terça-feira, 17 de novembro de 2020

Dias estranhos

Olívia de Cássia C. de Cerqueira

Estamos vivendo dias atípicos. No próximo dia 20 comemora-se o Dia da  Consciência Negra, mas no tempo de agora, o 20 de novembro de 2020, não temos muito ou nada para  comemorar, a não ser refletir  e refletir muito mais.

Que lições podemos absorver, em tempos de uma pandemia mundial, sem comemorações no dia 20 de novembro, data em que se homenageia o herói da liberdade Zumbi? Esse ano foi um período de novos desafios, novos hábitos que vão nos posicionar no futuro.

Além do embuste que o desgoverno atual colocou na Fundação Palmares, negando tudo o que os movimentos sociais sempre defenderam a pandemia que já matou centenas de pessoas e ameaça o mundo.

Desde o princípio das comemorações de reconhecimento e tombamento da Serra da Barriga, acompanho tudo de perto. Bem antes do Parque Memorial Quilombo dos Palmares ser construído eu já me envolvia nas comemorações.

Sérgio Camargo é jornalista Nega suas origens afro e chama movimento negro de "escória maldita". É um verme, atacou Zumbi, referindo-se a ele como um "filho da puta que escravizava pretos". Referiu-se a uma mãe de santo como "macumbeira", desdenhou do Dia da Consciência Negra e prometeu demitir diretores que não tiverem como "meta" a demissão de "esquerdistas".

Que retrocesso social foi esse? Mas vindo de um nojento que aceitou a subserviência  a um governo fascista, não se espera muito. É preciso que haja uma reação mais efetiva dos movimentos sociais.

Não adianta a gente negar a política, pelo menos a ciência e não a politicagem costumeira no Brasil. Domingo passado foi dia de eleições, um pleito diferente, mas que poderá nos trazer aprendizados.

Na eleição de 2018 os brasileiros fizeram uma escolha estranha: optaram pela volta ao retrocesso e à barbárie.  Nas eleições municipais de agora elegeram alguns candidatos igualmente estranhos.

A boa novidade é o Psol ter indo para o segundo turno em São Paulo, com Boulos e Erundina,  em Recife a neta de Miguel Arraes, Marília, do PT, também foi para o segundo turno. Nas câmaras de vereadores, com algumas exceções foram eleitos  personalidades, digamos, estranhas a alguns desafios.

Mas esses desafios estão colocados para que os grupos políticos partidários progressistas se também se renovem e se reciclem e saiam da mesmice, voltando a suas bases, em algumas situações só lembradas em época eleitoral.

Mesmo com todas essas dificuldades que estão colocadas na atual conjuntura, não devemos desistir de lutar por aquilo que acreditamos e lutamos. A luta continua. Viva Zumbi, viva Dandara e todos que lutam contra o preconceito e por dias melhores

Nenhum comentário:

Sobre falar de preconceito

Olivia de Cássia C. de Cerqueira   Recorro a uma ferramenta antiga que costumava utilizar, sempre que me surgia um pensamento, para não ...