos de autores, fazendo com que se aproximem da literatura e da arte. No final da tarde do sábado as crianças saíram pelas ruas, cantando músicas de Nando Cordel e recitando poemas de Jorge de Lima. De parabéns, Carlinto Lima e que venham outros eventos maravilhosos e aglutinadores como a Flimar.

domingo, 15 de novembro de 2015

Encerramento da Flimar foi de muita poesia, música e animação

Evento cultural teve a participação do poeta Claufe Rodrigues e Mônica Montaine; noite foi encerrada com show do cantor Nando Cordel, um dos homenageados da festa. Foto: Olívia de Cássia

Olívia de Cássia – Repórter

Terminou neste sábado, 14, com muita poesia e música a VI Festa Literária de Marechal Deodoro (Flimar), que este ano homenageou o poeta Jorge de Lima e o cantor Nando Cordel, que finalizou a noite com um grande show e se fez presente à festa todos os dias e participou ativamente do evento, interagindo com a população local, principalmente as crianças.

Alunos das escolas do município também participaram da Flimarzinha, que teve contação de história e visita de escritores que participaram do evento. Depois de atividades nas tendas que foram armadas para atividades lúdicas, as crianças saíram pelas ruas do município com o Cortejo Literário, cantando músicas de Nando Cordel, acompanhadas do ator Chico de Assis.

Em cada parada as crianças recitavam trechos dos poemas do poeta alagoano e palmarino Jorge de Lima. O cantor Nando Cordel disse que a homenagem é muito importante para sua vida. “Estou dizendo isso para tudo mundo; de todas as homenagens que recebi, lá fora, essa para mim é a mais importante. Estou muito honrado e muito feliz em estar aqui”, observou.

O prefeito Cristiano Matheus disse que a Flimar, que aconteceu de 11 a 14, está consolidada para Alagoas e para o Nordeste. “É uma festa literária que reúne grandes escritores e pessoas que gostam, de cuidar da cultura. Já está no calendário de Alagoas e Marechal Deodoro e significa muito para a cidade, porque nós envolvemos as crianças, o público maravilhosos e a gente fica muito feliz”, pontuou.

Segundo o prefeito, a cada ano, a população está se envolvendo mais “e os artistas que nos visitam ficam encantados também com nosso trabalho”, comentou. O  idealizador da Flimar, Carlito Lima, falou que a festa foi além das expectativas e consolidou a Flimar uma das melhores festas literárias que tem no Brasil.

“Isso foi unanimemente dito por todos que estiveram aqui, não só de Maceió, como de fora; que foi um evento bem organizado. O mais importante não é só a festa; termina hoje e amanhã  as crianças estão com a cabeça aberta, pois o maior incentivo nosso é estimular  a leitura, a cultura e isso aí nós alcançamos”, destacou.

Carlinto Lima também comentou que uma professora estava comentando que tem 30 anos de magistério e nunca viu umas crianças tão interessadas em ler como as de Marachal Deodoro. Um prazer homenagear o poeta Jorge de Lima, que nasceu em União dos Palmares”, pontuou.
A Flimar também teve a participação da bisneta de poeta Jorge de Lima Pilar, que agradeceu a homenagem e disse que a família se sente muito feliz com o carinho que os alagoanos têm pelo sei avô.

A ousadia do Secretário de Cultura de Marechal Deodoro, Carlito Lima, foi destacada por  todos os que se apresentaram no encerramento da festa, que contou com poesias musicadas do jornalista, poeta e especialista em Jorge de Lima, Claufe Rodrigues, da jornalista, cantora e poeta Mônica Montone.

No final da manhã aconteceu uma mesa redonda sobre a história política e o movimento estudantil, que teve a participação do ex-governador Ronaldo Lessa.  “Me sinto muito emocionado em participar do evento, que sai de uma cabeça maravilhosa como a do Carlito, que acredita, que faz, que realiza. Eu hoje estava me lembrando dos festivais de verão, quando a gente era estudante; os momentos que a gente já viveu aqui”, comenta.

Segundo Ronaldo Lessa, fazer cultura, fazer história é isso. “Você movimentar todo o acervo que tem e produzir não só para poder conservar o que a gente já tem de memória, mas para ter palestras como essa, que traz uma plêiade de pessoas que podem falar sobre experiências de vida”, destaca.
O ex-governador disse ainda que a Flimar é muito importante para  essa referência. “O caminho é esse; temos as crises, mas é possível superar. Está de parabéns esse cidadão Carlito Lima pelo sucesso do evento que é fantástico”, pontuou.


O Encerramento do evento teve ainda mesas redondas com escritores como Inácio Loyola Brandão; declamação de poesias, homenagem à pianista Selma Brito e entrega de troféus a personalidades patrocinadoras e colaboradoras. 

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

A alma da gente


Olívia de Cássia – jornalista

Vivemos sempre esperando que o dia de amanhã seja melhor do que o que estamos vivendo, como diz a música. Tem dias que a gente fica um pouco encolhida, introspectiva e só quer um lugar para ficar sossegada; ouvindo uma boa música; lendo um bom texto, sem que o mundo não lhe perturbe o juízo.

Nessas horas, a gente fica mais sensibilizada com as tragédias e acontecimentos rotineiros, mais emotiva, me ponho a meditar a respeito de certas questões bem particulares e universais. Não sei se isso acontece também com outras pessoas, mas comigo é assim.

O mundo está confuso e complexo, cheio de violência, maldade e às vezes até agradeço a Deus não ter colocado filho no mundo, como disse Machado de Assis. Analisando bem, eu não teria tido capacidade de administrar uma família; filhos e tudo o que isso implica ou significa no dia a dia.

Nessas horas, lembro muito de algumas passagens da minha vida. Admiro muito quando vejo alguém organizado, não nego. Existem pessoas que possuem mais ou menos os mesmos sentimentos que os meus, mesmo que esses sentimentos muitas vezes pareçam muito loucos.

A gente vai, ao longo dos anos, construindo a nossa personalidade com aquilo que adotamos como filosofia ou prática de vida, com o s exemplos que nos foram passados. Eu decidi ser feliz, apesar das minhas limitações que a saúde me impõe.

Espero que não seja tarde ainda. Para uns isso pode ser chamado de modo de viver, rotina, ou seja lá o que for isso. Minha rotina não tem mudado muito de um tempo para cá, mas me pego pensando, constantemente, como se ainda tivesse vivendo muitos anos antes, na juventude tão querida e complicada, antes de tudo.

Emaranhadas e complexas essas minhas divagações, mas isso tudo é apenas uma maneira de viver, questão de ir construindo cada momento, de mim mesma, e tentando explicar o que vai em pensamentos; ora muito claros, ora confusos até.

Acredito no poder da mente; avalio que a liberdade é um dom divino e ser sozinha me mostrou isso, com o passar do tempo. Dizem que o poder da mente é uma realidade e que todos possuem essa capacidade, mas apenas alguns atingem os objetivos.

Tenho muitos caminhos a percorrer, ainda, até que eu entenda essas nuances  da mente humana. Decifrar as questões que a vida me dá é um desafio; num passado bem recente eu me rebelava contra situações pessoais e não queria entender as entrelinhas que a vida me dava, apesar da clareza dos fatos.

Com a mente embotada, aos poucos a realidade foi surgindo e me fortalecendo, apesar da dor. Nunca me julguei melhor do que ninguém; pelo contrário. A baixa autoestima sempre me acompanhou; estranhamente fui descobrindo aos poucos que carregava muitos ranços herdados do passado e esses sentimentos foram me fazendo uma pessoa menor.

Fui descobrindo o valor do perdão, do desprendimento: a simplicidade é tudo, não tem coisa melhor. Para que complicar a vida, se já temos tantos fardos? Nem por isso sou hipócrita ao ponto de deixar de querer e gostar de meu conforto tão sonhado que ainda não consegui ter.

Isso tudo, por pura incapacidade minha de lidar com questões materiais e administrativas do lar, dificuldade que sempre tive de organizar minha própria vida.  Sempre valorizei mais os outros do que eu mesma, sem saber que eu tinha uma força maior dentro de mim; que acreditar no meu potencial seria o caminho da libertação.


Achava que as ideias e conceitos pré-estabelecidos eram uma hipocrisia e estava sempre desafiando algumas regras, o que me custou algumas sequelas. Dizem por aí que os sonhos só existem pra amenizar a dor na escuridão da noite, eles aliviam nossos pesos e a alma da gente.  Para refletir. 

Experiência de quase morte

 Por Olívia de Cassia Cerqueira A experiência de quase morte para os transplantados, rendeu uma página da editoria de Cidades, especial para...