quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Major Izidoro registra 35 casos de Chikungunya

Zika Vírus aparece com 18 casos no Estado, sendo oito em Maceió

Olívia de Cássia - Repórter \ Tribuna Independente\ Tribuna Hoje \ Primeiro Momento
O município de Major Izidoro, no Sertão alagoano registrou este ano 35 casos de Chikungunya, segundo dados repassados na tarde de ontem pela Secretaria do Estado da Saúde (Sesau). É a primeira vez que os casos aparecem nas estatísticas da secretaria.
O médico infectologista Celso Tavares, autoridade no assunto, em outra oportunidade, falou à reportagem e observou que o Aedes aegypti é o grande vilão e que é preciso que se tenha vários cuidados para se evitar a infecção (Foto: Secom Maceió)
Já o Zica Virus teve 18 casos, sendo oito em Maceió; três em Mata Grande. Em Arapiraca; Colônia Leopoldina; Delmiro Gouveia; Maribondo; Murici; Santana do Ipanema e São Miguel dos Campos aparece com um caso em cada município.
Segundo os dados repassados pela assessoria da Sesau, em Alagoas foram registrados este ano 23.701 casos de dengue, um aumento de 58,2%, com relação a 2014 que registrou 14.973. Sobre a informação de que estaria havendo epidemia em Palmeira dos Índios não é verdade, segundo a Sesau.
Os municípios que aparecem em situação de epidemia de dengue são Inhapi e Mata Grande. Já Arapiraca; Cacimbinhas; Canapi; Dois Riachos; Estrela de Alagoas, Maravilha; Palmeira dos Índios, Olivença e Ouro Branco estão em situação de alerta.
Ainda segundo a assessoria, 43 municípios alagoanos estão sob controle por apresentarem taxas de incidência menos que 100 casos por 100 mil habitantes e 48 estão sem ocorrência de casos notificados.
Muitos alagoanos têm procurado os hospitais com sintomas de dengue, chikungunya e zika vírus, que são doenças semelhantes e transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti. Mas apesar da semelhança dos sintomas, as doenças têm tratamentos diferentes.

População precisa ser mais cautelosa com objetos que possam acumular água

O médico infectologista Celso Tavares, autoridade no assunto, em outra oportunidade, falou à reportagem e observou que o Aedes aegypti é o grande vilão e que é preciso que se tenha vários cuidados para se evitar a infecção. “Ele está forte; é preciso combater o mosquito com mais veemência”, avalia.
Segundo o especialista, a população precisa ser mais cautelosa com objetos que possam acumular água, que é o habitat do mosquito. Cuidados simples como manter a caixa d’água fechada; lavar semanalmente com escova e sabão os tanques utilizados para armazenar água.
Além desses cuidados, outros como encher de areia até a borda os pratos das plantas; colocar no lixo todo objeto não utilizado que possa acumular água e manter as calhas limpas são medidas de prevenção que podem evitar a infestação das larvas.

Zica Vírus foi isolado pela primeira vez em 1947

O Zika Vírus foi isolado, pela primeira vez, em 1947, num macaco Rhesus utilizado para pesquisas na Floresta de Zika, em Uganda, no continente africano. Aproximadamente 20 anos depois, ele foi isolado em seres humanos na Nigéria. Dali, ele se espalhou por diversas regiões da África e da Ásia e alcançou a Oceania. Possivelmente, ele entrou no Brasil trazido por turistas que vieram assistir à Copa do Mundo de Futebol, em 2014.
No nosso país, o vírus Zika encontrou o mosquito Aedes aegypti, também transmissor da dengue, da febre Chycungunha e da febre amarela. Macacos e seres humanos costumam ser os hospedeiros.
Segundo O Ministério da Saúde, os sintomas são semelhantes nessas doenças, porém menos graves na febre Zika: febre por volta dos 38 graus, dor de cabeça, no corpo e nas articulações, diarreia, náuseas, mal-estar. A erupção cutânea (exantema) acompanhada de coceira intensa pode tomar o rosto, o tronco e os membros e atingir a palma das mãos e a planta dos pés. Fotofobia e conjuntivite são outros sinais da infecção pelo Zika virus.
O período de incubação varia entre 3 e 12 dias após o contágio. A enfermidade é autolimitada. Em alguns dias, o organismo se encarrega de combater o vírus, que desaparece sem deixar sequelas.
Não existe vacina contra a doença, que é de notificação compulsória. A única forma de prevenção é combater os focos do mosquito Aedes, típico das regiões urbanas de clima tropical e subtropical, e que ataca principalmente nos períodos de muito calor e chuva, pela manhã e ao entardecer.

Moradores reclamam da falta de educação na comunidade

A reportagem percorreu várias ruas da região do Dique-Estrada, entrevistou os moradores e verificou que apesar de a Prefeitura de Maceió estar fazendo trabalho de recolhimento do lixo em alguns locais, a população continua jogando entulho e todo material de descartes nos canais e nas ruas.
apesar de a Prefeitura de Maceió estar fazendo trabalho de recolhimento do lixo em alguns locais, a população continua jogando entulho e todo material de descartes nos canais e nas ruas. (Foto: Adailson Calheiros)
Eletrodomésticos, pneus e outros materiais são jogados na rua. Os moradores entrevistados reclamaram da falta de educação da população e dizem que mesmo sabendo o dia que o carro do lixo vai passar, tem gente que jogo o lixo fora do contêiner e na beira do canal.
Na Avenida Senador Rui Palmeira, a população joga lixo no encostamento e dentro do riacho, o que tem aumentado a quantidade de mosquito. A marisqueira Fernanda Jenifer disse que nessa época do ano aumentou. “Está horrível; impossível, quando vai entardecendo eles vão aparecendo”, observa.  
Já seu José Euclides da Silva disse que mora na região há mais de 20 anos e que agora está mais ou menos e que diminuiu a quantidade de mosquito no local, porque o trabalho de limpeza, segundo ele, vem sendo feito.
Já seu José Euclides da Silva disse que mora na região há mais de 20 anos e que agora está mais ou menos e que diminuiu a quantidade de mosquito no local, porque o trabalho de limpeza, segundo ele, vem sendo feito. (Foto: Adailson Calheiros)
No Conjunto Joaquim Leão, Elinaldo José dos Santos disse que a proliferação de mosquitos é grande, por causa da valeta (o canal) e do calor que está fazendo em Maceió. Ele mora numa casa que fica em frente ao riacho e disse que quando chega ao meio da tarde os mosquitos começam a incomodar.
Na borda do canal foram plantados alguns pés de coqueiro, mas alguns espaços foram tomados por lava-jatos e até cercadinho para cavalos. “À noite tem que usar mosqueteiro, daqui a meia hora eles (mosquitos) saem das plantas e entram nas casas”, comentou seu Elinaldo José.
Segundo ele, a coleta de lixo está sendo feita, mas no final de semana junta muito lixo  e consequentemente muito mosquito. “As pessoas não têm educação; jogam até tampa de guarda-roupa no canal. A maré agora está secando e todo o lixo está escorrendo para dentro da lagoa”, destacou.
Na Rua Bom Jesus dos Navegantes, travessa com a Cabo Reis, a proliferação de mosquito é grande. Um menino tirou uma mostra da água do canal e veio com larvas do mosquito. Segundo os moradores, faz nove meses que o canal foi limpo e por isso está muito sujo.
Nilton Sarmento é morador do local e estava jogando dominó com outros homens do bairro em uma oficina. Ele disse que os moradores são piores, que não dão exemplo. Na avaliação de Nilton, a Prefeitura deveria sensibilizar a população para não jogar o lixo em locais indevidos.
“Hoje mesmo chegou um cara aqui e jogou lixo dentro da água. Deveria colocar um contêiner, para o pessoal jogar material, já que aqui é um bairro pobre e tem muito carroceiro que vem e faz o descarte”, comentou.
Outros moradores que estavam com Nilton Sarmento sugeriram que os vereadores deveriam se juntar para fazer o calçamento da rua e a limpeza regular do canal. “Quando chegar a eleição eles vêm aqui e prometem tudo”, disse um deles que não quis se identificar.
Joelma Maria do Nascimento mora no local há 23 anos e tem comércio no bairro. Ela disse que já fez várias denúncias a respeito do descarte de lixo no local e do acúmulo de lixo. O que prejudica a comunidade, segundo ela, é a falta de limpeza no canal.
Joelma Maria do Nascimento mora no local há 23 anos e tem comércio no bairro. Ela disse que já fez várias denúncias a respeito do descarte de lixo no local e do acúmulo de lixo. O que prejudica a comunidade, segundo ela, é a falta de limpeza no canal. (Foto: Adailson Calheiros)
“Esse canal, nunca limpam; é muita sujeira, muito mosquito. Os próprios moradores contribuem com a sujeira e até comerciantes. Ninguém tem educação, tem gente sabendo que o lixo vai passar, antes das nove ou depois e sempre vem colocar o lixo aqui. A pessoa está vendo que o lixo ainda vai passar, mas joga na água”, ressalta.
Joelma Maria conta que já fez várias filmagens do pessoal jogando lixo na beira do riacho e no leito. “Não tem jeito: a prefeitura não ajuda, a população, pior ainda. Sou comerciante aqui há 15 anos, tenho uma loja de autopeças e lanchonete; toda vida foi isso. Quando chove fica um lamaçal”, destaca.
A comerciante diz ainda que fez umas quatro reclamações na prefeitura, mas que não foi atendida em seu pleito.  “Já saí em várias reportagens reivindicando melhorias para o bairro, mas nem assim fui atendida”, reclama.
Ainda segundo Joelma Maria tem morador de outros bairros que também vão até o local e jogam resto de comida; vísceras de galinha e penas e outros descartes; restos de alimentos vencidos de supermercados próximos”, entre outras irregularidades.  

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Alagoanos desenvolvem rede social exclusiva para educação

Professor Beto Brito, idealizador do aplicativo. Foto: Sandro Lima
Olívia de Cássia - Repórter

O KnowBook, uma rede social que tem o conteúdo voltado exclusivamente para a educação com o foco no compartilhamento do conhecimento, foi idealizado pelo professor de literatura, o alagoano Beto Brito, e desenvolvido por uma empresa também alagoana, parceira no projeto.

O aplicativo foi criado em janeiro de 2015 e já tem 5.338 usuários e tem como objetivo levar a educação para os diferentes níveis de formação, segundo o idealizador,  “para atingir todas as classes sociais, sem distinção”, observa.  

Segundo o professor Beto Brito, o KnowBook  tem capacidade para armazenar conteúdos educacionais, para que o estudante tenha um acesso prático e rápido e possa também compartilhar esses esse conhecimento.  

“A ideia é fazer com que esses textos, fotos, vídeo-aula, possam chegar a um público de idades diferentes, de ambiente público ou privado e regiões diferentes. O aplicativo pode ser acessado por qualquer pessoa”, explica.

Segundo Beto Brito, um estudante da rede pública de ensino de Alagoas pode ter acesso ao conteúdo de outro estudante da rede privada de ensino de São Paulo. “A ferramenta é totalmente gratuita e une o útil ao agradável, fazendo a interação entre estudantes de todo o Brasil e, quem sabe, do mundo”, argumenta.

A rede social não é restrita apenas para estudantes do ensino fundamental ou ensino médio. “Ela também pode ser utilizada por universitários, pós-graduandos, mestrandos, doutorandos, bem como concurseiros. Cada estudante terá acesso ao conteúdo específico para a área que escolher”, pontua Beto Brito.

O aplicativo está sendo divulgado nas escolas, nas redes sociais e voltado para eventos de tecnologia. O professor explica que está participando de eventos educacionais para divulgar a ferramenta a diversos públicos.

O KnowBook   está disponível  para os celulares e tablets que funcionam com o sistema operacional IOS, e na Play Store, para os celulares e aplicativos que utilizam o sistema Android. 

Quem quiser mais informações sobre a ferramenta pode ligar para Beto Brito [CEO KnowBook App | (82) 9.9111.1147]; ou Júnior Viana, representante KnowBook App | (82) 9.9910.5552; ou e-mail: aplicativoknowbook@gmail.com.



Produtor cultural e ator, Julien Costa vai lançar CD no final de janeiro

Foto: Olívia de Cássia
A ideia é colocar textos e músicas de artistas consagrados que ele aprecia e vender para os amigos
Olívia de Cássia – Repórter

Julien Costa é produtor cultural, além de ator, diretor e dramaturgo da Companhia Teatro da Meia-Noite Artistas Associados. Com 23 anos de teatro, ele conta que está lançando um CD, no final de janeiro.
A ideia é colocar textos e músicas de artistas consagrados que ele aprecia e vender para os amigos a R$ 10 para contribuir com os custos. Segundo ele, vai aproveitar a alta temporada, quando Maceió vai estar cheia de turistas.
“Será uma grande brincadeira, com textos e músicas que gosto; a cada dez anos, eu comemorava com gravação de CD; esse demorou mais um pouco.  Sou um lutador das artes cênicas e acho que a gente teve vários avanços este ano e estou bem esperançoso para 2016, que a nossa cultura se desenvolva mais”, observa.
O ator está com um projeto e conta qual a ideia: “É tentar filmar essas intervenções  com o público e pedir autorização deles para depois fazer um documentário audiovisual, mostrando o quanto as pessoas estão carentes, precisam falar e às vezes não conseguem nem para a própria família e nem para os amigos”, avalia.
Julien Costa diz que tem uma performance, que é uma intervenção de rua que ele está preparando. “É o vendedor de conselhos, baseado naquele ditado antigo que ‘se conselho fosse bom ninguém dava, vendia’. Aí eu vou ter um personagem que vai circular as ruas de Maceió”, explica.
Nesse trabalho, Julien destaca que o personagem sai com um banquinho para vender conselhos às pessoas; elas vão poder parar e os personagens vão sentar numa cadeirinha e pagar pelos conselhos dele. “Vamos ver quantas pessoas são capazes de pagar por conselhos”, comenta.
TECNOLOGIA
Ele observa que a tecnologia foi criada para encurtar distâncias, mas ela distancia os próximos. “Todo mundo hoje vai para um restaurante e fica no celular e ninguém conversa. Às vezes é um problema corriqueiro e simples”.
Segundo o ator, as pessoas estão tão acostumadas em buscarem as receitas na internet; para emagrecer, para engordar, para ficar bonita, maquiagem, “que estão esquecendo do simples, do básico, do essencial, que é a essência, que o simples está no abraço do filho, no diálogo com a mãe, a base de tudo é a família”, analisa. 

Emanuel Galvão lança novo livro de poesias na Bienal, dia 25, em Jaraguá


Da terra de Jorge de Lima e Povina Cavalcanti, o autor brinca com as palavras e, como Fernando Pessoa, diz que o poeta é um pouco mentiroso

Olívia de Cássia - Repórter - Primeiro Momento


O poeta palmarino Emanuel Galvão lança seu segundo livro de poesias, Elogio ao Desejo, no próximo dia 25, na Praça de Autógrafos da Bienal do Livro, no Centro de Convenções Ruth Cardoso, em Jaraguá. Poeta da terra de Jorge de Lima e Povina Cavalcanti, o trabalho é a prova de que as palavras podem expressar o desejo, o prazer e o amor: uma verdadeira obra para se apaixonar.

O poeta palmarino Emanuel Galvão lança seu segundo livro de poesias, Elogio ao Desejo, no próximo dia 25, na Praça de Autógrafos da Bienal do Livro, no Centro de Convenções Ruth Cardoso, em Jaraguá (Fotos: Adailson Calheiros)

Professor da Secretaria Municipal de Educação (Semed), artista visual, consultor em arte-educação, articulista e poeta, Emanuel Galvão brinca com as palavras, a sensualidade e o amor e vai preenchendo sua trajetória com poemas inundados de cotidiano e beleza.
Em Elogio ao Desejo, ele fala de sensualidade, mas principalmente de desejo. “Muito mais de desejo; mas o desejo de um modo geral. É claro que todo mundo leva para o lado sensual; do sexo; do apelo, mas na verdade a gente acorda com o desejo; seja ele de ser feliz, de que tudo dê certo, das coisas ficarem bem, de ser feliz”, filosofa.
Num papo bem descontraído na sala de recepção do jornal Tribuna Independente, o poeta diz que o desejo move a vida. “Deus desejou o mundo; o homem, e disse: faça-se!, tanto é que tem uma parte que fala assim; quando o desejo se apresenta, você trai ou você trai o desejo”.
Emanuel Galvão avalia que a sua poesia diz o que outras pessoas querem dizer. Conta a história de outras pessoas. “Tem gente que já achou que eu era um pegador; um pecador, mas na verdade o poeta é um grande mentiroso, como disse Fernando Pessoa (no poema Autopsicografia), então eu conto as histórias. Morro de inveja dos cronistas e queria muito ser um”, simplifica.

Emanuel Galvão avalia que a sua poesia diz o que outras pessoas querem dizer

A poesia desse poeta de boa lavra é um pouco da crônica e segue uma tendência do primeiro, Flor Atrevida, seu primeiro livro lançado em 2007. “Esse livro ia ter outro título, ia ser outro livro; aí eu me deparei com o texto A pretexto, de Juliano Becker, consegui autorização de última hora para colocar no livro”, explica.
O poeta conta que o texto fala justamente disso: “’Não se deixe levar pela minha lábia, pela minha palavra; não cometa isso. Vá para a cama, porque tudo o que eu quero é suas páginas em branco e deitar minha caneta, minha lavra. Se contente com os textos jornalísticos e acadêmicos. A poesia vai te corromper’. Fiquei fascinado e apesar de o livro estar pronto, fiz umas modificações e ficou bom”, avalia.
A linha do livro é essa. Ele diz que fez um poema em homenagem a Niemayer e as pessoas gostaram e disseram: “Está lindo, mas cadê aqueles poemas?, então o público, principalmente o feminino gosta, porque os poemas não são melosos; fala de um amor de uma forma mais realista e como disse Manuel Bandeira, ‘se queres ser feliz no amor, esquece tua alma’”, pontua.
Tendo influências de vários poetas da língua portuguesa, o poeta comenta que a alma é que estraga o amor. “Deixa que teu corpo se entenda com outro corpo que os corpos se entendem, mas as almas, não. Afonso Romano de Santana também dizia que nos poemas dele também falavam disso: há uma influência muito grande no que escrevo; claro que nem se compara”, observa.
Emanuel cita Vinícius de Morais e lembra que ele também era um poeta do amor, da pele, “de uma forma mais elaborada e fui vendo todas essas pessoas: a Bruna Lombardi; o Chico (Buarque de Holanda); Gonzaguinha. Tenho poemas nesse livro que de repente escrevo como mulher. Me coloco como ene pessoas. É difícil avaliar o que a gente faz, mas o livro está gostoso de ler”, recomenda.

ACADEMIA DE LETRAS

Emanuel Ferreira Galvão é membro da Academia Maceioense de Letras e faz parte do Movimento da Palavra, que reúne vários poetas contemporâneos do Estado, que se encontram uma vez por mês, leem e falam de suas poesias.
“Eu estava cotado para ser membro honorário da academia, mas quando Jucá Santos era presidente pediu que eu fizesse um breve registro; li um soneto de estilo parnasiano em um evento na praça e daí fui convidado para a academia. Foi uma surpresa muito agradável”, observa.
Nos poemas de Emanuel as palavras foram sendo lapidadas, polidas, ruminadas e recicladas; com o resultado positivo de seu trabalho nos diversos segmentos da sociedade alagoana, ele diz que está muito satisfeito.
Entre seus autores preferidos o poeta destaca: Vinicius de Moraes, Bruna Lombardi, Mário Quintana, Jorge de Lima, Afonso Romano de Santana, Clarice Lispector, Paulo Lemiski, Cora Coralina, Manoel de Barros, Sidney Wanderley e Francisco Valois.
Elogio ao Desejo está no prelo, ultimando o acabamento na gráfica e tem 104 páginas, com uma poesia em cada página e algumas citações de textos que o autor aprecia. O design do livro foi feito no Paraná.
Emanuel Galvão também é artista plástico, escultor e se considera um autor contemporâneo. “Eu sou um mentiroso; o poeta é um fingidor e quem lê o meu livro vai pensar que fui apaixonado por meio mundo de mulheres”, destaca.
O poeta brinca comm as palavras. “Vou brincando com as palavras e elas fazem uso de mim; a poesia tem o papel de traduzir as emoções: as minhas e as das pessoas”, finaliza.

SERVIÇO:

O QUÊ: Livro Elogio ao Desejo
QUEM: Emanuel Galvão
QUANDO: 25 novembro

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Mães solteiras enfrentam a vida com dignidade

Por opção ou não, elas conseguem dar conta da vida e dos filhos, apesar da separação

Olívia de Cássia - Repórter - Tribuna Independente
Enfrentar a vida sendo mãe solteira não é tarefa das mais fáceis, ainda mais no Brasil onde a maioria da sociedade é conservadora e atrasada em algumas situações no que diz respeito à questão da mulher. São muitas as circunstâncias que as levam a enfrentar sozinhas a criação e educação de seus filhos.
Renata Castro tem 25 anos, é nutricionista, mãe solteira por opção e engravidou aos 18, quando ainda estava cursando o ensino médio (Foto: Arquivo Pessoal)
No caso das mães solteiras, a dor de não poder compartilhar diariamente o cotidiano, as penas e as alegrias da paternidade, é igualmente intensa, porém logo se transforma em uma carga com a qual é preciso aprender a conviver, segundo os especialistas.
Renata Castro tem 25 anos, é nutricionista, mãe solteira por opção e engravidou aos 18, quando ainda estava cursando o ensino médio. “Engravidei aos 18 anos, ainda estava cursando o terceiro ano do ensino médio, mas não parei de estudar, pois tive apoio da minha mãe. Quinze dias depois que meu primeiro filho nasceu, comecei a faculdade e no meio do curso engravidei de novo, mas continuei estudando até a semana de ele nascer”, comenta.
A nutricionista destaca que depois de muitas lutas conseguiu terminar o curso, abrindo mão de noites de sono porque a única hora que tinha livre para estudar era nas madrugadas: “Minha mãe me ajudou muito e ainda ajuda, pois agora faço especialização em outro Estado e ela fica com os meus filhos para que eu possa estudar”, ressalta.
Ela conta que o pai dos meninos nunca foi muito presente: nem financeiramente nem na criação dos meninos. “Depois de muitas brigas ele vê os filhos a cada 15 dias e ajuda financeiramente (mesmo que não seja o suficiente)”, destaca.
Renata avalia que ser mãe solteira não é nada fácil, pois ainda existe muito preconceito na sociedade, “pois além de ser difícil educar os filhos, sozinha, ainda mais no mundo em que vivemos; mostrar a eles o caminho certo, longe de más companhias, drogas e outras situações negativas”, pontua.
A jovem mãe argumenta também que mesmo com todas as dificuldades, hoje está mais comum mulheres assumirem a maternidade sozinha, “pois vivemos em uma sociedade igualitária, homes e mulheres independentes. Hoje sou muito mais feliz depois da maternidade, tenho o tempo com meus filhos e tenho tempo para mim”, destaca.
Ela comenta que também tem tempo para socializar com os amigos e fazer novas amizades, mesmo sendo uma tarefa difícil: “Nem sempre posso fazer as coisas que quero, ou porque não tem quem fique com os meninos ou eles estão doentes, não faria nada de diferente”, explica.
Renata ressalta ainda que é mãe solteira por opção: “Sou mãe solteira por opção, porque não achava justo que meus filhos me vissem sofrendo por um relacionamento fracassado onde não existia respeito de uma das partes; meus filhos me tornaram uma pessoa melhor”, reforça.
Luciana Vieira conta que engravidou aos 17 anos do namorado e, da mesma forma que Fernando não aceitou a notícia quando teve a informação, a abandonou nos primeiros meses da gestação. “Eu não acreditei que aquela situação estivesse acontecendo comigo, porque durante o nosso namoro, ele se mostrava carinhoso, amoroso, avançado nas ideias e era muito companheiro”, destaca.
Depois da notícia da gravidez, ela explica que o namorado logo arrumou outra e deixou de falar com ela, como se ela tivesse cometido algum pecado grave ou tivesse erra feio com ele. “Não dava para acreditar que aquele cara que por quem eu tinha me apaixonado e estava morrendo de amor, tivesse errado tanto comigo; eu me perguntava o tempo todo onde eu tinha errado”, pontua.
Hoje em dia Luciana diz que não tem mais raiva de Fernando: “Cada um foi para o seu lado, tive que assumir a situação de mãe solteira sozinha, criar minha filha apenas com a ajuda da minha tia, pois sou órfã e não tinha mais meus pais para me ajudarem”, desabafa.
Ela explica que teve dificuldade para terminar de estudar, pois teve que conseguir um emprego por meio período, a tia ficava com a criança para que ela estudasse, mas ela disse que não foi muito longo e depois que terminou o ensino médio parou.
“Sinto falta de ter mais conhecimentos, mais estudos, mas por conta das dificuldades que a vida foi impondo, eu tive que abdicar dos meus sonhos”, ressalta.

Brasil tem mais de 20 milhões de mulheres que trabalham e cuidam dos filhos  

O Brasil tem 67 milhões de mães; dessas, 31% são solteiras e 46% trabalham, segundo pesquisa do Instituto Data Popular.  Jovens ou não, 55% das mães pertencem à classe média, 25% à classe alta e 20% são de classe baixa. De acordo com o estudo, as mães do século XXI são menos conservadoras.
A secretária da Mulher da Central Única dos Trabalhadores em Alagoas (CUT\AL), Girlene Lázaro, avalia que o número revelado na pesquisa é muito alto e que essa relação na sociedade precisa ser revista. (Foto: Arquivo TribunaIndependente)
Entre as mães do século passado, 75% acreditavam que uma pessoa só poderia ser feliz se constituísse família. Hoje esse papel já mudou, com a liberação da mulher e a vida moderna. A secretária da Mulher da Central Única dos Trabalhadores em Alagoas (CUT\AL), Girlene Lázaro, avalia que o número revelado na pesquisa é muito alto e que essa relação na sociedade precisa ser revista.
Segundo ela, é surpreendente esse número, “mas tendo em vista essa transformação que a sociedade vem passando, a gente imagina como isso vem acontecendo cada vez mais. Cotidianamente a gente vê jovens que durante um relacionamento engravidam; na gestação assumem ter o filho e os namorados se afastam, não assumem a criança e elas têm que fazê-lo  sozinhas”, destaca.
Diante dessa possibilidade, a secretária da Mulher da CUT observa que essas mães entram no mercado de trabalho; assumem o filho, e os avós, que muitas vezes são idosos e não estão mais trabalhando, tomam conta das crianças.
“Isso vem aumentando, como diz a pesquisa; são mães que têm que estudar; trabalhar, ou às vezes abrir mão do estudo para poder trabalhar porque elas têm que assumir o filho que gerou e assumir sozinha, isso é uma dificuldade”, pontua.

Secretária da Mulher observa que quase sempre a mulher encara sozinha a maternidade

Girlene avalia que a sociedade precisa repensar essa questão e pergunta: “Por que é que sempre sobra para a mulher? Ou por que é sempre a mulher que encara sozinha a maternidade, quando os homens não assumem os filhos? Qual é o sentido de família ou de compromisso da relação entre um homem e uma mulher?”, questiona.
Militante do movimento feminista, a diretora sindical observa ainda que os homens têm que assumir as consequências de seus atos; sejam elas boas ou más. “As consequências sempre são colocadas para a mulher e essa relação passa por toda essa discussão de gênero, onde os homens ainda acham que cuidar da criança não é responsabilidade dos pais”, pontua.
A maioria dos homens, segundo  Girlene Lázaro,  não se sente responsável pela paternidade e fica uma carga muito pesada para a mulher, porque além de todas as questões que ainda permanecem na sociedade em relação à divisão sexual do trabalho, ela ainda tem que enfrentar a questão de gênero.
“Quando a mulher define que vai fazer um aborto, a sociedade condena; se ela faz, ela é marginalizada. Se assume a responsabilidade de engravidar, a carga é só dela, porque o pai não assume e ela é discriminada como mãe solteira. Ainda há esse preconceito na sociedade  com a mãe solteira, é como se não visse isso com bons olhos e essa característica não fosse uma realidade”, avalia.
A líder sindical destaca ainda que esse comportamento social de discriminação com as mulheres que assumem os filhos sozinhas é como se estivéssemos no século passado e que é preciso compartilhar as responsabilidades.
“É preciso uma mudança de concepção na sociedade, uma transformação em relação a isso, onde haja uma divisão de responsabilidade e as pessoas entrassem numa relação sabendo as consequências e não só a mulher fosse culpada ou criminalizada por isso”, complementa.

Psicólogo destaca que responsabilidades têm que ser compartilhadas

O psicólogo Arnaldo Santtos observa que num casamento tradicional em que um pai e uma mãe vão cuidar de um bebê, as responsabilidades têm que ser compartilhadas, pois a vida do casal vai mudar completamente.
O psicólogo destaca que o apoio da família é fundamental. (Foto: Arquivo Pessoal)
“São diversas as responsabilidades que serão assumidas para o resto da vida. Imagina se com toda essa responsabilidade, se a mãe tiver que cuidar do filho, sozinha? O fato de estar gestante já é por si só um fato ímpar na vida da mãe. É o que representa de mais sublime numa mulher: parir um filho, dar a luz. Esse poder, somente a mãe tem”, ressalta.
Segundo Arnaldo Santtos, mesmo no ventre da mãe, o feto, e posteriormente o bebê, já sente todo ambiente externo: “Seja ele positivo ou negativo, estressante ou não. Todas as emoções da mãe serão passadas para o bebê.  Se a opção de ter o bebê sozinha for da mãe, mesmo assim, é preciso que se tenha plena consciência da situação, ou seja, de toda responsabilidade que se vai assumir”, explica.
O psicólogo destaca que o apoio da família é fundamental. “Ter um bebê “independente” é erro, até mesmo conceitual. O bebê não deve ser uma espécie de “objeto” da mãe: “eu produzi meu bebê.” Isso cria mecanismo de posse. E posse é um dos sinais de existência de algum tipo de patologia”, avalia.
Outro aspecto destacado pelo especialista é o ciúme possessivo. “Também é um sinal de que a pessoa precisa de psicoterapia. Apresentar comportamento de posse sobre o outro não é um comportamento saudável; aliás, o comportamento de amor é exatamente o inverso: é dar liberdade ao outro”, conceitua.  
Em sua explanação, Arnaldo Santos destaca ainda que o papel de um pai na relação de criação do bebê é fundamental. “Na psicanálise ele representa a lei, o “não”, embora esse papel possa ser representado, também pela mãe, mesmo numa relação heterossexual”,  pontua.  
“Se a questão do criar o filho sozinho pela mãe foi porque o companheiro abandou o bebê, além da gestante, isso vai ter um efeito psicológico ainda muito mais negativo na mãe. Seria o sentimento de abandono duplo e neste caso é preciso que a mãe tenha um acompanhamento psicoterápico para suportar o sofrimento e também amenizá-lo”, finaliza.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Moradores da Vila Nossa Senhora do Carmo reclamam de descaso

Um ano e sete meses depois de explosão apenas sete famílias retornaram para caso

Olívia de Cássia - Repórter - Tribuna Independente
Um ano e sete meses depois da explosão de um silo do Moinho Motrisa, que atingiu 26 casas na Vila Nossa Senhora do Carmo, na Avenida Comendador Leão, no bairro do Poço, em Maceió, no dia 7 de abril de 2014, apenas sete moradores voltaram para suas casas e todos os proprietários dos imóveis atingidos aguardam o reparo que ainda não foi feito pela empresa, segundo eles.
Um ano e sete meses depois da explosão de um silo do Moinho Motrisa, que atingiu 26 casas na Vila Nossa Senhora do Carmo, na Avenida Comendador Leão, no bairro do Poço, em Maceió, no dia 7 de abril de 2014, apenas sete moradores voltaram para suas casas (Fotos: Adailson Calheiros)
A reportagem fez uma visita na tarde desta quarta-feira ao local e conversou com duas moradoras que revelaram apreensão e medo de que aconteça outro desabamento no Moinho. Dona Telma Cedrim disse que a sua casa está toda rachada, teto de gesso com fendas enormes e outros problemas.
Ela ainda não voltou para a vila e estava no local acompanhando dois pedreiros que foram olhar as rachaduras. Dona Telma mostrou cada cômodo do seu imóvel e disse que as pessoas das sete casas que retornaram são as que moram do lado oposto. 
Dona Telma Cedrim disse que a sua casa está toda rachada, teto de gesso com fendas enormes e outros problemas
“No meu caso, que moro muito próximo ao moinho, a minha casa rachou toda. O que foi de laje ela foi rachada. O que eu quero é que o Moinho deixe a minha casa do jeito que estava para eu voltar a morar. Não quero nada além disso; quero voltar para minha casa com segurança”, disse ela.
A proprietária do imóvel atingido na explosão do moinho disse que levou o pedreiro para ele ver a situação. “O Gesso e  uma parede atrás racharam, a casa está toda deteriorada, meus móveis estão se acabando, já joguei alguns no lixo; a gente não está de favor”, pontua.
Segundo ela, no dia do acidente, os moradores estavam numa tarde dentro de casa quando tudo desabou. “Eu não fui culpada. A manutenção da minha casa eu faço, mas a do Moinho, não. A vida dos proprietários da empresa continua a mesma, mas a minha mudou: eu não tenho mais a minha casa para retornar”, reclamou
Dona Telma Cedrim é moradora da Vila Nossa Senhora do Carmo há 40 anos: “Tenho meu pai enfartado, que teve que sair às pressas. Todo dia ele pergunta quando volta para casa. E esse emocional nosso, quem vai arcar?” indaga.
A moradora reforçou que não está pedindo favor e que não quer que a empresa construa uma parede que não tinha. “Eu quero que deixe minha casa limpa, pintada, com tudo feito para poder eu voltar: não quero mais nada, a não ser isso”, repete.
Segundo Telma Cedrim, um dos representantes da empresa perguntou quem teria dito que foi um acidente o que aconteceu com os moradores da vila. Enquanto ela mostrava as condições de seu imóvel, com a mobília coberta de poeira e mofo, sem manutenção, trabalhadores estavam fazendo serviço em um silo, atrás do moinho.
 “No dia do acidente, a poeira tomou conta de tudo e meu pai pensava que estava pegando fogo o moinho. Os móveis estão mofando, minha poltrona que comprei caríssima, está toda mofando”, reclamou.
Dona Neide Saraiva disse que passou oito meses fora, na Desembargador Mário Guimarães, mas voltou para ver a situação da casa, com dois meses que não visitava o local e quando chegou os armários estavam sendo destruídos pelos cupins, o teto impregnado desses insetos e outros problemas, aí resolveu voltar.
Dona Neide Saraiva disse que passou oito meses fora, na Desembargador Mário Guimarães, mas voltou para ver a situação da casa
 “Vim no Moinho, pedi um caminhão para fazer a mudança, estava morando numa casa que não é minha e meu imóvel se acabando. Eles (funcionários do MM) foram atenciosos, me deram um caminhão, mas minha casa está com problemas. O perito não quer que eu use a minha cozinha, por causa dos rachões”, ressaltou.
Outro problema apontado por dona Neide Saraiva é o de uma casa abandonada vizinha ao seu imóvel. “Dizem que já é do moinho, mas está abandonada há muitos anos, as raízes das árvores também estão afetando a minha cozinha; o terraço está se abrindo e meu filho não quer nem que eu estenda roupa aqui, com medo de que a parede caia em cima de mim e eu morra soterrada”, explicou.
Segundo dona Neide Saraiva, o Moinho ainda não tomou providências com relação ao seu imóvel. Para voltar a morar, ela disse que fez alguns reparos por conta própria, mas os rachões que estão no imóvel são grandes como a reportagem pode constatar.
A moradora disse que tem medo que aconteça outro acidente, principalmente à noite. “Tem uma parece ali que o piso cedeu e a parede está pensa, o oitão abrindo, então eu tenho medo de desabamento, principalmente quando a pessoa está dormindo”, observa
Segundo dona Neide Saraiva, a informação que circula entre os moradores é que o Moinho vai suspender os aluguéis. “Por isso que vim embora, felizmente meu filho está morando comigo”, disse ela.  
Já os comerciantes que ficam na rua de frete ao Moinho entraram com uma ação separada cobrando indenização. Os comerciantes ficaram 21dias sem abrir as lojas e por isso entraram na Justiça. Segundo um deles, que não quiseram se identificar, o Moinho indenizou uns poucos, com quantias pequenas.
“Fomos afetados, mas eles não pagaram a gente; passamos 21 dias fechados, depois 17 dias interditados, mas na verdade, deixamos para lá”, disse seu Silva.
Juiz da 4ª Vara faz inspeção em casas atingidas
Na manhã desta quarta-feira, 4, o juiz Marcelo Tadeu, da 4ª Vara Civil da capital, fez uma visita de inspeção às casas atingidas pelo desmoronamento do silo do Moinho Motrisa, acompanhado de um perito.
A visita teria sido solicitada pela defesa do Moinho. Em conversa por telefone ele disse que a visita foi para detectar a habitabilidade das casas e retorno dos moradores, dentro de 30 dias.
O magistrado disse ainda que algumas residências já podem ser habitadas e depois desta visita vai sentenciar a decisão, já que terá mais subsídios para amparar sua decisão. “A primeira casa (do lado esquerdo de quem entra na vila) está toda danificada, estruturalmente falando, com infiltrações; foi bastante atingida”, explicou.
O magistrado avalia que o Moinho Motrisa vai arcar com as despesas dos moradores atingidos na explosão, mas os danos morais  serão analisados em outra ação. “Estamos aguardando a resposta do juiz, para dizer quem pode e quem não pode voltar”, observou dona Telma Cedrim.
A reportagem tentou ouvir a direção do Moinho Motrisa, até o final da edição da matéria, mas não obteve êxito. 

Consciência negra

Olívia de Cássia – jornalista
(Foto: arquivo\Olívia de Cássia)

E chegou novembro de novo, mês de comemorações da Consciência Negra, onde se homenageia e festeja o herói  Zumbi dos  Palmares. Para o movimento negro, o herói deve ser lembrado durante todo ano e não apenas em uma data, pelo legado histórico que representa.

A programação do dia 20 de novembro já está sendo elaborada oficialmente, mas enquanto isso não se define, recomeçam os debates sobre a falta de estrutura na Serra da Barriga, em contraposição a tudo que Zumbi representa para nós palmarinos, o povo negro e todos aqueles que lutam por uma sociedade melhor e mais justa.  

O Parque Memorial Quilombo dos Palmares, implantado em 2007 pelo Ministério da Cultura, por meio da Fundação Cultural Palmares, na Serra da Barriga, reconstitui o cenário da história de resistência à escravidão: a história do Quilombo dos Palmares, o maior, mais duradouro e mais organizado refúgio de negros escravizados das Américas, índios e brancos degredados da sociedade brasileira.

Mas infelizmente, os moradores do município, parece que ainda não mensuraram  a importância que tem para a história. No Quilombo dos Palmares Zumbi reinou e foi assassinado em 1695.O local obrigou todo o povo que foi oprimido pela sociedade escravagista..

A Serra da Barriga foi tombada como Patrimônio Histórico, Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico, em 1986, depois de muita luta de pessoas como o professor Dilson Moreira,  imortalizando o local como símbolo de resistência e luta pela liberdade. Em 21 de março de 1997, Zumbi dos Palmares foi reconhecido pelo Governo Federal como herói nacional.

No quilombo o povo oprimido era acolhido e bem recebido. Algumas lideranças do movimento negro e da comunidade da Terra da Liberdade reclamam que os olhos dos gestores só se voltam para a Serra da Barriga quando se aproxima o 20 de novembro e durante o resto do ano o local fica subaproveitado.

Atualmente tem alguns problemas em sua estrutura e os olhos do mundo se voltam para Serra da Barriga, lugar de encantos e muita energia.  A riqueza do patrimônio imaterial afro-brasileiro tem sido preservada através da oralidade e das práticas religiosas, culturais e artesanais, encontradas nas casas religiosas de matriz africana e nas comunidades remanescentes de quilombo.

O local costuma reunir no Dia 20 de novembro, mais de 20 mil pessoas, onde são feitas apresentações do povo da religião de matriz africana, com cantos, orações, capoeira e várias exibições de grupos culturais afros de outros municípios,  em homenagem ao herói da liberdade.

Segundo os historiadores,  o Quilombo dos Palmares atingia um raio de 200 quilômetros, entre os estados de Alagoas e Pernambuco, com aproximadamente onze mocambos, onze povoados que o constituíam. Essa estrutura foi diminuída pelo Ipham (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, órgão do Ministério da Cultura que tem a missão de preservar o patrimônio cultural brasileiro). Essa diminuição, segundo avaliam,  foi porque tomaria muito mais espaço e já que a área está sendo pesquisada pela arqueologia, eles resolveram deixar o espaço mais restrito, para não tomar uma dimensão maior.

Depois de séculos da extinção do quilombo e do reconhecimento de Zumbi como herói nacional, que lutou contra as desigualdades e o preconceito racial, resta para nós  fazer uma reflexão do momento  de retrocesso  que a sociedade brasileira está vivendo, em que temas avançados  que foram aprovados na Constituição de 1988 estão sendo derrubados por um Congresso Nacional machista, preconceituoso e de mentalidade atrasada.


Zumbi vive em cada coração que luta por liberdade, independência e melhorias nas políticas sociais. Viva Zumbi!

Experiência de quase morte

 Por Olívia de Cassia Cerqueira A experiência de quase morte para os transplantados, rendeu uma página da editoria de Cidades, especial para...